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29.05.2022

O Grande Racha

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Atos dos Apóstolos
  • Livro: Atos

[Atos 15.36-41] 36Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: “Voltemos para visitar cada uma das cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como os irmãos estão indo”. 37Barnabé queria levar João Marcos, 38mas Paulo se opôs, pois João Marcos tinha se separado deles na Panfília, não prosseguindo com eles no trabalho. 39O desentendimento entre eles foi tão grave que os dois se separaram. Barnabé levou João Marcos e navegou para Chipre. 40Paulo escolheu Silas e partiu, e os irmãos o entregaram ao cuidado gracioso do Senhor. 41Então ele viajou por toda a Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas de lá.

PERSONAGENS SEM DISFARCES

Diferentemente das lendas populares, a Bíblia nunca disfarça seus heróis; pelo contrário, ela tece seus personagens com os fios coloridos – inclusive os pretos e os brancos e até os fios desbotados – da realidade: [1.] Num instante estamos lendo sobre Davi atuando com bravura, atirando uma pedra em Golias, decepando o gigante filisteu; mas há outra cena desse mesmo homem na qual o achamos atolado no lamaçal do pecado, olhando com lascívia para a esposa do próximo, forjando-a em seu objeto de prazer e, na sequência, ao descobrir que Bate-Seba estava grávida, tramando a morte de Urias, o esposo da mulher e fiel soldado do rei. [2.] Admiramos Pedro, quando ele deixa suas redes para seguir Jesus, mas nós balançamos a cabeça em desgosto quando ele nega três vezes o Senhor na véspera da crucificação. Não faltam exemplos como esses na Bíblia.

As Escrituras pintam seus personagens de forma realista, sem disfarces… e essa é uma boa notícia. Afinal, podemos nos identificar com os homens e as mulheres da Bíblia. Aprendemos na leitura bíblica que todos os seus personagens (com exceção do Deus trino, claro!) são apenas como nós; sujeitos aos mesmos sentimentos, humanos como a gente (cf. Tg 5.17); e se Deus pôde usá-los, ele pode nos usar de igual forma.

No final de Atos 15, no texto que acabamos de ler, o historiador Lucas – que era inspirado pelo Espírito Santo – descreveu para os seus leitores a dupla Paulo e Barnabé à luz penetrante do realismo, sem disfarces. Aprendemos que esses dois missionários estavam longe de serem santinhos de barro ou gesso, dignos da veneração dos fieis. Bem longe disso, na verdade! Eles eram homens falíveis que tinham opiniões fortes – opiniões que às vezes se chocavam. De fato, na passagem bíblica em tela, descobrimos que Paulo e Barnabé eram como dois fios de alta-tensão desencapados que, ao se atritarem, entraram em curto-circuito e explodiram. A coisa ficou tão feia, a explosão do choque de vontades foi tal que acabaram rachando para nunca mais andarem juntos.

Você já passou por experiência semelhante? Já encarou um confronto como esse, de revirar o estômago? A maioria de nós já sofreu com esses curto-circuitos de temperamentos. É minha esperança que, ao olharmos para o racha entre Paulo e Barnabé (e o desdobrar da história), aprendamos algumas lições sobre a providência divina e a preservação da paz e da harmonia ao discordarmos com o outro – seja no lar, na igreja; seja onde for.

O CONTEXTO DO RACHA

Racha nenhum começa da noite para o dia; geralmente, o caldo vai fervendo devagarinho, ao fogo baixo da panela de pressão dos relacionamentos. Foi assim com Paulo e Barnabé. — Vamos ao contexto:

NOS CAPÍTULOS 13 E 14 DE ATOS, Lucas registrou como o Espirito Santo separou Paulo e Barnabé, presbíteros da igreja de Antioquia da Síria, para levarem o evangelho a cidades e regiões que não conheciam a obra salvadora de Cristo.

Durante aproximadamente dois anos, eles anunciaram a palavra de Deus na ilha de Chipre, depois na Galácia e na Ásia Menor. Nessa última região, onde hoje se localiza a Turquia, eles anunciaram o evangelho nas cidades de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe e Perge. Cumprida a missão, Paulo e Barnabé retornaram à sua base missionária em Antioquia da Síria, onde apresentaram à igreja que os havia enviado os relatórios de suas atividades no campo missionário. PRESTE ATENÇÃO: Apesar de enfrentarem dificuldades e perseguições, o resultado da primeira viagem missionária foi encorajador, pois, por meio do ministério deles, Deus abriu aos gentios a porta da fé, levando muitos ao conhecimento salvífico do evangelho de Cristo.

O CAPÍTULO 15 DE ATOS é dedicado à controvérsia judaizante. Paulo e Barnabé precisaram enfrentar um problema sério que se arrastava da Galácia e que pipocou em Antioquia da Síria: a suficiência da graça e da fé na salvação – uma questão que ameaçava tanto o evangelho cristão como a paz e a unidade da igreja. A história foi a seguinte:

  • Alguns judeus crentes, vindos de Jerusalém, estavam ensinando que os gentios precisavam ser circuncidados e observar as leis cerimoniais judaicas para serem salvos. Não sendo possível resolver o problema localmente, a igreja de Antioquia decidiu enviar Paulo, Barnabé e outros representantes da congregação aos apóstolos e presbíteros da igreja de Jerusalém, em busca de uma solução pautada no evangelho para a questão.
  • O Concilio de Jerusalém alinhou-se a Paulo e Barnabé, sustentando a salvação dos gentios pela graça de Deus mediante a fé na obra redentora de Cristo, independentemente da observância das leis cerimoniais de Moisés.
  • O Concílio determinou apenas algumas restrições relacionadas a práticas religiosas pagãs, como concessão aos costumes judaicos, garantindo o testemunho dos cristãos aos olhos dos judeus que precisavam de salvação. A decisão do concilio foi enviada por escrito à Antioquia da Síria e às regiões vizinhas, por meio de Paulo, Barnabé e dois representantes do concílio: Judas e Silas. A decisão foi bem recebida pela igreja.
  • Resolvida a questão judaizante, como vimos na última mensagem pregada (domingo retrasado), Judas e Silas permaneceram por algum tempo em Antioquia da Síria, fortalecendo os irmãos. Paulo e Barnabé também permaneceram na igreja, ensinado e anunciando o evangelho de Cristo.

A ÚLTIMA SEÇÃO DO CAPÍTULO 15 DE ATOS fornece o pano de fundo da segunda viagem missionária de Paulo, a qual será narrada nos capítulos 16 a 18. Pois bem, nesta exposição bíblica de Atos 15.36-41, consideraremos: [1.] o desejo de Paulo, ao propor a Barnabé que visitassem as igrejas estabelecidas na primeira viagem (v. 36); [2.] a desavença explodida entre eles, envolvendo João Marcos (vs. 37-39a); e [3.] o desfecho encontrado para o problema (vs.39b-41); e no final nós faremos algumas aplicações concernentes à resolução de conflitos.

O GRANDE RACHA SURGIU DE UM BOM DESEJO

A primeira coisa a ser observada neste texto é que O GRANDE RACHA SURGIU DE UM BOM DESEJO. Observe com atenção:

Atos 15.36 Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: “Voltemos para visitar cada uma das cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como os irmãos estão indo”.

Paulo queria dar início à segunda viagem missionária; e a motivação era o grande cuidado que ele e Barnabé nutriam pela saúde das igrejas por eles plantadas (na primeira viagem missionária, narrada em Atos 13 a 14). Esses missionários tinham consciência de que o cumprimento da Grande Comissão depende de plantação e de manutenção de igrejas saudáveis. — NOTE: não há cristianismo sem igreja local no Novo Testamento. — Observe a tônica do início da segunda viagem missionária do apóstolo:

Atos 16.4-5 4Em toda cidade por onde passavam, instruíam os irmãos a seguirem as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. 5Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número a cada dia.

Veja que o grande racha surgiu de um bom desejo: unidade e bom testemunho dos cristãos (conforme a decisão do Concílio de Jerusalém), edificação da igreja e evangelização dos perdidos. Eram essas coisas que ditavam o tom do desejo de Paulo para a segunda viagem missionária; não há cristianismo sem igreja local no Novo Testamento.

Paulo e Barnabé, após retornarem do Concílio de Jerusalém (At 15.1-29), devem ter passado cerca de um ano em Antioquia da Síria (At 15.30-35). Lucas nos informa em Atos 15.35 de que “Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia. Eles e muitos outros ensinavam e pregavam a palavra do Senhor naquela cidade.” — Alguns sugerem que eles possam ter passado verão, outono e inverno na igreja (ensinando e pregando!), e decidido partir na primavera seguinte para a próxima etapa da missão. A primavera ou o verão eram as estações do ano mais propícias para a realização de viagens difíceis, naquela época. Dai é que se lê: Atos 15.36 — Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: “Voltemos para visitar cada uma das cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como os irmãos estão indo”.

Note: “PAULO DISSE A BARNABÉ”! Ou seja, pela graça de Deus, Paulo havia se tornado o líder da obra missionária entre os gentios; mas Barnabé tinha sido quem o discipulou. — Recorde comigo:

PRIMEIRO, o caráter de Barnabé:

Atos 4.36-37 36José, a quem os apóstolos deram o nome Barnabé, que significa “Filho do encorajamento”, era da tribo de Levi e tinha nascido na ilha de Chipre. 37Ele vendeu um campo que possuía e entregou o dinheiro aos apóstolos.

SEGUNDO, o cuidado de Barnabé:

Atos 9.22-27 22A pregação de Saulo tornou-se cada vez mais poderosa, pois ele deixava os judeus de Damasco perplexos, provando que Jesus é o Cristo. 23Depois de certo tempo, alguns judeus conspiraram para matá-lo. 24Dia e noite, vigiavam a porta da cidade com a intenção de assassiná-lo, mas ele foi informado desse plano. 25Então, durante a noite, alguns de seus discípulos o baixaram pela muralha da cidade num grande cesto. 26Quando Saulo chegou a Jerusalém, tentou se encontrar com os discípulos, mas todos estavam com medo dele, pois não acreditavam que ele tivesse de fato se tornado discípulo. 27Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como Saulo tinha visto o Senhor no caminho para Damasco e como ele lhe havia falado. Contou também que, em Damasco, Saulo havia pregado corajosamente em nome de Jesus.

TERCEIRO, o comissionamento de Barnabé:

Atos 11.22-26 22Quando a igreja de Jerusalém soube do que havia acontecido [a conversão de muitos gentios pela pregação de cristãos dispersos pela perseguição], enviou Barnabé a Antioquia. 23Ao chegar ali e ver essa demonstração da graça de Deus, alegrou-se muito e incentivou os irmãos a permanecerem fiéis ao Senhor. 24Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão se converteu ao Senhor. 25Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo. 26Quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Ali permaneceram com a igreja um ano inteiro, ensinando a muitas pessoas. Foi em Antioquia que os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez.

QUARTO, o comando de Barnabé:

Atos 13.2-3 2Certo dia, enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separem Barnabé e Saulo para realizarem o trabalho para o qual os chamei”. 3Então, depois de mais jejuns e orações, impuseram as mãos sobre eles e os enviaram em sua missão.

Barnabé acolheu, amparou e assumiu o discipulado de Paulo. Barnabé foi tão eficiente nisso tudo que, ainda no início da primeira viagem missionária, Paulo assumiu o comando da missão, superando ao seu mentor. Sim, pois tão logo deixaram Pafos, em Chipre, “Paulo” não é mais chamado de “Saulo” e seu nome começa a aparecer primeiro, à frente do nome de Barnabé. NOTE:

Atos 13.13-14 13Paulo e seus companheiros saíram de Pafos num navio e foram à Panfília, onde aportaram em Perge. Ali, João Marcos os deixou e voltou para Jerusalém. 14Paulo e Barnabé prosseguiram para o interior, até Antioquia da Pisídia.

Nessa última passagem nós encontramos Paulo tomando o comando da expedição, e João Marcos abandonando o navio. Há quem pense que a razão para a deserção tenha sido a liderança forte de Paulo – e não mais o tão afável comando do primo Barnabé. Em todo caso, João Marcos abandonou a missão e voltou para a casa da mamãe Maria (tia de Barnabé) em Jerusalém (cf. At 12.12). PAULO NÃO ENGOLIU ESSA HISTÓRIA, conforme veremos daqui a pouco.

Essas informações todas são importantes para desembrulharmos o racha entre Paulo e Barnabé. Guarde-as no coração. Mas não deixe de enxergar que O GRANDE RACHA SURGIU DE UM BOM DESEJO: Atos 15.36 — Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: “Voltemos para visitar cada uma das cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como os irmãos estão indo”.

O RACHA SURGIU DE UMA EXPLOSIVA DESAVENÇA

A segunda coisa a ser observada neste texto é que O GRANDE RACHA SURGIU DE UMA EXPLOSIVA DESAVENÇA. Não foi perseguição religiosa, sofrimento pessoal ou desvio doutrinário que finalmente provocou rachadura na igreja primitiva, mas um choque de opiniões, um curto-circuito de personalidades. Observe com atenção:

Atos 15.37-39a 37Barnabé queria levar João Marcos, 38mas Paulo se opôs, pois João Marcos tinha se separado deles na Panfília, não prosseguindo com eles no trabalho. 39O desentendimento entre eles foi tão grave que os dois se separaram. […]

Paulo não considerou justo levar João Marcos, visto que o moço os havia abandonado na primeira viagem, logo que chegaram à Ásia Menor, retornando para Jerusalém (cf. At 13.13). Com efeito, Paulo usa uma expressão grega bastante forte, no versículo 38, para referir-se à “separação” de Marcos na primeira viagem: τoν ἀποστάντα (αφιστημι – aphistemi), utilizada outras vezes com referência a desvios, deserções ou apostasias (cf. Lc 8.13; At 21.21; 1Tm 4:1; e Hb 3.12). Portanto, para Paulo, a instabilidade de Marcos o desqualificava para os rigores da obra missionária – pelo menos naquele momento – e, para o apóstolo, a missão estava em primeiro lugar.

Visto que Paulo e Barnabé estavam igualmente convencidos cada um de sua posição, nenhum dos dois conseguiu persuadir o outro. Tanto o verbo “querer” (referindo-se a Barnabé) como o verbo “opor” (referindo-se a Paulo) no versículo 37 estão no tempo imperfeito (no original grego); ou seja: o que um queria e o que o outro se opunha não era momentâneo, e, sim, uma firme determinação. O resultado foi uma explosiva desavença, ou, como se lê no versículo 39, o “desentendimento entre eles foi tão grave que os dois se separaram”. O substantivo “desentendimento” é a tradução do grego παροξυσμος – PAROXISMOS – de onde se deriva a palavra portuguesa “paroxismo”.

SABE O QUE SIGNIFICA “PAROXISMO”? — Significa: espasmo [contração involuntária] agudo ou convulsão; momento de maior intensidade de uma dor; recorrência ou intensificação súbita dos sintomas de uma afecção [qualquer alteração patológica do corpo]; na geologia: aceleração violenta da atividade vulcânica.

A EXPLOSIVA DESAVENÇA PROVOCOU O RACHA que, momentaneamente, ficou irreconciliável. Dessa maneira, a unidade da igreja de Antioquia da Síria, tão recentemente coroada com alegria por causa da vitória em Jerusalém, foi conturbada por uma discordância entre os seus líderes mais destacados: Paulo e Barnabé.

Ambos certamente tinham suas razões. [1.] O LADO DE PAULO: João Marcos havia procedido mal ao abandonar seus companheiros, causando transtornos à obra missionária; e poderia fazer o mesmo se voltasse a acompanhá-los na segunda viagem. [2.] O LADO DE BARNABÉ: Uma segunda oportunidade para Marcos poderia ter efeito positivo, como parece ter acontecido (veremos mais daqui a pouco). De qualquer modo, o episódio parece confirmar a verdade das palavras dos próprios Paulo e Barnabé em Listra, na ocasião em que os pagãos da cidade quiseram adorá-los como deuses: Atos 14.15 (ARA) — “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos”.

Não deve ter sido fácil para Lucas registrar esse episódio. Contudo, na condição de historiador inspirado e honesto, ele não deixou de fazê-lo. — Como escreveu R. C. Sproul em seu comentário de Atos dos Apóstolos: “Os grandes heróis e heroínas da fé são descritos na história da redenção com todos os defeitos. Não há tentativa de maquiar suas faltas, fraquezas, ou mesmo os pecados dos maiores dentre os santos”. — A bem da verdade, era preciso explicar a razão da separação entre dois missionários tão ligados e bem sucedidos; só assim se teria uma correta compreensão dos acontecimentos: O GRANDE RACHA SURGIU DE UM BOM DESEJO E DE UMA EXPLOSIVA DESAVENÇA. Mas, graças a Deus que, em providência, todas as coisas cooperaram “para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28, ARA).

O RACHA SERVIU PARA UM ABENÇOADO DESFECHO

Apesar de lamentável, o racha entre Paulo e Barnabé parece ter se tornado útil para a promoção do reino de Deus – O RACHA SERVIU PARA UM ABENÇOADO DESFECHO.

A solução encontrada para o problema permitiu que, não um, mas dois grupos missionários trabalhassem simultaneamente em frentes diferentes (e tão necessárias). Barnabé e João Marcos partiram para Chipre, terra natal de Barnabé e talvez de Marcos, a fim de darem continuidade à obra ali iniciada na primeira viagem. Paulo e Silas foram para a Ásia Menor, por terra, passando pelas regiões da Síria e Cilicia:

Atos 15.39-41 39O desentendimento entre eles foi tão grave que os dois se separaram. Barnabé levou João Marcos e navegou para Chipre. 40Paulo escolheu Silas e partiu, e os irmãos o entregaram ao cuidado gracioso do Senhor. 41Então ele viajou por toda a Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas de lá.

Silas também era conhecido pelo seu nome latino: Silvano (2Co 1.19). Foi ele quem serviu de amanuense ou secretário para Paulo na composição das duas cartas aos tessalonicenses (1Ts 1.1; 2Ts 1.1). Silas ou Silvano era bastante qualificado para a tarefa ao lado de Paulo: além de ser um líder conhecido da igreja de Jerusalém (e um dos portadores da carta do Concílio, ao lado de Judas; cf. At 15.32), ele era profeta, cidadão romano e proficiente na língua grega (de fato, foi por meio de Silvano que Pedro escreveu suas cartas:1Pe 5.12). PORTANTO, o racha, pela providência de Deus, serviu para um abençoado desfecho: colocar em destaque os talentos de Silas ou Silvano.

E Barnabé, o que se deu com ele, qual foi o seu desfecho?

Com exceção de uma menção de Paulo, em Colossenses 4.10 (ao dizer que Marcos era primo de Barnabé), Atos 15.39 é a última referência cronológica bíblica a Barnabé. A partir daqui, Lucas vai se concentrar na obra missionária de Paulo. Segundo tradições antigas, Barnabé se estabeleceu definitivamente em Chipre. A Igreja Cipriota Ortodoxa (igreja de Chipre) ainda hoje considera Barnabé o seu fundador e primeiro bispo.

Paulo e Silas, por outro lado, partiram para a segunda região evangelizada na primeira viagem: a Ásia Menor. Seguindo por terra para o norte, eles atravessaram a Síria e a Cilícia, “fortalecendo as igrejas de lá” (At 15.41). IMPORTA NOTAR QUE, apesar da posição de Paulo parecer dura, e do apoio de Barnabé a Marcos se revelar útil no final, convém lembrar de que Paulo e Silas partiram com a bênção da igreja de Antioquia da Síria: Atos 15.40 — “Paulo escolheu Silas e partiu, e os irmãos o entregaram ao cuidado gracioso do Senhor.” — Exatamente como havia sido lá no início de tudo, em Atos 13.1-3. De fato, Deus abençoou sobremaneira o ministério de Paulo, tornando-o o grande apóstolo dos gentios, responsável pela maior obra missionária na História da Igreja.

Por essas razões, apesar de mencionar alguns fatos que poderiam ter feito Paulo ser menos rigoroso com João Marcos, João Calvino atribuiu a Barnabé, e não a Paulo, a responsabilidade pela separação. Matthew Henry justifica o rigor de Paulo no episódio, citando um provérbio popular: “Se um homem me engana uma vez, é falta dele; mas se me engana duas vezes, é falta minha, por confiar nele”; o puritano também cita um provérbio bíblico: Provérbios 25.19 — “Confiar numa pessoa desleal em tempos de dificuldade é como mastigar com um dente quebrado ou caminhar com um pé aleijado.” Charles Swindoll é de opinião, com base na benção da igreja em Atos 15.40, que Paulo ganhou o argumento aos olhos da congregação em Antioquia, mas perdeu um amigo.

Isso não significa, contudo, que Paulo seja o herói dessa história. O Senhor Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, é o herói. De qualquer maneira, na providência de Deus, a solução encontrada para o racha acabou sendo boa para todos: Barnabé, Marcos, Paulo e, principalmente, para o reino de Deus.

[1.] Barnabé pôde exercer o seu ministério onde parecia estar o seu coração: em Chipre, sua terra natal, com o auxílio de seu primo, com o qual, certamente se relacionava muito bem e se identificava.

[2.] João Marcos pôde ser treinado por Barnabé, tornando-se um servo útil, não apenas ao seu primo, mas posteriormente a Paulo (cf. Cl 4.10; Fm 23; e 2Tm 4.11).  

[3.] Silvano ou Silas, como vimos, tornou-se grande auxiliador dos apóstolos e missionário exemplar.

[4.] E Paulo, com a cooperação de vários auxiliares, pôde desempenhar a sua extensa e frutífera obra missionária, levando o evangelho de Cristo ao mundo, e produzindo, sob inspiração divina, a maioria dos livros do Novo Testamento.

O GRANDE RACHA

O racha entre Paulo e Barnabé, por causa de João Marcos, e a solução encontrada para o problema contêm lições práticas importantes. A passagem relata um problema real que, de uma forma ou de outra, costuma ocorrer na igreja (em qualquer igreja) – uma comunidade de pecadores salvos pela graça de Deus em Cristo (e também nos lares).

  1. É MAIS FÁCIL RACHAR POR PREFERÊNCIAS PESSOAIS ou traços de personalidade do que por princípios bíblicos e perseguições cruéis. Veja o caso da igreja primitiva: perseguições e sofrimentos não separaram Paulo e Barnabé; divergência doutrinária não apartaram Paulo e Barnabé (Gl 2.13); a questão dos judaizantes não rachou a igreja primitiva; mas o desentendimento a respeito de João Marcos (opiniões pessoais) racharam a dupla dinâmica da primeira viagem missionária.
  2. MATURIDADE ESPIRITUAL NÃO APAGA AS DIFERENÇAS de personalidade. Paulo e Barnabé eram crentes maduros, mas isso não apagou as diferenças. De fato, aprendemos dessa história que confrontos de personalidade podem surgir até entre pessoas que compartilham a mesma boa teologia básica e o mesmo comprometimento com a causa de Cristo. A realidade é que respeito mútuo e sentimento de gratidão um pelo outro, somados à maturidade espiritual de ambos, não impediram Paulo e Barnabé de racharem.
  3. O TROPEÇO DE ALGUÉM PODE SER O GATILHO PARA UM GRANDE RACHA. Veja o caso de João Marcos: qualquer que tenha sido o motivo de sua deserção, o fato foi o bastante para fazer explodir uma diferença que poderia ter custado o fim das viagens missionárias. Vigie, crente! Vigie! A obra é muito maior do que nós mesmos ou nossos desejos.
  4. O SEU PONTO FORTE PODE SER A BRECHA PARA A SUA MAIOR FRAQUEZA. [1.] Paulo era um homem forte, aguerrido e convicto. Força era seu ponto forte. Mas a fraqueza de Paulo era que ele, a princípio, não conseguia trabalhar com pessoas mais fracas, como Marcos, por exemplo, que tinha potencial, mas ainda não estava pronto. Paulo parece ter mudado, mas no início custou caro à sua amizade com Barnabé. Ouça: Romanos 15.1 — “Nós que somos fortes devemos ter consideração pelos fracos, e não agradar a nós mesmos.” e, na sequência, versículo 7: “Portanto, aceitem-se uns aos outros como Cristo os aceitou, para que Deus seja glorificado.” [2.] Barnabé tinha como ponto forte a alma graciosa, pacienciosa e encorajadora. Não era à toa que seu apelido era “filho do encorajamento”. Mas Barnabé tinha um ponto fraco: ser gracioso demais com quem precisava ser confrontado. Juntamente com Pedro, Barnabé deixou de comer com gentios na presença de crentes judaizantes (Gl 2.11-13). ENTÃO, A LIÇÃO É ESTA: conheça a si mesmo; peça conselhos; chame outros para te ajudar a enxergar seus pontos fortes e fracos. Onde, pela graça de Deus, você é forte e talentoso? Exercite essa força para a glória de Deus. Mas também tenha cuidado, porque sua força pode levá-lo(a) ao pecado se você não estiver em guarda. [1.] Um homem que é forte em discernimento e em verdade pode facilmente tornar-se crítico e implacável. [2.] Um homem que é forte em aceitar os outros pode facilmente errar tolerando pecados graves ou erros doutrinários letais.
  5. DEUS SEMPRE USA INSTRUMENTOS IMPERFEITOS em seu serviço, portanto, não devemos confiar muito nos homens, mas em Deus, o único que é perfeito. Você não poderia encontrar dois servos mais piedosos e dedicados do que Paulo e Barnabé, e ainda assim aqui estão eles, em conflito um com o outro. Noé era o homem mais justo da terra e, no entanto, após a libertação de Deus através do dilúvio, ele ficou bêbado e se expôs vergonhosamente ao filho. Jó era o homem mais justo de sua época, e ainda assim ele lutou erroneamente com Deus por afligi-lo. Davi era um homem segundo o coração de Deus, e mesmo assim caiu em um pecado terrível. Como Salomão lamentou, não há homem que não peque (1Reis 8.46). — Embora haja um lugar apropriado para a confiança nos líderes que Deus coloca sobre nós, há uma confiança imprópria que os eleva muito além do devido. Se confiarmos nos homens e não no próprio Senhor, seremos abalados quando eles homens nos decepcionarem.
  6. A UNIDADE CRISTÃ NÃO SIGNIFICA QUE TODOS DEVEMOS TRABALHAR EM ESTREITA COLABORAÇÃO uns com os outros, mas que sob a mesma verdade e a mesma luz do evangelho, por vezes, seguiremos caminhos diferentes – estilos diferentes, gostos diferentes, prioridades diferentes, práticas diferentes, etc.
  7. NÃO SE DEVE PERMITIR QUE CONFLITOS DE PERSONALIDADE OU DIFERENÇAS MENORES IMPEÇAM A CONTINUIDADE NO SERVIÇO DO SENHOR. Paulo e Barnabé se separaram, sim, mas nenhum viveu para destruir o outro, tampouco deixou de servir o Senhor. Até mesmo Marcos encontrou o caminho da restauração, e se tornou útil no ministério dos apóstolos.
  8. QUANDO VOCÊ ENFRENTAR UM CHOQUE DE PERSONALIDADE com outro cristão, como certamente acontecerá (mais cedo ou mais tarde), tente desengajar suas emoções e pense objetivamente nas respostas a estas cinco perguntas:
    1. Qual é a real natureza do conflito? (pecado? doutrina? personalidade?)
    2. Há algum princípio bíblico importante em questão?
    3. Quais qualidades de caráter piedoso o Senhor está tentando desenvolver em mim por meio desse confronto?
    4. A causa de Cristo será promovida ou prejudicada se eu continuar a trabalhar de perto com essa pessoa?
    5. O que pode ser feito de diferente?
  • Pense no caso de Paulo, Barnabé e João Marcos. PAULO: Vamos dar a Marcos um mês de experiência, se não der, a gente manda ele para casa. BARNABÉ: Vamos enviá-lo a uma missão menos exigente, depois a gente avalia se o traz para perto. PAULO E BARNABÉ: Vamos levar mais gente conosco, se Marcos der para trás, a gente segue com Silas e os demais.

Mas eu quero terminar com o evangelho.

O racha mais terrível da história não foi entre Paulo e Barnabé. Foi entre Deus e os homens. Pecamos. Rachamos e nos separamos de Deus (e do próximo). Sem Cristo, você está condenado (e rachado de Deus e das pessoas). Essa é uma estrada para a perdição eterna. Mas Deus amou o mundo (amou você) de tal maneira que enviou Jesus para reconciliar você com Deus (e com os irmãos, na comunhão da igreja).

Arrependa-se. Creia em Jesus. Receba-o como sua justiça, seu substituto e maior tesouro. Reconcilie-se com Deus por meio da vida e obra de Jesus Cristo. Reconcilie-se com o próximo e com a igreja, o corpo de Cristo. Tenha fé. Repare o grande racha.

S.D.G. L.B.Peixoto

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