QUE LIVRO É ESSE?

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QUE LIVRO É ESSE?

João 20.30-31

30Os discípulos viram Jesus fazer muitos outros sinais além dos que se encontram registrados neste livro. 31Estes, porém, estão registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome.

O poder de uma história

Ah! o poder de uma história! Quer ver? Pesquisa realizada em 2006 evidenciou que

mais da metade dos leitores com idades entre 5 e 17 anos não liam livros por entretenimento antes de lerem Harry Potter, e também informou que para mais de 60% dos filhos e 76% dos pais pesquisados, após lerem a obra, o desempenho escolar das crianças foi crescente.

Barak Obama, ex-presidente dos EUA, repartindo sua experiência, segundo ele encantadora, com os livros da série escrita pela autora britânica J. K. Rowling, comentou:

Malia [filha mais velha] e eu lemos toda a série de Harry Potter juntos em voz alta. Terminamos todos os sete livros. Foi divertido e representou uma excelente ligação.

Os números são enormes: mais de 400 milhões de cópias vendidas, traduzidas em mais de 73 idiomas e com um recorde de bilheteria nos cinemas na casa de US$ 7.7 bilhões. Por que o fascínio desta geração por esta série de livros de fantasia, em particular? O famoso Stephen King, autor de contos de horror fantástico e ficção, ao afirmar que a saga é um feito de uma imaginação superior, comentou algo interessante, quando disse que

Harry Potter é sobre confrontar medos, encontrar força interior e fazer a coisa certa diante da adversidade.

Bingo! São ou não são alguns dos temas principais, com os quais a juventude, entrando e saindo da adolescência, por exemplo, mais precisam lidar para prosseguir e sobreviver na selva do novo mundo que elas estão descobrindo? São ou não são os temas com os quais nós, adultos, vira e mexe, precisamos lidar? Todo adolescente, todo jovem, todo mundo lida com medos, inseguranças e dúvidas, e Rowling, com mente imaginativa brilhante, trata disso em sua obra. Não é de se espantar, portanto, que seja um sucesso.

É o poder que uma história tem sobre mentes e corações.

J. R. R. Tolkien, autor de O Hobbit e da trilogia O Senhor dos Anéis, defendeu que adultos devem ler história fantásticas (ele as chama de Histórias de Fadas ou do Belo Reino — um reino encantado de belezas), pois as que são bem escritas,

oferecem em grau ou modo particular, estas coisas: 1Fantasia, 2Recuperação, 3Escape, 4Consolo — todas elas coisas de que as crianças em regra precisam menos do que os mais velhos.

1Fantasia, explica Tolkien, dando asas à imaginação; 2recuperação, recobrando a nossa visão, fazendo-nos enxergar o belo e o divino naquilo que se tornou rotineiro ou familiar; 3escape, levando-nos a um mundo fantástico paralelo, que é a realidade da vida; e 4consolo, claro, consolando-nos e nos encorajando.

Esse é o poder de uma história.

A poderosa história dos Evangelhos

O Evangelho de João possui todos esses (história fantástica, visão do belo, escape e consolo) e tantos outros elementos, compondo uma história poderosa, carregada de “maravilhas — peculiaridades artísticas”, como disse Tolkien ao se expressar sobre os Evangelhos. Tolkien, aliás, escreveu que a “Arte”, no caso dos Evangelhos,

está na própria história, não na narrativa, porque o Autor da história não foram os evangelistas [mas o próprio Deus].

A “Arte” é o Deus glorioso que os Evangelhos revelam em Cristo, não a forma narrativa em si mesma. Não é arte pela arte, mas arte que revela o Artista. Tolkien afirma que a história narrada nos evangelhos “é suprema, e verdadeira. A Arte foi verificada. Deus é o Senhor, dos anjos e dos homens —  e dos elfos [i.e., das histórias criadas pelos homens como forma de arte]”.

Nós precisamos da história dos Evangelhos para prosseguir, afinal: 1Cristo é o único capaz de nos oferecer, não apenas a visão de algo fantástico, mas, de fato, um mundo fantástico; 2ele é o único capaz de recuperar nossa visão, devolvendo-nos o olhar encantado pela vida; 3o único que pode verdadeiramente nos levar a um reino eterno, recheado de glórias encantadoras; e 4de nos consolar e encorajar enquanto prosseguimos a caminho dessa morada celestial, da terra feliz que pela fé nós podemos avistar.

Esse é o poder da história contada pelos Evangelhos. Isso nos leva ao Evangelho de João.

A águia que viu a glória

Antes de pisarmos no assoalho do Evangelho de João, Charles Swindoll sugeriu que tirássemos as sandálias, pois cada página arde em chamas com a glória da divindade de Jesus Cristo. Mais do que em qualquer outro livro da Bíblia, saiba que ao atravessarmos essas páginas, nós estamos “pisando em terra santa”.

William Barclay, no comentário que escreveu sobre João, informa algo muito curioso:

Muitas vezes, em vitrais e outras formas de arte, os autores dos Evangelhos são representados em símbolos pelas figuras dos quatro animais que o escritor do Apocalipse viu ao redor do trono (Apocalipse 4.7)… o homem (Jesus é servo) representa Marcos… o leão (Jesus é rei) representa Mateus… o novilho (Jesus é o sacrifício) representa Lucas… e a águia (Jesus é a expressão da glória de Deus) representa João, porque, de todas as criaturas viventes, somente ela consegue olhar diretamente para o sol sem se cegar e, de todos os escritores do Novo Testamento, João tem o olhar mais penetrante nos mistérios eternos, nas verdades eternas e na mente de Deus.

De fato, mais do que Mateus, Marcos e Lucas, João é quem estressa a divindade de Jesus Cristo e o seu relacionamento singular com o Pai. Carson, comentando João, afirma que

a questão fundamental do quarto evangelho não é: “Quem é Jesus?”, mas: “Quem é o Messias? Quem é o Cristo? Quem é o Filho de Deus?”

Ou seja: João não pretendeu falar apenas do tipo de homem que era Jesus (i.e., como ele era, o que fez, o que ensinou), mas revelar a identidade do Cristo (i.e., provar para os leitores que Jesus é o Cristo ou Messias, o Filho de Deus, o Deus que se fez carne).

Assim é que se a relevância para os primeiros leitores, lá no final do primeiro século,  estava no fato de que Jesus é o Messias esperado pelos judeus e prosélitos judeus (como D. A. Carson defende que era o propósito de João), para nós hoje soma-se a isso o fato de que nele, Jesus Cristo, não temos apenas um mestre com bons ensinos éticos e morais ou grandes exemplos de conduta que devem ser seguidos; em Cristo nós temos Deus. Em outras palavras, nas palavras de João (1.14):

Assim, a Palavra se tornou ser humano, carne e osso, e habitou entre nós. Ele era cheio de graça e verdade. E vimos sua glória, a glória do Filho único do Pai.

João é a águia que viu a glória. É o evangelista que nos revela a glória.

A questão crucial da existência

João quer nos ensinar a responder a questão crucial da existência. Qual é?

A questão crucial da existência é a que Jesus levantou aos seus discípulos: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Mt 16.15). Naquela ocasião, Pedro, por revelação divina, respondeu corretamente: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16.16).

Se Jesus é quem a Bíblia retrata, e quem ele mesmo afirmou ser — i.e., o Cristo ou Messias, o Filho do Deus vivo —, então a única atitude sensata é crer nele como Salvador do pecado e do juízo divino por vir, e segui-lo como Senhor.

Se Jesus não é quem a Bíblia retrata, e quem ele mesmo julgou ser, então nós estamos desperdiçando o nosso tempo sendo cristãos, porque estaremos seguindo um personagem fictício, um lunático.

“Quem você diz que eu sou?”, portanto, é a questão crucial da existência e João nos ajuda respondê-la, revelando-nos que Jesus é Deus que se fez carne e habitou na terra.

Jesus é o Cristo, o Filho de Deus

O apóstolo João talvez estivesse pensando na pergunta de Jesus e na confissão de Pedro quando nos revelou por que ele escreveu o seu evangelho (João 20.30-31):

30Os discípulos viram Jesus fazer muitos outros sinais além dos que se encontram registrados neste livro. 31Estes, porém, estão registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome.

Ele não está tentando persuadir-nos a crer nalgumas noções gerais sobre Jesus, como, por exemplo, as que a maioria crê: ele era um bom homem, um grande mestre, um profeta de Deus… João quer que saibamos que em Jesus Cristo nós enxergamos o próprio Deus (Jo.1.14 e 18); seu objetivo é fazer-nos crer e prosseguir crendo especificamente que Jesus é o Cristo — o Messias judeu (o Ungido) — que foi profetizado no Antigo Testamento.

O pináculo da fé no evangelho de João é quando Tomé vê o Cristo ressurreto e proclama: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20.28).

A Filipe, que pediu ao Senhor que lhe mostrasse o Pai, Jesus Cristo respondeu: “Filipe, estive com vocês todo esse tempo e você ainda não sabe quem eu sou? Quem me vê, vê o Pai! Então por que me pede para mostrar o Pai?” (Jo 14.8-9). Jesus é sim o Filho de Deus, o Deus encarnado, cheio de graça e de verdade; todos os que nele creem recebem vida eterna (Jo 3.16).

Uma vez que a alternativa à vida eterna é a condenação eterna, é crucial que você e eu saibamos quem Jesus de fato é e nele creiamos como Salvador e Senhor.

Que livro é esse?

Pois bem, o próximo passo é utilizarmos as palavras do próprio João (João 20.30-31) para nos explicar, com os seus próprio detalhes, como e por que ele nos escreveu, ou seja: a motivação e a metodologia para o seu evangelho. Suas palavras nos servirão como janela aberta, dando-nos acesso à visão panorâmica desse livro da revelação da glória de Deus.

1. O evangelho de João é um relato selecionado da pessoa e do ministério de Jesus Cristo

Por que nós temos quatro evangelhos (Mt, Mc, Lc e Jo)? Por que não existe uma história única e definitiva sobre Jesus, em vez de quatro registros separados?

Primeiro, porque nenhum dos Evangelhos se propõe a ser uma biografia, nos termos como hoje as conhecemos. Mesmo que fossem, uma biografia só seria completa quando todos os ângulos e diferentes depoimentos fossem analisados, antes de serem colocados no papel. Afinal, uma imagem é mais completa quando ela é vista de diversos ângulos. Logo, quatro evangelhos seria melhor do que um, pois cada um veria as coisas de diferente maneira, por diferentes ângulos. Mas, não é esse o caso dos Evangelhos.

Saber que os Evangelhos não são biografias elimina o risco de os lermos fazendo comparação entre um e outro e buscando contradições entre eles, como recentemente fazem os críticos da fé.

Segundo, a razão porque nós temos quatro evangelhos é que cada um deles escreveu “um relato dos fatos” (Lc 1.1) sobre Jesus tendo em mente uma mensagem específica para público específico. Ou seja: eles levaram em conta a complexidade humana. Quer ver?

Mateus | Escrevendo aos judeus, estava interessado em estabelecer os direitos reais de Jesus como Rei dos Judeus. Em assim proceder, ele traça a genealogia de Jesus de volta a Davi e a Abraão.

Marcos | Escrevendo aos romanos, estava interessado em capturar os lances que revelam Jesus como servo. O autor tinham seus olhos voltados às ações de Jesus, que com certeza apelariam à razão das mentes práticas dos cidadãos romanos.

Lucas | Escrevendo aos gregos, focou na humanidade de Jesus. Consequentemente, a genealogia de Jesus Cristo volta até Adão, cabeça da raça humana. Através de seu registro, o autor revela um salvador disposto a salvar homens e mulheres de todas as raças.

João | Escreveu para, segundo defendeu D. A. Carson, evangelizar judeus e prosélitos judeus (aqueles não judeus convertidos ao judaísmo) em Éfeso e na Ásia Menor (entre 80 e 90 d.C.). Daí que, mais que qualquer outro, conforme já observamos, esse evangelho destaca a divindade de Jesus Cristo. Nele não se vê, por exemplo, relato do nascimento de Jesus, genealogia, o batismo, a tentação, parábolas, etc. Jesus é Deus.

João, portanto, a exemplo dos outros Evangelhos, é um relato selecionado da pessoa e do ministério de Jesus Cristo. Observe o que disse o próprio autor:

Jo 20.30-31 | 30Os discípulos viram Jesus fazer muitos outros sinais além dos que se encontram registrados neste livro. 31Estes, porém, estão registrados para que vocês creiam…

Jo 21.25 | Jesus também fez muitas outras coisas. Se todas fossem registradas, suponho que nem o mundo inteiro poderia conter todos os livros que seriam escritos.

João, inspirado pelo Espírito Santo (Jo 14.26 e 16.13) coleciona e registra relatos, selecionados e interpretativos, da pessoa e do ministério de Jesus Cristo.

2. O evangelho de João é um relato simbólico da pessoa e do ministério de Jesus Cristo

João está permeado de linguagem simbólica, fazendo o leitor atento parar e pensar sobre o significado mais profundo do que ele está dizendo. Isso não significa que João transformou a verdade histórica em ficção para contar a sua história. O que está registrado realmente aconteceu “e sabemos que seu relato é fiel” (Jo 21.24), mas muitas vezes há um significado mais profundo por trás dos fatos históricos.

Por exemplo: ao invés de se referir aos “milagres” ou “maravilhas” de Jesus, João os chama de “sinais”, como lemos em João 20.30: “muitos outros sinais além dos que se encontram registrados neste livro”. Um sinal aponta para algo além de si mesmo. João quer que percebamos o significado mais profundo, a mensagem, por assim dizer, por trás do próprio milagre. Que lição para os promotores de milagres contemporâneos!

Das centenas que poderiam ter sido selecionados, João escolheu apenas sete sinais (Jo 2.1-11; 4.46-54; 5.1-9; 6.1-14; 6.16-21; 9.1-12; 11.1-46), sem contar a ressurreição de Jesus e a pesca milagrosa pós-ressurreição (21.1-14). Por trás de cada milagre ou sinal, há uma mensagem poderosa sendo comunicada, por exemplo: “Eu Sou o pão da vida” (ao fazer a multiplicação dos pães); “Eu Sou a luz do mundo” (antes de curar o cego de nascença); “Eu sou a ressurreição e a vida” (ao ressuscitar Lázaro dos mortos); e assim por diante…

Além dos “sinais” que comprovam que Jesus é Deus, João usa “imagens” ou “metáforas” para revelar a natureza divina de Cristo: “Eu Sou a porta das ovelhas” (Jo 10.7); “Eu Sou o bom pastor” (Jo 10.11 e 14); “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6); “Eu Sou a videira verdadeira” (Jo 15.1 e 5). Em cada caso, o leitor precisa parar e pensar sobre o simbolismo do que Jesus está falando sobre si mesmo, e como isso se relaciona conosco.

João também se utilizou de uma série de palavras-chave, carregadas de significado simbólico: “Palavra” ou “Verbo”, “luz”, “trevas”, “vida”, “novo nascimento”, “crer”, “mundo”, “comida”, “testemunho”, “hora” etc. Palavras em João estão encharcadas de ensinos profundos. É preciso que se reflita em todas elas.

Além dos sinais, metáforas, imagens e palavras-chave, João se utilizou de testemunhas e de contrastes com as festas judaicas para revelar em palavras e atos a divindade de Jesus Cristo. Seu objetivo e colocar-nos para pensar, ele quer que “vejamos”, através de suas palavras, a glória de Deus estampada em Jesus Cristo.

3. O evangelho de João é um relato sobrenatural da pessoa e do ministério de Jesus Cristo

Além de seletivo e simbólico, o Evangelho de João é também sobrenatural.

Evidências internas (no próprio evangelho) e externas (testemunho dos pais da igreja) atestam que João, inspirado pelo Espírito Santo (Jo 14.26 e 16.13), escreveu o quarto evangelho. Mas, por quê? Por que um quarto evangelho, cerca de 30 anos depois dos três primeiros já terem sido escritos? Deixe, mais uma vez, João mesmo nos dizer (Jo 20.31):

para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome.

João quer despertar e nutrir fé no coração de quem o lê: fé em Cristo. Ao escrever, sua ferramenta é apologética — provar que Jesus é o Cristo, mas o seu foco é evangelístico e pastoral.

João, no entanto, sabe que a fé não virá de forma natural e apenas como resultado de se ver os “sinais”. A verdade sobre Jesus não é automática no coração das pessoas. O pecado, contrário do que pensa o pecador incrédulo, não é racional. Mesmo diante de evidências, o ser humano ainda escapa com incredulidade. Veja, por exemplo, o caso de alguns, logo após testemunharem a ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-44):

Jo 11.45-53 | 45Muitos dos judeus que estavam com Maria creram em Jesus quando viram isso. 46Alguns, no entanto, foram aos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. […]  53Daquele dia em diante, começaram a tramar a morte de Jesus.

A ressurreição de Lázaro demonstrou claramente que Jesus é a ressurreição e a vida, mas isso não impediu os fariseus de quererem matá-lo! Por quê? Eles não foram regenerados.

João sabia que para se crer, além da Palavra, necessário é nascer de novo:

Jo 5.24 | Eu lhes digo a verdade: quem ouve minha mensagem e crê naquele que me enviou tem a vida eterna. Jamais será condenado, mas já passou da morte para a vida.

A fé, que é dom de Deus (Ef 2.8), vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17); ou seja: o coração, regenerado pelo Espírito, recebe a Palavra, ouve sobre o nome poderoso de Cristo e crê. Para João, portanto, fé, fé que salva e santifica, é resultado da Palavra de Cristo e do Espírito Santo agindo no coração da pessoa. É obra sobrenatural de Deus.

Outra coisa sobre a fé, segundo João: a fé que salva tem início e progresso, ela não é como chama que se apaga (fogo de palha), mas como faísca que aumenta, cresce, se espalha e incendeia a floresta. Ouça de novo (Jo 20.31):

para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome.

Percebeu? “Para que vocês creiam” (a faísca inicial da fé); “e para que, crendo nele” (a floresta incendiada pela fé que aumentou, cresceu e se espalhou pela vida toda).

Lendo João, você notará que não é incomum nós encontrarmos ao longo do livro todo, por exemplo, que desde o início os discípulos creram, creram de novo e de novo, e foram crendo até o final. O verbo crer aparece cerca de 98 vezes em João! Por quê? A fé que salva, tem início e progresso. Ou seja: ela nasce e se alimenta no contato com a Palavra impulsionada pelo Espírito. Fé que adormece ou morre não salva, pois não é verdadeira.

A terceira coisa a se notar sobre a fé que João, pelo poder do Espírito, quer fazer nascer e nutrir no coração do crente, através da palavra escrita, é a fé que produz vida. Em João, vida é Cristo; vida é ver e crer em Cristo; vida é desfrutar de alegria em Cristo.

Que livro é esse?

João não escreveu com propósitos acadêmicos nem puramente artísticos ou literários, mas com intensão evangelística e pastoral. Ele quer que o leitor, diante de sua história encantadora, face ao Deus que se fez carne em Jesus e que está aqui revelado no Evangelho, inflamado pelo Espírito Santo, creia e cresça na fé — um tipo de fé que tem Jesus Cristo, o filho de Deus, como conteúdo e vida eterna e abundante como resultado.

Embarcamos, hoje, na história do Evangelho de João e o meu desejo é que você se encante com esse livro; mais do que isso, que você se encante com o personagem principal — o Cristo, filho de Deus, por meio de quem nós obtemos vida.

Minha oração é que, ao longo dessa jornada, nós todos, pela fé no filho de Deus: 1sejamos transportados para o reino de encantos do céu (que haja salvação por causa dessa história); 2tenhamos a visão recuperada ou os olhos abertos para a glória de Cristo; 3recebamos doses de encanto e de esperança pela vida criada e mantida por Deus, apesar das aflições (penso ser esse o significado de “bom ânimo” em João 16.33); e que 4possamos ser consolados pelo Espírito do Senhor. Esse, afinal, é o propósito dessa bela história.

Deixo, portanto, três desafios para vocês:

  1. A fé não virá de forma automática nem será mantida sem que dela se cuide: você precisa da palavra e do Espírito agindo em sua vida. Planeje ler, orar e praticar as Escrituras.
  2. Quem crê no filho de Deus recebe vida pelo poder do nome de Jesus: você precisa demonstrar, através de seu viver, novidade de vida. Peça a Deus graça para um novo viver.
  3. João escreveu para você crer em Jesus, o filho de Deus, e crendo nele ter vida pelo poder do seu nome: Você crê? O que te falta para crer? Creia. Receba-o agora pela fé. Não seja como aqueles de quem C. S. Lewis escreveu em seu livro Cristianismo puro e simples:

Estou tentando aqui impedir alguém de dizer a coisa realmente insensata que as pessoas, com frequência, dizem sobre [Cristo]: “Estou pronto para aceitar Jesus como um grande mestre moral, mas não aceito sua reivindicação de ser Deus”. Isso é algo que não devemos dizer. Um homem que fosse meramente um homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre moral. Ele seria um lunático — no mesmo nível de um homem que diga que é um ovo cozido — ou então ele seria o diabo do inferno. Você deve fazer sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus ou, então, um louco ou algo pior. Você pode prendê-lo por ser um louco, você pode cuspir nele e subjugá-lo como um demônio ou pode cair aos pés dele e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas não Vamos superestimá-lo afirmando ser ele um grande mestre moral. Ele não deixou isso em aberto para nós. Ele não teve a intenção de fazê-lo.

Jesus Cristo é Deus. Creia e receba vida pelo poder de seu nome.

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