POR QUE NASCEM PESSOAS DEFICIENTES?

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POR QUE NASCEM PESSOAS DEFICIENTES?

João 9.1-5

1Enquanto caminhava, Jesus viu um homem cego de nascença. 2Seus discípulos perguntaram: “Rabi, por que este homem nasceu cego? Foi por causa de seus próprios pecados ou dos pecados de seus pais?”. 3Jesus respondeu: “Nem uma coisa nem outra. Isso aconteceu para que o poder de Deus se manifestasse nele. 4Devemos cumprir logo as tarefas que nos foram dadas por aquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar. 5Mas, enquanto estou aqui no mundo, eu sou a luz do mundo”.

POR QUE, MEU DEUS? POR QUÊ?

A partir do momento em que se confirma uma gravidez desejada, o casal vive momentos de contagiante felicidade. Derramam sorrisos por onde passam. Escolhem o nome da criança que vai nascer. A mãe cumpre disciplinadamente as consultas de acompanhamento médico, enquanto o pai se diverte com o crescimento da barriga e juntos os dois deliram com os primeiros chutes do bebê na barriguinha já crescida. Quando ouvem, pela primeira vez, o coração do neném bater com toda a força da vida, papai e mamãe não conseguem conter as lágrimas de emoção.

O mundo começa a girar em torno daquela criança que vai nascer: decoração do quarto, compra do enxoval, chá de bebê, chá de fraldas, bebê-conforto, cadeirinha para o carro, carrinho de passeio e muito, muito mais… A vida nunca mais será a mesma!

Passada a euforia de felicidade, o medo começa a roubar o espaço da alegria: Será que está tudo bem com o bebê? Ele foi bem formado? É sadio? Nascerá bem, perfeitinho? Perguntas desse tipo costumam rondar a cabeça e o coração de pais grávidos.

Quando tudo vai bem e o bebê nasce perfeito e sadio é uma maravilha. Agora, o mundo desaba por completo quando, ainda na gravides ou logo após o parto, detecta-se alguma síndrome, deficiência ou doença no bebê. A criança sonhada, a criança idealizada dá lugar a uma criança não desejada, isto porque raros são os casos (se é que há!) de pais que desejam ou sonham ter uma criança com deficiência! E no meio deste sequestro emocional, a mãe tem alta da maternidade e vai para casa com “outro” bebê, sem qualquer estrutura psicológica ou emocional para ser mãe daquela criança!

Manuela Cunha — mestre em ciência da educação, especializada em educação especial e coordenadora dos projetos “Escola de Pais Especiais” e “Aprender a ser Pais Felizes com um filho com deficiência” — testemunha que os pais de bebês com deficiência geralmente percorrem um longo período de sofrimento, passando por várias etapas, muitas vezes, sozinhos. Ela atesta:

São estes pais que chegam à minha “Escola de Pais Especiais”. Pais revoltados, amargurados, sem vida própria, que esqueceram de viver, pois tudo passou a centrar-se nos cuidados do novo ser. A estes pais eu gostaria de dizer que ter uma criança com deficiência não é prenúncio de uma vida futura infeliz. A deficiência não é uma fatalidade! É, antes, um reaprender a amar de forma diferente, mais intensa, mais verdadeira e única! E lembrem-se, quanto mais depressa superarem o ciclo de sofrimento, mais depressa apreciarão os encantos que só estas crianças são capazes de oferecer!

Graças a Deus, nem sempre os pais de crianças deficientes ou especiais vivem revoltados e amargurados. Manuela Cunha testemunha, dizendo:

Chegam-me ainda outros pais especiais, como o caso da mãe Rosalina, que me disse: “Eu tenho três filhos com necessidades educativas especiais, mas tenho a certeza que não existe um família tão feliz como a nossa”!

Aceitar um filho com deficiência não é fácil. Muitos pais nem ao menos consideram esta possibilidade. Por exemplo: a Islândia — país escandinavo de 330 mil habitantes — aborta 100% dos bebês diagnosticados com síndrome de Down. Essa tendência já pode ser verificada em outros países da Europa e nos EUA. Na Dinamarca, o aborto vitima 98% dos bebês diagnosticados com síndrome de Down. No Reino Unido, a porcentagem chega a 90%. Na França são 77% e nos Estados Unidos 67%.

O site Sempre Famíliana internet traz a seguinte informação:

Na Islândia, a lei permite que o bebê seja abortado mesmo depois de 16 semanas de gestação, em casos de deformidade do feto, o que, segundo a compreensão da lei islandesa, inclui a síndrome de Down, mesmo diante do fato de que a condição permite que seus portadores vivam normalmente, com uma expectativa de vida média de 60 anos, na grande maioria das vezes.

Ainda mais estranhas são a justificativa e a forma deste procedimento na Islândia:

As mães que optam pelo aborto tratam o fato com uma estranha normalidade. Chamam o bebê de “meu filho” e, depois do procedimento [abortivo], fazem uma visita ao corpo do bebê, lhe dizem adeus e chamam pastores para uma pequena cerimônia religiosa. É comum fazer cartõezinhos com o nome do bebê, uma oração e a impressão dos seus pezinhos.

“Não vemos o aborto como assassinato”, explicou Helga Sol Olafsdottir [funcionária do Hospital Universitário de Landspitali que aconselha as gestantes]. “Nós damos fim a uma possível vida que poderia ter tido uma complicação enorme… Prevenimos o sofrimento para essa criança e para a família”.

* Fonte: https://www.semprefamilia.com.br/horror-islandia-aborta-100-de-todos-os-bebes-diagnosticados-com-sindrome-down/

            Pois é, para se evitar uma vida de “complicação enorme” e para “prevenir o sofrimento” da criança que nasceria e da família que a criaria, é preferível, para centenas e até milhares de pessoas, “dar fim a uma possível vida”.

Não estamos aqui para julgar ninguém.

Reconhecemos a dor e o desespero de pais ao receberem a notícia de que terão ou tiveram um filho ou filha (algumas vezes, até mais de um e ao mesmo tempo) com alguma deficiência física, síndrome rara ou doença congênita de qualquer natureza. Simpatizamos sim com a dor, o medo, as dúvidas e os questionamentos desses pais ou da pessoa deficiente.

Apenas que dar fim a uma vida, viver com a negação ou a não aceitação do bebê não colocará jamais fim a um sofrimento desta magnitude. Atitudes desesperadas, alma amargurada e coração em luta contra a realidade roubarão das pessoas a possiblidade de desfrutarem da obra de Deus em sua vida, da vida plena que Deus prometeu para cada um que o segue pela fé em Jesus Cristo.

Portanto, que fique claro: a mensagem de hoje, e das próximas semanas, aqui em João 9, não são de teor condenatório, julgador nem tampouco embaladas com insensibilidade. Nossa oração é que o SENHOR Deus traga sim a resposta bíblica libertadora e abençoadora às perguntas do tipo: Por que nascem pessoas deficientes? Por que meu filho nasceu assim? Por que eu nasci assim? Por que, meu Deus? Por quê? Veremos que a Bíblia não se esquiva de dar resposta. Deus tem sim uma palavra para o coração sofredor de pais e filhos e pessoas com esse tipo de sofrimento.

A SENSIBILIDADE DE JESUS CRISTO

John Piper, pregando sobre este texto de João, afirmou que uma das razões pelas quais ele crê na Bíblia e ama a Bíblia é “porque ela lida com as questões mais difíceis da vida”. De fato! A Bíblia não varre coisas dolorosas para debaixo do tapete, nem tampouco as questões complexas, confusas, provocantes, chocantes ou controversas da existência.

Jesus, aliás, muitas vezes, agia de forma a criar controvérsia com os fariseus. Como aqui neste texto, por exemplo: realizando a cura no sábado e não noutro dia da semana que fosse permitido pelos fariseus. Por quê? Para que a verdade sobre si mesmo e sobre a incredulidade de seus ouvintes viesse à tona e assim ele pudesse adverti-los e curar a dureza do coração deles pela manifestação da glória de Deus.

João 9, por exemplo, trata de uma das coisas mais difíceis da vida: o sofrimento de pais de filho deficiente e o sofrimento desse filho, em função de sua deficiência.

Primeiro, os pais tiveram que carregar a dor de ver nascer um filho cego.Dor esta que era acentuada até a última potência pela forma como aquela cultura lidava com a pessoa deficiente. Ouça as palavras dos discípulos, indagando o Senhor Jesus (Jo 9.1-2):

1Enquanto caminhava, Jesus viu um homem cego de nascença. 2Seus discípulos perguntaram: “Rabi, por que este homem nasceu cego? Foi por causa de seus próprios pecadosou dos pecados de seus pais?”.

Para aquele povo alguém nascia assim ou porque (1) seus pais haviam cometido algum pecado horroroso específico ou porque (2) o bebê, de alguma forma, havia cometido algum pecado ainda no ventre ou ainda, conforme atesta João Calvino em seu comentário de João, porque (3) aquele bebê havia pecado noutra vida e agora, tendo a alma “completado o ciclo de vida noutra vida, se transmigra para um novo corpo [reencarna-se], e aí suporta o castigo devido àquela vida que já passou”.

Triste, mas muita gente ainda hoje pensa assim. Há inclusive crentes que se dizem evangélicos e que creem que o sofrimento na vida de alguém é sempre causado por algum pecado específico dos pais ou do próprio indivíduo — chamam a isto de legalidade que foi aberta para que esse tipo de maldição acometesse a pessoa. Outros recorrem ao carma como explicação, geralmente os espíritas — o pecado de vidas passadas era tão grande que preciso foi que novas vidas sejam vividas até que se expurgue ou purifique todo pecado.

Esses tipos de “explicação” para o problema do sofrimento de alguém com alguma deficiência não alivia a dor, muito pelo contrário. Aumenta-a. Por quê? Porque encara o sofrimento como sendo sempre algum tipo de maldição divina específica — relacionada a algum pecado ou pecados específicos — e que, portanto, precisa ser quebrada e assim, e somente assim, ter a dor aliviada e a vida de volta. Mas Jesus, como veremos, não vê assim a razão para esse tipo de sofrimento.

Segundo, além dos pais, o filho teve que suportar o sofrimento, tantoda deficiência em si (no corpo e no coração), como também as consequências sociais de sua deficiência. Ele cresceu sob o estigma da maldição: seus pais pecaram ou ele pecou? Ademais, gente como ele não tinha qualquer lugar na sociedade. Portanto, sendo seus pais de humilde condição financeira e não dando conta de sustentá-lo, nem ele tendo condição de arrumar algum trabalho digno, o cego de nascença teve que crescer e aprender a se virar como um mendigo, um pedinte nas ruas de Jerusalém. Após ser curado, (Jo 9.8):

Seus vizinhos e outros que o conheciam como mendigo começaram a perguntar: “Não é este o homem que costumava ficar sentado pedindo esmolas?”.

A sensibilidade de Jesus neste texto é impressionante! Os discípulos veem Jesus vendo o cego de nascença. E a forma como Jesus vê aquele moço chamou a atenção dos discípulos, incomodou-os a ponto de João nos relatar (Jo 9.1):

1Enquanto caminhava, Jesus viuum homem cego de nascença.

A forma como Jesus olhou para aquele homem foi tão impressionante que os apóstolos não se contiveram e lhe perguntaram (Jo 9.2):

2Seus discípulos perguntaram: “Rabi, por que este homem nasceu cego? Foi por causa de seus próprios pecados ou dos pecados de seus pais?”.

A resposta de Jesus foi libertadora (Jo 9.3):

3Jesus respondeu: “Nem uma coisa nem outra. Isso aconteceu para que o poder de Deus se manifestasse nele.

A sensibilidade de Jesus provocou os seus discípulos, incomodou-os a ponto de levá-los a falar de uma forma que, pensavam, os eximiria de qualquer responsabilidade com relação a dor ou condição daquele “homem cego de nascença”:

Realmente, Rabi, muito triste o estado dele, não é mesmo? Mas quem pecou para que ele nascesse assim, ele ou os pais dele?

Em outras palavras:

A situação dele é triste, muito triste mesmo, mas é problema dele e dos pais dele, não é mesmo, Rabi?

E Jesus respondeu:

Não! Vocês estão completamente equivocados. Não é na causadesse sofrimento que vocês devem se concentrar, mas no propósitodele, e o propósito do sofrimento, de qualquer sofrimento, é a manifestação do poder de Deus na vida do sofredor. E nós temos parte nisso. Precisamos, enquanto há tempo, servir de canal para a manifestação da glória de Deus, da obra de Deus na vida das pessoas que estão sofrendo ao nosso redor.

Ouça o texto completo (Jo 9.1-5):

1Enquanto caminhava, Jesus viuum homem cego de nascença. 2Seus discípulos perguntaram: “Rabi, por que este homem nasceu cego? Foi por causa de seus próprios pecados ou dos pecados de seus pais?”. 3Jesus respondeu: “Nem uma coisa nem outra. Isso aconteceu para que o poder de Deus se manifestasse nele. 4Devemos cumprir logo as tarefas que nos foram dadaspor aquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar. 5Mas, enquanto estou aqui no mundo, eu sou a luz do mundo”.

É impressionante como, face à dor e ao sofrimento do outro, nós estamos sempre prontos a buscar causas, blindando-nos do sofrimento do outro ou nos eximindo de servir, em vez de ver o propósito de Deus para a manifestação da glória de Deus na vida de quem está sofrendo, e através de nós que somos chamados para “cumprir logo as tarefas que nos foram dadas por aqueleque” enviou o Senhor Jesus Cristo: Deus(v. 4).

Portanto, antes de prosseguirmos com uma palavra de Deus para quem sofre com algum tipo de deficiência física ou mental, síndrome severa ou doença crônica ou degenerativa, precisamos aprender com Jesus a lidar com o sofrimento do outro. Como?

Vejaa pessoa deficiente. Olhe para ela e veja-a. Veja a pessoa e o sofrimento da pessoa. Depois vá ao encontro dela e ajude. Foi assim que Jesus fez: Jesus viu e foi ao encontro daquele homem cego de nascença. Devemos ter o mesmo sentimento e a mesma atitude de Jesus Cristo, nós que o conhecemos como Senhor e Salvador.

Não corte volta dessas pessoas. Não saia do caminho para não ter que topá-las de frente. Não seja do tipo de crente que Jesus condenou na parábola do bom samaritano. Ver a pessoa sofredora envolve fazer o que fez o bom samaritano. Ouça (Lc 10.29-37):

29O homem [especialista na lei de Moisés], porém, querendo justificar suas ações, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”. 30Jesus respondeu com uma história: “Certo homem descia de Jerusalém a Jericó, quando foi atacado por bandidos. Eles lhe tiraram as roupas, o espancaram e o deixaram quase morto à beira da estrada. 31“Por acaso, descia por ali um sacerdote. Quando viu o homem caído, atravessou para o outro lado da estrada. 32Um levita fazia o mesmo caminho e viuo homem caído, mas também atravessou e passou longe. 33“Então veio um samaritano e, ao ver o homem, teve compaixãodele. 34Foi até ele, tratoude seus ferimentos com óleo e vinho e os enfaixou. Depois, colocouo homem em seu jumento e o levoua uma hospedaria, onde cuidoudele. 35No dia seguinte, deu duas moedas de prata ao dono da hospedaria e disse: ‘Cuide deste homem. Se você precisar gastar a mais com ele, eu lhe pagarei a diferença quando voltar’. 36“Qual desses três você diria que foi o próximo do homem atacado pelos bandidos?”, perguntou Jesus. 37O especialista da lei respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele”. Então Jesus disse: “Então vá e faça o mesmo”.

Espera-se do cristão que ele seja como Jesus: que ele veja o sofrimento do próximo e, em vez de se perder nas causas do problema — estigmatizando, lançado culpa ou medo, colocando fardo ainda mais pesado sobre o peso do sofrimento do outro (dizendo coisas do tipo: você abriu legalidadeem sua vida ou esse é o seu carmaou aprenda a convivercom isso, cada um tem seus problemas… não aja assim!) — use a oportunidade para manifestar a obra de Deus. Seja sensível, compassivo, misericordioso e vá ao encontro do outro para ajudá-lo a experimentar a obra de Deus na vida dele (Jo 9.3-4).

MINISTÉRIO DE MISERICÓRDIA

Como nós podemos servir de auxílio para quem está sofrendo — aos pais que, geralmente, acabam sofrendo mais do que o próprio filho(a) em seu sofrimento; às pessoas com deficiência, síndrome ou doença crônica? Como nós podemos ser canais de bênção para que a obra de Deus se manifeste na vida dessas pessoas que cruzam o nosso caminho? Como exercer ministério de misericórdia junto aos que estão mais sofrendo?

A Igreja Batista Belém em Minneapolis, Estado de Minnesota, nos EUA, que John Piper pastoreou por 33 anos, antes de se aposentar do pastorado em 2013, tem um ministério com pessoas deficientes. Permitam-me ler para vocês a declaração de visão daquele ministério, na esperança de que lance luz sobre a forma como nós podemos ministrar, individualmente, na vida dessas pessoas e, porque não!, sonhando em um dia termos algo parecido acontecendo entre nós aqui na Segunda Igreja Batista em Goiânia.

NOSSA VISÃOé que a [Igreja Batista] Belém demonstre a supremacia de Deus na deficiência e no sofrimento [das pessoas].

Queremos que a nossa vida reflita uma alegria inabalável no Senhor que nos permite abraçar uma vida de sofrimento por causa de alguma deficiência para seu propósito e glória. Deus pode e ele usa a deficiência física para trazer glória ao seu nome. Talvez o exemplo mais conhecido disso seja o homem cego de nascença, a quem Jesus curou. Cristo disse que o homem não era cego por causa do pecado, mas para que a obra poderosa de Deus fosse exibida nele e através dele (João 9.1–3).

Queremos anunciar em alta voz que a vida com alguma deficiência e com Jesus é infinitamente melhor do que um corpo saudável sem Cristo. Nós afirmamos, com Paulo, que “estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre” (2Coríntios 4.17).

Queremos que isso seja verdade como indivíduos e na igreja como um corpo.

A vida com deficiência é difícil? Como pais de crianças em condições incapacitantes raras, podemos atestar as lutas que os pais, em particular, enfrentam quando o filho ou a filha tem alguma deficiência. A deficiência é cara — financeiramente, emocionalmente e relacionalmente. Não parecem nada pequenas nem momentâneas. O mito masculino da autodeterminação, do controle e da independência se explode em face da necessidade de recorrer a profissionais médicos, assistentes sociais e educadores em questões que nunca sonhamos em enfrentar. A isto dizemos, obrigado, Deus, por não nos permitir que vivamos a mentira de que há algo bom ou que valha a pena ser vivido à parte do Senhor. Obrigado por nos mostrar o quanto precisamos do Senhor! As lutas que as mães enfrentam talvez sejam ainda mais profundas.

À esta visão, a igreja ainda acrescenta a declaração de missão e objetivo, que afirmam:

NOSSA MISSÃOé apoiar e encorajar a inclusão de pessoas com deficiências e necessidades especiais na vida e no trabalho da igreja, enquanto cultivamos relacionamentos de apoio de amor, construção da fé e exaltação da glória de Cristo.

NOSSO OBJETIVOé alcançar as pessoas individualmente, esforçando-nos para trabalhar com cada uma delas e sua família ou seus cuidadores, a fim de encontrar o melhor ajuste, tanto para crescerem na fé quanto para exercerem seus dons espirituais.

Que o Senhor nos ajude a exercer ministério de misericórdia junto às pessoas com deficiências, síndromes ou doenças crônicas.

A LUZ BRILHA NA ESCURIDÃO

Agora, aos pais com filho ou filha com alguma deficiência; às pessoas com alguma deficiência; há muito o que podemos extrair e aprender de Jesus neste capítulo 9 do Evangelho de João. Continuaremos nossa jornada, através deste texto, Deus permitindo, na próxima semana. A limitação do tempo e a densidade do assunto impõem que paremos por aqui e continuemos noutra ocasião.

Por ora, que fique a certeza de que Deus não nos deixou na escuridão da dúvida, da angústia, do medo e de uma vida sem respostas para as dores e os dilemas da alma, principalmente em se tratando de deficiência física ou mental, síndrome rara ou doença crônica. Ouça o que disse Jesus, na resposta à indagação de seus discípulos (Jo 9.5): “enquanto estou aqui no mundo, eu sou a luz do mundo”. Ou seja: em Cristo, nós não somos deixados no escuro sobre o significado das trevas do sofrimento.

A luz de Deus veio ao mundo e está brilhando nas deficiências e em todo lugar. Deus não nos deixou sozinhos para nos desesperarmos no escuro com qualquer significado, ou para criarmos nosso próprio significado. Portanto, peça a Deus que abra seus olhos e faça você andar com Jesus, na luz de Jesus que irradia através deste texto, no qual nós nos aprofundaremos na próxima semana e depois, se Deus assim quiser que seja.

POR QUE NASCEM PESSOAS DEFICIENTES?

Por que nascem pessoas deficientes? Para que se manifeste a obra de Deus.

Que obra de Deus? Obra de cura? Obra de salvação? Obra de santificação ou transformação? Qual obra de Deus? Mais sobre isto na semana que vem. Infelizmente o tempo não nos permite prosseguir com um assunto tão denso, caro e sensível.

Por ora, basta você e eu descansarmos nos braços do Deus soberano, bondoso, criador e governador de todas as coisas e que disse que há sim um propósito em todas as coisas. Mas para encorajá-lo, vou finalizar com três declarações que serão melhor exploradas nas mensagens a seguir. Minha oração é que essas palavras consolem você.

 

1 Deus tem um propósito sábio, bom, amoroso e que exalta a Jesus Cristo em tudo — de bom ou de ruim — que acontece com você.

 

Jesus é o único caminho para a experiência completa, final e alegre desse propósito: a vida plena de alegria na presença de Deus.

 

Jesus viu (v. 1), curou (vs. 6-7), procurou e acolheu (v. 35-38) esse cego rejeitado pelos homens — esse zé-ninguém, esse mendigo — e Jesus está procurando você agora mesmo. Para fazer de você um corajoso adorador de Jesus, pois vida melhor não há fora de Jesus (seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza).

Deus quer manifestar a obra de Jesus na sua vida!

S.D.G. L.B.Peixoto

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