AMOR GLORIOSO

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AMOR GLORIOSO

João 11.1-16

1Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele morava em Betânia com suas irmãs, Maria e Marta. 2Foi Maria, a irmã de Lázaro, que mais tarde derramou perfume caro nos pés do Senhor e os enxugou com os cabelos. 3As duas irmãs enviaram um recado a Jesus, dizendo: “Senhor, seu amigo querido está muito doente”. 4Quando Jesus ouviu isso, disse: “A doença de Lázaro não acabará em morte. Ela aconteceu para a glória de Deus, para que o Filho de Deus receba glória por meio dela”. 5Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. 6Ouvindo, portanto, que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava. 7Depois, disse a seus discípulos: “Vamos voltar para a Judeia”. 8Os discípulos se opuseram, dizendo: “Rabi, apenas alguns dias atrás o povo da Judeia tentou apedrejá-lo. Ainda assim, o senhor vai voltar para lá?”. 9Jesus respondeu: “Há doze horas de claridade todos os dias. Durante o dia, as pessoas podem andar com segurança. Conseguem enxergar, pois têm a luz deste mundo. 10À noite, porém, correm o risco de tropeçar, pois não há luz”. 11E acrescentou: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas agora vou despertá-lo”. 12Os discípulos disseram: “Senhor, se ele dorme é porque logo vai melhorar!”. 13Pensavam que Jesus falava apenas do repouso do sono, mas ele se referia à morte de Lázaro. 14Então ele disse claramente: “Lázaro está morto. 15E, por causa de vocês, eu me alegro por não ter estado lá, pois agora vocês vão crer de fato. Venham, vamos até ele”. 16Tomé, apelidado de Gêmeo, disse aos outros discípulos: “Vamos até lá também para morrer com Jesus”.

FALTA AMOR, FALTA AMAR

Fala-se tanto nele que fica a impressão de que nunca se falou tanto em amor. A minha geração, por exemplo, que curtiu a adolescência e a juventude entre os meados da década de 80 e toda a década de 90 (isso mesmo, século passado!), cantarolou como se fossem hinos (e de fato foram) as músicas de Legião Urbana (1982-1996). Uma das mais famosas, Pais e Filhos (1989), traz no refrão a mensagem da urgência de se amar: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há”. É um apelo para se amar, amar com urgência.

Antes da minha geração, lá nas décadas de 1960 e 1970, a palavra de ordem pelo mundo era: “Faça amor, não faça guerra!”. No Brasil, na década de 70, outra expressão que ficou marcada foi “Paz e amor!”. O que se queria, de fato, era liberdade sem compromisso.

Em nossos dias, se tivéssemos que descrever o significado de amor à partir das letras das músicas, — afinal são elas que definem ou descrevem muito do que se crê e se busca viver, — sejam essas músicas o sertanejo universitário, o pop nacional ou internacional, o rock ou seja lá o que for, o que descobriríamos sobre o amor é tão frágil, banal, egoísta, idólatra e até pagão, que o apenas citá-las profanaria um momento tão solene e santo de culto como este no qual nos encontramos aqui reunidos.

Em que pese o tanto falar de amor e todo o reconhecimento da necessidade de amar, o que se observa é que falta amor, falta amar. Primeiro, porque não se sabe o que é amor ou amar. Segundo, porque nós somos, por natureza, tão contrários ao amor de verdade que não conseguimos exercitá-lo, não conseguimos amar.

Observe os amantes. Veja como as pessoas declaram o amor. Tudo não passa de conveniência. Momento. Êxtase. Mero prazer sexual. A medida do amor é o que o outro poderá me proporcionar, é se o outro me aceita ou me afirma como eu desejo ou sinto que deveria, é se ele ou ela me faz sentir bem ou me arrebata com prazeres. Em outras palavras, o eu se tornou a medida do amor. E isto é catastrófico. Basta olharmos ao redor e ver a sociedade que nós construímos e estamos cultivando. Uma tragédia!

AMOR GLORIOSO

Falta amor, falta amar. Primeiro, por não se saber o que é amor nem o que é amar. Segundo, por não se ter, em si mesmo, a condição de amar como requer o amor. Em Cristo, e somente em Cristo, nós aprendemos o que é o amor e recebemos o poder para de fato amar. E isto nos traz ao nosso texto para hoje a noite.

João 11.1-16 trata do amor glorioso de Cristo. Aprendemos tanto o significado de amor como também, pela fé, obtemos o poder para amar como requer o amor. Olharemos, portanto, para a nossa passagem bíblica e faremos três observações sobre amor e amar: [1.] amar é abrir espaço para o outro se aproximar (vs. 1-3); [2.] amar é fazer pelo outro o que é mais necessário para ele se regozijar eternamente (vs. 4-6); [3.] amar é viver de maneira abnegada, inspirando outros a amar (vs. 7-16). Vejamos uma dessas observações de cada vez…

1 Amar é abrir espaço para o outro se aproximar (vs. 1-3)

Pouco antes do início deste capítulo, os líderes judeus em Jerusalém pegaram pedras para matar Jesus (Jo 10.31-33), e na sequência tentaram prendê-lo (Jo 10.39), mas o Senhor escapou, pois não era chegada a hora dele morrer nem seria por apedrejamento a sua morte. Seguiu, então, para a região nordeste e atravessou o rio Jordão. E não muitos dias depois da chegada ao local (Jo 11.8) onde João Batista havia exercido ministério (Jo 10.40), Maria e Marta, amigos chegados do Senhor lá de Betânia, lugarejo próximo a Jerusalém, enviaram a Jesus notícia de que Lázaro, irmão delas e muito querido dele, estava doente, muito doente. Ouça (Jo 11.1-3):

1Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele morava em Betânia com suas irmãs, Maria e Marta. 2Foi Maria, a irmã de Lázaro, que mais tarde derramou perfume caro nos pés do Senhor e os enxugou com os cabelos. 3As duas irmãs enviaram um recado a Jesus, dizendo: “Senhor, seu amigo querido está muito doente”.

Pelo menos duas coisas são incríveis nesta passagem.

Primeiro, no versículo 2, João decidiu nos contar algo que ainda não havia ocorrido de acordo com a narrativa cronológica do Evangelho: a unção de Jesus em Betânia — “Foi Maria, a irmã de Lázaro, que mais tarde derramou perfume caro nos pés do Senhor e os enxugou com os cabelos”. Isso aconteceria ainda mais adiante, lá em João 12.3, mas João se antecipou e nos contou logo aqui. Por quê? Ele está nos munindo de informações com a intenção de deixar claro o relacionamento notável existente entre Maria e Jesus. O ponto é o seguinte: Maria não era uma estranha. Havia um amor sincero (e não é sensual) entre ela e Jesus.

Segundo, no verso 3: “As duas irmãs enviaram um recado a Jesus, dizendo: ‘Senhor, [gr., íde, preste atenção, observe, veja bem] seu amigo querido [aquele a quem amas — gr., philéō] está muito doente’”. Agora, sim!, João torna explícita sua intenção, ou seja: ele quer que vejamos e sintamos o amor que Jesus tinha por essa família. O pedido de socorro não vinha de conhecidos casuais, mas do círculo mais íntimo de amigos de Jesus. O versículo 5 deixa tudo isso muito claro: “Jesus amava [gr., agapáō] Marta, Maria e Lázaro.”

Que coisa mais linda!

Até Jesus precisou desse tipo de amizade e de amor. Marta, Maria e Lázaro, na dimensão humana, eram amigos mais chegados que irmãos de Jesus. A casa deles era um local especial para o Senhor. Betânia era o que havia de mais próximo de um lar para Jesus na região da Judeia. Tanto que foi lá que ele repousou todas as noites da sua última semana de vida antes da crucificação.

Que se aprende aqui sobre amor, sobre amar?

Se o Verbo eterno de Deus que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.1-3, 14) amou de uma forma tão íntima, pura, singela, sincera e verdadeira, abrindo espaço para outros se aproximarem dele, por que nós não devemos ou não amamos dessa maneira? Por que nós não conseguimos ou não nos esforçamos para amar de uma forma assim tão pura, tão próxima e tão preciosa? Precisamos amar dessa maneira.

Note que Jesus amou de um jeito a deixar claro, sem deixar dúvida alguma, que ele amava (v. 3) — “Senhor, [gr., íde, preste atenção, observe, veja bem] seu amigo querido [aquele a quem amas — gr., philéō] está muito doente”. Ora, como elas sabiam desse amor de Jesus por Lázaro? Seria pretenção de Maria e Marta dizer uma coisa dessa se não fosse verdade e se Jesus não tivesse dado provas concretas de amar Lázaro de forma tão profunda. Jesus amava e dava provas de amor. Não ficava no ar, não ficava subentendido.

O jeito de Jesus amar não deixava ninguém com medo de chegar e se aproximar: Maria se aproximou e ungiu os pés do Senhor, secando-os em seguida com os próprios cabelos (Jo 12.3); pais levavam suas crianças para serem abençoadas por Jesus (Lc 18.15-17); mulheres tocavam nele; gente sempre se aproximava dele. O Filho de Deus não era carrancudo nem impunha medo ou inspirava mal-humor. Era acessível. Seu jeito de amar abria espaço para outros se aproximarem, homens e mulheres, adultos e crianças. João, inclusive, assim como Maria de Betânia, provou desse jeito de Jesus amar (Jo 21.20):

Pedro se virou e viu atrás deles o discípulo a quem Jesus amava, aquele que havia se reclinado perto [sobre o peito] de Jesus durante a ceia e perguntado: “Senhor, quem o trairá?”.    

O jeito de Jesus amar não só nos ensina como nós devemos amar e abrir espaço para outros se aproximarem da gente, como também nos encoraja a chegar a ele confiantes, em oração e amizade espiritual, levando-lhe tudo aquilo que pesa no coração. Amar é abrir espaço para o outro se aproximar. Jesus nos ama deste modo (Hb 4.16):

Assim, aproximemo-nos com toda confiança do trono da graça, onde receberemos misericórdia e encontraremos graça para nos ajudar quando for preciso.

Quem prova dessa proximidade, misericórdia e graça, quem prova desse amor, aprende a ser também amoroso, próximo, disponível, misericordioso e gracioso.

Fata-lhe este amor? Já provaste deste amor?

Você pode provar do amor de Cristo neste momento. Ele mesmo, em seu próprio corpo, abriu este caminho para nós, permitindo-nos chegar a ele e a Deus (Hb 10.20):

Por sua morte, Jesus abriu um caminho novo e vivo através da cortina que leva ao lugar santíssimo.

Amar é abrir espaço para o outro se aproximar. Jesus nos amou assim desse jeito. E é assim que nós também devemos amar: dando espaço para o outro se aproximar, e podermos levá-lo a Deus através de Jesus Cristo. [Intencionalidade — RAÍZES: relacionar, agregar, interceder, zelar pela pessoa, ensinar o evangelho e solicitar contas.]

2 Amar é fazer pelo outro o que é mais necessário para ele se regozijar eternamente (vs. 4-6)

Quando Paulo diz que o amor “não procura os seus interesses” (1Co 13.5, ARA), o apóstolo está dizendo que o amor não medirá esforços para dar o melhor de si, fazendo pelo outro o que é mais necessário para ele, o próximo, se regozijar eternamente. Dessa forma, o regozijo de quem ama será o regozijo de ver o outro se regozijar com aquilo que lhe é mais necessário para regozijar-se eternamente. Pois bem…

Neste ponto é que o nosso texto se choca com a cultura em nosso derredor. Veja. Prepare-se para se chocar com o amor “gloriocêntrico” (centrado na glória) de Jesus. Versículo 4, João 10.4:

Quando Jesus ouviu isso [seu amigo amado está muito doente!], disse: “A doença de Lázaro não acabará em morte. Ela aconteceu para a glória de Deus, para que o Filho de Deus receba glória por meio dela”.

Note que a primeira coisa que Jesus faz quando ouve a notícia da doença de Lázaro é colocá-la em relação à glória de Deus e à sua própria glória: Esta doença é sobre a glória de Deus, é sobre a glória do Filho de Deus. Não se trata, principalmente, de morte, embora Lázaro morrerá (e Jesus sabe que Lázaro morrerá); é principalmente sobre Deus, sobre o Filho de Deus e sobre quão glorioso é Deus e o Filho de Deus. É o que Jesus diz (versículo 4): “A doença de Lázaro não acabará em morte. Ela aconteceu para a glória de Deus, para que o Filho de Deus receba glória por meio dela.”

Exatamente como no capítulo 9, em que o homem nasceu cego, não porque ele pecou ou seus pais pecaram, mas para que as obras de Deus pudessem ser manifestas, glorificando a Deus e ao Filho de Deus (João 9.3-4). Lá em João 9 a questão era a cegueira, mas aqui a questão não será apenas cegueira ou enfermidade, será a morte. Lázaro vai morrer. Jesus sabe disso. De fato, Cristo escolheu deixar Lázaro morrer. Veremos isso em alguns instantes. Antes, porém, veja que a escolha de Jesus em deixar Lázaro morrer se fundamenta no amor. Como isso poderia ser amor? Calma. Veja.

João enfatiza pela terceira vez o amor que Jesus tem por essa família. Versículo 5: “Jesus amava Marta, Maria e Lázaro.” Ou seja: João realmente quer que vejamos e sintamos essa amor de Jesus por essa gente. Afinal, três vezes ele disse que Jesus os amava. Primeira vez, versículo 2: “Foi Maria, a irmã de Lázaro, que mais tarde derramou perfume caro nos pés do Senhor e os enxugou com os cabelos.” Segunda vez, versículo 3: “Senhor, seu amigo querido [aquele a quem o Senhor ama] está muito doente”. Terceira vez, versículo 5: “Jesus amava Marta, Maria e Lázaro.”

É óbvio que João está enfatizando o amor de Jesus por essa família. Por quê? Por que tanta ênfase no amor de Jesus por essas pessoas?

João sabe que o que Jesus está prestes a fazer aqui não parece amor para a maioria das pessoas. Muitos poucos, inclusive cristãos devotos, não pensam no amor da forma como Jesus nos revelará. Ouso dizer que até você, provavelmente, não pensa em amor dessa maneira — ninguém, em estado natural, pensa em amor dessa maneira — a não ser que o Espírito de Deus mude nosso coração para ver o que realmente é amor neste texto e na vida. Este texto, portanto, poderá virar seu mundo de cabeça para baixo. Deverá!

João tanto sabe que o que ele está prestes a dizer no versículo 6 vai contra toda experiência humana comum, em que Deus não é supremo, que utiliza-se de uma conjunção que realmente está lá no original grego (v. 6): “portanto”. Agora, preste atenção na fluência do texto. Observe a ligação entre o verbo amar e a atitude seguinte de Jesus, conectados pela conjunção portanto (vs. 5-6):

5Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. 6Ouvindo, portanto, que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava.

Meu Deus! Como assim? Se ama, corre lá, salve ele, não é mesmo? Parece que não.

Jesus sabia o que esse atraso significava. Lázaro, certamente, morreria. Sabemos disso por causa dos versículos 14-15:

14Então ele disse claramente: “Lázaro está morto. 15E, por causa de vocês, eu me alegro por não ter estado lá, pois agora vocês vão crer de fato. Venham, vamos até ele”.

Como assim, Jesus?

Jesus escolheu deixar Lázaro morrer — ou garantir que ele estivesse bem mortinho quando lá chegasse (quatro dias depois da morte, como se lê no versículo 39). Agora, se você pensa mais ou menos assim: “Bem, não foi tão ruim assim a morte de Lázaro porque Jesus sabia que o ressuscitaria. Não foi tão ruim quanto será a nossa morte ou a morte de alguém que amamos.”, considere duas coisas:

  1. Lázaro realmente morreu. Morrer não é uma coisa fácil. E até onde Lázaro soube, antes de morrer, Jesus não chegou a tempo de curá-lo. E as irmãs viram o irmão morrer. Elas o enterraram. E todos se perguntaram onde Jesus estava (v. 21). Ou seja, foi morte real. Perda real. E Jesus realmente não apareceu para impedir a morte de Lázaro. Todos sofreram, e sofreram muito.
  2. A maneira como João apresenta essa história nos faz crer que ele deseja que vejamos a ressurreição de Lázaro como uma figura de nossa ressurreição — a ressurreição de todos os que crêem em Jesus. Ouça Jesus, versículos 23-26:

23Jesus lhe disse: “Seu irmão vai ressuscitar”. 24“Sim”, respondeu Marta. “Ele vai ressuscitar quando todos ressuscitarem, no último dia.” 25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim viverá, mesmo depois de morrer. 26Quem vive e crê em mim jamais morrerá. Você crê nisso, Marta?”.

Jesus estava dizendo, em outras palavras, assim: Ressuscitar, como farei com o seu irmão, é exatamente o que acontecerá com todos que crêem em mim. Ou seja, a maneira correta de enxergar a morte e a ressurreição de Lázaro é a seguinte: A morte de Lázaro foi real e terrível, tão terrível quanto foi a daqueles que amamos e já morreram, e será a nossa e a daqueles que ainda veremos morrer. E se você acha que a morte de Lázaro foi menos terrível porque Jesus o ressuscitou, a verdade é que sua morte não será mais terrível que a dele, porque você também será ressuscitado por Jesus; é apenas uma questão de tempo, e a quantidade de tempo entre sua morte e ressurreição é como nada, quando comparada à eternidade.

Feitas essas considerações, talvez agora nós estejamos preparados para ver e sentir o ponto principal desta passagem: foi o amor que moveu Jesus a deixar Lázaro morrer. Foi o amor de Jesus por essa família e por seus discípulos — e por você e por mim, lendo este texto — que o levou a escolher deixar Lázaro morrer.

Veja novamente a conexão entre o versículo 5 e 6:

5Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. 6Ouvindo, portanto, que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava.

Porque amava Lázara e as irmãs de Lázaro, Jesus não correu para ficar ao lado de Lázaro no leito de enfermidade. E, escrevendo dessa maneira, João pretende — assim como Jesus pretendeu — que todos que lêem essa passagem levantem a questão: Como isso pode ser amor? João se esforçou para deixar o texto de forma a ficar a pergunta: Como isso pode ser amor? Sim, Jesus ama Lázaro e suas irmãs. Jesus os amava. Jesus os ama. Portanto, ele não o cura, mas o deixa morrer. Como isso pode ser amor?

Jesus já deu a resposta em voz alta e clara, e dirá novamente no versículo 15. Ele disse no versículo 4: “A doença de Lázaro não acabará em morte [em outras palavras, a questão não é a morte]. Ela [a doença] aconteceu para a glória de Deus, para que o Filho de Deus receba glória por meio dela”. Em outras palavras: Essa doença resultará na glória de Deus e na glória do Filho de Deus. Essa doença colocará em evidência a glória de Deus. Ela fará Jesus parecer incrivelmente supremo.

Portanto (versículo 6), o amor deixou Lázaro morrer. O amor o deixou morrer porque a morte os ajudaria a ver, de maneiras inimagináveis, a glória de Deus e do Filho de Deus. Então, o que é amor? O que significa ser amado por Jesus?

Amar significa dar-nos o que realmente mais precisamos. E o que mais precisamos não é de cura ou de vida saudável sem risco de morte, mas uma experiência completa e interminável com a glória de Deus. Amar significa dar-nos o que nos trará a maior e a mais duradoura alegria. E o que é essa alegria? O que lhe dará alegria plena e eterna? A resposta deste texto é clara: uma revelação da glória de Deus para a sua alma — ver, admirar, maravilhar e saborear a glória de Deus em Jesus Cristo. Quando alguém está disposto a morrer (Jesus) — ou deixar seu irmão morrer (Lázaro) — para dar a você (e a seu irmão) uma amostra da glória de Deus, essa pessoa o ama de verdade.

Amar é fazer o que precisa ser feito para ajudar o outro a ver e a valorizar a glória de Deus como sua suprema alegria. Amar é fazer o que precisa ser feito para ajudar as pessoas verem e se satisfazerem com a glória de Deus na face de Cristo.

Veja, mais uma vez, o que Jesus diz nos versículos 14-15:

14Então ele disse claramente: “Lázaro está morto. 15E, por causa de vocês, eu me alegro por não ter estado lá, pois agora vocês vão crer de fato. Venham, vamos até ele”.

A contrapartida humana à revelação da glória de Deus é crer. Crer, no evangelho de João, significa ir a Jesus para se satisfazer (matar a fome e a sede) com tudo o que Deus é para nós em Jesus (Jo 6.35). E nós chegamos a Cristo dessa maneira somente quando vemos a glória dele — “a Palavra se tornou ser humano, carne e osso, e habitou entre nós. Ele era cheio de graça e verdade. E vimos sua glória, a glória do Filho único do Pai” (Jo 1.14).

A existência se resume a apenas dois grandes propósitos: a demonstração que Deus faz de sua glória em Cristo, e seres humanos que valorizam essa glória acima de todas as coisas ou pessoas. Esse é o significado da vida e de toda a criação. E esses dois grandes propósitos, na verdade, são apenas um: porque fazer da glória de Deus um tesouro acima de todas as coisas — até mesmo da própria vida — é a única maneira de nos unirmos a Deus na demonstração de sua glória. “Deus é mais glorificado em nós, quando estamos mais satisfeitos nele”, John Piper.

Então, Jesus deixa Lázaro morrer para mostrar a glória de Deus e intensificar a fé de seus discípulos. E o Evangelho de João foi escrito com esses mesmos dois grandes objetivos: revelar a glória do Filho único do Pai e despertar e aprofundar nossa fé nele — recebendo-o como o supremo tesouro que ele de fato é.

O ponto principal do texto de hoje é: o amor glorioso de Jesus Cristo. O objetivo do amor é levar as pessoas ao conhecimento mais pleno e ao desfrute máximo da glória de Deus. Jesus não apenas deixou Lázaro morrer com esta finalidade. Ele mesmo, Jesus, morreu com este fim (1Pe 3.18): “Cristo também sofreu por nossos pecados, de uma vez por todas. Embora nunca tenha pecado, morreu pelos pecadores a fim de conduzi-los a Deus.” Assim foi que Jesus orou para que, do outro lado de sua morte, seu povo redimido visse sua glória (Jo 17.24): “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde estou. Então eles verão toda a glória que me deste, porque me amaste antes mesmo do princípio do mundo”.

O que é o amor? O amor é o desejo que trabalha e sofre para encantar os outros com o que é infinita e eternamente gratificante: a glória de Deus na face de Jesus.

Deixe-me concluir este ponto com uma palavra de encorajamento. Durante os quatro dias que se passaram entre a morte e a ressurreição de Lázaro, a família dele não pôde ver como Deus seria glorificado naquela tragédia. Isso só seria revelado em sua ressurreição. Portanto, se é neste período de luto que você está hoje — e todos nós, em certo sentido, não vemos claramente como Deus é glorificado na morte daqueles que amamos — não julgue o amor de Deus antes da ressurreição final. Deus está fazendo mais do que você e eu conseguimos enxergar agora. E a ressurreição trará tudo à luz. Enquanto isso, confie nele e valorize-o acima de todas as coisas.

Amar é fazer pelo outro o que é mais necessário para ele se regozijar eternamente. E isto é o que Jesus fez (justificando-nos diante de Deus), está fazendo (santificando-nos para vermos Deus face a face) e ainda fará por nós (glorificando-nos para entrarmos na presença de Deus).

3 Amar é viver de maneira abnegada, inspirando outros a amar (vs. 7-16)

O amor glorioso de Jesus revelado neste texto nos ensina que amar é abrir espaço para o outro se aproximar; amar é fazer pelo outro o que é mais necessário para ele se regozijar eternamente; e, por fim, amar é viver de maneira abnegada, inspirando outros a amar. Ouça como a atitude e as palavras de Jesus inspiraram Tomé a seguir os passos de seus Senhor e Salvador. Versículos 7-16. Quatro observações neste trecho:

1 O amor lançará fora o medo e se colocará em situação de risco, se preciso for, para levar às pessoas a luz da glória de Deus, expressa no evangelho de Cristo (vs. 7-8).

7Depois, disse a seus discípulos: “Vamos voltar para a Judeia”. 8Os discípulos se opuseram, dizendo: “Rabi, apenas alguns dias atrás o povo da Judeia tentou apedrejá-lo [Jo 10.31-33]. Ainda assim, o senhor vai voltar para lá?”.

2 O amor nos fará andar na luz de Cristo, cônscios do curto tempo que ainda nos resta para buscar as ovelhas de Cristo (vs. 9-10).

9Jesus respondeu: “Há doze horas de claridade todos os dias. Durante o dia, as pessoas podem andar com segurança. Conseguem enxergar, pois têm a luz deste mundo. 10À noite, porém, correm o risco de tropeçar, pois não há luz”.

3 O amor não permitirá que trivializemos a situação dos que estão vivendo sem Cristo (vs. 11-14).

11E acrescentou: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas agora vou despertá-lo”. 12Os discípulos disseram: “Senhor, se ele dorme é porque logo vai melhorar!”. 13Pensavam que Jesus falava apenas do repouso do sono, mas ele se referia à morte de Lázaro. 14Então ele disse claramente: “Lázaro está morto.

4 O amor mobilizará as pessoas para viverem e morrerem para Cristo (vs. 15-16).

15E, por causa de vocês, eu me alegro por não ter estado lá, pois agora vocês vão crer de fato. Venham, vamos até ele”. 16Tomé, apelidado de Gêmeo, disse aos outros discípulos: “Vamos até lá também para morrer com Jesus”.

Amar é viver de maneira abnegada, inspirando outros a amar Jesus e o próximo.

AMOR GLORIOSO

Falta amor e falta amar neste mundo em que vivemos. Falta Cristo. Falta crentes cheios de Cristo. Falta gente que provou e reparte o amor glorioso de Cristo: [1.] gente que ama abrindo espaço para o outro se aproximar — intencionalidade; RAÍZES; [2.] gente que ama fazendo pelo outro o que é mais necessário para ele se regozijar eternamente — revelar a glória de Cristo; [3.] gente que ama vivendo de maneira abnegada, inspirando outros a amar como Cristo amou. Você já provou desse amor glorioso?

Canta o nosso hino, “Amor Glorioso” (Cantor Cristão, 37):

Buscou-me com ternura 

Jesus o bom pastor; 

Achou-me na miséria, 

Salvou me com amor; 

No céu cantaram de alegria 

Os anjos, sim, em harmonia.

Oh! Que amor glorioso!

Preço tão grandioso

Que Jesus por mim na cruz pagou;

Inaudita graça me mostrou!

Ferido abandonado,

Jesus me socorreu;

E segredou-me: “Achei-te

De agora em diante és meu”.

Tão meiga voz jamais ouvi;

Prazer maior jamais senti.

[Refrão]

Jesus mostrou me as chagas

Que em meu lugar sofreu,

Coroa, mas de espinhos,

A cruz que padeceu;

Que poderia em mim achar,

Pra tais afrontas suportar?

[Refrão]

Minha alma embevecida,

Seu rosto a contemplar,

Recorda as muitas bênçãos

Do seu amor sem par;

Louvor e glória e adoração.

Tributa-lhe meu coração!

[Refrão]

Enquanto as horas passam,

Eu tenho gozo e paz,

E aguardo o meu bom Mestre,

Que tão feliz me faz;

Jesus, a mim virá buscar,

E então pra sempre irei gozar.

Oh! Que amor glorioso!

Preço tão grandioso

Que Jesus por mim na cruz pagou;

Inaudita graça me mostrou!

S.D.G. L.B.Peixoto

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