A VIDA PLENA

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A VIDA PLENA

João 10.1-21

1“Eu lhes digo a verdade: quem entra no curral das ovelhas às escondidas, por sobre a cerca, em vez de passar pela porta, é certamente ladrão e assaltante! 2Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro lhe abre a porta, e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam. Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz. 5Nunca seguirão um desconhecido; antes, fugirão dele, pois não reconhecem sua voz.” 6Os que ouviram Jesus usar essa ilustração não entenderam o que ele quis dizer, 7por isso ele a explicou: “Eu lhes digo a verdade: eu sou a porta das ovelhas. 8Todos que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9Sim, eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pasto. 10O ladrão vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para lhes dar vida, uma vida plena, que satisfaz. 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas. 12O empregado foge quando vê um lobo se aproximar. Abandona as ovelhas porque elas não lhe pertencem e ele não é seu pastor. Então o lobo as ataca e dispersa o rebanho. 13O empregado foge porque trabalha apenas por dinheiro e não se importa de fato com as ovelhas. 14“Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como meu Pai me conhece e eu o conheço; e eu sacrifico minha vida pelas ovelhas. 16Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17“O Pai me ama, pois sacrifico minha vida para tomá-la de volta. 18Ninguém a tira de mim, mas eu mesmo a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para tomá-la de volta, pois foi isso que meu Pai ordenou”. 19Quando Jesus disse essas coisas, as opiniões dos judeus a respeito dele se dividiram outra vez. 20Alguns diziam: “Ele está possuído por demônio e está louco. Por que ouvi-lo?”. 21Outros diziam: “Ele não fala como alguém que está possuído por demônio. Pode um demônio abrir os olhos dos cegos?”.

EM BUSCA DA FELICIDADE

Não será exagero afirmar que o sonho de consumo das pessoas se resume numa só palavra: felicidade. Todo mundo quer ser feliz ou estar perto de gente feliz. É tanto que até uma grande rede de supermercados no Brasil já descobriu que, para vender bem seus produtos, ela terá que vender antes a ideia de que lá é “lugar de gente feliz”; ou seja: lugar aonde se vai para comprar produtos que trarão felicidade e aonde se vai com a certeza de que lá se receberá um atendimento que garantirá a felicidade. Lugar de gente feliz!

Realmente, as pessoas não querem apenas produtos (arroz, feijão, sabão, carne e macarrão), elas querem felicidade e por isso compram determinados produtos (aqueles que prometem felicidade).

Pare e pense um pouquinho.

Todas as marcas — tanto de alimentos como de produtos de limpeza, por exemplo —, desejando vender, sempre, de alguma forma, apresentam-nos suas mercadorias com a mesma promessa de felicidade: compre, consuma, delicie-se, seja feliz!

A campanha publicitária de marca de arroz ou de feijão, por exemplo, sempre coloca o seu produto sobre uma mesa rodeada de pessoas sorridentes, passando a comida um para o outro, entrelaçando olhares brilhantes de felicidade. Não é assim? Por quê? Foi-se o tempo em que as pessoas compravam arroz e feijão simplesmente para encher a pança. Hoje elas querem arroz e feijão com muita alegria, felicidade e diversão.

A marca de sabão. O sabão para vender bem terá que comunicar a ideia de que a roupinha ficará macia e cheirosa sobre o corpo, exalando, de preferência o dia todo, um cheirinho de felicidade. É tanto que os comerciais de marcas de sabão ou amaciante de roupas sempre colocam alguém bonito e sorridente enrolado em tecidos com aparência bem sedosa ou vestido com roupas que fazem a pessoa caminhar de olhinhos fechados, quase flutuando, inspirando, sentindo o cheiro de felicidade exalando da roupa no corpo. Foi-se o tempo em que nos contentava-mos simplesmente em vestir uma roupinha limpinha e bem passada. Agora nós queremos vestir felicidade.

Percebeu? Marcas de produtos, lojas e supermercados vendem felicidade. E nós compramos, ou buscamos comprar, felicidade. O ser humano está em busca de felicidade.

Blaise Pascal é o autor de um pensamento que ficou imortalizado na literatura, especialmente a literatura cristã. Disse assim o pensador francês:

Todos os homens buscam a felicidade. E não há exceção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim [felicidade!]. É isto que motiva as ações de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida.

Sim, todo mundo busca a felicidade. Ponto! Agora, são poucos os que se dão conta de que a felicidade tão cobiçada é fruto de uma vida abundante, fruto de uma vida plena, não de consumo ou de produtos. Isto significa que somente colherão o fruto da felicidade ou desfrutarão o sabor da verdadeira alegria, aqueles que dispuserem de uma vida plena ou abundante, dispuserem de uma vida de qualidade ou conquistarem qualidade de vida.

QUALIDADE DE VIDA

Qualidade de vida é uma expressão que está na moda. Tornou-se clichê. Ideia batida ou comum. Jargão popular, quase vulgar. Todo mundo fala a respeito ou busca obter qualidade de vida. Por quê? Porque sabem que felicidade é fruto de qualidade de vida, vida plena, vida abundante, vida com vida de verdade.

E é verdade! Felicidade é fruto de vida plena, vida abundante. Felicidade é fruto de vida com vida. O problema é o que se propõe por aí (religiosa ou secularmente) em termos de como obter qualidade de vida ou vida plena que de fato traga felicidade.

Primeiro, vão dizer que você precisa descobrir o significado de vida plena para você. Sim, isso mesmo, dizem que vida plena passa pela descoberta ou definição do significado de vida plena para você. Você terá que dar o significado!

Apregoam que para alguns, ter uma vida plena é aproveitar a vida ao máximo, curtindo viagens, fazendo esportes radicais e conhecendo culturas exóticas. Já outros, para ter uma vida plena, precisam viver com sossego e calmaria, trabalhando em contato com a natureza. Etc. A tese é que você precisa encontrar o significado de vida plena que mais apetecerá você. Um desses pregadores de vida plena, de tantos que pesquisei, atestou:

Em certa medida, ter uma vida plena é tomar as rédeas da própria vida e descobrir os prazeres que ela pode oferecer.

Segundo, vão dizer que, tendo descoberto o significado de vida plena para você, a coisa seguinte a se fazer é ter força de vontade para mudar e colocar em prática alguns passos indispensáveis para você ter vida plena do tipo que trará felicidade a você. Daí, alguns dos passos para a vida plena que desembocam na felicidade são (ouçam!): alimentação, sono, exercício físico, movimento, controle do peso, ser mais calmo, ver o lado bom da vida, ficar longe dos vícios, investir em amizades, investir na vida sexual e amar a si mesmo.

Permitam-me contar a vocês o que um desses gurus para uma vida plena recomendou sobre investimento na vida sexual e amor a si mesmo como passos para uma vida plena e feliz. O propósito é mostrar-lhes como a religião do eu (que beira o paganismo em suas formas de cultos sexuais) está mais permeada do que imaginamos na mentalidade popular que busca viver plenamente e feliz. Ouçam e pasmem!

Invista na sua vida sexual

Ter uma vida sexual ativa e saudável também faz parte das indicações para se ter uma vida plena. O sexo faz parte de nossas vidas e deve ser vivido com responsabilidade e sem tabus. Tenha em seu parceiro um confidente e uma pessoa a quem você deve dar prazer, mas que também está lá para fazer com que você sinta prazer e orgulho de seu corpo.

Ame a si mesmo

Não adianta tentar fugir, o amor-próprio sempre será o mais importante. Cultive essa amizade e esse carinho por você mesmo sempre que possível. Jamais se deprecie e entenda todas as suas competências e vontades. Escute sempre sua voz interior e invista em um tempo para ficar sozinho. Não aceite menos do que olhar no espelho e ter orgulho do que vê.

Meu Deus! Isso não é vida plena. É assalto. É morte. É destruição. Explico.

Nesse evangelho do eu, a felicidade consiste em (1.) eu mesmo, com o coração enganoso que tenho, definir o que é melhor para mim; consiste em (2.) eu mesmo, limitado e impotente que sou, produzir força de vontade o bastante para mudar, conseguir fazer aquilo que eu sei (sei mesmo?) ser o melhor para mim; consiste em (3.) exaltar-me para o outro, autoafirmando-me, seguindo meu coração, desejos e vontades na busca pela felicidade; consiste em (4.) investir em mim mesmo e viver para mim mesmo, desfrutando da vida para mim mesmo. Eu. Eu. Eu. Eu.

O outro? O outro terá utilidade na medida em que me fizer sentir prazer e contribuir para eu me orgulhar de mim mesmo. Senão eu troco o outro por algum outro.

Deus? Que Deus me ajude! Ah! Que Deus me ajude e não me atrapalhe.

Que é isso, gente?

Isso não é vida plena e jamais produzirá felicidade. É escravidão, pois rouba-me da glória de Deus (fazendo-me focar na glória do eu e viver para servir o eu), mata minha fé na graça de Deus (forçando-me a desempenhar performances dignas de louvor diante dos olhos dos outros) e destrói minha esperança de vida eterna (frustrando-me com os prazeres pequenos e passageiros desta vida).

O evangelho do eu, portanto, veja bem! (Assim como o farisaísmo dos dias de Jesus), veio para roubar, matar e destruir. Ele não produz vida plena, ele mata. Ele não produz felicidade, ele destrói. Ele não acrescenta sentido, ele rouba.

A VIDA PLENA DE JESUS

Isso nos traz ao texto de hoje: a vida plena de Jesus conforme as palavras do próprio Cristo em João 10.1-21.

O texto em tela é um dos mais queridos e significativos deste Evangelho, posto que retrata a vida plena (que de fato produz felicidade), vida que Jesus mesmo veio proporcionar às ovelhas dele, o povo dele, a igreja. As palavras de Jesus foram motivadas pela situação do ex-cego, por ele ter sido expulso pelos fariseus da sinagoga, do judaísmo oficial. Tanto que o assunto do milagre de João 9 volta à tona no final de João 10:

19Quando Jesus disse essas coisas, as opiniões dos judeus a respeito dele se dividiram outra vez. 20Alguns diziam: “Ele está possuído por demônio e está louco. Por que ouvi-lo?”. 21Outros diziam: “Ele não fala como alguém que está possuído por demônio. Pode um demônio abrir os olhos dos cegos?”.

Jesus, de fato, está aqui pregando às suas ovelhas, aos seus discípulos, ao cego curado também, dizendo-lhes que deveriam ficar alertas, sentir-se seguros e segui-lo fielmente, pois ele é o bom pastor e a porta das ovelhas, por meio de quem, e somente por meio de quem, desfrutariam de vida plena, satisfação e, portanto, felicidade verdadeira.

Pois bem, o que faremos no tempo restante que temos é caminhar por esse trecho em busca de compreensão sobre o significado de vida plena, como obtê-la e que garantia nós temos de que viver essa vida é de fato possível. Veremos que (1.) a vida plena começa com o chamado eficaz de Cristo; (2.) é fruto do ministério gracioso de Cristo; e (3.) se sustenta na obra redentora de Cristo. Portanto: como obter, como se dá ou no que consiste, e qual é a garantia ou o fundamento da vida plena de Jesus.

A VIDA PLENA COMEÇA COM O CHAMADO EFICAZ DE CRISTO

A vida plena começa com a voz de Cristo, chamando-nos para si mesmo, para um relacionamento pessoal e íntimo com ele, formando para si mesmo um povo. Ouçam as palavras do Senhor (Jo 10.1-5):

1“Eu lhes digo a verdade: quem entra no curral das ovelhas às escondidas, por sobre a cerca, em vez de passar pela porta, é certamente ladrão e assaltante! 2Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro lhe abre a porta, e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam. Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz. 5Nunca seguirão um desconhecido; antes, fugirão dele, pois não reconhecem sua voz.”

O foco principal dessas palavras é o chamado eficaz de Cristo: ele chama e suas ovelhas o ouvem. Como? O que acontece por causa desse chamado? De novo, versos 3-4:

3O porteiro lhe abre a porta, e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam. Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz. 

Deus enviou o Cristo, conforme todas as promessas messiânicas contidas no Antigo Testamento (“o porteiro lhe abre a porta”, v. 3). Trocando em miúdos: o Pai enviou o Filho; o verbo eterno de Deus — i.e., aquele que é Deus, estava com Deus e por meio de quem todas as coisas foram criadas… o verbo eterno de Deus se fez carne (tornou-se ser humano como nós) e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade (Jo 1.1-2 e 14).

O verbo eterno que se fez carne abriu a boca e falou (“as ovelhas reconhecem sua voz”, “ele chama suas ovelhas pelo nome”, v. 3). Ele disse (trechos de João!) “Venham e vejam. Eu Sou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.35-41). Eu Sou o Verbo que se fez carne (Jo 1.14). Eu Sou o Messias, o Cristo (Jo 1.41). Eu Sou o pão da vida e a água da vida (Jo 6.35). Eu Sou a luz do mundo (Jo 8.12). Eu Sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25). Eu Sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5). Eu Sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Eu Sou o bom pastor que sacrifica a vida pelas ovelhas (Jo 10.10-17). Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7-9). Venham e vejam.”

Em resumo: “Eu Sou tudo o que vocês de fato precisam: Eu Sou salvação, justiça, satisfação, direção, vida eterna e abundante.”

As ovelhas, ao ouvirem sua voz, o reconhecem, reconhecem sua voz, aproximam-se dele com arrependimento e fé e o seguem porque conhecem sua voz (Jo 10.3-4).

Isto acontece porque o bom pastor atrai irresistivelmente suas ovelhas para perto de si, chama-as pelo nome e as conduz para fora (v. 3) — para fora do farisaísmo ou da religião de morte; para fora de si mesmas, da justiça própria, do engano do pecado; para fora da improbabilidade da autoajuda; para fora do modo de pensar do mundo, etc. — o bom pastor chama-as eficazmente pelo nome e as conduz para fora (v. 3).

Depois, o bom pastor as reúne (na comunhão do corpo de Cristo, que é a igreja), vai adiante delas as dirigindo, e elas o seguem porque conhecem a voz desse bom pastor divino (vs. 3-4). Ouça, de novo:

3O porteiro lhe abre a porta, e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam. Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz.

Esse é o chamado eficaz de Cristo, é sua graça irresistível derramada sobre o pecador, atraindo o pecador para si mesmo.

Ocorre que aqueles que são chamados e vêm para a salvação tiveram seus olhos abertos pelo poder curador de Deus, de forma que não mais enxergam a cruz como loucura, mas como o poder e a sabedoria de Deus para a salvação do que crê. O chamado eficaz é o milagre de ter nossa cegueira removida. É graça irresistível.

Pois bem, essas ovelhas que ouvem a voz do bom pastor, que são chamadas para a salvação, saberão discernir entre o bem e o mal. Ouçam Jesus contrastando o ministério dele, autenticado pelo Pai, com o ministério dos fariseus que tinham expulsado o ex-cego da sinagoga (Jo 10.1-5):

1“Eu lhes digo a verdade: quem entra no curral das ovelhas às escondidas, por sobre a cerca, em vez de passar pela porta [Cristo], é certamente ladrão e assaltante! […] 5Nunca seguirão um desconhecido; antes, fugirão dele, pois não reconhecem sua voz. [fugirão de tudo o que não tem cara ou voz de Cristo, de cruz, de evangelho cristocêntrico]”

Vida plena começa com o chamado eficaz de Cristo: as ovelhas de Jesus ouvem e creem no evangelho; elas seguem Cristo, saem de si mesmas, da religião, da justiça própria e do pecado, do mundo e unem-se pela fé a Cristo e ao povo de Deus que é a igreja; seguem Cristo e fogem de tudo ou de todos que não têm Cristo.

Cristo, estar em Cristo, atender ao chamado de Cristo, viver discernindo e obedecendo a voz de Cristo (e não estar em contato com seu eu interior nem com as vozes que nos remetem ao eu, autorrealização) é o início da vida plena e abundante.

A VIDA PLENA É FRUTO DO MINISTÉRIO GRACIOSO DE CRISTO

Se a vida plena começa com a voz de Cristo, chamando-nos para si mesmo, para um relacionamento pessoal e íntimo com Cristo, essa vida se mantém do fruto do ministério gracioso de Cristo (Jo 10.6-10):

6Os que ouviram Jesus usar essa ilustração não entenderam o que ele quis dizer, 7por isso ele a explicou: “Eu lhes digo a verdade: eu sou a porta das ovelhas. 8Todos que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9Sim, eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pasto. 10O ladrão vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para lhes dar vida, uma vida plena, que satisfaz.

Veja: quem não ouve a voz de Cristo (o chamado eficaz) permanece sem entender a mensagem e o ministério de Cristo (v. 6). E por mais que o Senhor insista em continuar pregando e fazendo (como se lê do v. 7 em diante), sem a graça irresistível, sem o chamado eficaz (i.e., regeneração ou novo nascimento) o coração humano continuará cego e sem vida (morto), seguindo ladrões de esperança e assaltantes de boa fé (v. 8).

Por outro lado, quem ouve a voz de Cristo não segue por esse caminho de morte — a religião do eu, autoajuda, autorrealização ou justiça própria, não segue a cabeça do mundo (v. 8). Quem ouve a voz de Cristo entra pela porta (que é Cristo — arrepende-se e crê), recebe salvação (a justiça de Cristo), libertação (entrará e sairá) e obtém verdadeira satisfação (entra por Cristo e é salvo; entra e sai e encontra pasto.) — v. 9.

Jesus está dizendo que vida plena é você ter a capacidade (dada-nos pelo Espírito de Cristo) de discernir a verdade do erro e seguir a verdade (Cristo); vida plena é você entrar pela porta da graça (Cristo), por meio da fé (em Cristo) e reconciliar-se com Deus; vida plena é você viver em segurança (salvo em Cristo), viver em liberdade (poder dizer não ao que escraviza e mata lentamente) e se saciar com o que de fato satisfaz (Cristo).

Cristo é a vida plena. Cristo é quem verdadeiramente satisfaz. Retire Cristo (a porta e o bom pastor; o acesso a Deus e a voz que nos chama para Deus) e o que restará serão: escravidão, ladrão, roubo, morte e destruição. Cristo, a vida e a obra de Cristo, o ministério gracioso de Cristo, nossa relação íntima e pessoal com Cristo (pela graça, por meio da fé) é de fato a vida plena, a vida que satisfaz, a vida feliz.

A vida plena é fruto do ministério gracioso de Cristo.

A VIDA PLENA SE SUSTENTA NA OBRA REDENTORA DE CRISTO

Se a vida plena começa com a voz de Cristo, chamando-nos para si mesmo, para um relacionamento pessoal e íntimo com Cristo; e se essa vida se mantém do fruto do ministério gracioso de Cristo; veremos, finalmente, que a vida plena se sustenta na obra redentora de Cristo (Jo 10.11-18):

11“Eu sou o bom [belo, maravilhoso] pastor. O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas. 12O empregado foge quando vê um lobo se aproximar. Abandona as ovelhas porque elas não lhe pertencem e ele não é seu pastor. Então o lobo as ataca e dispersa o rebanho. 13O empregado foge porque trabalha apenas por dinheiro e não se importa de fato com as ovelhas. 14“Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como meu Pai me conhece e eu o conheço; e eu sacrifico minha vida pelas ovelhas. 16Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17“O Pai me ama, pois sacrifico minha vida para tomá-la de volta. 18Ninguém a tira de mim, mas eu mesmo a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para tomá-la de volta, pois foi isso que meu Pai ordenou”.

Que garantia nós temos de que é possível desfrutar de vida plena?

O Pai, soberanamente, ordenou (v. 18); e o Filho, voluntaria, graciosa e soberanamente se entregou (morreu e ressuscitou) para comprar para si mesmo um povo, suas ovelhas, aqueles que o próprio Pai a ele entregou em amor.

A vida plena garantida às ovelhas de Cristo se sustenta no plano e na providência soberana, sábia e amorosa de Deus Pai (planejando: enviar o Filho), Deus Filho (executando: morrendo pelo pecador) e Deus Espírito Santo (aplicando: regenerando e santificando).

Qualquer outro credo ou filosofia de vida que lhe prometa vida plena, examine e veja por você mesmo e constatarás!, fundamenta-se no eu, na força de vontade, no conhecimento de si mesmo ou de regras criadas por homens. E produz, portanto, gente egoísta, interesseira, egocêntrica, covarde, materialista e sem amor — a exemplo de tudo o que Jesus descreveu sobre os fariseus. Ouça:

1“Eu lhes digo a verdade: quem entra no curral das ovelhas às escondidas, por sobre a cerca, em vez de passar pela porta, é certamente ladrão e assaltante! […] 8Todos que vieram antes de mim [e continuam vindo desde então] eram ladrões e assaltantes, […] 10O ladrão vem para roubar, matar e destruir. […] 12O empregado foge quando vê um lobo se aproximar. Abandona as ovelhas porque elas não lhe pertencem e ele não é seu pastor. Então o lobo as ataca e dispersa o rebanho. 13O empregado foge porque trabalha apenas por dinheiro e não se importa de fato com as ovelhas.

Agora, a obra redentora de Cristo, que sustenta e garante a nossa vida plena e eterna diante de Deus, produz o mesmo tipo de gente do bom pastor: pessoas amorosas, altruístas, corajosas, servas dispostas a se sacrificar pelos outros. Ouça:

3O porteiro lhe abre a porta [ao pastor], e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam. Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz.

9Sim, eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pasto. 10O ladrão vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para lhes dar vida, uma vida plena, que satisfaz. 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas.

14“Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como meu Pai me conhece e eu o conheço; e eu sacrifico minha vida pelas ovelhas. 16Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17“O Pai me ama, pois sacrifico minha vida para tomá-la de volta. 18Ninguém a tira de mim, mas eu mesmo a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para tomá-la de volta, pois foi isso que meu Pai ordenou”.

A vida plena se sustenta (e é modelada) na obra redentora de Cristo.

A VIDA PLENA

Se você está em busca de felicidade (e é provável que sim, pois buscar a felicidade é humano), você de fato está em busca de vida plena — e vida plena só em Cristo: na comunhão com Deus, pelo Espírito, por causa da vida e obra de Cristo.

O que você de fato precisa para ter vida plena, eterna e feliz — i.e., salvação, santificação (libertação) e satisfação — foi comprado por Cristo, na vida e na obra de Cristo. Portanto, tire seus olhos de si mesmo, de seus desejos e vontades, dos produtos desta vida, das outras pessoas, de regras, de doutrinas ou de costumes que exaltam o eu. Coloque seus olhos com arrependimento e fé em Jesus Cristo.

Não seja como os fariseus: entre eles as opiniões se dividiram, alguns disseram que Jesus estava possuído por demônio, outros afirmaram que Jesus estava louco e uns poucos acharam que Jesus poderia ser de Deus, pois curou o cego de nascença (Jo 10.19-21). Não seja como a maioria blasfema que não quis ouvir Jesus Cristo.

Ouça a voz de Cristo te chamando. Entre e saia por ele. Ele morreu por nossos pecados, para que fossemos perdoados e tivéssemos acesso a Deus. E ele foi trazido dos mortos para ser “o grande Pastor das ovelhas” (Hebreus 13.20–21), e foi posto para nos levar repetidamente em proteção ao pasto — à vida abundante, à presença de Deus.

Essas coisas estão escritas (e eu preguei) para que você creia. Oro para que você creia. Venha a Cristo como sua Porta e seu Pastor para desfrutar a vida plena e eterna nos braços de Deus. Ouça a voz do bom pastor te chamando. Arrependa-se e creia. Seja feliz.

S.D.G. L.B.Peixoto

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