

28.06.2026
Romanos 6.1-23 (NAA)
Neste culto nós estamos celebrando a glória de Deus pela vida — a nova vida em Cristo. Sobre que vida é essa, nós estudamos hoje de manhã, quando olhamos para Gálatas 2.19b-20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
Essa nova vida, como podemos ver, é para ser vivida pela fé no Filho de Deus. E se pudéssemos pedir a Paulo que expandisse um pouco mais o tema, penso que ele nos traria para Romanos 6, onde explica como é viver a nova vida em Cristo.
A partir deste ponto da carta, o apóstolo mostrará que o evangelho — que é a notícia a respeito da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo disponível para pecadores… o evangelho — satisfaz as necessidades morais dos homens por meio da santificação, pela qual Deus, por meio do Espírito Santo, torna a justiça imputada uma realidade prática para o crente.
E este capítulo pode ser dividido, em linhas gerais, em duas partes: o princípio da santificação e o processo da santificação.
Perceba o seguinte: estamos falando que a nova vida em Cristo é para ser vivida em santidade, em dedicação exclusiva para Deus. Mas a gente não sabe bem o que é isso. E aqui Paulo vai explicar. Ele o fará demonstrando: 1) o princípio sobre o qual está fundamentada a nossa santificação (vs. 1-14) e 2) o processo pelo qual ocorre essa santificação (vs. 15-23).
O princípio de santificação (ou: da nova vida em Cristo) é de que os crentes morreram para o pecado e foram vivificados com Cristo para viver para Deus por meio dele (6.1-14).
O processo de santificação (ou: da nova vida em Cristo) significa que os crentes devem se conformar à sua nova posição como unidos a Cristo pela fé, reconhecendo a quem pertencem agora e refletindo sobre os respectivos destinos de sua vida antiga e de sua nova vida (6.15-23).
Se quisermos saber a respeito de como viver a nova vida em Cristo, Romanos 6 terá de ser o nosso ponto de partida.
Os crentes morreram para o pecado e foram vivificados com Cristo para viver para Deus por meio da fé em Cristo (6.1-14).
Observe como Paulo argumenta:
1. A morte do crente para o pecado torna a libertinagem impensável para ele; não é porque em nós transborda a graça de Deus (5.20-21) que devemos sequer considerar viver entregues aos desejos do pecado (6.1-2):
1Que diremos, então? Continuaremos no pecado, para que a graça aumente ainda mais? 2De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós, que já morremos para ele?
2. A identificação do crente unido pela fé a Cristo torna possível para ele uma vida de liberdade (6.3-10).
3Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? 4aFomos sepultados com ele na morte pelo batismo, […]
4b[…] para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida. 5Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. 7Pois quem morreu está justificado do pecado.
8Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 9Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. 10Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.
3. A obrigação do crente perante Cristo é de considerar-se morto para o pecado, mas vivo para Deus (6.11)
11Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
4. A obrigação do crente perante o pecado é trocar o objeto de sua autoentrega (6.12-14)
12Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões. 13Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça. 14Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça.
Este é o princípio por trás da nova vida em Cristo: os crentes morreram para o pecado e foram vivificados com Cristo para viver para Deus por meio da fé em Cristo (6.1-14).
1. Pare de negociar com o que já morreu. Se você morreu para o pecado, não faz sentido continuar pedindo permissão para visitá-lo. Pergunte-se: em que área da minha vida ainda trato o pecado como uma possibilidade em aberto, e não como um cadáver que já fica atrás de mim?
2. Trate seu batismo como identidade declarada, não como lembrança de evento passado. Paulo não diz “lembrem-se do batismo” como nostalgia — ele usa o batismo para dizer quem você é agora. De modo prático: quando a tentação vier, a pergunta não é “posso fazer isso?”, mas “isso combina com quem eu morri e ressuscitei para ser?”.
3. Ofereça-se ativamente a Deus — não apenas resista passivamente ao pecado. O texto não termina em “não pequem”, termina em “apresentem-se a Deus” (v. 13). Resistir ao mal sem se entregar ao bem deixa um vácuo. De modo prático: a cada área que você nega ao pecado, ofereça o mesmo membro, tempo, dinheiro ou afeto a um uso concreto para a justiça.
Na sequência do texto, em Romanos 6.15-23, Paulo mostrará que ser salvo pela graça não cria um vácuo moral — cria uma troca de senhorio. O crente que já não está sob a lei não ficou sem dono: trocou de mestre, de escravidão ao pecado para escravidão à justiça (vs. 16-18). E essa troca não é cosmética: ela tem destino. O caminho antigo termina em vergonha e morte; o caminho novo, em santidade e vida eterna (vs. 19-23).
Por isso a pergunta que orienta a vida cristã não é “o que a graça me permite”, mas “a quem eu pertenço agora, e para onde esse pertencimento me leva”.
Todos nós servimos a alguém. Se for ao mundo, à carne e ao Diabo, a ideia de que isso é verdadeira liberdade é uma ilusão — o pecador é, de fato, escravo dos seus próprios pensamentos e desejos. De fato, Paulo escreveu assim, em Tito 3.3:
Pois nós também, no passado, éramos insensatos, desobedientes, desgarrados, escravos de todo tipo de paixões e prazeres, vivendo em maldade e inveja, sendo odiados e odiando-nos uns aos outros.
Mas a salvação em Cristo não nos liberta para vivermos para nós mesmos, pois essa é exatamente a escravidão da qual precisamos escapar. Quando Deus une um pecador a Cristo, esse pecador se torna um escravo voluntário de Cristo, para fazer a sua vontade justa. E servir a Cristo é a verdadeira liberdade (João 8.36).
Por que isso é assim? Porque o mestre que você serve determina o destino que você recebe — vergonha e morte, ou santidade e vida eterna. Não existe um terceiro caminho neutro, onde você se entrega à justiça pela metade ou observa de fora a quem pertence.
Então a pergunta com que terminamos não é teórica. Ela é a mesma pergunta que abriu nosso culto, quando olhamos para Gálatas 2.20: se Cristo vive em mim, e se eu já morri e ressuscitei com ele, então a quem, de fato, eu tenho entregado os meus dias?
Você é escravo de Cristo?
Se você é, viva como quem sabe a quem pertence. Se você ainda não sabe a resposta, talvez seja porque ainda não percebeu que já está servindo a outro mestre — e esse é o convite de hoje: largar as correntes que você chamava de liberdade, e descobrir que a verdadeira nova vida em Cristo só existe debaixo de um único senhorio possível.
E é exatamente para essa realidade que a mesa do Senhor nos chama agora.
Para os que já professaram essa fé pelo batismo — que já disseram diante desta igreja, e diante de Deus, “eu morri e ressuscitei com Cristo” — três coisas a Ceia anuncia e renova em vocês esta noite:
1. A Ceia anuncia a morte que já aconteceu — examine se você ainda vive como morto para o pecado.
O pão partido e o vinho derramado apontam para o corpo entregue e o sangue derramado do seu novo Senhor. Antes de vir à mesa, examine-se — não para perguntar “sou perfeito?”, mas “estou vivendo como quem morreu para o pecado, ou como quem ainda serve ao antigo mestre?” Há algum pecado a que você ainda está entregando os seus membros, em vez de entregá-los a Deus? Esse é o momento de confessar, de abandonar, e de vir à mesa em paz.
2. A Ceia alimenta quem vive da graça, não de méritos — venha sem medo, mas também sem leviandade.
Ninguém chega a esta mesa porque mereceu — chega porque foi libertado do pecado e feito servo da justiça por pura graça. Isso deve livrar você de dois erros opostos: o de se achar indigno demais para vir, esquecendo que a Ceia é dom, não recompensa; e o de vir com leviandade, como se a graça fosse licença para continuar servindo ao pecado. Esta mesa é para pecadores que morreram para o pecado — não para perfeitos, mas também não para quem trata a graça como desculpa.
3. A Ceia renova a entrega — saia dela tendo trocado de senhor outra vez.
Quando você comer o pão e beber do cálice, não termine ali. A pergunta que abriu esta noite continua sendo a pergunta com que você se levanta da mesa: a quem você vai servir esta semana?
Você é escravo de Cristo? Então venha, e coma, e beba, como quem sabe — mais uma vez — a quem pertence.
S.D.G. L.B.Peixoto.
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Vivendo a nova vida em Cristo
Pr. Leandro B. Peixoto