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25.10.2026

Os Batistas e a Bíblia

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Mensagens Avulsas
  • Livro: 1Timóteo

Nesta manhã, excepcionalmente, a mensagem não será uma exposição bíblica, como costumamos ouvir deste púlpito aos domingos. Será mais uma palestra do que uma pregação. Mas não será uma palestra qualquer.

Estamos a seis dias do 31 de outubro, data em que a Reforma Protestante completa 509 anos. E há uma cena da Reforma que quero recordar com vocês.

Em 18 de abril de 1521, na cidade alemã de Worms, diante da Dieta, a assembleia oficial do império, o monge e professor Martinho Lutero, então com 37 anos, foi chamado a retratar-se do que havia escrito e ensinado.

A Dieta, aberta em janeiro daquele ano, era presidida pelo imperador Carlos V, soberano do Sacro Império Romano-Germânico, que reunia, em boa parte, a atual Alemanha, a Áustria, a República Tcheca e outras regiões da Europa Central.

Lutero se recusou. E as palavras que a tradição lhe atribui ficaram gravadas em pedra na história da igreja:

“A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão clara (pois não confio nem no papa nem nos concílios, por si sós, já que é sabido que eles muitas vezes erraram e se contradisseram), estou preso às Escrituras que citei, e minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Não posso e não vou me retratar de nada, pois ir contra a consciência não é seguro nem correto. Aqui eu permaneço. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém.”

Por causa dessa recusa, Lutero acabaria declarado fora da lei pelo imperador.

“Consciência cativa à Palavra de Deus.” Guardem essa expressão, porque ela descreve o povo batista desde as suas origens, desde os pastores ingleses John Smyth e Thomas Helwys, em 1609, na Holanda.

Foi para contar essa história, a de como os batistas, desde o princípio, abraçaram as Escrituras, que os doutores L. Russ Bush e Tom J. Nettles publicaram, em 1980, o livro Os batistas e a Bíblia.

A obra surgiu num momento decisivo para os batistas americanos. Na Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, o movimento conhecido como Ressurgência Conservadora lutava para que a denominação voltasse a confiar plenamente na Bíblia. O livro serviu de base, histórica e teológica, para defender a inerrância, isto é, a Bíblia sem erro, e a autoridade total das Escrituras Sagradas.

Em 2020, quarenta anos depois, saiu uma edição comemorativa em inglês, com novo prefácio de Tom Nettles, uma homenagem ao coautor L. Russ Bush, que morreu em 2008, e uma atualização sobre o que aconteceu depois, com a declaração de fé da Convenção, a Baptist Faith and Message, em sua versão do ano 2000.

Essa edição comemorativa de Os batistas e a Bíblia foi traduzida e lançada, pela primeira vez no Brasil, pela Pro Nobis Editora, que com ela inaugurou o selo Ortodoxia Batista.

E hoje, neste culto, lançamos em Goiânia essa obra tão importante, que conta como os batistas, durante mais de quatro séculos, creram na Palavra de Deus, a defenderam e procuraram obedecê-la. Mas, antes de abrir o livro, vamos abrir a Bíblia:

1Timóteo 4.13, na Nova Almeida Atualizada: “Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública das Escrituras, à exortação, ao ensino.”

Esse versículo será o fio da nossa conversa. Vamos visitar trechos da história dos batistas e ver como colocaram a Bíblia no centro da vida da igreja. Tudo o que vamos ouvir hoje serve a um só propósito: que amemos mais a Bíblia.

Nosso alicerce e regra

Por que um livro sobre os batistas e a Bíblia? Porque, em muitas igrejas cristãs, a pergunta “até onde vai a autoridade da Bíblia?” voltou para o centro das discussões. E nós, batistas, como qualquer outra denominação, precisamos saber com clareza em que cremos para continuar anunciando o evangelho com coragem e fidelidade.

A razão principal não é prática, é teológica. Para mostrar isso, quero chamar um historiador batista, Robert G. Torbet (1912–1995), autor de Uma história dos batistas, de 1950. No último capítulo, “Contribuições batistas ao protestantismo”, a primeira contribuição doutrinária que ele cita é a maneira batista de ver as Escrituras. Ouçam:

“Os batistas, em maior grau do que qualquer outro grupo, fortaleceram o protesto do protestantismo evangélico contra o tradicionalismo. Eles o fizeram por meio de seu testemunho constante da supremacia das Escrituras como a única e suficiente norma de fé e prática na vida cristã.”

Em outras palavras, os batistas sempre disseram que a Bíblia tem autoridade total sobre a tradição, sobre o costume e sobre a opinião de qualquer homem.

Hubmaier: um homem corajoso

Torbet recorda um homem corajoso, Balthasar Hubmaier (1485–1528), um dos teólogos mais respeitados do movimento anabatista. Os anabatistas formavam a chamada “Reforma Radical”, que correu, no século XVI, ao lado das reformas de Lutero (1483–1546), na Alemanha, e de Zuínglio (1484–1531), na Suíça. Eram cristãos que insistiam em batizar somente quem havia crido.

Hubmaier andou por boa parte desse território. Pastoreou em Waldshut, cidade alemã às margens do rio Reno, na fronteira com a Suíça, e ali, na Páscoa de 1525, foi batizado como crente. Trabalhou depois em Nikolsburg, na Morávia, território que hoje pertence à República Tcheca, onde o movimento cresceu sob a sua liderança.

Na Suíça, enfrentou Zuínglio, que defendia o batismo de bebês e se tornou um dos maiores adversários dos anabatistas. A divergência era sobre o batismo, mas a pergunta de fundo era maior: o que decide a questão?

Numa conferência, Hubmaier insistiu: “em todas as disputas relativas à fé e à religião, somente a Escritura, procedente da boca de Deus, deve ser nosso alicerce e regra”. E os batistas, diz Torbet, mantiveram essa posição por todos os séculos seguintes, mesmo pagando com a própria segurança.

O próprio Hubmaier pagou esse preço: foi queimado vivo em Viena, hoje capital da Áustria.

Uma explicação necessária

Ao ouvir falar dos anabatistas, alguém pode pensar que os batistas descendem deles. Não é bem assim, e o próprio livro nos ajuda a entender.

O que os batistas defendem. Os batistas procuram moldar a igreja local segundo o Novo Testamento, e daí vêm as suas convicções. PRIMEIRO, duas ordenanças apenas: o batismo por imersão, depois da profissão pública de fé em Cristo, e a Ceia do Senhor. SEGUNDO, uma membresia regenerada, formada por quem nasceu de novo. TERCEIRO, a separação entre Igreja e Estado. QUARTO, dois oficiais, pastores ou presbíteros e diáconos. QUINTO, a Grande Comissão como ordem para a igreja de hoje.

A Reforma e os anabatistas. A história mostra que esses princípios raramente apareceram juntos, em sua pureza, num mesmo grupo. A Reforma do século XVI trouxe de volta o Sola Scriptura, “somente a Escritura”, mas Lutero, Zuínglio e Calvino não levaram essa convicção até o fim no que diz respeito à igreja. Os anabatistas levaram: a partir de 1525, romperam com os reformadores e tentaram implantar igrejas conforme o Novo Testamento. Perseguidos em toda parte, muitos encontraram refúgio na Holanda, onde Menno Simons (1496–1561) reuniu alguns deles nas igrejas que hoje chamamos de menonitas.

Os puritanos e os separatistas. Enquanto isso, na Inglaterra, os puritanos queriam purificar a Igreja da Inglaterra de qualquer vestígio do catolicismo romano. Alguns concluíram que isso era impossível, que aquela não era uma igreja verdadeira, e se separaram dela. Passaram a ser chamados de separatistas. É desse meio inglês que nascem os batistas, no século XVII, em duas correntes: os batistas gerais e os batistas particulares.

Os batistas gerais. Um grupo de separatistas, liderado por John Smyth e Thomas Helwys, refugiou-se na Holanda e, em 1609, em Amsterdã, formou a primeira igreja batista moderna. Ali conviveram com os menonitas, e Smyth chegou a procurar unir-se a eles. Helwys discordou, e em 1612 liderou o retorno de parte do grupo à Inglaterra, onde fundou, em Spitalfields, em Londres, a primeira igreja batista em solo britânico.

Os batistas particulares. Eram calvinistas e ensinavam a redenção particular, isto é, que Cristo morreu de modo definido por aqueles que Deus escolheu, e daí vem o nome “particular”. Surgiram de uma igreja separatista de Londres, e entre os seus pioneiros estão John Spilsbury (1593–1668) e William Kiffin (1616–1701). Os estudos mostram que têm raízes próprias, e não descendem de Smyth e Helwys. São dois ramos que nasceram do mesmo solo, o puritanismo e o separatismo ingleses.

O que isso significa. Busch e Nettles advertem com razão: não se deve confundir, de modo simplista, anabatistas e batistas modernos, porque há diferenças significativas. Os autores reconhecem que os anabatistas deixaram marcas no desenvolvimento batista, e os historiadores discutem o tamanho dessas marcas. Em todo caso, os batistas sempre afirmaram ter chegado às suas convicções pela leitura da própria Bíblia.

Hubmaier, então, não é o pai dos batistas. Ele morreu mais de oitenta anos antes da igreja de Smyth. Mas é um irmão de convicção, e a convicção é a mesma: a Escritura como alicerce e regra.

As confissões de fé: o que os batistas escreveram

Hubmaier falou da Escritura numa conferência, diante de um adversário. E os batistas que vieram depois, onde falaram da Escritura? Bush e Nettles lembram que os batistas não têm um credo no sentido tradicional, e que nenhuma confissão de fé é obrigatória para a consciência de ninguém. Mesmo assim, nunca hesitaram em escrever as suas confissões. Uma confissão de fé, ou declaração doutrinária, é um texto em que uma igreja escreve, em poucas palavras, aquilo em que crê e em torno do que está pactuada.

Foi a esses textos que Torbet se voltou. Começa pelos batistas gerais, de Amsterdã, com os Artigos de Fé de John Smyth, de 1609, e a Declaração de Fé de Thomas Helwys, de 1611. Passa à Confissão de Londres de 1644, dos batistas particulares, e à de 1660, outra vez dos gerais. Ou seja: os dois ramos de que falamos puseram a fé no papel.

Em seguida, Torbet atravessa o Atlântico e chega à Declaração de Fé da Associação da Filadélfia, de 1742, que é a Confissão Batista de Londres de 1689 com acréscimos, e à Confissão de New Hampshire, de 1833. Esta última esteve na base da fé das igrejas batistas do Brasil desde a sua origem, em 1882, e foi adotada oficialmente pela Convenção Batista Brasileira em 1916. Vigorou até 1986, quando foi substituída pela Declaração Doutrinária. Foi também o documento sobre o qual a nossa igreja foi organizada, em 1944.

De 1609, com os Artigos de Fé de Smyth, a 1833, com a Confissão de Fé de New Hampshire, são mais de dois séculos. E, ao fim desse percurso, Torbet conclui:

“Pode-se dizer, sem hesitação, que os batistas costumaram depositar uma fé universalmente irredutível na autenticidade dos escritos sagrados por inspiração divina dos escritores pelo Espírito Santo, e enfatizaram a necessidade de que cada cristão leia a Bíblia por si mesmo.”

Esse é o ponto de partida do livro.

Três ideias para levarmos conosco. PRIMEIRO, os batistas creem que a Bíblia é inspirada por Deus. SEGUNDO, e por isso, creem que ela tem autoridade total sobre a tradição, sobre o costume e sobre a opinião de qualquer homem. TERCEIRO, e também por isso, creem que cada cristão deve ler a Bíblia por si mesmo.

A seguir, teremos quatro breves tópicos: (1.) por que vale a pena conhecer a nossa história, (2.) o que une os batistas, (3.) um passeio pelo livro, capítulo por capítulo, e, por fim, (4.) 1Timóteo 4.13, à luz de tudo o que tivermos visto.

Por que precisamos conhecer
a nossa história

1. A autoridade da Bíblia nunca saiu de moda

A fidelidade à Bíblia é uma contribuição importante dos batistas aos evangélicos, mas a autoridade das Escrituras também está na raiz de muitas brigas dentro da própria denominação.

Em disputas sobre inspiração e interpretação, tanto os mais liberais quanto os mais conservadores costumam invocar a mesma história: uns, a liberdade de consciência de cada crente; outros, a fidelidade doutrinária às Escrituras. Ambos dizem defender a “posição batista histórica”.

Afinal, qual é ela?

A pergunta não é só dos americanos.

Toda igreja, toda denominação, inclusive a nossa, pode um dia se ver diante desse debate. É por isso que precisamos deste livro. Ele demonstra qual é a posição batista histórica.

2. Quem esquece a história repete os erros

Uma denominação que desconhece a própria história tende a repetir os descaminhos de antes. Já a que conhece a sua identidade corrige o rumo e segue adiante, com saúde e unidade. E o que os batistas ensinam sobre a autoridade da Bíblia só ajuda o povo de Deus se for bem definido e bem explicado.

Em abril de 1963, Edwin Scott Gaustad publicou o artigo “Temas para pesquisa na história batista norte-americana”. Nele, sugeriu que seria muito apropriado estudar uma doutrina de cada vez, com as mudanças que ela sofreu. O livro que lançamos hoje é essa tentativa: investigar, com método e com história, o que os batistas ensinam sobre a Escritura. E isso interessa a muito mais gente do que só aos batistas.

O que une os batistas

Se os batistas não têm um credo e convivem entre si calvinistas e arminianos, o que os une?

Uma contribuição pouco conhecida

Até aqui não havia um estudo completo sobre a unidade batista, e por isso o mundo acadêmico às vezes vê os batistas como um povo de interesses pragmáticos. Todos se lembram de Roger Williams e da liberdade religiosa, mas poucos considera o quanto ele contribuiu para a doutrina.

Quem olha de fora vê na ausência de credo uma força e uma fraqueza: liberdade religiosa, mas suspeita de doutrina frouxa. Afinal, um povo que abriga calvinistas e arminianos deve pensar solto.

Essa conclusão não se sustenta. O estudo mostra uma herança de doutrina forte, e a diversidade evitou que os batistas se tornassem teologicamente estagnados.

E há algo bonito aqui. Quando dois batistas discordam, discutem com a Bíblia aberta e o coração manso, porque do outro lado da mesa está um irmão. A marca comum da teologia batista é a preocupação com a verdade e, na mesma medida, com as pessoas.

Por isso o livro estuda a doutrina da Escritura como foi construída por teólogos e também por leigos, gente como a que está aqui hoje.

Uma base sólida

Os batistas construíram a sua teologia sobre uma base firme: a Escritura como revelação infalível de Deus em palavras. O que Deus disse, nisso creram. Nenhuma aliança ou convenção de igrejas jamais obrigou as igrejas locais, mas dificilmente alguma deixou de adotar um pacto escrito com palavras fortes. A Escritura foi pedra angular, terreno comum e ponto de unidade.

Certos de que a bênção de Deus repousa sobre quem não só lê a Bíblia, mas crê nela, os autores recomendam o livro a três pessoas: ao pregador que se levanta para proclamar a Palavra, para erguer-lhe a cabeça; ao teólogo que humildemente se curva diante dela, para encorajá-lo; e ao crítico que zomba dela, para desafiá-lo.

O roteiro do livro

O livro tem três partes e dezenove capítulos.

A primeira parte mostra a mão de Deus na formação dos batistas modernos, até meados do século XIX: os batistas gerais e particulares, as confissões de 1644 e 1689, Keach, Bunyan, Gill, Fuller, Carey e Judson. Termina na divisão entre Norte e Sul, nos Estados Unidos, que não discordavam quanto às Escrituras.

A segunda parte trata do século XIX, quando o pensamento mudou e vieram controvérsias novas, até o embate entre modernistas e fundamentalistas no século XX.

A terceira parte tira conclusões: examina as confissões batistas americanas e o esforço dos batistas do Sul, nas últimas décadas do século XX, de obedecer a Paulo: “Permanece naquilo que aprendeste”.

O livro termina como a Bíblia: João se prostra diante do anjo, que o corrige: “Adora a Deus”. Os autores terminam no mesmo espírito: Deus é a autoridade soberana, eles são companheiros de serviço dos irmãos batistas, e a Palavra de Deus é o único padrão para testar todas as opiniões.

Exposição de 1Timóteo 4.13

Chegou a hora de voltar ao versículo com que começamos: “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.”

O contexto:
o que fazer enquanto o apóstolo não chega

Paulo escreve a Timóteo, jovem pastor em Éfeso, onde havia falsos mestres (1Tm 1.3-7; 4.1-3). Espera chegar logo, mas pode demorar, e quer que Timóteo saiba como proceder na casa de Deus, “coluna e fundamento da verdade” (1Tm 3.14-15).

A pergunta é nossa também: o que a igreja faz já que não temos mais os apóstolos entre nós? Paulo dá três tarefas, que dependem da Palavra, e não da presença dele: ler, exortar e ensinar a Bíblia.

Hoje o “até à minha chegada” pesa mais.

Quem prometeu voltar foi o próprio Cristo, e por isso a Bíblia termina com “Vem, Senhor Jesus”. Até lá, a ocupação da igreja é a Palavra, lida, aplicada e ensinada.

1. A leitura: a voz de Deus ouvida em voz alta

Paulo tem em mente a leitura pública das Escrituras na reunião da igreja, costume que vem da sinagoga: Jesus leu em Nazaré, Moisés era lido cada sábado, e Paulo mandava ler suas cartas nas igrejas (Lc 4.16; At 15.21; Cl 4.16). Quem vem ao culto vem para ouvir Deus falar. E os batistas sempre insistiram em que cada cristão leia a Bíblia também em casa. A leitura da igreja e a de casa andam juntas.

2. A exortação: a Palavra que chama à obediência

A palavra de Paulo quer dizer chamar para perto, animar, convocar. Não basta ler e explicar; é preciso aplicar: “Isto é para você, e Deus espera que você obedeça com fé.”

É passar de ler para crer, e de crer para obedecer: “O que Deus disse, nisso os batistas creram e praticaram.”

Mas há um jeito de exortar: “com toda a paciência e doutrina” (2Tm 4.2), com a preocupação com a verdade e, na mesma medida, com as pessoas. Exortamos com a Bíblia aberta e o coração manso.

3. O ensino: a doutrina que sustenta a igreja

A terceira tarefa é o conteúdo da fé. “Cuide de você mesmo e da doutrina”, diz Paulo (1Tm 4.16).

Por que a Bíblia sustenta o ensino?

Porque “toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).

É a convicção que Torbet encontrou nos batistas: fé sem hesitação na inspiração das Escrituras. E dois versículos antes vem a ordem que deu título ao capítulo 18 do livro de Bush e Nettles: “Permanece naquilo que aprendeste.”

O que isso pede de nós

A Palavra é lida, aplicada ao coração e ensinada para firmar a mente, inflamar os afetos e guiar o comportamento. Aos que pregam e ensinam: não troquem a Bíblia pela própria opinião. Aos pais e líderes: ensinem a Bíblia em casa, nas classes, nos pequenos grupos, nos aconselhamentos e no discipulado pessoal. E a todos: leiam a Bíblia por si mesmos e, quando ela ler o coração de vocês, obedeçam com fé.

Duas perguntas do livro. “Como podem dois andar juntos, a menos que estejam de acordo?” Só andamos juntos, como igreja, enquanto estivermos de acordo com a Palavra. E “como podemos orar ‘Vem, Senhor Jesus’, se duvidamos da verdade da sua Palavra?” Quem espera o Senhor voltar precisa confiar no que ele disse — na Palavra.

Até que ele venha, apliquemo-nos à leitura, à exortação e ao ensino da Bíblia Sagrada.

A Ceia do Senhor

E até que ele venha, o próprio Senhor Jesus nos deixou, junto com a Palavra que se ouve, uma Palavra que se vê.

Os batistas sempre reconheceram só duas ordenanças, o batismo e a Ceia do Senhor, e a segunda está agora diante de nós. Na noite em que foi entregue, Jesus disse: “Façam isto em memória de mim.” Está em Lucas 22.19.

O que Deus disse em sua Palavra, nisso os batistas creem. Paulo, falando da parte de Deus, ensina, em 1Coríntios 11.26, que todas as vezes que comemos este pão e bebemos este cálice, anunciamos a morte do Senhor, até que ele venha. A Ceia prega o evangelho: o corpo dado e o sangue derramado por pecadores. E é a mesma espera da oração que fazemos: “Vem, Senhor Jesus.”

Por isso, a Ceia é da igreja reunida. Todos comemos de um só pão e formamos um só corpo, diz Paulo em 1Coríntios 10.17. A Confissão de New Hampshire, que citamos há pouco, diz que os membros da igreja, juntos, lembram o amor de Cristo que morreu por eles, e sempre depois de um exame sério de si mesmos.

E a mesa tem limites, que existem por amor.

A Ceia é para quem nasceu de novo e confia só em Cristo, para quem professou a fé no batismo e para quem pertence a uma igreja que prega o evangelho. É a membresia regenerada de que falamos.

Vamos ler o que Paulo escreve sobre isso, em

1Coríntios 11.23-29.

Antes de comer, cada um pergunta a si mesmo: há pecado que preciso confessar? Estou confiando só na obra de Cristo? Quem vem à mesa não vem por mérito. Vem confiando no Senhor.

Se você ainda não creu em Cristo, ou ainda não foi batizado, ou não pertence a uma igreja que prega o evangelho, não se envergonhe. Deixe a bandeja passar, use este momento para orar, e será uma alegria conversar com você depois do culto.

Examine-se cada um a si mesmo, e venha à mesa do Senhor.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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