

27.09.2026
Você já se sentou aqui num banco da igreja, num domingo como este, sentindo que Deus estava longe? Você estava aqui. Cantou, ouviu, disse amém. Mas por dentro, nada. Frio. Como quem fala numa sala vazia.
Está se sentindo assim nesta manhã?
Ou pode ser outra coisa. Talvez você tenha chegado hoje carregando algo que fez. Algo que ninguém sabe, ou que todo mundo sabe. E a consciência pesou tanto que você não conseguiu levantar os olhos. Você pensou: quem sou eu pra chegar perto de Deus?
São duas dores, e as duas nascem da mesma raiz: a distância. Uma é a frieza de quem se acostumou a viver longe de Deus, com Deus virando só uma ideia, um assunto de domingo. A outra é a culpa de quem quer chegar perto, mas não acredita que vai ser recebido.
É pra essas pessoas que eu falo hoje. E peço uma coisa: abra a sua Bíblia em Hebreus 10 e deixe aberta. Tudo o que eu disser, quero que você veja com os seus próprios olhos, correndo o dedo aí no texto. Vamos ler:
Hebreus 10.19-22 (NAA)
19Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, 20pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, 21e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.
Hebreus é um sermão, escrito pra uma igreja cansada. Leia o versículo 33: “Em certos momentos vocês foram transformados em espetáculo, tanto para serem insultados quanto para serem maltratados.” E o versículo 25 mostra que alguns já tinham deixado de se reunir. Leia a exortação: “Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns.” A tentação era recuar. E alguns já tinham recuado.
Agora, onde estamos na carta? Hebreus 10.19 em diante marca uma virada, e é preciso perceber isso. Nos capítulos anteriores, o autor foi mostrando, passo a passo, que Cristo é superior. Mostrou quem ele é: o Filho de Deus, superior aos anjos, superior a Moisés, sacerdote para sempre. E mostrou o que ele fez: um só sacrifício, que trata do pecado de uma vez. Leia o versículo 18, logo antes do nosso texto: “Ora, onde há remissão de pecados, não existe mais necessidade de sacrifício pelo pecado.” A obra está feita.
E o versículo 19 começa com uma palavra que conclui: “Portanto”. Com ela, entramos na última grande parte da carta, a parte prática. Até aqui, a pergunta era: quem é Cristo, e o que ele fez? Daqui pra frente, a pergunta é outra: diante de um Cristo assim, o que se espera de nós? A carta responde: permanecer leais a Jesus e ao seu povo, sem recuar. E essa resposta vai de Hebreus 10.19 até o fim da carta.
Isso muda a maneira de ouvir o texto de hoje. Não é mais uma explicação sobre Cristo e a sua obra. É o que fazer por causa dele. E a primeira resposta que o autor dá é a que vamos ver hoje.
Antes de entrar, falta mais uma coisa. Lá em Romanos 10.1-2 Paulo fala do seu povo. Ele deseja que os judeus sejam salvos, e reconhece: eles têm zelo por Deus, mas não segundo o entendimento. — Perceberam o perigo?! — Dá pra ter zelo por Deus e estar perdido. Guardem isso. O texto de hoje é o contrário: zelo por Deus cercado de entendimento.
Agora olhem o texto de novo, um pouco mais adiante. Leiamos Hebreus 10.22-24:
22aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura. 23Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. 24Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras.
Há três convites na primeira pessoa do plural: “aproximemo-nos” (v. 22), “guardemos firme” (v. 23) e “cuidemos” (v. 24). Agora vejam as palavras que acompanham esses verbos:
Fé, esperança e amor. Paulo gostava muito dessa trinca e usava as três juntas para descrever o cristão (cf. 1Co 13.13; Cl 1.4-5; 1Ts 1.3). É isso que Cristo produz em nós, por quem ele é e pelo que fez: fé, esperança e amor.
Hoje ficamos com o primeiro convite: aproximemo-nos de Deus… com fé (vv. 19-22). No próximo domingo, Deus permitindo, iremos nos debruçar sobre os outros dois convites: guardar a confissão da esperança e cuidar uns dos outros com amor (vv. 23-25). Mas nada do que vem depois se sustenta sem este: a fé.
No texto de hoje, Hebreus 10.19-22, Deus nos dá uma só ordem: aproximemo-nos dele com fé. E cerca essa ordem de verdades, para que o nosso zelo seja com entendimento.
Veremos em quatro passos. PRIMEIRO: a única ordem do texto é “aproximemo-nos” (v. 22). SEGUNDO: essa ordem está no centro do evangelho (olharemos para outras passagens bíblicas, fora da carta aos Hebreus: 1Pe 3.18; Ef 2.18; Rm 5.11). TERCEIRO: essa ordem está cercada de verdades (vv. 19-21). QUARTO: essa ordem tem um modo de ser cumprida (v. 22).
Corra os olhos aí no versículo 22 e leia só o verbo: “aproximemo-nos”. Agora volte e procure, nos versículos 19 a 22, outra ordem.
Não tem.
Há “tendo ousadia [ou: intrepidez, confiança]”, no 19, e “tendo um grande sacerdote”, no 21: isso a gente já tem, e por isso podemos nos aproximar.
E há o coração sincero, a plena certeza, a consciência purificada e o corpo lavado: esse é o modo de se aproximar de Deus (v. 22).
Mas a ordem é uma só: “aproximemo-nos”.
Leia, os versículos 19-22:
19Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, 20pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, 21e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.
Vale olhar de perto essas palavras, porque a forma delas mostra como o texto foi montado.
“Aproximemo-nos” é a forma que a gente usa pra dizer “vamos lá”, “oremos”, “cantemos”. Não é ordem gritada de fora, é convite de quem vai junto. No grego é do mesmo jeito: quem escreve convida e vai junto.
“Tendo” (vv. 19 e 21) é o gerúndio de ter, e aqui aponta para o que a gente já possui: “visto que temos”. Ou seja: o motivo para nos aproximarmos não é a ousadia [ou: confiança], mas o fato de ela já ser nossa, pelo sangue de Jesus.
No grego, esse “tendo” aparece uma vez só (no versículo 19) e vale para as duas coisas, a ousadia [ou: confiança], no 19, e o sacerdote, no 21. A NAA o repete em ambos os versículos para ficar claro.
E note: Deus não diz: aproximemo-nos para ganhar ousadia; aproximemo-nos para ganhar confiança. Diz: nós já a temos (v. 19), aproximemo-nos (v. 22). E melhor: nós temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus — que somos nós, a igreja (v. 21) — por isso, aproximemo-nos (v. 22).
E “coração purificado” e “corpo lavado”, no fim do 22, dizem que algo já foi feito em você, e não foi você quem fez. Você não se purifica para chegar. Você chega purificado. Voltaremos a isso.
Agora, o verbo: “aproximemo-nos” (v. 22). Repare como ele se repete na carta inteira (sete vezes). Vá a Hebreus 4.16: “aproximemo-nos do trono da graça com confiança”. Vá a Hebreus 7.25: Jesus “pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus”. Vá a Hebreus 10.1: “a lei… nunca consegue aperfeiçoar aqueles que se aproximam de Deus”. Vá a Hebreus 11.6: “sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam.”
E olhe o contraste em Hebreus 12.18 e 22. Ali o autor usa esse mesmo verbo duas vezes, de dois jeitos opostos. Ele diz: “vocês não chegaram ao fogo palpável e aceso, à escuridão, às trevas, à tempestade” do Sinai, onde até um animal que tocasse o monte seria apedrejado, e onde o próprio Moisés disse: “Estou apavorado e trêmulo!” Depois ele diz (v. 22): “Pelo contrário, vocês chegaram ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial”, à assembleia festiva. O mesmo “chegar”, o mesmo “aproximar-se”. No Sinai, o povo tinha medo até de tocar o monte. Em Cristo, somos convidados a entrar num lugar de festa.
Esse verbo (aproximar, chegar perto), o autor usa toda hora. O que ele mais quer é que a gente não se contente com uma vida cristã à distância. Os antigos puritanos chamavam essa aproximação de comunhão com Deus.
O que o verbo quer dizer? Não é deslocar o corpo. Não é subir uma torre de Babel de conquistas para chegar ao céu. É um ato invisível do coração. Você pode fazer em pé, andando ou sem sem se mexer ou sair do lugar. Pode fazer numa cama de hospital. Pode fazer sentado nesse banco, ouvindo este sermão. Aproximar-se é dirigir o coração à presença de um Deus que está tão longe quanto o Santo dos Santos no céu e, ao mesmo tempo, tão perto quanto a porta da fé.
No Antigo Testamento, aproximar-se de Deus era entrar em adoração. E o autor de Hebreus vê a vida cristã inteira assim: uma aproximação contínua ao Deus vivo. E ninguém é convidado a entrar sozinho. O que era privilégio de poucos agora é de todo o povo — toda a casa de Deus, toda a igreja (10.21).
Se hoje você se sente distante, o texto não manda que você conserte a distância antes de se aproximar. Ele manda que se aproxime. Aproximemo-nos de Deus. “Aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé” (Hb 10.22).
Vimos que “aproximemo-nos” é a única ordem do texto, e que Deus quer você perto, agora, com seus pecados redimidos (v. 18), com “o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura” (v. 22).
Mas por que ele quer isso?
Alguém pode achar que essa aproximação é enfeite devocional, coisa de quem já está bem com Deus e quer só mais um pouco de intimidade. Mas não é. Essa aproximação está no coração do evangelho, na razão de Cristo ter vindo.
Abra em 1Pedro 3.18: “Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus”. Vá a Efésios 2.18: por meio de Cristo “temos acesso ao Pai em um só Espírito.” Vá a Romanos 5.11: “nos gloriamos em Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o qual recebemos, agora, a reconciliação.”
Por que Cristo veio? Pra nos aproximar. O Getsêmani e a sexta-feira da Páscoa têm a ver com isso. Deus fez algo caro, algo assombroso, para que a gente chegasse perto.
E notem por quê. Não é porque ele precisasse de nós. Se a gente ficar longe, Deus não fica mais pobre. É o contrário: ele fica mais glorioso, porque nos dá, de graça, pelo Filho e apesar do nosso pecado, acesso a ele mesmo. E ele mesmo é a única coisa capaz de nos satisfazer de verdade, para sempre. Salmo 16.11 diz que na presença de Deus há plenitude de alegria, e à sua direita, delícias perpétuas. Tudo isso é para nossa alegria. E para a glória dele.
Volte a Hebreus 10.18, o último versículo que estudamos na semana passada, e leia ele grudado no começo do versículo 19: “18Ora, onde há remissão de pecados, não existe mais necessidade de sacrifício pelo pecado. 19Portanto…”.
Essa é a ordem do pensamento: primeiro o pecado tratado, depois a aproximação. Um detalhe ajuda a entender isso, mesmo não estando escrito no texto: no culto do Antigo Testamento, a oferta de paz, uma refeição em comunhão com Deus, vinha por último, só depois que o pecado estava resolvido. O acesso vem depois da expiação.
Isso significa que Deus quer você perto, e quer agora. Salmo 42.2: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?”
Responda assim: “Irei agora! Enquanto o pastor prega, eu me aproximo de Deus.”
Aproxime-se mesmo. Foi para isso que Cristo veio.
Cristo já fez o trabalho caro: pagou o pecado (Hb 10.18), abriu o caminho e deu acesso (vv. 19-20). Isso já vimos. Mas surge uma pergunta: se o acesso é de graça, por que Hebreus ainda cerca a ordem “aproximemo-nos” de tantas explicações? Porque zelo sem entendimento não sustenta ninguém.
Recordem-se de Romanos 10.2: o judeu tem zelo, mas não possui entendimento. Zelo importa — e muito. Vá a Romanos 12.11: “Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos. Sejam fervorosos de espírito, servindo o Senhor.” Ora, em Romanos 10.2, Paulo não estava combatendo o zelo. Ele estava dizendo uma coisa só: zelo sem entendimento não salva.
Leia as palavras de Jesus em Mateus 22.37: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.” E em Apocalipse 3.16, Jesus advertiu os mornos: disse que estava a ponto de vomitá-los da sua boca. Mesmo assim, sem entendimento, o zelo não leva à salvação.
Hebreus 10 faz o contrário: cerca a ordem de se aproximar com coisas que já temos, como brasas em volta de um fogo que não pode apagar. Entendimento não esfria o coração. Mantém ele aceso e firme. Lembrem dos discípulos no caminho de Emaús: “Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (Lc 24.32).
Então… Corra o dedo em Hebreus 10.19-21. Já vimos que o “tendo” ali aponta para o que a gente já possui. São duas razões, com um detalhe no meio, entre as duas.
A primeira razão: “tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus” (v. 19). Que Santuário? Hebreus 8.2 e 8.5 nos diz: o do céu, do qual o do templo era só uma cópia. Hebreus 9.7 diz que ali só o sumo sacerdote entrava, uma vez por ano, e não sem sangue. Não se entra ali com leviandade. A ousadia não é descaso: é a confiança de quem sabe quanto custou. E reparem de onde vem a ousadia (ou: confiança): do sangue de Jesus, não do nosso comportamento.
No meio das duas razões, o detalhe: “o novo e vivo caminho” (v. 20). É novo porque foi aberto há pouco, na nova aliança. É vivo porque quem o abriu morreu e ressuscitou. Volte a Hebreus 7.25: ele vive “sempre para interceder” pelos crentes. Os evangelhos dizem que, quando Jesus morreu, o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51). E Hebreus 10.20 diz que o caminho passa “pela sua carne”. Foi na carne do Filho, entregue por nós, que essa passagem foi aberta. Leia: “pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne”.
A segunda razão: “tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus” (v. 21). Quem nos recebe é o grande sacerdote que morreu e vive. E a casa somos nós, a igreja (cf. Hb 3.6). Ele derramou o sangue, abriu o caminho, e vive hoje como advogado e mediador.
E há mais uma brasa, escondida numa palavra pequena: o “Portanto” de Hebreus 10.19. Ele manda olhar pra trás. No versículo 14, uma única oferta aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados. No versículo 17, Deus promete que não vai se lembrar mais dos pecados deles. Você está longe de Deus por causa do seu passado? Grife o versículo 17. Ele diz que Deus não vai se lembrar mais. Portanto, aproxime-se (v. 22).
Reparem no que o autor faz. Ele é um grande pastor! Tendo ousadia (ou: confiança), pelo caminho que Cristo abriu na própria carne, e tendo um grande sacerdote: aproximemo-nos (vv. 19-22). O zelo com entendimento é isto: chegar perto de Deus sabendo qual é a razão pela qual se pode chegar.
Acabamos de ver que temos ousadia/confiança para nos aproximarmos de Deus: pelo sangue de Jesus, por um caminho aberto na sua carne, por um grande sacerdote que vive por nós. É assim que podemos chegar perto.
Mas falta uma pergunta: como isso se cumpre na prática — aqui, agora, com o coração que você trouxe hoje? Hebreus responde.
Contem as marcas, no versículo 22: coração sincero, plena certeza de fé, coração purificado de má consciência, corpo lavado com água pura. Lembram do que vimos lá no começo: “purificado” e “lavado” dizem que algo já foi feito em você, e não por você. Já a expressão “plena certeza de fé” é a mesma “ousadia [ou: confiança] do versículo 19, só que agora aplicada ao coração. Não é chegar duvidando se Deus vai receber você. É chegar confiando no que ele já fez.
Mas o coração vacila. Esfria. Falha, com um sentimento de total inadequação. Por isso o autor põe a última marca no fim do versículo 22: o coração purificado de má consciência.
Vá a Hebreus 9.13-14, lá nós lemos que, sob a antiga aliança, quem estava contaminado era aspergido com água e cinzas; e que muito mais o sangue de Cristo purifica a nossa consciência para servirmos ao Deus vivo. O ponto do texto é a consciência limpa.
O sangue de Cristo cobre o pecado de tal modo que a consciência pode descansar. Não porque somos sem pecado. Não porque ela nunca nos acusa. Mas porque, quando acusa, nós, pela fé, falamos com ela: “Eu sei que pequei. Isso me entristece. Eu odeio o meu pecado. Mas tenho um Salvador, Jesus Cristo, que derramou o seu sangue por mim, para lavar os meus pecados e cobrir as minhas transgressões. Cala-te, ó consciência. Cala-te, ó Satanás. Ó minh’alma, descansa em Jesus.” E por ser isso verdade, aproximemo-nos de Deus.
E se o seu problema hoje é a frieza, e não a culpa? A resposta é a mesma. Diga: “Ó Deus, estou insensível e sem vida, e a minha única esperança é a tua presença. Eu venho com ousadia. Eu me aproximo com plena certeza de fé. Tem misericórdia de mim. Acende-me de novo.” Ah, meu irmão, minha irmã, a frieza não é motivo pra ficar longe. É motivo pra se aproximar.
Essa é a diferença entre o zelo sem entendimento e o zelo com entendimento. Um se aproxima tentando merecer. O outro se aproxima sabendo que o sangue já pagou.
Venha como está, mas não fique como chegou. A mesma fé que te faz entrar é a que te sustenta em sua santificação.
Lembre das duas pessoas do começo. Uma chegou fria, cantando por fora e vazia por dentro. A outra chegou com algo pesando na consciência, sem conseguir levantar os olhos. Hoje o texto respondeu às duas com a mesma palavra: aproximemo-nos.
Você não precisa se aquecer antes de vir. Não precisa resolver a culpa antes de vir. O sangue de Jesus já abriu o caminho, o grande sacerdote já vive e intercede, a consciência já pode ser purificada. A ordem não é “console-se e depois se aproxime”. É: aproxime-se, e ali seja consolado.
Faça isso agora, enquanto a Palavra ainda ecoa. Diga, no coração: “Pai, eu venho. Estou frio, ou sinto culpado, mas eu venho.”
E, aos que já professaram essa fé em Cristo, através do batismo, o Senhor nos dá, em seguida, uma forma de fazer isso com as mãos. Hebreus 10 não fala da Ceia. Mas encontramos ali duas palavras que a coloca diante de nós: o sangue de Jesus (v. 19) e a sua carne (v. 20). Na mesa do Senhor, o pão e o cálice nos são dados como símbolos do corpo e do sangue de Cristo, e anunciamos a sua morte até que ele volte.
Vamos nos aproximar. Não de um lugar distante, mas de uma mesa que ele mesmo preparou — e nela se faz presente, pelo Espírito. Se a consciência acusa, leve-a a Cristo, à mesa. Se o coração está frio, venha frio mesmo — e se aqueça. Ninguém é chamado por ser digno ou fervoroso. É o sangue que dá a ousadia.
Vamos juntos.
Aproximemo-nos de Deus.
Para orar em silêncio
S.D.G. L.B.Peixoto.
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