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02.08.2026

Escrita em carne viva

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Hebreus 8.6-13 (NAA)
6Mas agora Jesus obteve um ministério tanto mais excelente, quanto é também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. 7Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda aliança. 8E, de fato, repreendendo-os, diz: “Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, 9não segundo a aliança que fiz com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não dei atenção a eles, diz o Senhor. 10Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Imprimirei as minhas leis na mente deles e as inscreverei sobre o seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 11E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles. 12Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei.” 13Quando ele diz “nova aliança”, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.

Uma escrita prometida

Você já observou o quanto as pessoas buscam formas de tornar permanente aquilo que mais lhes importa?

Alguns escrevem um nome no braço. Outros usam uma aliança no dedo a vida inteira. Há quem emoldure uma fotografia, grave uma data na parede, marque no batente da porta a evolução do crescimento dos filhos, tatue uma paisagem que marcou a vida — o mar de uma infância feliz, a serra da cidade onde nasceu. No Brasil, cerca de um em cada três adultos escolheu fazer isso na própria pele; é uma das formas mais antigas e mais espalhadas que a humanidade encontrou de dizer: isto aconteceu comigo, isto me formou, e eu quero levar esse registro comigo, na pele.

Não estamos aqui para avaliar essa escolha — cada um decide, diante de Deus, o que faz da própria vida e da própria pele. O que quero que vocês reparem é outra coisa, que vale para qualquer sinal que os seres humanos tentam fazer durar: mesmo o mais sincero dentre esses símbolos segue sujeito à mudança, porque nós mesmos mudamos. Um nome no braço, uma aliança no dedo, uma marca no batente da porta — tudo isso pode, um dia, deixar de significar o que significava, porque quem gravou aquele registro também é gente que muda.

E há algo ainda mais profundo: mesmo quando o sinal permanece inalterado, ele continua sendo externo. Marca a pele, marca a parede, mas não transforma o coração. Você pode levar consigo, para sempre, a imagem exata do que mais te formou, e continuar sendo, por dentro, exatamente a mesma pessoa inconstante.

É exatamente aqui que Hebreus 8 nos surpreende. Terminamos o último sermão nesta carta exatamente aqui, em Hebreus 8.6. Voltemos a ele, porque é aqui que a carta muda de assunto — do sacerdote que já vimos, para a aliança que ele institui, uma aliança que promete gravar algo que nenhuma marca humana alcança.

Leiam comigo, devagar, e notem as três fatias — versículo 6: “Mas agora Jesus obteve [1a] um ministério tanto mais excelente, quanto é também [2a] Mediador de superior aliança instituída com base em [3a] superiores promessas.”

1ª) “Ministério tanto mais excelente” — isso olha para trás. É o resumo dos seis aspectos que estudamos na última mensagem, os quais resumem o trabalho perfeito e definitivo de Jesus como Sumo Sacerdote à direita do trono da Majestade no céu. Enquanto os sacerdotes terrenos trabalhavam sem parar, oferecendo sacrifícios que nunca resolviam o problema do pecado, Jesus ofereceu a si mesmo uma única vez e se assentou. Seu ministério é superior (ou: “tanto mais excelente”) porque não aponta para a salvação — ele a conquista e garante.

2ª) “Mediador de superior aliança” — aqui as palavras mudam. De sumo sacerdote (v. 1) para Mediador (v. 6); de ministério para aliança. Trata-se da Nova Aliança mediada por Cristo — não uma aliança nova em sua essência, mas superior em sua eficácia.

A antiga aliança, como veremos, já operava pela graça de Deus, mediante a fé; o que lhe faltava, contudo, não era um caminho de salvação diferente, mas o poder de transformar por dentro aqueles que a recebiam. A nova aliança é superior porque o próprio Cristo cumpriu, por nós, todos os seus termos — e, como veremos, o Espírito Santo agora nos capacita a cumpri-los também.

Ministério tanto mais excelente; superior aliança; e…

3ª) “Instituída com base em superiores promessas” — e é essa palavra final que abre a porta para o resto do capítulo. Não uma promessa, mas promessas, no plural — como o autor vai citar, já no versículo seguinte, de Jeremias 31.

Reparem: o versículo 6 é uma dobradiça — abre para trás, resumindo o que já vimos, e abre para frente, anunciando o que vem. Diferentemente de qualquer marca que nós mesmos escolhemos fazer, essa escrita não depende da nossa mão, nem corre o risco da nossa própria inconstância. É Deus quem promete escrever  — escrever na carne viva do nosso coração — e é assim que vamos ler o resto do capítulo: seguindo a pena do próprio autor inspirado por Deus, promessa por promessa.

Escrita em pedra fria

Versículo 7: “Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda aliança.” A lógica já está posta: se uma segunda aliança foi buscada, é porque a primeira tinha defeito (ou: limitações).

Versículo 8, primeira metade: “E, de fato, repreendendo-os, diz…” Reparem na gramática: “os”, não “a”. Deus não repreende a aliança — repreende o povo; repreende-OS. Portanto, o defeito nunca esteve na lei que Deus deu, mas nos corações de quem a recebeu.

O autor continua no versículo 8b, estendendo-se até o versículo 9a, citando o próprio Senhor, por meio de Jeremias: “Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito…” (vs. 8b-9a). Reparem nessa última frase — “os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito”: o êxodo veio antes do Sinai.

Graça e fé no Antigo Testamento

Deus resgatou o povo primeiro; só depois lhe deu a lei. E essa graça não ficou apenas no momento fundador — pois, ao longo de toda a aliança mosaica, Deus já oferecia perdão (Êx 34.6-7), já chamava à fé (Nm 14.11), já prometia seu amor infalível (Êx 34.7).

A antiga aliança jamais foi um sistema puro de mérito; Deus sempre salvou pela graça, mediante a fé — a ponto de a própria  carta aos Hebreus chamar essa mensagem de “boas-novas”: “Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, exatamente como aconteceu com eles. Mas a palavra que eles ouviram não lhes trouxe proveito, porque não foram unidos por meio da fé” (Hb 4.2).

Portanto, o Antigo Testamento é também sobre graça e fé.

Incredulidade e incapacidade

De volta ao nosso texto, Hebreus 8.9 termina assim: “pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não dei atenção a eles, diz o Senhor.”

Aqui estão as duas metades do mesmo problema, na ordem em que o texto mesmo as apresenta: primeiro, o povo quebrou a aliança — a mesma incredulidade sobre a qual acabamos de ler, a que impediu as boas-novas de lhes oferecer proveito (Hb 4.2), a mesma que barrou a entrada no descanso (Hb 3.19; Nm 14.11) —; segundo, Deus, em resposta, os desprezou: não deu atenção a eles.

Mas isso levanta a pergunta mais profunda: por que o coração deles já vinha, desde antes, incapaz de guardar a aliança?

A resposta está mais atrás na própria história de Israel — em Deuteronômio 29.4, onde Moisés, olhando para o passado, para aqueles quarenta anos no deserto, reconheceu: “até o dia de hoje o SENHOR não deu a vocês um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir.”

Aqui a ausência vem primeiro, como causa: não foi apenas que o povo falhou — foi também que Deus, deliberadamente, ainda não havia dado essa capacitação

E por que Deus reteve a capacitação?

Paulo dá a chave: a lei foi nosso “tutor [ou: aio, aquele preceptor encarregado da educação doméstica], para nos conduzir a Cristo” (Gl 3.24) — e um tutor não é a solução final; existe para revelar, pela própria disciplina, o quanto ainda precisamos de outra coisa. Como esse apóstolo mesmo resume em outro lugar: “Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho” (Rm 8.3) — não porque a lei fosse falha, mas porque a carne era fraca demais para cumpri-la.

Por isso a antiga aliança era administração externa: informava, mas não transformava. Escrita em pedra fria, que não recebe, só reflete o que bate nela por fora — sem que haja penetração. E antes que pensem que o problema era só de Israel: pessoas como você e eu são exatamente o tipo de gente capaz de quebrar qualquer aliança escrita em pedra, papel ou na forma de anel no dedo.

É esse vazio que a promessa seguinte da nova aliança vem preencher. E a primeira coisa que Deus promete ali não é mais lei, nem mais mandamento: é uma escrita nova, num lugar que a lei em pedra fria jamais alcançou.

Escrita em carne viva

Leiam comigo o início de Hebreus 8.10: “Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Imprimirei as minhas leis na mente deles e as inscreverei sobre o seu coração”.

Reparem que remover a sombra não bastaria. Se Deus apenas apresentasse Cristo diante de nós, como a grande Realidade, e nos deixasse sozinhos para conhecê-lo e amá-lo por nossa própria força, a história mostra exatamente o que aconteceria: reconstruiríamos Cristo à nossa imagem.

A teologia liberal do século XIX fez isso ao reduzi-lo a um mestre ético, esvaziado de divindade e milagre — um Jesus que ensina boas maneiras, nada mais. Foi contra esse Jesus que J. Gresham Machen, em Cristianismo e Liberalismo (1923), fez a acusação mais definitiva: aquilo era outra religião, que apenas emprestava o mesmo vocabulário.

No Brasil, temos visto pastores conhecidos defenderem que a Bíblia precisa ser “atualizada” hermeneuticamente, à luz das sensibilidades da nossa época — um método que ecoa, ainda que talvez sem reconhecer a dívida, a mesma lógica que Machen já enfrentava um século atrás.

A teologia da prosperidade faz movimento parecido, transformando Cristo em meio para saúde, riqueza e bem-estar. E boa parte da religiosidade contemporânea o reduz a um conselheiro de autoajuda, um coach espiritual que valida o que já queríamos fazer.

Em todos os casos, o movimento é o mesmo: pegamos a Realidade e a moldamos numa religião administrável, feita por nossas próprias mãos. Como pecadores, estamos programados para isso.

Por isso a nova aliança precisou ir além de meramente nos trazer Jesus. Precisou fazer o que lemos aqui em Hebreus 8.10: “Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Imprimirei as minhas leis na mente deles e as inscreverei sobre o seu coração.”

E notem a ordem exata das duas frases do versículo: primeiro “na mente”, depois “sobre o coração”. Não é acidente. A lei de Deus, na antiga aliança, ficava do lado de fora — em tábuas de pedra. Paulo deixa clara essa imagem, em 2Coríntios 3.3, quando diz: não mais tábuas de pedra, mas tábuas de carne, do coração.

Há uma progressão em Hebreus 8.10: primeiro Deus nos dá entendimento para conhecer e crer na sua palavra — isso é a mente. Mas conhecimento sozinho não basta; é preciso que aquilo que a mente compreende desça e toque a vontade, os afetos, os amores — isso é o coração. Fé genuína nunca é só doutrina sem afeto, nem afeto sem doutrina; é a luz que atravessa a mente e acende a chama que aquece o coração.

Honestamente: é isso que você tem experimentado desde que se tornou crente? A lei de Deus foi mesmo escrita em seu coração? Há algo que era exigência externa e que, agora, não só passou a trazer discernimento à sua mente, como também se tornou desejo do seu coração — algo que era peso e virou prazer?

Matthew Henry resumiu essa promessa assim:

Outrora, o SENHOR escreveu as suas leis para eles; agora, ele escreverá as suas leis neles — dando-lhes entendimento para crer, memória para reter, corações para amar, consciências para reconhecer, coragem para professar, poder para praticar — de modo que todo o hábito e a estrutura de suas almas sejam um transcrito da lei de Deus.

Isso não é fruto do seu esforço. É promessa de Deus, cumprida pelo próprio Espírito Santo — o mesmo Espírito que a antiga aliança, como vimos, ainda não distribuía plenamente.

Onde a pedra só refletia o que batia de fora, a carne viva recebe, absorve, e é transformada por dentro. É por isso que este sermão leva esse nome: “Escrita em carne viva”. Afinal, a diferença entre a antiga e a nova aliança não é o conteúdo da lei — é o lugar onde ela é escrita (não em pedra fria, mas na carne viva do coração), e quem segura a pena (o próprio Deus, pelo Espírito).

2Coríntios 3.3 Vocês manifestam que são carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.

Uma escrita apagada

Reparem no contraste que Paulo já nos deixou na mão: “não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo” (2Co 3.3). Tinta, quando errada, deixa borrão — mancha a página, mas não some. Se a nova aliança fosse escrita só com tinta, o pecado continuaria ali, manchado, por baixo da escrita nova. Por isso Hebreus 8.12 promete algo além de escrever: promete apagar.

Leiam comigo: “Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (v. 12).

A palavra “misericórdia” aqui é o adjetivo grego hileōs — da mesma família de palavras do termo hilastērion, usado em Hebreus 9.5 para o propiciatório, a tampa de ouro sobre a arca da aliança, onde o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício, uma vez por ano, no Dia da Expiação. Ali, debaixo daquela tampa, ficavam guardadas as tábuas da lei quebrada pelo povo. E o sangue era aspergido exatamente por cima delas — para que Deus, olhando, não visse mais a lei transgredida, mas o sangue que a cobria.

Richard D. Phillips sugere, então, que podemos ler a promessa de Hebreus 8.12 quase literalmente assim: “Pois eu me assentarei, em misericórdia, sobre os pecados deles — e deles jamais me lembrarei.” Todo esse sistema de sangue derramado, ano após ano, sobre o propiciatório, nunca foi o fim — era sombra de algo que ainda estava por vir: um sacrifício final, que não precisaria ser repetido. Foi a esse sacrifício que João Batista apontou, ao ver Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29).

Agora, o “jamais me lembrarei” de Hebreus 8.12 não é falha de memória — Deus não deixa de ser onisciente. É que o esquecimento tem fundamento no perdão: um credor que recebeu o pagamento integral de uma dívida não vive lembrando o devedor dela.

Ah, meus irmãos! Quantos casamentos, quantas amizades, se envenenam justamente pelo oposto — “nunca vou esquecer o que você fez” —, guardando rancor como prova de mágoa. Deus não faz isso. “Quanto o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta de nós as nossas transgressões.” (Sl 103.12).

E é esse mesmo perdão que celebramos à mesa do Senhor, todo último domingo do mês aqui nesta igreja. Lembrem-se do que Jesus disse, erguendo o cálice: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado por vocês” (Lc 22.20) — a mesma promessa de Jeremias 31, cumprida ali, diante dos discípulos. Toda vez que participamos da Ceia, não estamos apenas relembrando um fato passado; estamos recebendo, de novo, a garantia de que aquele sangue já apagou o que estava escrito contra nós.

Uma escrita que se espalha

Precisamos, agora, voltar ao final do versículo 10 e ao versículo 11, pois, se vocês perceberam, nós os pulamos. E a razão foi esta: escolhemos seguir uma ordem de peso teológico, não a ordem estrita do texto — tratamos primeiro o perdão (v. 12), porque ele é o fundamento sobre o qual tudo mais se apoia. Só depois de saber que nossos pecados estão perdoados — e jamais serão lembrados — é que podemos receber, com segurança, a promessa do relacionamento restaurado (vs. 10b-11).

Voltemos, pois, ao texto, na ordem em que ele realmente aparece no versículo 10.

Depois de “imprimirei as minhas leis na mente deles e as inscreverei sobre o seu coração”, o verso termina com a frase que sela tudo: “e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”

Essa é uma linguagem de casamento. Jeremias já havia registrado o rompimento: “por ter ela cometido adultério, eu despedi a rebelde Israel e lhe dei carta de divórcio” (Jr 3.8). A antiga aliança foi, de fato, um casamento desfeito por infidelidade — a nossa infidelidade, não a de Deus. E, ainda assim, o SENHOR não desiste do voto — ele promete restaurar a aliança.

“Eu serei o seu Deus” não é cláusula fria de contrato; é reafirmação de aliança conjugal, cumprida, dessa vez, não pela fidelidade de Israel, mas pela fidelidade do próprio Cristo, o Noivo que nunca falha.

Reparem, também, que lá no versículo 8 essa mesma promessa já vinha unindo “a casa de Israel e a casa de Judá” — as duas metades de um reino dividido, agora uma só. Essa é a marca da nova aliança: ela não é propriedade de uma tribo, de uma denominação, de um grupo. Toda igreja que confessa esse mesmo evangelho é irmã da nossa, façam parte ou não da nossa tradição — porque o que nos une não é placa, é a mesma aliança.

E o versículo 11 continua:

E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles.

Esse conhecer não é mediado por casta alguma — não depende de sacerdote, sistema ou hierarquia.

Já experimentamos isso, em parte: presbíteros que ensinam, sim, mas também irmãos que se ensinam e se admoestam, uns aos outros, numa cultura de discipulado onde ninguém fica de fora. E, mesmo assim, é só um começo — um dia, quando estivermos com o Senhor face a face, ninguém mais precisará dizer “conheça o Senhor”, porque todos o conheceremos, plenamente.

É esse casamento, selado por Deus e não por nós, que caminha para o seu dia final — quando a Bíblia inteira chega ao seu clímax — ecoando a promessa da nova aliança no sangue de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo:

Apocalipse 21.1-4
1E vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém [que, conforme Hebreus 12.22-23, é a “assembleia festiva, a igreja dos primogênitos arrolados nos céus”], que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva enfeitada para o seu noivo. 3Então ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia: Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles e será o Deus deles. 4E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

A assinatura de sangue

Hebreus 8 termina onde a nossa pergunta começou.

Versículo 13: “Quando ele diz ‘nova aliança’, torna antiquada [ou: obsoleta] a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.”

Foi exatamente essa lógica que abriu o nosso caminho, lá no versículo 7: se uma segunda aliança foi buscada, é porque a primeira tinha defeito. Agora o círculo se fecha: a antiga informava, não transformava — e por isso está, agora, ultrapassada, prestes a desaparecer. O que fica, o que permanece, é a escrita nova: não em pedra, mas em carne viva.

Eis, então, as três promessas que vimos.

  1. Uma lei não mais imposta de fora, mas escrita, pelo próprio Espírito, no seu coração — trocando exigência por desejo.
  2. Um perdão que faz apagar o pecado da memória — sem rancor guardado, sem dívida lembrada.
  3. E um relacionamento selado como casamento — “eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo” —, unindo um povo inteiro, de toda tribo e nação, num só Noivo (Cristo) e numa só noiva (a igreja).

Se você chegou até aqui carregando um peso que nenhuma religião jamais aliviou — tentando, à sua própria custa, gravar na pele o que só Deus pode gravar no coração —, pare. Só Jesus pode desfazer o seu passado e lhe dar um novo futuro; nenhum outro sistema, nenhuma outra tentativa de se marcar por fora consegue isso. Ele já prometeu fazer isso por você, e nunca quebra promessa. Só ele resolve de verdade — porque só ele escreve por dentro.

Vimos, na mensagem anterior, que já temos tal sumo sacerdote que resolve de verdade. Hoje vimos a aliança que ele nos trouxe. Por fim, veja que viver nessa aliança tem forma prática.

  1. SE A LEI ESTÁ ESCRITA NO CORAÇÃO, obedeça por prazer, não por peso — e desconfie de si mesmo quando notar o contrário.
  2. SE DEUS APAGA E NÃO SE LEMBRA MAIS, pare de guardar registro dos outros e de si mesmo: perdoe como foi perdoado, e não reabra a própria dívida já quitada.
  3. SE ESSE CONHECER SE ESPALHA A TODOS, SEM MEDIADOR QUE NÃO SEJA O PRÓPRIO CRISTO, busque a Deus diretamente.

Contudo, isso não significa desprezar o ministério da igreja, nem os imperativos de mutualidade do Novo Testamento — ensinar, encorajar, aconselhar, discipular uns aos outros, orar uns pelos outros etc.; significa, antes, que ninguém mais precisará de um sacerdote humano como intermediário exclusivo entre você e Deus.

Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos [os que creem] — 1Timóteo 2.5-6 (ARA)

É Cristo o seu Mediador? O Espírito escreveu realmente a lei de Deus na carne vida do seu coração? É Deus realmente o seu Deus e você povo dele?

S.D.G. L.B.Peixoto.

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