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01.11.2026

A fé que faz triunfar

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Desde domingo passado, quando saiu o resultado da eleição, as redes se encheram de gente dizendo o que sente, sem filtro. Uns falam em país salvo; outros, em país perdido. E essa divisão não ficou lá fora: entrou nas famílias, nos grupos de mensagem e, é preciso confessar, nas igrejas. Houve irmãos desconfiando uns dos outros e até pastores trocando palavras duras nas redes, aos olhos do mundo.

Mas nem todos falaram. Há aqui quem não escreveu uma linha e guardou tudo no coração: o medo pela vida dos que ainda não nasceram, pela família e pelos filhos, pela liberdade de pregar, pela empresa que pode quebrar e pelo dinheiro que pode faltar. Veio hoje à igreja com esse peso e vai voltar com ele para casa, se ninguém ajudar a descarregá-lo.

Nesta congregação há quem tenha votado de um jeito e quem tenha votado de outro, quem não votou, votou em branco ou anulou. Deus conhece o coração de cada um, e cada um responderá diante dele pelo que fez, pelo que disse e pelo que publicou; e a todos ele chama ao arrependimento e à paz.

Em dias assim, o sentimento fala mais alto que a realidade. Quem venceu acha que tudo está resolvido; quem perdeu, que tudo está perdido; quem calou, que não há a quem contar. E logo alguém conclui que chegamos ao pior momento da história, sem futuro e sem esperança.

Povo de Deus, esses medos não são bobagem, e Deus os conhece um a um. Mas o maior perigo não é o resultado de uma eleição, nem aquilo em que este país possa se tornar. O risco é abandonar a fé, apostatar, como adverte Hebreus 10.39:

Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição, mas somos da fé, para a preservação da alma.

Por isso, mais do que de uma notícia melhor, precisamos da fé que nos faz perseverar para a preservação da alma, seja num país deitado em berço esplêndido, seja num país arruinado por qualquer totalitarismo político.

Na providência de Deus, a nossa série em Hebreus chegou ao capítulo 11 exatamente agora. Mas, antes de lermos o texto, uma história real. Ela nos ajuda a pôr o nosso sofrimento em perspectiva.

Em meados do século II, uma perseguição feroz contra os cristãos tomou a Ásia Menor. Em Esmirna, a multidão exigia que os líderes cristãos jurassem lealdade ao imperador. Tinham de queimar incenso em honra dele e declarar: “César é Senhor.”

Esmirna tinha uma das sete igrejas do Apocalipse. Décadas antes, Jesus tinha dito a ela: “Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.” (Ap 2.10)

O pastor principal da cidade era Policarpo. Segundo a tradição, fora discípulo do apóstolo João e convivera com outros que viram o Senhor Jesus. Décadas de fidelidade a Cristo o tinham tornado conhecido de todos. E foi o nome dele que a multidão gritou para servir de exemplo em praça pública.

Uma escolta foi buscar o velho pastor. O capitão, talvez querendo poupá-lo, disse: “Que mal há em dizer que César é Senhor? Jure lealdade e salve a sua vida.”

Policarpo recusou, e o levaram à arena.

Ali, o procônsul repetiu o apelo: “Pense na sua idade. Jure pela divindade de César. Diga: Fora os ateus.”

Naquele tempo, os cristãos eram chamados de ateus, porque não adoravam os deuses da cidade. Policarpo olhou para a multidão pagã, fez um gesto com a mão e disse: “Fora os ateus.”

O procônsul insistiu: “Jure lealdade a César e eu o solto. Blasfeme contra Cristo.”

E Policarpo respondeu: “Há oitenta e seis anos eu o sirvo, e ele nunca me fez mal algum. Como posso blasfemar contra o meu Rei e Salvador?”

Não houve mais argumento. Levaram-no à fogueira.

Reparem: a saída estava aberta. Bastava uma frase. O maior perigo de Policarpo não era a fogueira. Era retroceder. É o que Hebreus 10.39 tem em vista.

A nossa dor é real, e não vou diminuí-la. Mas o nosso perigo é o de Policarpo: deixar de crer, por ideologia, por medo ou por cansaço.

Que fé sustenta alguém como Policarpo? O capítulo 11 de Hebreus responde, e os três primeiros versículos mostram o que ela é. Vamos ler Hebreus 11.1-3 (NAA):

1Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem. 2Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. 3Pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não são visíveis.

De Onde Vem Este Capítulo

Para entender por que este capítulo está aqui, precisamos voltar alguns versículos.

Os primeiros leitores de Hebreus conheciam o aperto. Em 10.32-34, o autor os faz lembrar de uma fase terrível: suportaram uma luta dura de sofrimentos, foram expostos a insultos, ficaram ao lado dos presos e aceitaram com alegria o confisco dos seus bens. Como foram capazes disso? Porque sabiam que possuíam “patrimônio superior e durável” (v. 34).

A alegria deles não vinha de coragem pessoal, mas de uma esperança: a que faz triunfar no reino de Deus.

Mas o tempo passou, e o cansaço chegou. Por isso, em Hebreus 10.35-36, o autor pede que não abram mão da confiança e lembra que precisam de perseverança. Cita o profeta Habacuque: “Ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não irá demorar” (v. 37). O justo viverá pela fé e, se retroceder, Deus não se agrada dele (v. 38). E conclui, no versículo 39, com a frase que ouvimos há pouco:

Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição, mas somos da fé, para a preservação da alma.

Fica a pergunta: que fé é essa, que leva alguém até o fim?

A resposta vem no capítulo 11, com exemplos de pessoas de quem o mundo não era digno (11.38). Uns viram o livramento. Outros morreram sem vê-lo. E Hebreus 11.39 diz que todos receberam bom testemunho pela fé que nutriram.

É por isso que, hoje, falo em triunfar.

Triunfar, aqui, é chegar com a alma preservada e receber um reino que ninguém tira, o reino inabalável de que o autor falará em Hebreus 12.28. É até lá que a fé de Hebreus 11 nos leva.

O nosso texto é o pórtico dessa galeria de heróis da fé. Ainda não conta a história de ninguém. Antes, define que fé é essa que faz a gente triunfar. E a ideia central é esta:

A fé que faz triunfar é a que tem certeza do que Deus prometeu e ainda não se vê, recebe a aprovação dele e se apoia na sua palavra. Por essa fé, a alma é preservada, e recebemos um reino inabalável.

Vamos vê-la em três passos, na ordem do texto. Primeiro, a fé que faz triunfar é a que tem certeza do que ainda não se vê (v. 1). Segundo, é a fé que Deus aprova (v. 2). Terceiro, é a fé que se apoia na palavra de Deus (v. 3).

1. A fé que faz triunfar é uma fé que tem certeza do que ainda não vê (v. 1)

1Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.

Muita gente, nestes dias, diz a quem está sofrendo: “tenha fé”. E quem ouve fica com a pergunta: fé em quê? Que tipo de fé?

Antes de ver o que Hebreus 11.1 diz, vejamos o que ele não diz.

A fé não é uma força que eu produzo para fazer as coisas acontecerem. Há quem ensine que, se eu declarar com firmeza, sem duvidar, a realidade se curva. Mas quem fala, e as coisas passam a existir, é Deus, como veremos no versículo 3. A fé responde ao que Deus disse. Não toma o lugar dele.

Também não é otimismo, nem sentimento, nem palpite, nem “fé na fé”. E não é um salto no escuro. É certeza, e certeza com base.

Essa certeza não nasce de mim. É dom de Deus (Ef 2.8).

O versículo diz que a fé é duas coisas.

A primeira palavra, que a NAA traduz por “certeza”, significa literalmente “o que está por baixo”, o alicerce. As Bíblias Almeida mais antigas dizem “firme fundamento”, e a tradução latina antiga disse “substância”. A fé é o chão debaixo dos pés de quem espera.

A segunda palavra, “convicção”, é palavra de prova, de demonstração: a fé trata como evidente o que os olhos não alcançam.

Temos, então, uma dupla certeza: a do futuro, “de coisas que se esperam”, e a do invisível, “de fatos que não se veem”.

Comecemos pelo futuro.

“Ora, a fé a certeza de coisas que se esperam”. (Hb 11.1a)

Mas esperamos o quê? O versículo não detalha, mas a própria carta nos diz.

Esperamos a volta de Cristo. Ele aparecerá segunda vez, para salvar os que o aguardam (9.28), e aquele que vem virá, sem demora (10.37). Quando ele vier, acaba a disputa sobre quem tinha razão: é o próprio Cristo quem faz justiça ao seu povo.

Esperamos a ressurreição e a glória. Deus está conduzindo muitos filhos à glória (2.10), e há uma ressurreição melhor à espera dos que creem (11.35).

Esperamos uma cidade. Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus (11.10), uma pátria melhor, a celestial (11.16). E o autor nos diz: aqui não temos cidade permanente, mas buscamos a que há de vir (13.14).

E esperamos um reino inabalável (12.28), no qual reinaremos com ele, se perseveramos (2Tm 2.12).

Mas o maior de tudo o que esperamos é o próprio Deus: estar com ele e desfrutar da sua presença.

Quem tem essa fé tem tanta certeza dessas coisas que a volta de Cristo, a ressurreição, a glória, um lugar no céu e o reino que vem passam a ser presentes para ele. Como explica William Lane:

A fé celebra agora a realidade das bênçãos futuras que formam o conteúdo objetivo da esperança cristã. A fé dá aos objetos da esperança a força de realidades presentes e permite à pessoa de fé desfrutar da plena certeza de que, no futuro, essas realidades serão vividas.

Pensem na firmeza de uma vida assim. Conta-se que, nos primeiros tempos da perseguição, um cristão simples foi levado diante dos juízes. Ele disse que nada do que fizessem o abalaria, porque cria que Deus é fiel às suas promessas. O juiz perguntou: “Você acha mesmo que alguém como você irá para Deus e para a glória dele?” E ele respondeu: “Eu não acho. Eu sei.”

Ele ainda não tinha chegado lá, e sabia.

Notem: o que esperamos, ainda não temos. Se já tivéssemos, não seria esperança, pois “a esperança que se vê não é esperança” (Rm 8.24). Por isso, quem ainda não viu o que Deus prometeu não precisa concluir que lhe falta fé. Está onde estiveram os fiéis de Hebreus 11: vendo a promessa de longe (11.13).

Passemos à segunda parte.

“Ora, a fé é… a convicção de fatos que não se veem”. (11.1b)

Não vemos o que Cristo faz agora, mas a carta nos diz. Ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele, mas vemos Jesus, coroado de glória e de honra (2.8-9). Ele ministra no santuário celeste e intercede por nós (7.25; 9.24). E há anjos enviados em serviço aos que herdarão a salvação (1.14).

Moisés deixou o Egito com o coração firme, como quem via aquele que é invisível (11.27).

Jacó também aprendeu isso. Fugindo do irmão, sozinho, com uma pedra por travesseiro, ele dorme e vê anjos subindo e descendo. Acorda e diz: “Sem dúvida o SENHOR está neste lugar, mas eu não sabia!” (Gn 28.16). O lugar sempre foi a porta do céu. Ele só não via. Talvez você tenha dormido mal nesta semana. Jacó dormiu numa pedra, e Deus estava ali.

Essas duas certezas sustentaram aquela igreja. Foi por saberem que possuíam um patrimônio superior e durável que eles perderam os seus bens com alegria (10.34).

Quem tem esse chão não precisa se agarrar ao que se passa. E ganha uma quietude que o mundo estranha: a de quem sabe que as promessas de Deus não caem com a hostilidade em volta.

Releiam comigo o versículo: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.” (11.1)

Se você chegou hoje com medo, este é o chão em que Deus quer pôr os seus pés. Governos mudam. A cidade que Deus preparou e o reino inabalável, não.

Alguém pode pensar que uma fé assim é bonita demais para ser real. Coisa de livro, de púlpito, de quem nunca perdeu nada. Mas o autor não para na definição. Ele aponta para gente de carne e osso que viveu assim. É o que faz o versículo 2.

2. A fé que faz triunfar é uma fé que Deus aprova (v. 2)

2Pois, por meio dela, os antigos obtiveram bom testemunho.

Os “antigos” são os pais na fé, e o capítulo inteiro vai apresentá-los. “Bom testemunho” quer dizer que Deus deu a sua aprovação a eles. Não foi a aprovação do povo, nem a da imprensa, nem a de quem estava no poder. Foi a aprovação de Deus.

Mas atenção: essa aprovação não significa que tudo deu certo.

Ao longo do capítulo, aparece gente que conquistou reinos, fechou a boca de leões, escapou do fio da espada (11.33-34). Mas, no meio do versículo 35, o quadro muda. Outros foram torturados, zombados, açoitados, presos, apedrejados, serrados ao meio. Andaram errantes, destituídos, aflitos. E o autor diz que deles o mundo não era digno (11.38).

Os dois grupos têm a mesma fé e a mesma aprovação. E Hebreus 11.39 resume: “Todos estes, mesmo tendo obtido bom testemunho por meio da fé, não obtiveram a concretização da promessa.”

Aqui está o sentido de triunfar: ele não depende de ganhar a causa neste mundo. Três jovens, diante da fornalha, disseram ao rei: o nosso Deus pode livrar-nos do fogo, “e mesmo que ele não nos livre”, fica sabendo que “não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou” (Dn 3.17-18). Esse “e mesmo que ele não nos livre” também é fé. E Deus a aprova.

A aprovação de Deus não depende do resultado: vale para quem comemorou nesta semana, para quem chorou e para quem calou. Deus não aprova, necessariamente, lados vencedores. Aprova a fé que continua olhando para ele.

Mas fica uma pergunta. Se essa fé não se firma no que vejo, nem no resultado, nem no meu sentimento, onde ela se firma?

O versículo 3 responde.

3. A fé que faz triunfar é uma fé que se apoia na palavra de Deus (v. 3)

3Pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o que se vê não foi feito do que é visível.

Aqui o autor volta ao princípio de tudo. Antes de haver cidade, governo, urna ou praça, houve Deus falando. E o que ele disse passou a existir. Do nada, sem matéria prévia e sem ajuda.

Tudo o que vemos veio daquilo que não se vê: a palavra de Deus. Governos, fronteiras, estabilidade nacional, saúde pessoal, tudo o que parece tão sólido veio dessa palavra. E tudo continua sustentado por ela (Hb 1.3).

Por isso a fé tem onde se apoiar. A palavra que fez o universo do nada é a mesma que prometeu a cidade, a ressurreição e o reino. Se ela criou tudo, ela cumpre o que prometeu. A certeza do versículo 1 não repousa em mim. Repousa nessa palavra.

E aqui fica a diferença para o que vimos no primeiro ponto. Quem fala, e as coisas passam a existir, é Deus, não eu. A minha fé não é um poder capaz de criar o meu futuro. É a resposta ao que Deus, na sua Palavra, revelou sobre o meu futuro em Cristo.

De acordo com Hebreus 12, essa palavra ainda vai falar.

No Sinai, a voz de Deus abalou a terra. Agora ele promete: “Mais uma vez eu farei tremer não só a terra, mas também o céu.” E o autor explica: esse “mais uma vez” anuncia a remoção das coisas criadas que podem ser abaladas, para que permaneçam as que não podem ser abaladas (12.26-27). O que Deus criou com a sua palavra e é abalável, ele pode remover. O que fica é o reino inabalável que estamos recebendo (12.28).

E quem é essa palavra? A própria Bíblia responde. No princípio era o Verbo, e todas as coisas foram feitas por meio dele (Jo 1.1-3). Hebreus abre a carta dizendo o mesmo: Deus nos falou pelo Filho, por meio de quem também fez o universo (1.1-2).

O Verbo que fez tudo se fez carne (Jo 1.14). Tomou parte da nossa carne e do nosso sangue (2.14) e foi à cruz. Foi Deus quem nos tirou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). Pela fé, nos apoiamos na palavra de Deus. E essa palavra é Cristo.

Então, quando o medo bater, não pergunte só o que você vê. Pergunte o que Deus disse. E Deus disse tudo em seu Filho.

É o que Paulo diz aos colossenses (Cl 3.1-4, NAA):

1Portanto, se vocês foram ressuscitados juntamente com Cristo, busquem as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. 2Pensem nas coisas lá do alto, e não nas que são aqui da terra. 3Porque vocês morreram, e a vida de vocês está oculta juntamente com Cristo, em Deus. 4Quando Cristo, que é a vida de vocês, se manifestar, então vocês também serão manifestados com ele, em glória.

Paulo junta as duas certezas de Hebreus 11.1. A certeza do que não se vê: Cristo está assentado à direita de Deus, e a nossa vida está oculta nele. E a convicção do que não se vê, mas se espera: quando Cristo se manifestar, nós seremos manifestados com ele, em glória.

Pensar nas coisas lá do alto é isto: apoiar-se na palavra de Deus, que nos diz onde está a nossa vida e para onde ela está caminhando. Essa é a fé que faz triunfar.

Recebendo um Reino Inabalável

Irmãos, o perigo desta hora não é quem governa. É a gente largar a fé — e esfriar o amor. O autor afirma: “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição, mas somos da fé, para a preservação da alma” (10.39). Triunfar, aqui, quer dizer ter a alma preservada.

E essa alma não só espera pelo cumprimento das promessas futuras. Ela já prova, aqui e agora:

“Provem e vejam que o SENHOR é bom; bem-aventurado é quem nele se refugia” (Sl 34.8).

Quem crê já prova, hoje, o gosto antecipado do que vem: a glória, a presença de Deus, a alegria sem fim, a certeza de que Cristo reina. Ainda é só uma amostra, mas basta para saber que a promessa é verdadeira, e já nos dá descanso.

E repare no verbo. Estamos “recebendo um reino inabalável” (12.28). Recebendo. Reino não se conquista nem se vota. Reino se recebe, como dádiva, das mãos do Pai, por meio do Filho.

Como praticar esta fé

E como se pratica esta fé? Como provar já, aqui e agora, das coisas que esperamos e dos fatos que não vemos?

  1. Abra a Bíblia todos os dias e pergunte: o que Deus está dizendo aqui, neste texto?
  2. Pregue para si as promessas. A volta de Cristo, a ressurreição, a cidade. Diga em voz alta, se for preciso.
  3. Peça a fé. Ela é dom. Ore: “Eu creio; ajuda-me na minha falta de fé” (Mc 9.24).
  4. Fique perto da igreja. Aquela igreja suportou junta (10.33), e o autor pede que não deixem de se congregar (10.24-25). Ninguém aguenta sozinho.
  5. Largue o medo e a cobiça. Quem tem um patrimônio superior e durável (10.34) pode dar, servir e amar, inclusive quem pensa diferente.
  6. Cuide da língua, nas redes e em casa. Cada um dará conta de si diante de Deus (Rm 14.12). Fale como quem espera, e não como quem desespera.

Há quem sairá daqui hoje com medo. Há quem sairá com raiva. E há quem sairá calado. Para todos, a resposta é a mesma: o Verbo que criou o universo se fez carne, morreu e ressuscitou. Ele governa. Ele voltará. E o reino que ele nos dá não balança.

Que Deus nos dê a fé que triunfa: a que já prova, hoje, Cristo e o reino que não se abala.

Para refletir e orar em silêncio

  1. Peça a Deus fome da Palavra. Que você a abra todos os dias, perguntando: o que Deus disse?
  2. Agradeça pelo que ele prometeu: a volta de Cristo, a ressurreição, a cidade, a sua própria presença. Peça que isso seja mais firme em você do que aquilo que você vê.
  3. Diga a ele: “Eu creio; ajuda-me na minha falta de fé.” Peça que aumente o que ele mesmo deu.
  4. Resolva não andar sozinho. Pense em alguém desta igreja que precisa de você e de alguém de quem você precise.
  5. Entregue a Deus o que está prendendo você: o medo, a raiva, o apego. Peça um coração livre para dar, servir e amar, inclusive quem pensa diferente.
  6. Peça que as suas palavras, nas redes e em casa, sejam de quem espera, e não de quem desespera. E reconheça que você dará conta de si diante dele.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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