GRAÇA PARA VIVER

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GRAÇA PARA VIVER

Lucas 17.11-19

11Dirigindo-se a Jerusalém, Jesus chegou à fronteira entre a Galileia e Samaria. 12Ao entrar num povoado dali, dez leprosos, mantendo certa distância, 13clamaram: “Jesus, Mestre, tenha misericórdia de nós!”. 14Ele olhou para eles e disse: “Vão e apresentem-se aos sacerdotes”. E, enquanto eles iam, foram curados da lepra. 15Um deles, ao ver-se curado, voltou a Jesus, louvando a Deus em alta voz. 16Lançou-se a seus pés, agradecendo-lhe pelo que havia feito. Esse homem era samaritano. 17Jesus perguntou: “Não curei dez homens? Onde estão os outros nove? 18Ninguém voltou para dar glórias a Deus, exceto este estrangeiro?”. 19E disse ao homem: “Levante-se e vá. Sua fé o curou”.

Desejo de Ano-Novo

O que você mais deseja para o ano-novo? “Muito dinheiro no bolso; saúde pra dar e vender”? O que você deseja para o ano-novo? Paz? Prosperidade? Todos fazem votos de feliz ano-novo; todos fazem resoluções de ano-novo; todos têm desejos para o ano-novo; todos suplicam bênçãos para o ano-novo. O que você mais deseja para o ano-novo?

Meu desejo é de mais da graça. Quero mais da graça de Deus em 2018 e no resto de minha vida nesta vida terrena. Por quê? De todas as coisas que podemos ter ou receber de Deus, a graça em Jesus Cristo, além de ser o que mais precisamos, é o que nós podemos ter de mais precioso e mais digno de louvor.

Sobre o valor da graça, o salmista disse assim:

Sl 63.3 | Porque a tua graça [atos de bondade, amor, misericórdia, piedade] é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam.

Ou seja: nós podemos ter tudo de bom que a vida pode nos oferecer, mas se não tivermos a graça de Deus, tudo será sempre insuficiente. Nos sentiremos incompletos. Viveremos insatisfeitos. Jamais conseguiremos nos alegrar e cantar. Podemos ter dinheiro, saúde, prosperidade, família, filhos e tudo mais, mas não teremos paz e alegria. Afinal, paz e alegria são fruto da graça de Deus, do Espírito de Deus em nosso coração. Sem a graça de Deus, o ser humano vive como aqueles apóstatas da carta de Judas (v. 16):

São murmuradores e descontentes, que vivem apenas para satisfazer os próprios desejos. Contam vantagem em alta voz e bajulam outros para conseguir o que querem.

Por outro lado, se não tivermos nada na vida, ou se perdermos tudo (saúde, bens, família, reputação… enfim, tudo), mas tivermos a graça de Deus, nós conseguiremos seguir a vida cantando e louvando com satisfação, celebrando a salvação em Cristo Jesus. Cheios da graça de Deus em Jesus Cristo, seremos capazes de dizer como disse o apóstolo Paulo (2Co 6.10):

Nosso coração se entristece, mas sempre temos alegria. Somos pobres, mas enriquecemos a muitos outros. Não possuímos nada e, no entanto, temos tudo.

Portanto, nesta ocasião especial, neste culto da virada, quando todos se reúnem aqui para aguardarmos em vigília a chegada do ano-novo, o meu desejo é levar você a refletir com gratidão sobre a graça de Deus em Jesus Cristo e a desejá-la acima de todas as coisas para hoje (os últimos instantes desse ano-velho), para 2018 e para o resto de sua vida. O nosso texto será este que lemos no início — a história dos dez leprosos que foram curados por Jesus — Lucas 17.11-19.

Dez leprosos curados por Jesus

Lucas apresenta um homem que compreendeu o valor da graça. Sim, é bom que sejamos gratos pela saúde física e pela prosperidade material; é bom agradecer pelo emprego; também é bom agradecer pela família e pelas pessoas queridas que Deus coloca ao nosso redor. Não há nada de errado, necessariamente, em se desejar essas coisas, pedir por elas e também ser gratos a Deus por cada uma dessas dádivas. Mas há algo mais valioso que tudo isso, mais valioso que a própria vida — a graça de Deus em Jesus Cristo.

Por que ser gratos pela graça?

Por que nós devemos ser gratos pela graça? Há três razões que podemos extrair da história dos dez leprosos que foram curados: (1) a graça estimula a reação; (2) a graça exercita o coração; e (3) a graça evoca a gratidão.

1. A graça estimula a reação

A história dos dez leprosos é a história de todo ser humano sem Cristo. Observe:

Lc 17.11-12 | 11Dirigindo-se a Jerusalém, Jesus chegou à fronteira entre a Galileia e Samaria. 12Ao entrar num povoado dali, dez leprosos, mantendo certa distância, […]

Note que aqueles homens, por causa da gravidade da doença, perderam tudo: família, amigos, bens e até o direito de serem cidadãos comuns. Observe que eles viviam “à fronteira entre a Galileia e Samaria”, ou seja: nem lá nem cá. Pior de tudo: eles, por causa da lepra, não podiam ao menos se aproximar de Jesus. Mantiveram “certa distância”.

O quadro é trágico e triste, pois, doentes, eles estão separados de Deus e separados daqueles que eles mais amavam, conseguindo viver apenas com os seus iguais, com outros leprosos! Neste “limbo” espiritual e existencial, eles ainda tinham que conviver com a deformidade e a decomposição de seus corpos (principalmente a face e as extremidades do corpo) e o mal-odor causado pela doença.

Trágico e triste, mas é isto que o pecado causa em nós: separa-nos de Deus, dos outros e nos mata aos poucos, adoecendo paulatinamente cada parte de nosso ser e, muitas vezes, até partes de nosso próprio corpo, de forma lastimável, fazendo-nos exalar cheiro de morte (2Co 2.16). O pecado, portanto, adoece-nos, divide-nos, separa-nos, despedaça-nos e faz-nos exalar mal-cheiro de morte. Como é triste! Só mesmo a graça!

Veja no texto que não havia esperança para aqueles leprosos, pois estavam entregues ao estado de morte; até que o próprio Jesus Cristo entrou em cena:

Lc 17.11-13 | 11Dirigindo-se a Jerusalém, Jesus chegou à fronteira entre a Galileia e Samaria. 12Ao entrar num povoado dali, dez leprosos, mantendo certa distância, 13clamaram: “Jesus, Mestre, tenha misericórdia de nós!”.

A graça de Deus em Cristo, passando por eles, indo ao encontro deles, chegando onde nada nem ninguém desejava chegar, fê-los reagir com súplicas por graça e misericórdia. Foi a graça de Deus em Jesus que os fez reconhecer o estado de morte no qual se encontravam e, consequentemente, gritaram, sem qualquer vergonha, por socorro, suplicando por misericórdia e por graça.

Esses dez leprosos, com certeza, já tinham ouvido falar de Jesus, de seu poder, de suas palavras, de sua postura e de seus milagres, mas agora os seus olhos o viram. A graça finalmente os estava alcançando e eles reagiram.

Em que estado você se encontra? Inerte? Imóvel? Despedaçando-se? Sente-se apodrecendo por dentro? Enxerga tudo e todos ao seu redor se afastando, isolando-se, morrendo aos poucos? É a lepra do pecado! Ela separa, impõe isolamento, adoece, despedaça, causa mal-cheiro. Lembre-se: neste estado, você não precisa de mais dinheiro, de mais saúde, de mais chances ou oportunidades nem de mais religião… você precisa de graça; só a graça de Deus em Jesus poderá te estimular a reagir na direção de Deus.

Deseje mais da graça, pois ela estimula a reação na direção de Cristo.

2. A graça exercita o coração

Precisamos de mais da graça, pois ela estimula a reação; faz-nos ir com arrependimento e fé até Jesus em busca de cura e de salvação. Paulo disse assim:

Ef 2.8-9 | 8Vocês são salvos pela graça, por meio da. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de Deus. 9Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha a se orgulhar.         

A fé que a graça gera em nós é o que chamamos de “exercitar o coração”; ou seja: a graça nos dá fé e nos faz exercitar a fé; ensina-no a viver pela fé. Veja isso na história desses leprosos:

Lc 17.14 | 14Ele olhou para eles e disse: “Vão e apresentem-se aos sacerdotes”. E, enquanto eles iam, foram curados da lepra.

Note que eles só viram a cura enquanto caminhavam na direção do templo para “apresentarem-se aos sacerdotes”. Por que Jesus agiu assim? Por que ele não os curou ali, imediata e instantaneamente? Jesus estava exercitando o coração deles na fé. A graça de Deus nos estimula a reagir e também nos exercita em fé, esperança e amor.

A lei dizia que quando um leproso fosse curado, tal deveria ir se apresentar ao sacerdote para o sacrifício de ação de graças. O problema, porém, é que esses leprosos ainda não estavam curados quando Jesus os enviou ao sacerdote! Você percebeu este detalhe no texto? Diz assim:

Lc 17.14 | 14Ele olhou para eles e disse: “Vão e apresentem-se aos sacerdotes”. E, enquanto eles iam, foram curados da lepra.

Foi necessário fé para esses homens agirem em obediência. Foi só no caminho, exercitando o coração com fé na palavra de Jesus, que eles viram a cura acontecer.

Salvação e cura para a alma são resultados da fé que nos leva a agir segundo as promessas de Deus explícitas no Evangelho da Graça (Gl 3.1-5). A fé que recebemos de Deus nos leva a agir, faz-nos exercitar o coração.

Fl 2.12-13 | 12[…] vocês sempre seguiam minhas instruções. Agora que estou longe, é ainda mais importante que o façam. Trabalhem com afinco a sua salvação, obedecendo a Deus com reverência e temor. 13Pois Deus está agindo em vocês, dando-lhes o desejo e o poder de realizarem aquilo que é do agrado dele.

Obedeça a Deus. Obedeça-o nos mínimos detalhes, mesmo naqueles que possam parecer os detalhes mais ridículos aos olhos humanos, não importa! Exercite seu coração. Viva pela fé na graça futura de Deus e você receberá perdão, salvação e restauração.

Gl 3.5 | Volto a perguntar: acaso aquele que lhes deu o Espírito e realizou milagres entre vocês agiu assim porque vocês obedeceram à lei ou porque creram na mensagem que ouviram?

Precisamos de mais da graça, pois ela estimula a reação (faz-nos nascer de novo; faz-nos reagir) e exercita o coração (faz-nos agir com fé e esperança na graça futura de Deus).

3. A graça evoca a gratidão

Somos gratos pela graça, pois ela:

– Estimula a reação (dando fortitude para se ir até o Mestre: arrependimento)

– Exercita o coração (produzindo atitude para se receber o milagre: )

– Evoca a gratidão (gerando inquietude para não se perder o momento)

Observe:

Lc 17.15-16 | 15Um deles, ao ver-se curado, voltou a Jesus, louvando a Deus em alta voz. 16Lançou-se a seus pés, agradecendo-lhe pelo que havia feito. Esse homem era samaritano.

  1. A graça nos cura (salva) e nos faz ver como nós fomos curados (transformados); de onde nós fomos tirados e do que nós fomos salvos (da ira de Deus, da separação eterna de Deus); mas, também…
  2. A graça nos leva de novo e de novo aos pés de Jesus, louvando-o, fazendo-nos prostrar em gratidão, alegria, com gozo e prazer.

Por que os outros nove não voltaram para tributar ação de graças ao Senhor Jesus Cristo? Ouçamos as palavras do Senhor:

Lc 17.16-19 | 16[…] Esse homem era samaritano. 17Jesus perguntou: “Não curei dez homens? Onde estão os outros nove? 18Ninguém voltou para dar glórias a Deus, exceto este estrangeiro?”. 19E disse ao homem: “Levante-se e vá. Sua fé o curou”.

“Esse homem era samaritano” (v. 16). Esta observação de Jesus nos ensina que, geralmente, quem mais graça recebe, quem mais é perdoado, mais gratidão demonstra (Lc 7.47). Aqueles que são mais familiarizados com as coisas de Deus (no caso, os judeus) tendem a perder mais facilmente o encanto com a graça.

As perguntas de Jesus também são reveladoras (v. 17-18):

  • “Não curei dez homens?” — Isto é: “Não receberam todos da mesma graça e do mesmo poder?”
  • “Onde estão os outros nove?” — Isto é: “Se todos os dez receberam da mesma graça, por que os outros nove não voltaram para agradecer?”
  • “Ninguém voltou para dar glórias a Deus, exceto este estrangeiro?” – Isto é: “Será que as pessoas mais familiarizadas com a graça de Deus são as que mais facilmente deixam de agradecer a Deus?”

Há uma advertência aqui: jamais permita que a familiaridade com a graça de Deus deixe de comovê-lo, a ponto de você não mais conseguir render ações de graças ao Deus de toda graça.

Outra coisa: os nove leprosos curados que não retornaram não reconheceram a preciosidade da graça; eles queriam apenas saúde, família, bem-estar; foram curados, mas não foram salvos. Desfrutaram da graça, mas se deleitaram mais nas dádivas do que em Deus. Tem sido assim com você?

Pergunta: Aonde os outros nove foram? Por que eles não voltaram para agradecer? Há três possíveis explicações:

  • Religião | Trocaram a ação de graças pela religião sem a graça. Ou seja: tão logo se viram curados, contentaram-se com o ritual do templo e da religião, em vez de desejarem o Senhor de toda graça e glória.
  • Secularização | Trocaram os pés de Jesus pelos bons prazeres da vida (família, trabalho, prazeres). Ou seja: tão logo se viram curados, preferiram os ídolos do coração, o louvor dos homens ao Deus de toda graça e glória.
  • Acomodação | Trocaram a alegria da vida plena com Deus pela mediocridade da existência. Ou seja: tão logo se viram curados, foram à igreja, cumpriram seu compromisso religioso, saíram de lá leves e sentindo-se melhores, e partiram para viver moral e dignamente as suas vidinhas cotidianas, mas sem Cristo. Desprezaram, portanto, o Senhor de toda graça e glória.

Todas essas três possíveis explicações, além de graves e perigos, revelam um só pecado: incredulidade. A principal marca do cristão, a prova principal da salvação, é o coração crente em Deus. A incredulidade se manifestou na forma de ingratidão. Tanto é assim que somente o que voltou com ação de graças foi recebido para a salvação.

Lc 17.19 | E disse ao homem: “Levante-se e vá. Sua o curou”.

Incredulidade?

Alguém poderá dizer: “Como assim, incredulidade? Achei que fosse ingratidão o principal problema daqueles nove leprosos que não retornaram para agradecer!” Bem, o próprio Jesus, conforme nós lemos (Lc 17.19), explicou que eles não voltaram “para dar glórias a Deus” (v. 18) porque não tiveram fé. Mas, como assim?

Eles não creram que, mais do que tudo na vida (saúde, família, bens, prestígio, religião, etc.), eles precisavam da graça de Deus em Jesus. Não creram que Jesus não apenas seja a fonte de todo bem, mas o final de todos as coisas: tudo é dele, por ele e para ele; a ele toda a glória deve ser dada para sempre.

Quanta gente achando que em 2018 elas precisam mais disso, mais daquilo, mais daquilo outro; mais dinheiro, mais saúde, mais paz e prosperidade… Quanta gente lotando templos nesta noite de Ano-Novo, atrás da cura e não do Cristo. Gente assim, além de desonrar a Deus, não entendeu que elas precisam acima de qualquer coisa de graça para viver, da graça de Jesus. Não seja você um desses.

Graça para viver

Meu desejo é que cada coração aqui nesta noite tenha um só grande desejo para 2018: mais da graça de Deus em Jesus, tanto para você como para os seus, para a nossa igreja e para o nosso Brasil. É da graça que nós precisamos para viver. Afinal, é a graça que estimula a reação (dando fortitude para se ir até o Mestre: arrependimento); exercita o coração (produzindo atitude para se receber o milagre: fé); e evoca a gratidão (gerando inquietude para não se perder o momento: ação amorosa).

Que Deus nos abençoe cada vez mais com graça, misericórdia e paz; que ele jamais nos permita deixar de viver com fé e gratidão na graça de Deus.

Seja seu 2018 cheio de graça para o seu viver.

S.D.G. L.B.Peixoto

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