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31.05.2026

A âncora da alma

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Hebreus 6.19-20 (NAA)
19Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu, 20onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

Esta esperança

Existe uma palavra que todo mundo conhece e utiliza em abundância, mas que poucos sabem definir com precisão: esperança.

As pessoas costumam usar a palavra assim — esperança é o que você sente quando ainda não tem o que quer.

Há um grave problema com esse tipo de definição.

Consegue identificar?

É subjetiva, frágil, dependente das circunstâncias. Quando as circunstâncias mudam, a esperança some.

Mas o autor de Hebreus está escrevendo para uma congregação que conhecia essa fragilidade de perto. Eles haviam começado bem — tinham fé, compromisso, perseverança. Mas ao longo do tempo algo foi cedendo. O próprio autor os confronta: “vocês ficaram com preguiça de ouvir” (5.11), precisavam de leite quando deveriam comer alimento sólido (5.12), e apostataram do que haviam recebido (6.4-6).

Era uma igreja à deriva, na qual alguns haviam apostatado e muitos corriam o risco de seguir o mesmo caminho — e é para essa congregação, e para nós que conhecemos por dentro a tentação de desviar (2.1), que este pastor escreve Hebreus 6.19-20.

OBSERVE:

Ele usa um pronome no versículo 19 que merece atenção antes de tudo: “Temos esta esperança”. Não qualquer esperança. Esta. Mas qual? “Esta”, qual?

O pronome aponta para trás — para os versículos 13 a 18: DEUS FEZ UMA PROMESSA A ABRAÃO e, não satisfeito com a promessa, jurou por si mesmo para confirmá-la.

Duas coisas imutáveis: a palavra/promessa de Deus e o juramento de Deus. Esta é a esperança de que Hebreus 6.19 fala.

E o que significa lançar mão dessa esperança na vida real?

A resposta precisa ser ouvida devagar: significa lançar mão dessa esperança — como quem agarra uma corda no naufrágio. Significa tomar como sua única salvação. Sentir-se seguro nela. Estar satisfeito nela. Ansiá-la do jeito que se anseia o nascer do sol depois de uma longa noite escura, fria e assustadora.

É essa esperança — objetiva, sólida, garantida por Deus em sua palavra e selada pelo sangue de Jesus Cristo — que o autor vai chamar de âncora da alma. Acompanhe o texto, mas uma vez; agora, a partir do versículo 17:

Hebreus 6.17-20
17Por isso, Deus, quando quis mostrar com mais clareza aos herdeiros da promessa que o seu propósito era imutável, confirmou-o com um juramento. 18Ele fez isso para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, nós, que já corremos para o refúgio, tenhamos forte alento, para tomar posse da esperança que nos foi proposta. 19Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu, 20onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

PERGUNTA:

O que sustenta a alma quando tudo ao redor deriva?

O versículo 19 oferece uma imagem — a âncora — e a descreve: ela é segura, é firme, e já entrou atrás do véu.

E o versículo 20 revela quem garante a imagem — Jesus, precursor e sumo sacerdote eterno — sem começo nem fim; por isso, “segundo a ordem de Melquisedeque.”

O texto se move da âncora para aquele que a lançou. E é esse movimento que seguiremos.

1. A âncora que não afunda (Hb 6.19)

O que é esta âncora

Antes de falar sobre onde a âncora está e o que ela faz, precisamos entender o que ela é. E aqui eu preciso fazer uma distinção que pode mudar completamente a maneira como você entende este versículo.

A palavra “esperança” pode ser usada de pelo menos três maneiras diferentes.

  1. Como sentimento subjetivo — “eu espero ir para o céu”, uma convicção interior.
  2. Como realidade futura objetiva — “o céu é a minha esperança”, algo que existe independente de como me sinto.
  3. Como pessoa real ou evento concreto que torna minha confiança segura — “a morte de Jesus é minha única esperança de escapar do juízo e ir para o céu.”

Qual dessas três é a âncora do versículo 19?

— Sentimento subjetivo? (Eu espero ir pro céu)

— Realidade objetiva? (O céu é minha esperança)

— Pessoa ou evento real? (O que Jesus fez)

A resposta está no versículo 18.

Ali, na última frase, o autor fala de “tomar posse da esperança que nos foi proposta.” — algo que está diante de nós, objetivo, externo, real.

Portanto, a âncora não é a intensidade da sua fé. A âncora não é o calor do seu sentimento religioso.

A ÂNCORA É a realidade futura objetiva que Deus prometeu e jurou cumprir — o próprio Cristo, a salvação consumada em Cristo — eleição, regeneração, justificação, santificação e glorificação —, o céu garantido pela palavra imutável de Deus.

Isso muda tudo.

Porque se a âncora fosse sua fé subjetiva, então em dias de tempestade — quando a fé vacila, quando a dúvida aperta, quando o coração está frio — a âncora seria corroída pela ferrugem das circunstâncias. Mas se a âncora é a realidade objetiva da promessa de Deus, então ela não depende de como você está se sentindo. Ela é tão sólida nos seus dias de dúvida quanto nos seus dias de certeza.

Agora… O autor de Hebreus descreve essa âncora com duas palavras gregas que João Calvino examinou com precisão: asphalē — segura, inabalável, fixada com firmeza — e bebaian — firme, forte, que não dobra nem quebra. Não é redundância. São dois ângulos da mesma realidade. A âncora não vai ceder por causa do material de que é feita. E não vai soltar por causa do lugar onde está fixada.

E aqui entra o paradoxo mais belo do texto.

Toda âncora que você já viu desce — vai para o fundo escuro do rio ou do mar, onde há solo firme, e ali se fixa.

Mas Calvino observa que esta âncora faz o oposto: ela sobe.

Por quê?

Porque não há nada firme aqui embaixo.

O mundo é instável, as circunstâncias mudam, o coração é enganoso, os reinos passam, os relacionamentos falham, a saúde cede, a vida terrena termina. Se a âncora descesse, não encontraria nada em que se fixar. Então ela sobe — sobe até o único lugar onde há solo absolutamente firme: o próprio Deus.

Richard D. Phillips descreve assim: Cristo fixou a âncora da nossa esperança no céu com sua própria mão trespassada, de modo que nossa esperança está unida à obra finalizada de Cristo no fundamento inabalável do caráter imutável de Deus. Não é uma imagem decorativa. É uma declaração teológica: sua esperança, ó crente, está tão segura quanto o próprio Deus é imutável e inabalável.

Uma história real ilustrará bem esse ponto.

No início de dezembro de 1934, o missionário John Stam, aos 27 anos, foi capturado por tropas do Exército Vermelho na província de Anhui, China, junto com sua esposa, Betty. Forçados a marchar sob escolta armada até a cidade vizinha de Miaoshou, onde seriam executados publicamente, encontraram um conhecido na estrada. Assustado com a cena, o homem perguntou: “Para onde vocês vão?”. John Stam respondeu sem hesitar: “Não sabemos para onde eles estão nos levando, mas estamos indo para o céu.”

Ele não disse isso porque estava se sentindo bem. Disse porque sabia onde sua âncora está fixada. A esperança dele não era um sentimento — era uma realidade objetiva, garantida por Deus, que nenhuma espada poderia desfazer.

Ah, meus irmãos! A firmeza dessa resposta atesta a convicção de quem não negocia com o desespero.

Na manhã de 8 de dezembro, antes de caminharem para a execução, Betty tomou uma decisão de fé e coragem prática: escondeu a filha do casal, Helen, de apenas três meses, dentro de um saco de dormir, deixando algumas roupas e um pouco de dinheiro presos com um alfinete. A menina sobreviveu e foi resgatada dias depois por um evangelista local.

Os captores acreditavam que a execução pública de John e Betty provocaria intimidação. Ocorreu o oposto.

Quando o relato da marcha do jovem casal rumo ao martírio chegou aos Estados Unidos e à Europa, não houve recuo. Uma onda de novos voluntários se apresentou para o serviço missionário na China na década seguinte. A certeza da eternidade esperada que ancorou os Stam mesmo diante da morte, do pior tipo de morte, — inclusive separando-os da filhinha ainda tão bebê — não paralisou a obra; impulsionou uma nova geração.

A esperança que nos foi proposta em Cristo é a âncora da alma. Mas o texto não para aqui…

Onde está essa âncora

Hebreus 6.19 diz que essa âncora — essa esperança que ancora a alma com segurança e firmeza — “entra no santuário que fica atrás do véu.” Para entender o peso dessa frase, você precisa conhecer um pouco do tabernáculo.

No sistema de adoração do Antigo Testamento, o tabernáculo era dividido em compartimentos. O mais interior — o Santo dos Santos — estava separado do restante por um véu espesso. Ali estava a arca da aliança. Ali habitava a presença de Deus. E ali entrava apenas uma pessoa, apenas uma vez por ano: o sumo sacerdote, com sangue de animais, para fazer expiação pelos pecados do povo.

O autor de Hebreus diz que nossa âncora está lá dentro. Atrás do véu. No lugar mais sagrado do universo, na própria presença de Deus. John MacArthur articula com precisão: na mente de Deus, nossa alma já está dentro do véu — segura no santuário eterno e celestial. E não só isso: Jesus permanece lá não como sacerdote que entrou e saiu, mas como Guardião permanente. Ele “assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3) — e ficou.

Nossa âncora não está solta no fundo do mar. Está fixada no céu, no trono de Deus, sob os cuidados do próprio Cristo.

Esta âncora está presa em nós

Aqui chegamos à questão mais profunda do texto.

Imagine que alguém lhe dissesse, ambos à bordo do seu barco, em alto mar: “Preparei para você a melhor âncora do mundo. Foi feita do material mais resistente que existe. Já foi lançada e está fixada com absoluta segurança no fundo do mar.

Só há um detalhe — não a amarrei ao seu barco! Está lá embaixo, firme. Mas o cabo está solto. Você terá que tentar prendê-la ao barco, apenas com as suas próprias mãos.”

Isso seria segurança? É claro que não. Uma âncora presa apenas em um dos lados não ancora nada.

E aqui está a relação dessa imagem com o nosso texto:

Sim, a âncora está presa no céu — mas ela está mesmo presa na nossa alma? Ou fomos deixados a segurar o cabo com as nossas próprias mãos fracas, sozinhos, nas tempestades da vida?

A carta aos Hebreus responde ela mesma à tensão entre segurança e perseverança — e o faz dos dois lados da âncora.

  • Em Hebreus 6.9, a perseverança dos santos para a salvação pode ser classificada entre “as coisas relacionadas com a salvação” — não como condição, mas como companhia natural da salvação recebida pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus.
  • Em Hebreus 3.14, o tempo verbal já revela tudo: já nos tornamos participantes de Cristo, e perseverar é a evidência disso, não a causa.
  • Em Hebreus 3.6, somos chamados de casa de Cristo agora, e a nossa firmeza na fé confirma que somos de fato essa casa que foi edificada.
  • E em Hebreus 13.20-21 o argumento culmina: o sangue da aliança eterna não apenas abriu o céu — comprou o próprio querer e o fazer em nós. Diz o texto que é Deus mesmo quem opera “em nós o que é agradável diante dele”.

Como escreveu John Piper:

O que Cristo comprou quando morreu não foi a liberdade de não precisarmos nos agarrar, mas o poder para nos agarrarmos. Não anulou nossa vontade — capacitou nossa vontade. Não cancelou o mandamento de perseverar — garantiu o cumprimento do mandamento.

A âncora não afunda! Ela sobe.

A âncora está presa dos dois lados — firme no céu, firme na alma do crente.

E é exatamente aí que o texto nos leva:

Se a âncora está presa dos dois lados, quem a prendeu no alto? Quem entrou atrás do véu por nós, garantindo que ela jamais cederá — nem de lá, no céu; nem de cá, em nós?

É o que o Hebreus 6.20 responde.

E é o que veremos agora.

2. O Precursor que garante tudo (Hb 6.20)

Hebreus 6.19-20
19Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu, 20onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

O que significa “precursor”

O versículo 20 abre com uma palavra grega rara — prodromos — que não aparece em nenhum outro lugar do Novo Testamento. O autor a usa para descrever Jesus: “onde Jesus, como precursor, entrou por nós.”

No mundo antigo, a palavra prodromos tinha dois contextos principais. O primeiro era militar: o precursor era o soldado enviado à frente do exército para explorar o território, verificar o caminho, e garantir que os demais pudessem avançar com segurança. O segundo era náutico — segundo narra Louis Talbot:

Os portos gregos eram frequentemente separados do mar por bancos de areia, sobre os quais os navios maiores não se arriscavam passar até que a maré cheia chegasse. Portanto, uma embarcação mais leve, um “precursor”, tomava a âncora e soltava no porto. A partir daquele momento o navio estava a salvo da tempestade, embora tivesse de esperar pela maré, antes de poder entrar no porto. […] A entrada da pequena navegação no porto, o precursor levando a âncora do navio, era o penhor de que o navio entraria em segurança no porto na maré cheia.

João Calvino acrescenta uma dimensão que vem da Septuaginta — a tradução grega do Antigo Testamento. Ali, prodromos é usado para descrever as primeiras uvas e os primeiros figos da colheita — as primícias. As primícias não eram apenas as primeiras frutas a chegar. Eram a garantia de que toda a colheita viria. Cristo é as primícias da colheita da ressurreição — e onde as primícias chegaram, a colheita toda chegará.

Ah, meus irmãos! Há uma promessa escatológica embutida no título de precursor que não pode ser ignorada:

Cristo não apenas nos preparou um lugar — por meio de sua morte e ressurreição. Ele foi adiante de nós como garantia de que nós também iremos. O Precursor não entra sozinho e fecha a porta. O Precursor entra para que a porta permaneça aberta para todos que vêm depois.

Calvino é direto: “Compete-nos seguir a Cristo que nos precedeu, por isso ele é chamado nosso Precursor.” Onde ele entrou, entraremos. Sua entrada é nossa garantia.

Em 20 de julho de 1969, quando os primeiros astronautas pousaram na Lua, pela primeira vez, o primeiro passo na poeira lunar não foi celebrado como o triunfo de um explorador solitário, mas como a prova de que a humanidade inteira havia chegado lá. A pegada era uma promessa de que o caminho estava aberto e a missão era possível. Foi assim que o mundo celebrou aquela conquista.

Do mesmo modo, Cristo não entrou na presença de Deus como um astronauta fincando uma bandeira de vitória individual. Ele entrou como nosso precursor — aquele que corre à frente para abrir a rota —, garantindo que toda a sua igreja chegará onde ele já está.

O sumo sacerdote eterno

Hebreus 6.20 diz que Jesus entrou, como precursor por nós, “tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre”.

Para entender o peso dessa afirmação, é necessário ver o contraste com o sacerdócio aarônico.

Calvino nos lembra de que o sumo sacerdote do Antigo Testamento não entrava no Santo dos Santos apenas por si mesmo. Ele carregava sobre seu peito e seus ombros os nomes das doze tribos de Israel — gravados em pedras preciosas e em pedras de ônix. Ele entrava como representante federal do povo. O povo todo entrava no santuário na pessoa de um único homem.

Cristo faz o mesmo — mas de forma consumada e eterna. Ele não entrou no Santo dos Santos celestial como representante temporário de seu povo. Entrou como representante eterno de todos os seus — carregando os nomes dos seus não em pedras sobre o peito, mas gravados em seu coração trespassado.

MacArthur identifica o que torna esse sacerdócio radicalmente diferente do aarônico em três pontos:

— Os sacerdotes aarônicos precisavam oferecer sacrifícios por si mesmos antes de oferecer pelo povo — Cristo não precisou, pois era sem pecado.

— Os sacerdotes aarônicos morriam e precisavam ser substituídos — Cristo vive para sempre.

— Os sacerdotes aarônicos ofereciam sangue de animais que nunca podia remover o pecado — Cristo ofereceu seu próprio sangue infinitamente precioso, uma vez, para sempre.

E Piper sublinha: Jesus entrou no Santo dos Santos celestial com seu próprio sangue e sua vida indestrutível, de modo que sua obra expiatória por nós é perfeita e dura para sempre.

Assim, a âncora está presa no céu não apenas porque Deus é fiel, mas porque o sacerdócio de Cristo é eterno. Ele nunca vai morrer. Jamais será substituído. Não precisará refazer o sacrifício. Está sentado — porque a obra está terminada.

Melquisedeque e o duplo juramento

Hebreus 6.20 fecha com uma expressão que o autor introduz aqui como dobradiça literária — “[Jesus é] sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.” — e que desenvolverá plenamente no capítulo 7.

Mas mesmo aqui, a menção não é acidental.

Joel Beeke aponta uma simetria teológica elegante que encerra o argumento:

— Em Hebreus 6.13-18, vemos o juramento imutável de Deus em relação aos crentes — jurou a Abraão e, nele, a todos os seus filhos pela fé.

— Agora, em Hebreus 6.20, aparece o juramento de Deus em relação ao próprio Cristo — “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4, ARA).

O mesmo Deus que jurou a Abraão jurou ao Filho. Os dois juramentos convergem em Cristo: ele é ao mesmo tempo o objeto do juramento eterno de Deus e o garantidor do juramento de Deus para conosco.

Cristo é o objeto da promessa e do juramento porque o Pai jurou ao Filho que seria sacerdote eterno — Sl 110.4. E Cristo é o garantidor da promessa e do juramento, pois pela obra desse sacerdote eterno, a promessa do Pai a nós é cumprida.

Não há nenhum elo fraco nesta corrente.

Então, o que fazemos?

Para uma congregação à deriva, o autor de Hebreus não aponta para um esforço humano maior. Aponta para uma âncora já lançada — a realidade objetiva da salvação em Cristo, segura e firme, que já entrou atrás do véu. Essa âncora está presa no céu pelo sacerdócio eterno de Jesus. E está presa em nós pela obra do mesmo Cristo que comprou não apenas o destino, mas o caminhar até lá. Dois lados. Nenhum elo fraco.

Cinco maneiras de lançar mão da esperança

Como se parece isso na vida real? Como se lança mão dessa esperança no dia a dia? Piper oferece cinco caminhos concretos.

Primeiro: medite, a partir da Bíblia, em quão segura é sua esperança na presença de Deus. Não basta saber que a âncora existe — é preciso contemplá-la. A meditação bíblica não é exercício intelectual; é o ato de deixar a realidade de Deus pousar sobre o coração até que ele sinta o peso da âncora. Reserve tempo para isso. Sem pressa. Com o texto na mão.

Segundo: ore com fervor para que Deus abra sua mente e seu coração para a grandeza e a certeza dessa esperança. Você não consegue produzir essa certeza por esforço próprio. Ela é dom. Por isso ore — peça ao mesmo Deus que lançou a âncora que lhe dê olhos para vê-la e coração para confiar nela.

Terceiro: considere o quanto Cristo sofreu para garantir sua esperança. A âncora não foi lançada sem custo. Custou a vida do Filho de Deus. Cada vez que a dúvida apertar, olhe para a cruz — e lembre que aquele que morreu por você também ressuscitou, entrou no Santo dos Santos celestial, e está sentado à direita do Pai, vivo para sempre, intercedendo por você.

Quarto: considere cristãos como você que lançaram mão dessa esperança no meio da tempestade. Leia biografias cristãs. E inspire-se em histórias como a de John e Betty Stam.

Quinto: se encoraje mutuamente — em seus pequenos grupos, em sua família, no dia a dia da igreja. Ninguém segura a âncora sozinho. Hebreus foi escrito para uma congregação, não para indivíduos isolados. Exortem-se uns aos outros todos os dias — enquanto ainda é hoje — para tomarem posse da esperança.

Meu caro adolescente — Você vive num mundo que promete âncoras em todo lugar — nas redes sociais, nas amizades, na aparência. E você já sabe, mesmo que não diga, que essas âncoras não seguram nada. O que Hebreus 6.19-20 te diz é que existe uma âncora que não depende de mais ninguém — não está no que as pessoas pensam de você, mas no que Deus jurou sobre você em Cristo. Comece pela prática um: um versículo por dia, antes de abrir qualquer rede social.

Meu jovem — Você está numa fase de grandes decisões — faculdade, carreira, relacionamentos. A tentação é construir sua segurança em cima dessas escolhas. Mas escolhas mudam e planos falham. A pergunta que este texto faz é: onde está sua âncora? Se ela estiver em Cristo, você pode fazer planos com liberdade, porque sua segurança não depende do resultado deles. Segura o cabo — lembrando que você só segura porque foi segurado.

Meu irmão, minha irmã — Você já viveu o suficiente para saber que as tempestades são reais. Talvez esteja em uma agora. Este texto não te pede para fingir que está tudo bem. Te pede para olhar para onde está sua âncora — atrás do véu, na presença de Deus, garantida pelo sangue eterno de Jesus. Nenhuma tempestade chega lá. Segura-te nisto. Prossiga para o alvo, para alcançar aquilo para o que você também foi alcançado por Cristo Jesus (Fl 3.12).

E você, meu amigo, minha amiga — Será que já fez de Cristo a esperança da sua alma? Sua vida está segura nele? Faça de Cristo a âncora da alma, meu amigo, minha amiga.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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