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06.09.2026

A segunda vez

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Bryan Johnson é um empresário norte-americano de 48 anos. Ele fundou a Braintree, uma empresa de pagamentos. Comprou a Venmo — uma carteira digital, parecida com o Pix — e vendeu tudo ao PayPal em 2013. Por 800 milhões de dólares.

Desde 2021, ele gasta 2 milhões de dólares por ano num projeto que batizou de Blueprint. Em português: “planta baixa”. O desenho técnico que um engenheiro faz em papel azul antes de erguer um prédio.

Não é acaso o nome. Johnson trata o próprio corpo como uma construção. Algo que se mede, se corrige, se refaz à vontade. Ele é o engenheiro e é o prédio, ao mesmo tempo.

A história dele virou documentário — “O Homem Que Quer Viver Para Sempre” está disponível na Netflix, aqui no Brasil também.

O plano inclui mais de cem suplementos por dia. Trinta médicos monitorando seu corpo. Seis horas cronometradas de exercício por semana. Dieta vegana calculada ao grama. Sessões de oxigênio, luz vermelha.

Tudo para reverter o próprio envelhecimento — e viver para sempre.

A meta tem até data: 2039. Ele quer chegar lá com “velocidade zero de envelhecimento”. Em dezembro do ano passado, foi além: disse que a imortalidade em quatorze anos é uma “meta razoável”, graças à inteligência artificial. Admitiu que ainda não sabem como chegar lá — que primeiro precisam resolver uns “bugs”, terapias que, nas palavras dele, estão “acidentalmente causando câncer”. Chegou a revelar que está clonando os próprios órgãos em laboratório, para testar remédios neles antes de arriscar o corpo de verdade.

Mas em julho deste ano, Bryan Johnson postou algo diferente. Foi diagnosticado com gastrite autoimune. Doença crônica, sem cura, o próprio corpo atacando a si mesmo. “Meu estômago está se devorando”, escreveu.

Semanas depois, foi mais longe ainda: talvez, disse ele, tenha “levado essa história de longevidade longe demais”.

Bryan Johnson é, provavelmente, o homem que mais gastou dinheiro no mundo tentando escapar da única sentença que ninguém jamais driblou. Projetou, mediu, tentou reconstruir cada parte do próprio corpo. Mas existe algo que nenhuma engenharia alcança — porque não foi ser humano algum quem decretou.

Isso já estava escrito há quase dois mil anos. Em Hebreus 9. E o texto não fala só da morte como inevitável ao homem. Fala também do que vem depois dela. Mas traz também uma esperança.

Vamos ler.

Hebreus 9.27-28 (NAA)
27E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo, 28assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, não para tirar pecados, mas para salvar aqueles que esperam por ele.

Domingo passado, vimos os versículos 23 a 26: a morte de Cristo foi necessária para que ele pudesse entrar no próprio céu e comparecer ali por nós, diante de Deus — não porque o céu estivesse manchado pelo pecado, mas porque somos nós, o povo de Deus, que precisamos ser purificados para habitar ali (vv. 23-24). E essa mesma morte foi suficiente para garantir, de uma vez por todas, a purificação completa da presença do pecado, sem repetição alguma (vv. 25-26).

Hoje, o autor de Hebreus fecha esse pensamento com os versículos 27 e 28. E ele faz isso comparando duas coisas: o que está ordenado a todo ser humano, e o que aconteceu — e ainda vai acontecer — com Cristo. Repare a estrutura: “assim como aos homens está ordenado (v. 27) … assim também Cristo (v. 28)”. É esse paralelo que vamos seguir hoje.

A certeza que todo homem enfrenta

O texto diz, no versículo 27:

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo,

“Está ordenado.” Não é sugestão. Não é probabilidade estatística. É decreto.

Bryan Johnson pode gastar os milhões que quiser. Pode clonar os órgãos que puder. A ordem já está dada, e ele está debaixo dela como qualquer outro homem.

Morte não é o fim

Mas o texto não para na morte. Ele diz: “e, depois disso, o juízo.” É essa segunda parte que dá à morte toda a sua gravidade.

Morte não é o fim da existência. É isso que impressiona nesse versículo. Não somos apenas matéria que perde a consciência e se decompõe na terra.

Essa palavra de Deus contradiz diretamente uma ideia comum até entre cientistas de renome. William Provine, historiador da ciência da Universidade de Cornell (em Ithaca, Nova Iorque), disse que a evolução não encontra nenhum desenho inteligente na natureza, e que “não existe imortalidade, nem vida depois da morte”. Segundo ele, “somos produzidos por um processo que não dá a mínima para nós”.

Essa forma de colocar é muito forte — quase uma maldição. E, ironicamente, Provine está mais certo do que imagina, só que ao contrário do que ele pensa: existe, sim, uma sentença depois da morte. Hebreus diz exatamente isso: depois da morte, vem o juízo.

E esse juízo é a coisa mais aterrorizante do universo — a possibilidade real de você se encontrar, depois da morte, com um Deus santo, irado contra o pecado, todo-poderoso, te cobrando se você confiou nele, se você o adorou, se você seguiu os caminhos dele nesta vida.

Hebreus não deixa isso vago. Em outro lugar, o mesmo autor fala de restar “apenas uma terrível expectativa de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hb 10.27). E, pouco depois: “O Senhor julgará o seu povo” (Hb 10.30). Isso vale até para quem se diz cristão só por fora — quem frequenta a igreja, mas nunca confiou de verdade em Cristo.

São palavras sérias. Que Deus as use para nos despertar para o que realmente importa nesta vida: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”.

Quatro vozes que dizem o contrário

E essa afirmação — “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo” — também responde a outras vozes que você já deve ter ouvido por aí.

O espiritismo, tão comum no Brasil, ensina que você vive muitas vidas — que a morte não é definitiva, é só uma passagem, e você volta, tenta de novo, evolui aos poucos. A Bíblia diz o oposto: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”. Não há segunda chance nesta terra, não há reencarnação, não há evolução espiritual por tentativa e erro.

A tradição católica romana ensina que existe um purgatório — um lugar intermediário, depois da morte, onde a alma ainda se purifica antes de entrar na presença de Deus. Mas o texto não deixa espaço para isso: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”. Não um estágio intermediário de purificação. Há um julgamento direto.

Certas correntes de espiritualidade contemporânea — o que chamamos hoje de Nova Era — ensinam que todo mundo, no fundo, está bem, que após a morte a alma se dissolve num todo maior, sem contas a prestar a ninguém. Hebreus diz que você vai prestar contas, sim — a um Deus pessoal, específico, que te conhece pelo nome: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”.

E a mentalidade secular, como vimos com Provine, diz que não existe nada depois — só decomposição, silêncio, fim. A Bíblia diz: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”.

Quatro vozes diferentes, quatro respostas diferentes, e uma só palavra de Deus que as atravessa todas: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo”. Essa é a certeza que todo homem enfrenta.

A esperança que Cristo traz

Agora, em Hebreus 9.28, o autor faz a comparação entre a nossa experiência e a de Cristo:

Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, não para tirar pecados, mas para salvar aqueles que esperam por ele.

Repare, para seu grande consolo, como Cristo se junta a nós aqui — na morte, e no juízo. Existe um paralelo real. Ele também morre. Ele também vai comparecer diante do juízo. Mas a diferença é infinita. Vamos ver como.

Essa comparação foi montada com cuidado pelo autor. O que acontece com todo ser humano — morrer, e depois enfrentar o juízo (v. 27) — vira o molde para entender o que aconteceu, e vai acontecer, com Cristo (v. 28).

Mas atenção: essa comparação não significa que Cristo passou pela mesma coisa que nós, do mesmo jeito, produzindo o mesmo resultado. O paralelo existe para revelar diferença de impacto, não igualdade de experiência.

O versículo 28 diz que a morte de Cristo foi “uma oferta, uma só vez, para tirar os pecados de muitos”. O essencial, aqui, é ver que a morte de Jesus carrega pecado.

Isso é o coração do cristianismo. É o coração do evangelho. É o coração de toda a obra de redenção de Deus no mundo. Quando Cristo morreu, ele carregou pecados — não os dele, dos outros. Ele sofreu por pecados que outras pessoas cometeram, para que elas pudessem ficar livres.

Volte com a memória ao versículo 26, que já vimos semana passada: “ele se manifestou, uma vez por todas, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.” Agora, o versículo 28 diz que ele “tirou os pecados de muitos”. Ou seja: o efeito de tirar o pecado (v. 28) foi que a morte de Cristo “aniquilou o pecado” (v. 26). As duas frases se encaixam.

E isso é a resposta para o maior problema da sua vida — sinta você isso como o problema principal ou não. Existe uma resposta para como você pode ficar bem diante de Deus, mesmo sendo pecador. Ele levantou seu pecado, tomou-o sobre os próprios ombros e o carregou até a cruz, e morreu ali a morte que você merecia morrer — para a aniquilar o seu pecado.

E o que isso significa para a sua própria morte? “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez”. Significa que sua morte não é mais punição. Não é mais castigo por pecado. Seu pecado já foi carregado. Já foi “aniquilado” pela morte de Cristo. Cristo tomou o seu castigo.

Pense assim: você precisa atravessar um rio, e Cristo também atravessou. Mas não do mesmo jeito. Ele morreu atravessando, para construir uma ponte por onde você passa em segurança.

E você vai ter que enfrentar um dragão, no fim de tudo. Cristo também vai estar lá, diante do mesmo dragão. Só que ele não vai te deixar sozinho diante do fogo que sai da boca dele. Ele vai te resgatar do sopro em chamas, e te levar para dentro da alegria da vida eterna.

Você vai enfrentar o juízo, e Cristo também vai estar lá. Só que ele não vai enfrentar o juízo como réu. Ele vai te resgatar dele.

É por isso que o autor de Hebreus escreve essas duas frases: para que você pense nas questões mais sérias da sua vida — morte e juízo (v. 27) — e descubra que Cristo já foi por esse caminho antes de você — para te salvar (v. 28). A experiência dele ali foi tão poderosa que, quando chegar a sua vez de atravessar esse caminho, tudo será radicalmente diferente por causa dele. O propósito aqui é exaltar a Cristo. E, ao exaltá-lo, libertar cristãos corajosos e confiantes no mundo, para a glória dele.

Por que existe morte?

Por que, então, nós morremos? Nós morremos porque Deus quer que a morte permaneça no mundo, até entre os seus próprios filhos, como um testemunho permanente do horror extremo do pecado. Na nossa morte, ainda manifestamos os efeitos externos do pecado no mundo.

Mas a relação interna do pecado com Deus mudou radicalmente. A morte dos filhos de Deus não é ira contra eles.

Paulo exclama, em 1Coríntios 15.55-57:

55“Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” 56O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. 57Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

O aguilhão foi removido, porque a morte de Cristo satisfez a exigência da lei e nos libertou da condenação. A morte se torna uma entrada para a salvação, não para a condenação.

É isso que significa Hebreus 9.28:

Cristo, tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, não para tirar pecados, mas para salvar aqueles que esperam por ele.

Há duas grandes verdades aqui.

A primeira: a primeira vinda de Cristo, e sua oferta de si mesmo para tirar os pecados de muitos, foi completamente suficiente. Ele não precisa fazer mais nada para pagar o preço do pecado ou remover a culpa do pecado.

Cristo veio a primeira vez para tratar do pecado. Ele pôs fim ao pecado. Está consumado. Essa é a maravilha do evangelho: em Cristo, nossa culpa já foi removida. Essa parte da salvação final já é passado, já está feita. Como já vimos no versículo 26: “ao chegar o fim dos tempos, [Cristo] se manifestou uma vez por todas, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.” Essa grande salvação já aconteceu. E não pode ser melhorada.

Mas há mais. Esta é a segunda grande verdade contida em Hebreus 9.28:

Nós tínhamos que enfrentar a questão da morte, e por isso Cristo enfrentou a morte e carregou a culpa e o castigo dela por nós. Agora, precisamos enfrentar o juízo, e por isso Cristo vem uma segunda vez por nós — desta vez, não para tratar do pecado, mas para nos salvar do juízo.

Isso não é um acréscimo à salvação que a morte de Cristo comprou. É uma aplicação da salvação que Cristo comprou. Isso é o que Cristo comprou em sua morte.

E essa aplicação futura já está garantida por outras passagens da Bíblia. Cristo morreu para carregar nosso pecado e nos libertar da condenação — e a aplicação disso é o escudo que ele nos dá contra “o fogo vingador prestes a consumir os adversários”  (Hb 10.27). Paulo descreve essa cena com detalhe, em 2Tessalonicenses 1.6-8:

6Pois, de fato, é justo para com Deus que ele retribua com tribulação aos que causam tribulação a vocês 7e que dê a vocês, que estão sendo atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus.

E, em 1Tessalonicenses 1.10, o mesmo apóstolo descreve os cristãos como aqueles que aguardam “dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira vindoura.”

É exatamente isso que Paulo diz em Romanos 5.9-10:

9Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida!

É a morte do Filho de Deus por nós, na sua primeira vinda, que garante a nossa futura salvação da ira de Deus no juízo, quando Cristo vier a segunda vez.

Por fim, a pergunta pessoal e absolutamente crucial: quem são os “muitos” em Hebreus 9:28a? “Tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos…” E para quem ele traz salvação na sua segunda vinda? A resposta está no fim do versículo 28. Ele vem para aqueles “que esperam por ele”.

Uma fé que anseia pela volta de Cristo

Você pode estar se perguntando agora, e deveria:

O que eu preciso fazer para saber que meus pecados foram tirados pelo sangue de Cristo, e que, quando ele vier, ele vai me proteger da ira de Deus e me levar para a vida eterna?

A resposta é esta: confie em Cristo de um jeito que te faça ansiar pela vinda dele. Ele vem salvar aqueles que “esperam ansiosamente por ele”; aqueles que “amam a sua vinda” (2Tm 4.8).

Como você se prepara? Como você experimenta o perdão de Deus em Cristo, e se prepara para encontrá-lo? Confiando nele de um jeito que te faça desejar com todo amor a volta dele.

Esse anseio por Cristo é simplesmente um sinal de que amamos e cremos nele de verdade. Existe uma fé falsa, que só quer escapar do inferno, mas não tem desejo nenhum por Cristo. Essa fé não salva. E ela não produz nenhum anseio pela volta de Cristo. Ela prefere que Cristo não venha tão cedo, para poder aproveitar o máximo possível deste mundo. Mas a fé que realmente se agarra a Cristo como tesouro, esperança e alegria é a fé que nos faz desejar que Cristo venha — e essa é a fé que salva.

Por isso, eu te chamo: desvie-se do mundo e do pecado, e volte-se para Cristo. Tome-o não apenas como um seguro contra o inferno, mas como o noivo, o amigo e o Senhor que você espera com ansiedade, com amor.

Bryan Johnson gasta dois milhões de dólares por ano tentando adiar o inevitável. Trinta médicos, cem suplementos, órgãos clonados em laboratório — tudo para fugir da sentença que Hebreus 9.27 já registrou há dois mil anos.

Mas e se, em vez de gastar uma fortuna para não morrer, você investisse o que tem — seu tempo, sua fé, sua vida inteira — para morrer bem? Não para escapar da morte, mas para atravessá-la em Cristo, sabendo que do outro lado não há juízo esperando por você, mas Aquele que já levou seu pecado, e que vem buscar quem espera por ele.

Você não precisa de “velocidade zero de envelhecimento”. Precisa de fé viva no único que já venceu a morte por você, e que virá, segunda vez, para te levar para casa.

Hebreus 9.27-28 (NAA)
27E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo, 28assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez por todas para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, não para tirar pecados, mas para salvar aqueles que esperam por ele.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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