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30.08.2026

Uma vez por todas

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Estima-se que mais de 100 milhões de pessoas já assistiram A Odisseia nos cinemas ao redor do mundo — e aqui no Brasil, o público já passou de 4 milhões de espectadores.

Por que tanta gente foi ver esse filme? Em parte porque Christopher Nolan é o diretor, e o homem sabe filmar — quem assistiu Batman: Cavaleiro das Trevas (2008), Interestelar (2014) e Oppenheimer (2023) sabe do que  estou falando. Mas isso não explica tudo, porque por trás desse filme há uma história de quase três mil anos, e ela ainda mexe com a gente: viagem longa, sofrimento sem fim à vista, saudade de casa, vontade de que, um dia, tudo faça sentido de novo. Homero já contava isso há trinta séculos.

Nolan dá corpo a esses temas com uma cena que fica na cabeça — elaboração dele, não está no poema, mas capta bem o espírito da história. Depois de vinte anos fora, entre guerra e naufrágio, Odisseu chega diante de Penélope, sua esposa. E o que ele faz? Confessa. Atrás de um biombo, feito quem se ajoelha num confessionário, ele conta os próprios pecados. Como guerreiro. Como líder. Como marido. Como pai.

É bonito. Mas saindo do cinema, fica uma pergunta martelando: Odisseu é mesmo melhor do que os homens que acabou de matar? Aquela confissão purificou alguma coisa nele, ou só o deixou mais leve para conviver com a própria culpa? A verdade é que, no final das contas, é só um mito — símbolos que tocam algo verdadeiro, mas não purificam ninguém.

E preciso ser direto com você antes de continuar. Para muita gente hoje, não existe diferença nenhuma entre a Odisseia de Homero e a Bíblia Sagrada — os dois são só histórias, símbolos bonitos, e tanto faz qual “funciona melhor” para você.

Eu não penso assim, e Hebreus também não. O que vamos ler daqui a pouco não é um símbolo bonito para você meditar. É relato de um evento real, histórico, acontecido — um sumo sacerdote de carne e sangue, entrando de fato num lugar real, para resolver um problema real: o seu.

Porque você já fez isso. Já confessou pra alguém, ou só pra si mesmo, no silêncio do quarto, e saiu de lá do jeito que entrou — sabendo, no fundo, que aquilo não bastou. E no dia seguinte, lá estava você, tentando de novo. Odisseu confessa, mas continua com a consciência pesada — e é exatamente disso que o nosso capítulo já vem tratando: aqui mesmo em Hebreus 9, nos versículos 9 e 14, o autor já disse que os sacrifícios da antiga aliança eram incapazes de “aperfeiçoar a consciência do adorador” — só o sangue de Cristo “purifica a nossa consciência”.

Hoje vamos ler sobre outro tipo de retorno pra casa. Não o retorno de um herói cansado que ainda carrega dúvida sobre si mesmo, mas a entrada definitiva de Alguém que não precisa se esconder atrás de biombo nenhum, porque não tem pecado nenhum para confessar.

E, ao contrário do filme, o texto que vamos ler não deixa pergunta nenhuma no ar: ele responde, de uma vez por todas, a questão mais antiga que existe — como um pecador pode ficar limpo, totalmente limpo, corpo e consciência, diante de um Deus santo.

Vamos ler o texto, prosseguindo com a série em Hebreus.

Hebreus 9.23-26 (NAA)
23Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão nos céus fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais requerem sacrifícios superiores àqueles. 24Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro Santuário, porém no próprio céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus. 25Ele não entrou para oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote entra todos os anos no Santo dos Santos com sangue alheio. 26Se fosse assim, ele precisaria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao chegar o fim dos tempos, ele se manifestou uma vez por todas, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.

Onde estamos no argumento

Esse trecho não começa do zero — observe o “portanto” do versículo 23. O autor de Hebreus vinha argumentando, desde o versículo 15, sobre o sangue que selou a antiga aliança.

Nos versículos 15 a 18, ele explicou a lógica geral: uma aliança, como um testamento, só entra em vigor depois de uma morte.

E nos versículos 19 a 22, ele desceu ao concreto: falou do sangue que Moisés aspergiu sobre o povo e sobre o livro da aliança, o sangue que consagrou o tabernáculo e seus utensílios, purgando aquilo que mãos pecadoras haviam tocado.

Agora ele dará o passo seguinte: se o santuário terreno, mera cópia, precisava de sangue de animais para ser purificado (vv. 18-22), o que dizer do santuário verdadeiro, o próprio céu (vv. 23-26)?

Esse parágrafo se divide em duas partes que se completam.

Primeiro, ele sustenta que o sangue de Cristo purifica o santuário celestial — o lugar onde Cristo agora comparece por nós diante de Deus (vv. 23-24). Depois, ele mostra que Cristo cumpriu sua missão sacerdotal de uma vez por todas — não repetidamente, como os sacerdotes levíticos faziam (v.25-26).

E há um detalhe no vocabulário grego que sustenta essa segunda metade: o contraste entre duas palavras — pollakis, “muitas vezes”, que aparece duas vezes nos versículos 25 e 26, e hapax, “uma vez por todas”, no meio do versículo 26. É esse contraste — repetição versus definitividade; repetidas vezes versus uma vez por todas — que vai guiar tudo o que vamos ver hoje.

E vale adiantar: esse parágrafo inteiro, do versículo 23 ao 28, é uma só unidade de pensamento. Hoje vamos até o versículo 26, onde o argumento sacrificial se fecha. Semana que vem, Deus permitindo, chegaremos aos versículos 27 e 28, os quais mostram o outro lado dessa mesma moeda — não mais o que Cristo já fez, mas o que Cristo ainda vai fazer, quando vier a segunda vez.

Três coisas, então, o texto de hoje nos ensina (vv. 23-26): PRIMEIRO, por que era necessário um sacrifício superior; SEGUNDO, qual é a natureza desse sacrifício, e para quem ele foi oferecido; e TERCEIRO, por que esse sacrifício é suficiente, definitivo, sem precisar de repetição alguma.

A necessidade de um sacrifício superior

O texto diz, versículo 23:

Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão nos céus fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais requerem sacrifícios superiores àqueles.

Repare no adjetivo “necessário”.

Não é capricho, não é excesso de zelo litúrgico. “Era necessário”, realmente. Deus tinha estabelecido, ali no Sinai, que o tabernáculo e todos os seus utensílios fossem consagrados com sangue.

Você se lembra da cena — vimos isso em Hebreus 9.19-20, duas semanas atrás: Moisés pegava o sangue dos bezerros, misturava com água, e aspergia com hissopo sobre o próprio livro da aliança e sobre todo o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou para vocês.” — o autor de Hebreus buscou esse relato em Êxodo 24 (cf. Êx 12.22; 29; 40; Lv 8–9). Depois Moisés fazia o mesmo com o tabernáculo e com todos os utensílios do serviço sagrado, ou seja, com cada instrumento do culto (Hb 9.21). Tudo precisava de sangue para ser separado, purificado, tornado apto ao uso sagrado (Hb 9.22).

Então o nosso autor dá um passo além em seu argumento: se essas eram apenas cópias — figuras, sombras de uma realidade celestial — e ainda assim precisavam de sangue para serem purificadas, o que dizer da realidade em si? Se a réplica exige sacrifício, quanto mais o original.

Isso é o que estudiosos chamam de argumento “quanto mais” — uma lógica que Hebreus usa o tempo inteiro, do primeiro capítulo ao último: se isso já era grandioso, quanto mais aquilo. Se o anjo já era glorioso, quanto mais o Filho. Se a lei antiga já pedia obediência, quanto mais o evangelho. E agora: se o tabernáculo terreno já exigia sangue, quanto mais o santuário verdadeiro, o céu.

Isto nos ensina algo essencial sobre a santidade de Deus: ela não é decorativa. Não é um verniz que se aplica por cima. Onde Deus habita, existe uma exigência real de pureza — e essa exigência não desaparece só porque agora estamos falando do céu, e não mais de uma tenda no deserto. Pelo contrário: ela se intensifica.

E é exatamente aqui que a pergunta fica pesada: quem pode entrar num lugar assim?

A natureza do sacrifício: “por nós”

O texto continua, versículo 24:

Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro Santuário, porém no próprio céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus.

Essa é a resposta à pergunta que ficou no ar: quem pode entrar num lugar assim? Cristo — e ele entrou “por nós”.

Volte comigo ao versículo 23:

Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão nos céus fossem purificadas com tais sacrifícios [era necessário que o tabernáculo e seus utensílios fossem todos purificados com sangue], mas as próprias coisas celestiais requerem sacrifícios superiores àqueles.

Por que o céu — o céu! — precisaria de purificação? Não há pecado lá. Não há mácula. Ora, como assim?

O texto não explica em detalhe. Mas o versículo 24 dá a resposta, escondida em duas palavras: “por nós”.

Siga o raciocínio comigo: o céu não precisa de purificação por causa de alguma sujeira própria dele. Precisa ser preparado porque nós vamos estar lá. Somos nós que vamos entrar naquele lugar santo — nós, com toda a sujeira que carregamos. Cristo, então, entra no céu para nos tornar aptos a habitar onde Deus habita.

E isso não é uma leitura forçada.

O próprio texto de Hebreus já havia nos preparado pra isso: lá no capítulo 3, o autor chamou o povo de Deus de casa de Deus — “nós somos a sua casa”. Se nós somos a casa, faz sentido que seja a nós que Cristo precisa purificar, não ao céu em si. E note o verbo mais a locução aqui do versículo 24: “comparecer… por nós”.

Não é “entrar e sair”. É presença contínua. Cristo está lá agora, hoje, neste exato momento em que estou pregando a palavra de Deus — Cristo está agora no céu nos apresentando diante do Pai.

ISSO É PARA QUEM SE SENTE INDIGNO demais para se aproximar de Deus. Você pode até se sentir sujo, contaminado por tudo que já fez, por tudo que ainda carrega. Não estou falando de pecado genérico, de teoria. Estou falando daquilo que você carrega sozinho — o que ninguém sabe, o vício que sempre volta, a mágoa que virou ressentimento, o pecado que você já confessou tantas vezes que parece piada confessar de novo. É disso que estou falando. O texto não diz que Cristo entrou no céu para os merecedores. Ele entrou por nós: pecadores crônicos.

Isso não é elogio nenhum para você. É consolo, mas não é elogio. Se você quer ouvir que é bom o bastante, que merece, pode parar de escutar agora — não é isso que o texto diz.

Mas se você já admitiu, ao menos nos seus momentos mais honestos, a miséria da própria condição, é assim que Deus fala com você hoje:

“Venha, você que está sujo. Venha, você que se contaminou. Venha, você que foi manchado pelo que os outros fizeram com você, e por aquilo que você mesmo fez. Venha para o meu céu — porque meu Filho está lá, e ele não morreu à toa. Ele está lá para te fazer limpo da presença do pecado, não para te barrar na porta.”

Jesus mesmo disse: “Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.” (Lc 5.32). Venha, pecador.

E talvez você, crente, esteja aqui hoje cantando, servindo, sentado neste banco toda semana — e por dentro se sentindo um impostor, indigno demais para estar aqui. Este texto é pra você também.

Porque o convite não é para você continuar como está, fingindo. É para você vir como está — mas vir de verdade: reconhecendo o pecado, arrependendo-se dele, confiando não no que você mesmo pode fazer, mas no que Cristo já fez.

É assim que se chega: pela fé, com o coração quebrantado, cheio de arrependimento — e não porque você se limpou primeiro, se tornou digno, mas porque Cristo já pagou o preço para você entrar exatamente onde ele está “por nós”.

A suficiência do sacrifício: uma vez por todas

O texto conclui, versículos 25 e 26:

25Ele não entrou para oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote entra todos os anos no Santo dos Santos com sangue alheio. 26Se fosse assim, ele precisaria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao chegar o fim dos tempos, ele se manifestou uma vez por todas, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.

Repare no contraste que o texto monta: de um lado, “muitas vezes” — duas vezes seguidas: oferecer-se muitas vezes (v. 25) e sofrer muitas vezes (v. 26). Do outro lado, “uma vez por todas”, no meio do versículo 26: “ele se manifestou uma vez por todas”.

Esse contraste carrega QUATRO VERDADES SOBRE O SACRIFÍCIO DE CRISTO. Quero passar por cada uma com você.

Primeiro: ele mesmo se ofereceu, não sangue alheio. O sumo sacerdote levítico entrava no Santo dos Santos “com sangue alheio” (v. 25) — sangue de bezerro, de bode, um sacrifício de valor limitado, que só funcionava porque apontava para outra coisa maior. Cristo entrou com o próprio sangue. Não é sangue de outro ser — é o dele mesmo. E, sendo ele o próprio Filho de Deus, esse sacrifício tem um valor que nenhuma multiplicação de touros e bodes jamais alcançaria. Um sacrifício de valor infinito, porque quem se oferece é infinitamente valioso.

Da próxima vez que você duvidar se está mesmo perdoado, faça esta pergunta: o que é maior — a minha sujeira, ou o valor do sangue do Filho de Deus? Não há comparação possível.

Segundo: uma vez por todas, não repetidamente. O texto é categórico: se Cristo precisasse repetir esse sacrifício, ele “precisaria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo” (v. 26) — pense nisso: desde Adão. Seria um Cristo sempre morrendo, sempre ressuscitando, sempre voltando para morrer de novo, ano após ano, século após século, sem nunca terminar o trabalho. Onde estaria a vitória nisso? Isso seria um absurdo, e é exatamente esse absurdo que o texto descarta. Você não precisa voltar aqui ano que vem para passar por tudo isso de novo. Não é assim que funciona a graça de Cristo.

Hebreus dirá lá no capítulo 12 que Cristo “desprezou a vergonha” da cruz — mas foi vergonha seguida de trono, não vergonha sem fim. Um só sacrifício, e depois — assentado à direita de Deus. Consumado, não interminável. A grandeza do sacrifício está em não precisar de repetição nenhuma. Então… descanse, crente.

Terceiro: no fim dos tempos, não em qualquer momento. O texto diz “ao chegar o fim dos tempos” (v. 26) — não é só mais um evento na fila da história. É o ponto para o qual toda a história antes dele estava caminhando, e o ponto a partir do qual toda a história depois dele vai ser lida. A cruz não é um capítulo qualquer. É o capítulo que dá sentido a todos os outros.

E não pense que a primeira vinda de Cristo e a segunda — a qual veremos semana que vem — são dois eventos separados, distantes um do outro. A Bíblia trata os dois como um único ato final da história: a cruz já é a chegada do fim dos tempos; e o que vivemos agora, entre a cruz e a volta de Cristo, é a misericórdia de Deus se estendendo, ainda reunindo gente de toda nação, antes que esse fim se complete de vez.

Quarto: para aniquilar o pecado, não apenas cobri-lo. O verbo é forte — “aniquilar” (v. 26), não “adiar”, não “encobrir”. Os sacrifícios de animais nunca resolviam o problema pela raiz; eles cobriam, adiavam, apontavam para frente. Cristo, porém, com um só sacrifício, resolveu o problema do pecado de vez — não só os seus pecados, contados um a um, mas o pecado como questão, como poder, como acusação. E o próprio Hebreus já disse, aqui mesmo no capítulo 9, que essa promessa é para “os que são chamados” (v. 15) — não é oferta genérica, é para você, se você crê.

Pense nisso quando a culpa de ontem voltar à sua cabeça. Pense nisso quando você tiver medo da morte. Pense nisso na próxima vez que cair naquele mesmo hábito pecaminoso que você jurou ter deixado para trás. O problema já foi tratado. Não parcialmente. Não por enquanto. Cancelado. Anulado. De vez.

Sacrifício de valor infinito. Ato irrepetível. Momento decisivo. Efeito total.

Lembra do contraste que abriu esse ponto — “muitas vezes”  versus “uma vez por todas”? É aqui que ele se resolve. Você não precisa de mais nada além de Cristo para estar limpo diante de Deus. Nada que você fizer vai somar a esse sacrifício. Nada que você deixar de fazer vai subtrair dele. Ele não está esperando você completar o que falta — porque não falta nada. Ele é, hoje e para sempre, suficiente, porque foi definitivo, de uma vez por todas.

Isto é o meu sangue

Voltemos, por um instante, ao cinema. Odisseu chega em casa depois de vinte anos, se ajoelha atrás de um biombo, confessa os próprios pecados — e sai dali sem saber se está limpo. A pergunta fica no ar. Sempre fica. Porque confissão sem sacrifício que baste nunca purifica consciência nenhuma.

Agora, a cena real. Não é mais mito. Cristo entrou no verdadeiro lar — não atrás de biombo algum, mas diante de Deus, à luz aberta, levando não a confissão de culpas alheias, mas o próprio sangue. E não deixou pergunta nenhuma no ar. Uma vez por todas. Definitivo. Consumado.

Esse é o título que demos a esse sermão: Uma vez por todas.

E fica um convite para a semana que vem. Se hoje vimos o que Cristo já fez — consumado — semana que vem vamos ver o que Cristo ainda vai fazer. Porque o mesmo Cristo que apareceu uma vez para tratar do pecado vai aparecer outra vez, a segunda vez — não mais para tratar do pecado, mas para trazer, de uma vez por todas, a salvação completa aos que esperam por ele.

Mas antes de encerrarmos, preste atenção numa palavra que já ouvimos hoje, e vai ouvir de novo daqui a pouco, na mesa. Lembra do que Moisés disse, lá em Êxodo 24.8, aspergindo o sangue sobre o povo? “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou para vocês” (Hb 9.20). Foi exatamente essa frase que Cristo pegou na última ceia, na noite em que foi traído.

Ele ergueu o cálice e disse aos discípulos, está lá em Mateus 26.28: “porque isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.”

As mesmas palavras de Moisés — mas agora não é mais sangue de animais, é o sangue do próprio Filho de Deus. Não é mais a antiga aliança, é a nova aliança, aquela que Jeremias profetizou e que vimos Hebreus 8 explicar semanas atrás. A fórmula é a mesma; o sacrifício é infinitamente maior. Uma vez por todas.

Daqui a alguns instantes, quando você receber o pão e o cálice, lembre-se: não é apenas um rito, uma memória distante de um evento antigo. É a proclamação de que aquele sacrifício sobre o qual já vimos hoje — feito por você — continua suficiente para você, hoje, agora, exatamente como você está.

Talvez você esteja pensando: “não dessa vez, não depois do que eu fiz.” O convite não muda por causa do que você fez.

Este é o evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. E não importa o quanto você se sinta sujo hoje: que você veja a luz dessa glória, e creia. Venha. Venha a Cristo. Venha à mesa.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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