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15.03.2026

O impulso para a maturidade

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Hebreus - A Superioridade de Cristo
  • Livro: Hebreus

Hebreus 6.1-3 (NAA)

1Por isso, deixando os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito [sejamos impulsionados para a maturidade], não lançando de novo a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, 2o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. 3Isso faremos, se Deus o permitir.

Planejados para crescer e frutificar

Que tipo de crente você quer ser: crente do tipo árvore plantada junto a uma corrente de águas ou crente do tipo mamona?

Nas duas últimas mensagens nesta carta, vimos (em Hebreus 5.13) que existem crentes crianças, ainda no leite, e crentes maduros, ingerindo alimento sólido. Mas esse autor também identifica um terceiro tipo de pessoa na igreja: o falso crente.

O que fica claro no livro de Hebreus é que este escritor quer que avancemos para ser crentes robustos, frondosos e frutíferos; crentes maduros, com raízes nas águas profundas — não crentes frágeis do tipo mamona, que crescem rápido no entulho, mas sem cerne. Hebreus 6.1 diz: “Avancemos para o que é perfeito” (lit.: “sejamos impulsionados para a maturidade”). Ele inclusive se inclui no grupo: “Avancemos…”. Não apenas “Avancem vocês…”, mas “Vocês e eu — avancemos, juntos, para a maturidade”.

Esse é o objetivo da vida cristã; era o objetivo da vida deste autor e era o seu objetivo para os leitores: a maturidade. Afinal, crentes não foram planejados para permanecer crianças, no leite. Crentes foram planejados para crescer: do leite para o alimento sólido. E esse autor deixará claro, ao longo deste capítulo, que não crescer, não amadurecer e não frutificar é sinal de que nunca se foi crente de verdade (cf. 6.7-9, NAA):

7Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz plantas úteis para aqueles que a cultivam recebe bênção da parte de Deus; 8mas, se produz espinhos e ervas daninhas, é rejeitada e está perto da maldição; e o seu fim é ser queimada. 9Quanto a vocês, meus amados, ainda que falemos desta maneira, estamos certos de que coisas melhores os esperam, coisas relacionadas com a salvação.

O crente foi projetado para crescer e frutificar.

Há um porém

Se o crente foi planejado para crescer e frutificar (6.1), ao chegarmos ao versículo 3, parece que recebemos um balde de água gelada no rosto: “Isso faremos, se Deus o permitir”.

O quê?! Se Deus permitir? O que significa esse “se”? Quer dizer que Deus pode não permitir nosso avanço rumo à maturidade? “Avancemos para o que é perfeito [avancemos para a maturidade, versículo 2]… Isso faremos, se Deus o permitir [versículo 3]”.

Nas duas últimas mensagens, vimos que os destinatários da carta estavam com “preguiça de ouvir” (5.11). O pastor, então, ao escrever para exortá-los, talvez tenha usado esse “porém” (6.3) como um recurso-bomba para acordá-los: “Eu os convoco a crescer e a avançar para a maturidade, junto comigo. E nós faremos isso — se Deus permitir”.

Espero que eles tenham acordado com essas palavras — e tremido. Espero que essas palavras também prendam a sua atenção agora. Quero que entremos no significado delas nesta manhã. Há uma visão de Deus aqui — um Deus grande, soberano, que governa tudo; um Deus a quem precisamos muito ver, em quem precisamos crer e em quem devemos descansar.

Primeiro, vamos esclarecer o que é “isso” que Deus pode ou não permitir. Observe o pronome “isso” no versículo 3: “Isso faremos, se Deus o permitir”. A NVT se apressou e já nos deu uma interpretação: “Se Deus permitir, avançaremos para um maior entendimento”. Não está errado, mas eles saltaram para uma conclusão que o versículo em si, no grego, não traz de forma declarada. O texto diz, literalmente, apenas isto: “Isso faremos, se Deus o permitir”.

“Isso” o quê?

O autor acabou de citar três ações no versículo 1:

  1. Deixar os princípios elementares da doutrina de Cristo.
  2. Avançar para o que é perfeito (ou: maturidade).
  3. Não lançar de novo os fundamentos (ou: base, alicerce).

1Por isso, deixando os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito [sejamos impulsionados para a maturidade], não lançando de novo a base…

Ensinando o básico

Surge aqui uma pergunta que precisamos fazer. Algo parece não se encaixar. Volte para Hebreus 5.12 (NAA): “Pois, quando já deviam ser mestres, levando em conta o tempo decorrido, vocês têm, novamente, necessidade de alguém que lhes ensine quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus”.

A questão é: como Hebreus 5.12 se ajusta a Hebreus 6.1, que diz (NAA): “Por isso, deixando os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito [sejamos impulsionados para a maturidade], não lançando de novo a base”.

O primeiro trecho parece dizer que eles precisavam ser ensinados novamente sobre o básico da Bíblia (5.12), e o segundo parece dizer que não deveriam lançar essa base outra vez (6.1).

Afinal, o autor de Hebreus quer ou não que seus leitores estabeleçam novamente um fundamento de ensinos básicos?

Parece que a resposta seja algo assim: Hebreus 5.12 diz que eles precisam de ensino sobre o básico; e Hebreus 6.1 diz que não devem lançar novamente o fundamento do básico.

Evidentemente, há uma diferença entre o ensino de que precisam em Hebreus 5.12 e o relançamento de um fundamento em Hebreus 6.1. De um eles precisam, do outro não.

Qual é a diferença?

John Piper sugere que o ensino de que necessitam sobre o básico (5.12) refere-se a como usar essa base, por amor a Cristo, para avançar rumo à maturidade. Já o “lançar de novo a base” (6.1), implica que eles estavam perdendo de vista o essencial sobre Cristo e começando a se ocupar com verdades do Antigo Testamento — e práticas judaicas que serviram de base para apresentar e compreender o Messias. O autor não quer que eles retrocedam tanto, argumenta Piper.

Deixem-me explicar.

Na mente desse escritor, lançar uma base para a compreensão de Cristo é diferente de ensinar sobre como viver em Cristo com base nesse fundamento. A base que ele tem em mente é descrita em Hebreus 6.1d-2. O ponto marcante dessa lista é que ela não é distintivamente cristã. Ela é composta por verdades e práticas fundamentais do Antigo Testamento e do judaísmo sobre as quais os leitores provavelmente se apoiaram quando se converteram.

A lista possui três pares:

1Por isso, deixando os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito [sejamos impulsionados para a maturidade], não lançando de novo a base [primeiro par:] do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, [segundo par:] 2o ensino de batismos e da imposição de mãos, [terceiro par:] da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.

Para entender por que o autor exige que eles deixem essa base, precisamos olhar para o que esses elementos significavam no contexto do judaísmo que eles conheciam:

  • A base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus: Esta forma de arrependimento no Antigo Testamento consistia em afastar-se das más ações que traziam a morte (Ez 18.4; Rm 6.23) e voltar-se para Deus. No entanto, o judeu frequentemente se voltava para Deus de maneira superficial, tentando cumprir a letra da lei como evidência de seu arrependimento, enquanto seu interior continuava morto (Mt 23.25-28). Esse não era o tipo de arrependimento que trazia salvação. Sob a Nova Aliança, o “arrependimento para com Deus” deve estar indissociavelmente unido à “fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21). Uma fé direcionada exclusivamente ao Pai é inaceitável sem a fé no Seu Filho (At 4.12). É o sacrifício expiatório de Cristo que salva das “obras mortas” — do pecado que leva à morte ou das práticas religiosas vazias (Hb 9.14).
  • O ensino de batismos e da imposição de mãos: Uma tradução mais precisa para “batismos” aqui seria “lavagens”  ou “abluções” ou “purificações cerimoniais” (como em Hebreus 9.10). O termo grego usado no plural nunca é aplicado ao batismo cristão, sendo até mesmo inconsistente com o conceito singular da ordenança cristã. No sistema levítico, havia muitas purificações cerimoniais, que operavam como sinais externos apontando para uma limpeza do coração. A Nova Aliança, em contraste, exige uma lavagem interior que regenera a alma (Tt 3.5). Quanto à “imposição de mãos”, sob a antiga aliança, a pessoa que trazia um sacrifício colocava as mãos sobre o animal para simbolizar sua identificação com ele como um substituto pelos pecados (Lv 1.4). Pode haver aqui, também, uma referência às bênçãos sacerdotais solenes; ou referir-se a um rito inicial no momento do batismo (cf. At 8.14-17; 9.12, 17-19; 19.5-6) ou a outras práticas de imposição de mãos durante orações por cura e durante o comissionamento de indivíduos para o ministério (Lc 4.40; At 6.6; 9.17; 13.3)
  • A ressurreição dos mortos e o juízo eterno: Os fariseus já criam firmemente na ressurreição dos mortos (At 23.8) e no juízo divino, e, mesmo assim, continuavam espiritualmente mortos e caminhavam para a condenação.

É significativo que todas as doutrinas listadas em Hebreus 6.1-2 possam ser facilmente associadas aos fariseus, um grupo caracterizado pela busca da justiça pelas obras da lei, não pela fé. Como uma parcela dos hebreus destinatários desta carta pode ter pertencido a esse grupo, o autor deixa claro que essas noções por si sós não produzem o novo nascimento.

Todas essas eram crenças comuns do Antigo Testamento ou práticas correntes entre os judeus. Quando esses leitores foram evangelizados e convertidos, essas coisas, ao que parece, tornaram-se basilares como uma forma de ajudá-los a compreender a obra de Cristo. Cristo é o alvo e o cumprimento de todas elas.

Portanto, quando Hebreus 6.1 diz que eles deveriam deixar “os princípios elementares da doutrina de Cristo” (ou, literalmente, “a palavra do princípio de Cristo [Messias]”), o que o autor está dizendo é que eles não deveriam se ocupar tanto com as preparações pré-cristãs para Cristo (ou: Messias) a ponto de negligenciarem a glória do evangelho e como usá-lo para crescer em maturidade e santidade.

Isto é o que eles não devem fazer. Eles não devem voltar ao judaísmo, à antiga aliança, uma vez que tudo apontou para Cristo, cumpriu-se em Cristo e ainda se cumprirá.

Mas o que, então, significa o texto de Hebreus 5.12 ao dizer que eles precisam, novamente, de “de alguém que lhes ensine quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus”? Como isso difere de lançar essa base novamente — o que eles não deveriam fazer?

John Piper sustenta que a resposta é esta: o ensino de que eles realmente precisam em Hebreus 5.12 é sobre como usar o básico a respeito de Cristo para avançar rumo à maturidade. Em outras palavras, é o que vimos na semana passada em Hebreus 5.14 — eles precisam aprender a tomar o leite (as verdades básicas do evangelho) e praticar como crescer com elas.

A necessidade não é reconstruir fatos fundamentais, tampouco viver discutindo posições teológicas ou doutrinárias, mas colocar-se sobre a base, sobre os princípios elementares, e viver por eles, em Cristo. Eles precisam aprender a pegar a verdade básica do evangelho sobre Cristo e usá-la para se tornarem pessoas com discernimento entre o bem e o mal, a fim de alcançarem a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor (12.14).

O problema deles não é a falta de conhecimento fundamental, mas a falta de conexão com Cristo e frutificação na vida. Olhe mais uma vez para Hebreus 6.7-8. Aqui está uma descrição do problema em uma figura de linguagem (NAA):

7Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz plantas úteis para aqueles que a cultivam recebe bênção da parte de Deus; 8mas, se produz espinhos e ervas daninhas, é rejeitada e está perto da maldição; e o seu fim é ser queimada.

Eis a questão: a chuva (isto é, o leite da Palavra) produziu espinhos e abrolhos ou produziu vegetação útil? Em outras palavras, os leitores aprenderam a usar a palavra de Cristo (o leite) para se tornarem discernidores entre o bem e o mal, ou estiveram preocupados apenas com o “reparo verbal [ou: o debate, a defesa] do alicerce” e perderam o ponto prático de que o cristianismo trata da transformação moral e espiritual da vida?

O escritor está esperançoso. O versículo 9 diz: “Quanto a vocês, meus amados, ainda que falemos desta maneira, estamos certos de que coisas melhores os esperam, coisas relacionadas com a salvação.” Eles foram tardios em ouvir e negligentes em parte. Mas não é tarde demais. Há esperança.

No entanto, esse pastor não é descuidado nem está absolutamente certo de qual será o resultado final para o rebanho. Ele deseja que sejam diligentes para terem a plena certeza da esperança (6.11), para que mantenham a fé, a paciência e a santidade que herdam as promessas (6.12; 12.14). Mas ele não diz que isso é automático. Ele os impulsiona.

Hebreus 6.1: “Avancemos para a maturidade!”. E ele acrescenta a grande ressalva no versículo 3: “Isso faremos, se Deus o permitir”.

Se Deus permitir

Agora, vamos focar nas implicações destas poucas e poderosas palavras: “Isso faremos, se Deus o permitir.” Prosseguiremos para a maturidade se Deus permitir. Aqui estão cinco implicações dessa declaração, e é exatamente isto que significa Deus ser Deus e nós não sermos Deus. (Baseio-me aqui em John Piper)

1. Deus governa o progresso da maturidade

Em outras palavras, Deus tem a palavra final sobre se venceremos nossa inclinação ao pecado e progrediremos rumo à maturidade. Avançaremos em nossa santificação e santidade se Deus o permitir. Ele decide, em última instância, se e quão rápido avançamos. Por exemplo, veja Hebreus 13.20-21 (ARA):

20Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, 21vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

Ou Deus opera em nós o que é agradável aos seus olhos, ou não opera. Ou seja, ou Deus nos aperfeiçoa em nosso progresso rumo à maturidade, ou isso não acontece.

Deus governa o progresso da santificação.

Outro exemplo vem de Hebreus 12.16-17, onde o autor fala sobre Esaú, que desperdiçou sua primogenitura e sua bênção e depois tentou se arrepender sem sucesso (NAA):

16E cuidem para que não haja nenhum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um prato de comida, vendeu o seu direito de primogenitura. 17Vocês sabem também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.

Esaú foi rejeitado. Ele havia profanado de tal forma a graça de Deus que não era mais capaz de se arrepender, embora chorasse e parecesse sincero. Deus o havia abandonado totalmente e não havia mais paciência. Este é o precioso e terrível aviso por trás das palavras: “Isso faremos, se Deus o permitir.” Cuidado para não serem como Esaú, diz o autor.

Deus governa o progresso da santificação e não é obrigado a conceder arrependimento a ninguém. O que nos leva à segunda implicação.

2. Permitir que avancemos para a maturidade é inteiramente graça; não permitir é juízo justo

Somos, por natureza, rebeldes contra Deus e culpados por isso. Deus não deve a nenhum de nós a graça para conquistar nossa rebelião. Se Deus nos deixar em nosso estado de rebelião, ele é reto e justo ao fazê-lo, pois não nos deve nada. Merecemos apenas punição, não resgate. Se você é salvo, é inteiramente pela graça. E se você persevera e progride rumo à maturidade, é inteiramente pela graça. “Isso faremos, se Deus o permitir.” (Hb 6.3).

Se Deus escolher não permitir, ele não está impedindo nossa boa vontade; ele está nos abandonando à nossa má vontade. Se temos uma boa vontade para com Deus, isso é obra exclusiva da graça, e assim faremos progresso. Diante disso, devemos tremer de gratidão.

3. Deus às vezes decreta o que proíbe

Isto é, Deus às vezes deseja que algo aconteça, embora nos proíba de fazê-lo. Neste caso específico, ele pode não permitir que alguém avance para a maturidade, muito embora nos ordene a avançar. Assim, ele decreta a imaturidade enquanto ordena a maturidade.

A ilustração mais clara desse princípio na história bíblica é o plano de Deus para a morte de Jesus. Deus proíbe o assassinato: “Não matarás” (Êx 20.13). Contudo, ele decreta que seu Filho seja assassinado, como vemos em Atos 4.27-28 (NAA):

27Porque de fato, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, se juntaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste, 28para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.

O que Herodes, Pilatos, os soldados romanos e as multidões gritaram e fizeram foi totalmente predestinado por Deus, e, ao mesmo tempo, tudo aquilo foi pecado. Deus proíbe o assassinato e decreta o assassinato de seu Filho para a salvação de seu povo.

Isso não significa que Deus seja o autor do pecado, pois há uma diferença abissal entre pecar e escolher, por propósitos sábios e santos, que o pecado exista. A cruz de Cristo é o lugar mais claro para ver esse mistério. Existem razões infinitamente sábias e santas para desejar que seu Filho fosse morto pecaminosamente. E, da mesma forma, existem razões sábias e santas pelas quais ele pode não permitir que alguém avance para a maturidade — deixando essa pessoa entregue às suas próprias paixões.

4. No entanto, é nosso dever e nosso prazer prosseguir para a maturidade

Todo o livro de Hebreus foi escrito como incentivo e ajuda para prosseguirmos rumo à santidade, sem a qual não veremos o Senhor. A soberania de Deus na santificação não remove nossa obrigação; pelo contrário, ela a capacita.

“Desenvolvam a sua salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.12-13, NAA). A obra soberana de Deus em nós é nossa única esperança de que realmente prosseguiremos para a maturidade.

5. Finalmente, a soberania absoluta de Deus é um doce lugar de descanso

O autor da carta empenha todo o seu esforço para ajudar essas pessoas a perseverarem na fé (6.12), a manterem firme a sua confissão (4.14), a lutarem contra o mau coração de incredulidade (3.12) e a buscarem a santidade (12.14). Ele adverte, argumenta e implora. E tem esperança de que Deus está operando neles (6.9). Mas não é aí que ele finalmente descansa.

O lugar final de descanso do autor da carta aos Hebreus é a soberania de Deus. Ele faz tudo o que pode e os chama para uma ação vigilante. Mas, ao fim de tudo, olha para o alto e diz: “Seja feita a tua vontade quanto à perseverança e maturidade deles.” Ele descansa na soberania divina: “Isso faremos, se Deus o permitir.”

Ele age como Joabe, indo para a batalha com seu irmão Abisai. Ele faz toda a preparação e o planejamento estratégico, e então diz a Abisai: “Seja forte! Vamos lutar com coragem pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus. E que o SENHOR Deus faça o que achar melhor.” (2Sm 10.12, NAA)

Fizemos tudo o que podíamos na preparação. Lutaremos com todas as nossas forças. Mas, ao final, não somos nós, mas o Senhor, quem concederá a vitória ou não. Então, é aí que descansamos: “Faça o SENHOR o que bem parecer aos seus olhos.”

É aí que Deus chama você para descansar hoje. A vida é complexa e cheia de incertezas. Trabalhamos duro. Fazemos preparações. Planejamos. Pregamos. Persuadimos. Escrevemos. Tentamos todos os meios que conhecemos para fazer todo o bem possível a um mundo que perece e profana a Deus. E, quando tudo está dito e feito, declaramos: “Isso dará fruto, se o Senhor permitir.”

Venha a Cristo e coloque sua fé em na bondade, na sabedoria e no poder soberanos do SENHOR Deus. É o lugar de descanso mais seguro do universo.

Três aplicações práticas

  1. Use o fundamento para produzir fruto, não apenas debate verbal. A maturidade cristã não consiste em reestudar indefinidamente os rudimentos da fé (arrependimento, batismos, ressurreição, juízo), nem em apenas defender intelectualmente a base do cristianismo. A exigência é pegar essas verdades básicas sobre a obra de Cristo e aplicá-las no cotidiano para desenvolver o discernimento entre o bem e o mal. A doutrina verdadeira deve resultar em transformação moral e santidade prática.
  2. Trabalhe com vigor, confiando integralmente na graça. A verdade de que Deus governa a sua santificação não é desculpa para a inércia espiritual. Você tem o dever de lutar contra o pecado, cultivar a fé e avançar para a perfeição cristã. No entanto, faça isso com a consciência plena de que o seu sucesso, o seu querer e o seu realizar derivam estritamente da operação de Deus em você. Lute com todas as suas forças, sabendo que a sua própria diligência é um dom da graça.
  3. Entregue os resultados finais à soberania divina. Seja em seu próprio crescimento espiritual ou no ministério de discipular, aconselhar e pregar aos outros, faça tudo o que estiver ao seu alcance. Planeje, exorte e esforce-se. Mas recuse a ansiedade sobre o resultado final. O desfecho pertence a Deus. Quando você tiver feito a sua parte, descanse no princípio de Joabe em 2Samuel 10.12: seja forte! lute com afinco e deixe que o SENHOR faça o que lhe parecer melhor.

Oração e bênção pastoral

Senhor nosso Deus e Pai,

Rogamos que a tua graça nos impulsione rumo à maturidade cristã. Guarda esta congregação de estacionar nos princípios elementares da doutrina de Cristo. Que não vivamos na estagnação de lançar repetidamente a base do arrependimento de obras mortas e da fé em ti.

Livra-nos do engano de parar nos ensinos fundamentais sobre purificações, imposição de mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno. Capacita-nos a usar esse alicerce para crescer em santidade, discernimento e obediência diária.

Reconhecemos com temor e tremor a tua soberania sobre as nossas vidas. Sabemos que só avançaremos para o que é perfeito se o Senhor o permitir. Portanto, suplicamos que a tua vontade opere em nós, concedendo-nos o progresso e a firmeza na fé, para a glória do teu nome.

Oramos em nome de Jesus. Amém.

E agora:

Que o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, aperfeiçoe vocês em todo o bem, para que possam fazer a vontade dele. Que ele opere em nós o que é agradável diante dele, por meio de Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

(Hebreus 13.20-21)

S.D.G. L.B.Peixoto.

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