

08.03.2026
Hebreus 5.11-14 (NVT)
11Há muito mais que gostaríamos de dizer a esse respeito [a respeito de Melquisedeque, como um tipo de Cristo; cf. vs. 6,10], mas são coisas difíceis de explicar, sobretudo porque vocês se tornaram displicentes acerca do que ouvem. 12A esta altura, já deveriam ensinar outras pessoas, e no entanto precisam que alguém lhes ensine novamente os conceitos mais básicos da palavra de Deus. Ainda precisam de leite, e não podem ingerir alimento sólido. 13Quem se alimenta de leite ainda é criança e não sabe o que é justo. 14O alimento sólido é para os adultos que, pela prática constante, são capazes de distinguir entre certo e errado.
O autor da carta aos Hebreus escreve com o propósito central de encorajar a perseverança dos cristãos hebreus diante da perseguição. Para isso, ele estabelece a supremacia absoluta de Cristo sobre os pilares da antiga aliança, estruturada nos capítulos 1 a 5:
1. Superioridade aos profetas (Hb 1.1-3)
Diferente dos profetas, que entregaram a revelação de Deus de forma progressiva e parcial no passado, Cristo é a palavra final e definitiva. Ele não é apenas um mensageiro, mas o Filho herdeiro, Criador do universo e a expressão exata do ser de Deus.
2. Superioridade aos anjos (Hb 1.4–2.18)
Embora os anjos tenham atuado como mediadores da lei, o autor prova que Cristo possui um nome superior por ser o Filho entronizado. Sua encarnação temporária, que o tornou “menor que os anjos”, foi necessária para que ele pudesse vencer a morte, destruir o domínio do diabo e socorrer a humanidade nas tentações.
3. Superioridade a Moisés (Hb 3.1-19)
Moisés é reconhecido por sua fidelidade como servo dentro da casa de Deus. No entanto, Cristo possui maior glória por ser o construtor da casa e por governar sobre ela como Filho. O texto alerta que a rebelião contra o Filho traz consequências mais severas do que as enfrentadas no deserto.
4. Superioridade a Josué (Hb 4.1-13)
O descanso na terra prometida por Josué era temporário e incompleto. O verdadeiro descanso espiritual e definitivo é oferecido por Cristo e deve ser acessado “hoje” pela fé na palavra de Deus, que é viva e eficaz.
5. Superioridade a Arão (Hb 4.14–5.10)
Os sumos sacerdotes da linhagem de Arão eram limitados pela morte e pela própria pecaminosidade. Cristo é o Grande Sumo Sacerdote perfeito que penetrou os céus. Sua nomeação segue a ordem superior de Melquisedeque, tornando-o a fonte de salvação eterna para os que lhe obedecem.
A superioridade de Cristo apresentada nestes capítulos não é um conceito teórico para ser apenas compreendido, mas uma Realidade Suprema para ser desfrutada. O autor de Hebreus não está empilhando argumentos para provar que Jesus é “mais um” em uma lista de heróis; ele está revelando que todas as promessas do passado, todo o esforço de Moisés e todo o sangue do sistema levítico eram apenas sombras que apontavam para o Sol.
Se você busca uma voz que realmente faça sentido em meio ao ruído, uma segurança que a ansiedade não consiga roubar ou um descanso que o mundo não pode oferecer, olhe para a glória de Jesus. Ele é o herdeiro de todas as coisas e a realidade para onde aponta cada um de nossos desejos. Ao percebermos que Cristo excede o valor de qualquer status ou prazer passageiro, a perseverança deixa de ser um peso religioso. Ela se torna o transbordar de quem encontrou segurança e satisfação plena.
O autor de Hebreus não se limita à teoria; como um pastor atento, ele sabe que a teologia precisa ganhar vida na experiência da igreja. Por isso, ao longo desses cinco capítulos, ele alterna a alta exposição sobre a superioridade de Cristo com exortações diretas ao coração. Essa estrutura revela que o conhecimento da glória de Jesus serve de fundamento para a prática cristã.
Nesse contexto, identificamos três advertências cruciais — três exortações pastorais que interrompem a explicação teológica para confrontar a nossa negligência e fortalecer a nossa fé.
Diagnóstico: preguiça de ouvir
Como vimos na mensagem anterior, o autor diagnostica os leitores como “displicentes”, isto é, preguiçosos e lentos para ouvir (5.11). O texto de Hebreus 6.11-12 confirma que o oposto dessa preguiça é a dedicação diligente e o empenho em imitar os heróis da fé. A falha da congregação não estava na audição física. A Palavra entrava pelos ouvidos, mas atingia a barreira de um coração sem apreço pelas promessas de Deus. Vimos que a ausência de amor pela Escritura impede a fé e trava a perseverança.
Causa: falta de fé
A causa exata dessa displicência é o ato de ouvir desprovido de fé. Ouvir o evangelho resulta em zero proveito quando a mensagem não se une à fé no coração do ouvinte, um padrão que o autor já havia apontado em Hebreus 4.2. A desobediência tem raiz na incredulidade. Hebreus 3.18-19 deixa isso claro, ao demonstrar que a rebelião acontece quando falta confiança na superioridade das promessas divinas em relação ao pecado. A “preguiça de ouvir” é o ato mecânico de ouvir a pregação ou ler o texto bíblico sem gerar temor, obediência ou fruto moral.
Consequência: ficar apenas no leite
A consequência dessa passividade crônica é impedir a igreja de receber instruções mais profundas, travando por completo o avanço do ensino. A gravidade do quadro confirma a regra apontada por Cristo em Lucas 8.18: ouvir sem o empenho da fé não apenas paralisa o crescimento cristão, mas resulta na perda do pouco entendimento que o ouvinte imaginava possuir.
Com a superioridade de Cristo estabelecida nos primeiros capítulos e o diagnóstico da preguiça espiritual devidamente fixado na exposição anterior, passamos agora a investigar a resposta do autor para essa crise. O nosso foco hoje é examinar a prescrição bíblica para curar essa letargia.
Antes, porém, vamos reler o texto:
Hebreus 5.11-14 (NVT)
11Há muito mais que gostaríamos de dizer a esse respeito [a respeito de Melquisedeque, como um tipo de Cristo; cf. vs. 6,10], mas são coisas difíceis de explicar, sobretudo porque vocês se tornaram displicentes acerca do que ouvem. 12A esta altura, já deveriam ensinar outras pessoas, e no entanto precisam que alguém lhes ensine novamente os conceitos mais básicos da palavra de Deus. Ainda precisam de leite, e não podem ingerir alimento sólido. 13Quem se alimenta de leite ainda é criança e não sabe o que é justo. 14O alimento sólido é para os adultos que, pela prática constante, são capazes de distinguir entre certo e errado.
Alguém pode objetar que usar o termo “doença” quando o texto faz alusão a “criança” e “imaturidade”. De fato, uma pessoa tardia em ouvir é comparada a uma criança inexperiente (em Hebreus 5.13b) que bebe leite, e — realmente! — não há nada de doentio em uma criança depender de leite. Então, por que uso a imagem de doença?
A resposta é simples, pergunte a qualquer pediatra: se uma pessoa ainda é uma criança quando já tem idade para ser um adolescente, ela está, sim, doente. E a doença neste texto é claramente chamada de “tardança em ouvir” (Hb 5.11).
Então, nossa pergunta permanece: qual é o remédio? Por que alguns cristãos estão presos no estágio de bebê, afligidos pela “tardança em ouvir”, e qual é, afinal, a cura?
Agora, tenha em mente o que é a tardança em ouvir.
Tardança em ouvir não é um problema físico: pessoas surdas podem ser os ouvintes mais aguçados; e cegas, as que veem com mais agudeza. Portanto, não é física o doença aqui apontada.
A tardança em ouvir, como se acha em Hebreus 3.18 e 6.12, é a falha em fazer uso da Palavra ouvida para nutrir a fé e produzir o fruto da obediência.
Leia, primeiro, Hebreus 3.18 (NVT): “E a quem Deus se dirigiu quando jurou que jamais entrariam em seu descanso? Não foi ao povo que lhe desobedeceu?” Agora, Hebreus 6.12 (NVT): “Assim, não se tornarão displicentes, mas seguirão o exemplo daqueles que, por causa de sua fé e perseverança, herdarão as promessas.”
Portanto, o ouvir tardio é passivo, preguiçoso e não se estende para agarrar e abraçar as promessas de Deus — e agir com fé.
Essa passividade produz o cristão-boneco (crente baby born, crente bebê reborn): ele é hiper-realista, uma gracinha, perfeito — mas feito de silicone, poliéster e pintado com tinta industrial atóxica. Não é um cristão vivo; não é de verdade. Essa é a doença.
O texto-chave para descrever o remédio é Hebreus 5.12-14 (NAA):
12Pois, quando já deviam ser mestres, levando em conta o tempo decorrido, vocês têm, novamente, necessidade de alguém que lhes ensine quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus. Passaram a ter necessidade de leite e não de alimento sólido. 13Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. 14Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.
Agora, faça a si mesmo esta pergunta: Se o alimento sólido é apenas palatável — digerível — para os maduros, com que alimento você se torna maduro para que possa então comer o alimento sólido? A resposta é: leite. Você se torna maduro com leite.
O problema com esses cristãos não é que o leite seja fraco ou que crianças não possam comer bife. O problema é que as crianças não estão se exercitando com o leite que têm.
Você encontra a palavra-chave no versículo 14: você se torna maduro pela “prática” ou exercício ou respostas habituais ao leite. O problema é que o leite da Palavra não está produzindo músculo de fé. E o músculo da fé não está produzindo atos de justiça. É assim que você cresce de um cristão-infantil para um cristão adulto: do Leite da Palavra → para o Músculo da Fé → para Atos de Justiça.
Veja: O versículo 14 não diz que o leite da palavra deve produzir novo músculo; ele diz, na verdade, que o leite deve produzir uma nova mente (ou: faculdades mentais exercitadas)— a mente que pode discernir entre o bem e o mal.
Releia, Hebreus 5.13-14 (NAA):
13Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. 14Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática [os maduros, os que cresceram, os que amadureceram e passaram do leite para o alimento sólido; cf. vs. 12-13… Pela prática, esse maduros], têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.
Isso é incrível, povo de Deus! Não perca isso. Isso poderia lhe poupar anos de vida desperdiçada.
O que o versículo 14 está dizendo é: se você quer se tornar maduro e entender os ensinamentos mais sólidos da Bíblia, então o rico, nutritivo e precioso leite das promessas do evangelho de Deus deve transformar seus sentidos morais — sua mente espiritual — para que você possa discernir entre o bem e o mal.
Ou, para colocar de outra maneira:
Preparar-se para banquetear-se com toda a palavra de Deus não é primariamente um desafio intelectual; é primariamente um desafio moral. Se você quer comer o alimento sólido da Palavra, você deve exercitar seus sentidos espirituais a fim de desenvolver uma mente que discerne entre o bem e o mal.
Sobre isto, John Piper escreveu assim:
A verdade surpreendente é que, se você tropeça em Melquisedeque [ou em quaisquer dos temas mais profundos da Bíblia], pode ser porque você assiste a programas de TV questionáveis. Se você tropeça na doutrina da eleição, pode ser porque você ainda usa algumas práticas de negócios escusas. Se você tropeça na obra de Cristo centrada em Deus na cruz, pode ser porque você ama dinheiro e gasta demais e dizima e oferta de menos. O caminho para a maturidade e para o alimento bíblico sólido não é primariamente tornar-se uma pessoa inteligente, [mais ávida por leitura ou mais culta] mas tornar-se uma pessoa obediente. O que você faz com álcool, sexo, dinheiro, lazer, comida, celular e computador tem mais a ver com sua capacidade para alimento sólido do que onde você vai à escola ou que livros você lê.
O que isto significa é que, se você quer crescer e banquetear-se na plenitude da revelação de Deus, você não faz isso pulando do leite para a carne. Você faz isso prestando atenção à maneira como a criança bebe o leite.
O leite tem que fazer de você um certo tipo de pessoa com discernimento antes que você possa digerir o alimento sólido. O evangelho de Jesus, o bê-a-bá da fé, tem que fazer de você alguém santo e piedoso antes que você ingira alimento sólido.
Isso é muito importante, pois em nossa sociedade altamente tecnológica somos propensos a pensar que a educação — especialmente o desenvolvimento intelectual — é a chave para a maturidade. Este texto deixa claro que não é. Há muitos doutores (PhDs) que engasgam com as coisas de Deus, pois são espiritualmente imaturos; não são santos nem piedosos. E há muitos santos menos educados — alguns até que nem sabem ler, ou que aprenderam a ler na Bíblia, lendo a Bíblia — que são profundamente maduros (santos e piedosos) e podem se alimentar com prazer e proveito das coisas mais profundas da palavra de Deus.
Então, a chave para a maturidade (e o remédio para a tardança em ouvir) não é pular do leite para a carne. A chave é a maneira como você bebe o leite — o que você faz com o leite da Palavra.
Deixe-me te dar três passos sobre como crescer com o leite até a maturidade; como deixar de ser criança para se tornar adulto, espiritualmente falando.
Primeiro, você bebe o leite. Isto é, você ouve o leite da Palavra — a mensagem das promessas de Deus no evangelho. Você as lê por si mesmo na Bíblia e se senta sob a pregação e o ensino da palavra de Deus. E você presta atenção. Você é zeloso e diligente em aplicar seu coração e mente ao que está sendo dito. Você não é passivo, leviano e indiferente — crianças anseiam por leite e são incrivelmente focadas quando estão com sede e fome. Primeiro, beba o leite — com sede e fome.
Segundo, saboreie, engula, digira e fique satisfeito. Isso é crucial. Se essa sequência falhar, o próximo estágio de discernimento não acontecerá. Aqui está o evento espiritual miraculoso de amar o que antes você odiava. Você ama o gosto do leite: “Provem e vejam que o SENHOR é bom!” (Sl 34.8, NVT). E quando as promessas de Deus e o Deus das promessas são provados, o leite satisfaz. E quando satisfaz, transforma seus valores e prioridades… o que leva ao Passo 3.
Terceiro, com um coração satisfeito em Deus, discirna o bem e o mal. Há centenas de decisões diárias que não estão explicitadas na Bíblia: o que assistir na TV, posições políticas a tomar, estratégias de investimento, vocação, seguro, aposentadoria, táticas de negócios, onde morar, que carro comprar, possuir ou não uma arma, como disciplinar seus filhos, o que vestir, onde ser voluntário, quanto doar, com quem namorar e casar, etc.
Não requer discernimento saber o que é errado se você tem a lista de Deus. Saber se deve assassinar, roubar ou cometer adultério não requer discernimento se você crê nos Dez Mandamentos. Hebreus 5.14, portanto, está falando sobre decisões que não estão estabelecidas em uma lista específica — “O alimento sólido é para os adultos que, pela prática constante, são capazes de distinguir entre certo e errado” (NVT).
Sim, existe tal coisa como discernimento entre o bem e o mal, o certo e o errado. Então, como se obtém esse discernimento?
Obtém-se habitualmente (pela prática regular), nutrindo e moldando seus sentidos espirituais pela palavra de Deus até que a Palavra se torne uma “palavra de justiça” (v. 13, NAA) — um poder discernidor que produz justiça, que produz o que é justo nos maduros. Hebreus 5.13-14 (NAA) diz:
13Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. 14Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.”
Discernimento é o que você faz naturalmente quando o leite das promessas de Deus é tão saboreado e satisfatório que lhe dá a mente de Cristo.
Este é o remédio para a “tardança em ouvir” (Hb 5.11). Beba com deleite até que os desejos do seu coração sejam tão transformados a ponto de se tornarem o discernimento do bem e do mal. Então você será maduro e estará pronto para o alimento sólido.
Agora, não perca de vista. Segundo o nosso texto, a tragédia é que muitos, que deveriam ser mestres, precisam de leitinho:
Hebreus 5.11-12 (NVT) 11Há muito mais que gostaríamos de dizer a esse respeito, mas são coisas difíceis de explicar, sobretudo porque vocês se tornaram displicentes acerca do que ouvem. 12A esta altura, já deveriam ensinar outras pessoas, e no entanto precisam que alguém lhes ensine novamente os conceitos mais básicos da palavra de Deus. Ainda precisam de leite, e não podem ingerir alimento sólido.
Seria muito engraçado, se não fosse trágico: há muito cristão-boneco, crente reborn ou baby born — hiper-realista na aparência, mas vazio na essência. O coração é de silicone. Estão mortos, espiritualmente. Pastéis de vento. Bonecos do posto. Só têm ar como recheio ou preenchimento.
A tragédia não é a imaturidade em si, mas a preguiça de ouvir, a letargia que gera a morte.
O convite de Deus tem dois caminhos:
Então, vamos crescer! Desmame, crente. Pare de birra. Você já deveria ser mestre.
Senhor nosso Deus e Pai,
Dá-nos ouvidos para compreender as instruções mais difíceis da Bíblia. Livra-nos da preguiça de ouvir. Faze de nós mestres da tua Palavra — mestres humildes e obedientes. Ensina-nos a avançar para além dos princípios elementares. Que o leite do evangelho cumpra o seu propósito e nos conduza ao alimento sólido, Senhor.
Não queremos permanecer infantis e inexperientes na palavra da justiça. Faze de nós um povo que digere o alimento sólido; uma igreja adulta, ó Deus. Torna-nos crentes que, pela prática constante da fé, têm as suas faculdades exercitadas para discernir prontamente o bem e o mal.
Desmama-nos da nossa imaturidade, Senhor.
Oramos em nome de Jesus. Amém.
E agora:
Que o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, aperfeiçoe vocês em todo o bem, para que possam fazer a vontade dele. Que ele opere em nós o que é agradável diante dele, por meio de Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!
(Hebreus 13.20-21)
S.D.G. L.B.Peixoto.
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