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08.03.2026

Encontrando o bem na adversidade

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Salmo 119 - Lâmpada Para os Pés e Luz Para o Caminho
  • Livro: Salmos

Salmo 119.57-64 (NAA)

ט Tet

65Tens sido bom para o teu servo,
SENHOR, segundo a tua palavra.
66Ensina-me bom juízo e conhecimento,
pois creio nos teus mandamentos.
67Antes de ser afligido, eu andava errado,
mas agora guardo a tua palavra.
68Tu és bom e fazes o bem;
ensina-me os teus decretos.
69Os soberbos têm forjado mentiras contra mim,
mas eu guardo de todo o coração os teus preceitos.
70O coração deles se tornou insensível,
como se fosse de sebo;
mas eu me alegro na tua lei.
71Foi bom que eu tivesse passado pela aflição,
para que aprendesse os teus decretos.
72Para mim vale mais a lei que procede da tua boca
do que milhares de peças de ouro ou de prata.

Pode ser que você, aqui nesta noite, se identifique com o salmista. Quando lemos o Salmo 119, vemos que o sofrimento de Davi não é apenas uma ameaça distante, mas uma opressão implacável que atinge diretamente a sua mente e as suas relações. Ele enfrenta uma perseguição contínua movida por pessoas em posições de grande influência, descritas no texto como “príncipes” (v. 23) e “poderosos” (v. 161). Junto a eles, levantam-se indivíduos cruéis e arrogantes, os chamados “soberbos” (vv. 51, 69, 122).

Essa pressão brutal cobra o seu preço. Davi relata uma angústia profunda, chegando a afirmar que a sua alma se consome de tristeza (v. 28) e que se sente um estrangeiro isolado, um peregrino errante na própria terra (v. 19). É verdade que Davi menciona perigos reais e a clara sensação de que a sua vida corre risco constante (vs. 87, 109). A morte física era uma ameaça terrível e diária.

Contudo, o significado central de sua angústia reside nessa hostilidade ininterrupta, desenhada sob medida para destruir a sua paz, ferindo a sua integridade, e afastá-lo da lei de Deus. Neste cenário, notem o que Davi atesta: ceder a essa pressão e abandonar os preceitos do SENHOR seria uma tragédia ainda maior do que perder a própria vida (vs. 87, 109, 157).

A principal arma utilizada por esses inimigos é a palavra, operando por meio de línguas caluniadoras, mentirosas e escarnecedoras. Eles não atacavam Davi diretamente com espadas, mas forjavam mentiras para arruinar a sua reputação (v. 69) e o submetiam a zombarias impiedosas (v. 51).

Os adversários também preparavam armadilhas astutas, descritas no texto como laços ou covas (vs. 85, 110), que representam tramas e conspirações para derrubá-lo publicamente. Essa violência verbal e difamatória tinha o objetivo claro de destruir o caráter do homem de Deus, isolá-lo de seu povo e levá-lo ao desespero.

O fogo da língua dos outros

Você consegue se identificar com Davi? Ora, quem de nós jamais foi queimado pelo fogo da língua dos outros?

Ah, mas cuidado aqui. Porque Salomão, filho de Davi, tem uma palavra especial para todos nós que já sofremos esse tipo de queimadura de terceiro grau causada pela língua das pessoas. O maior sábio de todos os tempos escreveu assim, em Eclesiastes 7.21-22 (NAA): “Não dê atenção a todas as palavras que se dizem, para que você não venha a ouvir o seu servo amaldiçoando você. E você sabe que muitas vezes você mesmo já amaldiçoou os outros.”

A grande lição de Salomão aqui é o realismo sobre a natureza humana: como nós somos cruéis! E a instrução é clara para não deixar que o fogo da língua dos outros nos transforme em maçaricos fumegantes. O sábio fundamenta essa atitude na consciência do nosso próprio pecado.

Sim, Salomão está falando da futilidade de investigar a opinião alheia. Ele adverte contra a curiosidade de tentar saber tudo o que dizem a nosso respeito. Prestar atenção exagerada aos comentários dos outros resulta em frustração. Inevitavelmente, ouviremos críticas e palavras duras, inclusive de pessoas próximas e subordinadas, como indica a menção ao próprio servo — “Não dê atenção a todas as palavras que se dizem, para que você não venha a ouvir o seu servo amaldiçoando você.” (Ec 7.21).

Entretanto, há aqui um chamado para a consciência da própria culpa. O argumento central para não se indignar com a maledicência alheia é a nossa própria falha. Salomão apela para a memória individual: sabemos muito bem que nós mesmos já cometemos o exato pecado de falar mal de terceiros — “você sabe que muitas vezes você mesmo já amaldiçoou os outros.” (Ec 7.22).

Meus irmãos, como nós precisamos aprender a nos desarmar da autojustificação! Exigir perfeição dos outros ou alimentar um ressentimento profundo diante de uma crítica ou fofoca é uma postura incoerente quando lembramos da nossa própria facilidade em pecar com as palavras. A lembrança das próprias falhas, dos próprios pecados, instrui o indivíduo a relevar as ofensas, perdoar com mais facilidade e não dar importância desnecessária à opinião alheia.

Mas… de volta às queimaduras de Davi.

Sapecado pela língua dos homens, ele, neste caso inocente, se volta para Deus, encontrando o bem na adversidade. Na verdade, encontrando o próprio Deus, com seus braços de bondade abertos para o acolher: “Tens feito bem ao teu servo, Senhor, segundo a tua palavra.” (Sl 119.65, ARA). Ou, na NVT: “Muitas coisas boas me tens feito, SENHOR, como prometeste.”

Veja, na estrofe que temos diante de nós esta noite (Sl 119.65-72), correspondente à letra hebraica teth (o equivalente ao nosso “t”), a palavra para “bom” (tov) ocorre seis vezes, iniciando cinco das oito linhas do texto original (vs. 65, 66, 68, 71 e 72). A bondade do Senhor é, portanto, a ideia central que amarra esta seção do salmo. Contudo, a providência de Deus estabelece que essa bondade se manifeste, por vezes, por meio da aflição (vs. 67, 71).

67Antes de ser afligido, eu andava errado,
mas agora guardo a tua palavra.

71Foi bom que eu tivesse passado pela aflição,
para que aprendesse os teus decretos.

A dor e a disciplina, ainda que pelo maçarico em chamas na língua das pessoas, podem contrariar a nossa percepção imediata do que é benéfico ou favorável, mas operam o que é verdadeiramente bom para nós. A nossa postura diante do Senhor deve ecoar a firme convicção do salmista: “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição” (v. 71). A justificativa teológica para essa afirmação — o motivo exato pelo qual a aflição produz o bem — é apresentada para nós nesta estrofe, do versículo 65 ao 72, em quatro movimentos. É o que veremos a seguir.

1. Deus cumpre a sua Palavra

No versículo 65, o salmista inicia a estrofe Teth, a nona letra do alfabeto hebraico, com uma confissão de confiança e segurança: “Tens sido bom para o teu servo, SENHOR” (lit.: “Bem fizeste com o teu servo, ó SENHOR”). A expressão “Tens sido bom” (NAA) traduz a palavra hebraica tov, apontando diretamente para a natureza da ação divina. E quem é Aquele que tem “sido bom para com o teu servo”? É o SENHOR, o próprio Yahweh — o Deus da aliança.

E esse “SENHOR” tem sido bom para com o servo dele “segundo a tua palavra” — segundo a palavra dele. O Senhor é bom para com o seu servo fiel exatamente como prometeu.

Charles Spurgeon diz muito bem:

Esta bondade do SENHOR não é, contudo, uma questão de acaso: ele prometeu fazê-lo, e o fez segundo a sua palavra. É muito precioso ver a palavra do SENHOR cumprida em nossa feliz experiência; isso nos torna a Escritura querida e nos faz amar o SENHOR da Escritura. O livro da providência coincide com o livro da promessa: o que lemos na página da inspiração, encontramos novamente nas folhas da história de nossa vida.

Nosso bom Deus cumpre a sua boa Palavra para com o seu servo. Essa é uma certeza com a qual você sempre pode contar. Com efeito, Deus havia prometido fazer o bem ao seu povo desde que estabeleceu a aliança com os patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó (Gn 32.12; cf. 22.17).

Vejam o exemplo de José do Egito. Seus irmãos planejaram o mal contra ele, mas Deus planejou o bem, agindo de forma soberana por meio daquela mesma maldade. Através da aflição de José, o Senhor salvou a vida de uma multidão, incluindo a dos próprios irmãos que o traíram (Gn 50.20).

É a partir dessa perspectiva histórica que começamos a entender o que Davi chama de “bem”, mesmo padecendo tantas aflições. Ele compreende que a sua vida integra um propósito maior. A bênção de Deus estava sobre ele para que, através de sua linhagem, a graça alcançasse Israel e chegasse até nós por meio do seu descendente definitivo: Jesus Cristo (Mt 1.1ss.).

É exatamente assim que devemos medir a bondade de Deus. Ela não é comprovada pela ausência de adversidades, mas pelo seu propósito inabalável de nos salvar, santificar e glorificar em Jesus Cristo (Rm 8.29-30), e de nos usar para alcançar outros com o amor do Salvador. O próprio Cristo deixou isso muito claro, quando afirmou, em Lucas 21.16-19 (NAA):

16E vocês serão entregues até por seus próprios pais, irmãos, parentes e amigos; e eles matarão alguns de vocês. 17Todos odiarão vocês por causa do meu nome. 18Mas não se perderá um só fio de cabelo da cabeça de vocês. 19É pela perseverança que vocês ganharão a sua alma.

Deus é fiel. O que ele prometeu, ele irá cumprir. E ele prometeu que na Nova Aliança em Jesus Cristo, ele seria — e efetivamente é — bom para com o seu povo. Ouçam o que o Senhor declara em Jeremias 32.40-41 (NAA):

40Farei com eles uma aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; porei o meu temor no coração deles, para que nunca se afastem de mim. 41Terei alegria em lhes fazer o bem, e os plantarei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.

E isso Deus cumpriu plenamente na Nova Aliança, no sangue de Jesus Cristo (1Co 11.25)! O Filho eterno de Deus, na cruz, esgotou o cálice da ira divina para que nós pudéssemos, pela fé, desfrutar da paz de Deus e herdar o novo céu e a nova terra.

Deus foi, é bom e sempre será bom com o povo da sua aliança. Ele salva, santifica e glorifica as suas ovelhas. Ele faz com que todas as coisas — tanto as que consideramos favoráveis quanto as que nos parecem amargas — cooperem juntas para esse bem maior: a nossa salvação final. Nada escapa às suas mãos, e nada interrompe o seu propósito de nos conduzir à glória. Afinal, como nos garante a Escritura: “Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fl 1.6).

Portanto, declare com Davi: “Tens sido bom para o teu servo, SENHOR, segundo a tua palavra.” (Sl 119.65).

2. Deus nos conduz à vereda da justiça

Além de cumprir a sua palavra (v. 65), em segundo lugar, Deus nos conduz à vereda da justiça (vs. 66-68). E aqui fica ainda mais claro que a bondade divina se revela, muitas vezes, de maneiras que não costumamos apreciar ou sequer considerar.

Descobrimos que, na vida do justo, dos crente que vivem pela fé em Jesus Cristo, a aflição não é um erro de percurso, tampouco maldição divina, mas um instrumento nas mãos de Deus para o nosso conhecimento, para a nutrição da nossa fé, para a correção de nossas rotas e para o nosso aprendizado mais profundo.

Não é no conforto, mas no fogo da prova que as lições mais duradouras são gravadas na alma. Acompanhem a leitura dos versículos 66 a 68:

66Ensina-me bom juízo e conhecimento,
pois creio nos teus mandamentos.
67Antes de ser afligido, eu andava errado,
mas agora guardo a tua palavra.
68Tu és bom e fazes o bem;
ensina-me os teus decretos.

Os versículos que acabamos de ler são emoldurados por uma oração. No início (v. 66) e no fim (v. 68), o que ouvimos é o clamor de um servo que deseja ser ensinado por seu SENHOR. O salmista pede, respectivamente, nos versículos 66 e 68: “Ensina-me bom juízo e conhecimento… ensina-me os teus decretos”.

Davi não está pedindo apenas informações intelectuais; ele pede sabedoria e discernimento para tomar decisões que honrem a Deus. Deseja que a fonte da Palavra flua em sua vida prática, porque ele crê e está comprometido com os mandamentos do Senhor.

No versículo 67, o autor abre o coração e compartilha uma experiência que muitos de nós conhecemos bem: a dor de se desviar. Notem o reconhecimento honesto do seu pecado: “Antes de ser afligido, eu andava errado”. Ele não culpa as circunstâncias; ele admite o erro. Confessa seu pecado.

Contudo, Deus se revela aqui como um Pai que disciplina amorosamente seus filhos quando eles saem do caminho. Como nos lembra o autor de Hebreus, o Senhor disciplina a quem ama e castiga (açoita, dá palmadas em) todo filho seu (Hb 12.6). Para isso, ele pode usar a aflição, a dor e as dificuldades como a vara de seu castigo amoroso. Derek Kidner descreve a aflição como um “remédio amargo”. Ele não tem um gosto bom no momento da ingestão, mas produz um resultado excelente.

Para o salmista, o diagnóstico é claro:

67Antes de ser afligido, eu andava errado,
mas agora guardo a tua palavra.

A dor foi o instrumento que o trouxe de volta. O resultado da aflição não foi o ressentimento, mas uma visão renovada de quem Deus é: “Tu és bom e fazes o bem” (v. 68a).

Por isso, Davi não foge de Deus; ele pede mais de Deus: “Senhor, ensina-me os Teus decretos. (v. 68b). Seja o meu instrutor divino. A disciplina foi dura, mas me trouxe de volta ao lugar da obediência. Então, Pai, dá-me mais da tua Palavra” — “Inda que seja a dor que me una a Ti”, para usarmos as palavra de nosso hino.

Deus nos conduz conduz pelas veredas da justiça — por amor do seu nome.

3. Deus nos guarda na sua Palavra

Deus cumpre a sua Palavra (v. 65); ele nos conduz pelas veredas da justiça, que é a Palavra dele (vs. 66-68); e ele nos guarda pela Palavra dele (vs. 69-70):

69Os soberbos têm forjado mentiras contra mim,
mas eu guardo de todo o coração os teus preceitos.
70O coração deles se tornou insensível,
como se fosse de sebo;
mas eu me alegro na tua lei.

O diabo possui muitos agentes, dentro e fora da igreja, dispostos a fazer o seu trabalho sujo. O salmista experimentou isso na pele através de mentiras e falsas acusações. Conforme lemos, no versículo 69, Davi nos diz: “Os soberbos têm forjado mentiras contra mim”. A ideia original é que esses homens insolentes “remendaram” uma fraude, costurando peças de inverdades para tentar destruir a sua honra. As ações desses mentirosos arrogantes contrastam violentamente com o Deus bom que só faz o bem.

Mas vejam a reação do homem de Deus: ele não permite que a calúnia o amargue ou o afaste do SENHOR. Pelo contrário, a perseguição o empurra para os braços de Deus. Ele responde com determinação: “mas eu guardo de todo o coração os teus preceitos.” Enquanto os outros inventam mentiras, ele se apega à Verdade.

O versículo 70a revela a raiz do problema dos perseguidores: “O coração deles se tornou insensível, como se fosse de sebo [a imagem é de gordura que esfriou e endureceu]”. Ou seja, os soberbos não possuem consciência nem senso de certo e errado; o coração deles é frio e duro, sem sentimentos espirituais. Não há neles qualquer anseio por Deus. Quando se trata do SENHOR, eles não se importam. Quando se trata da verdade, eles não se importam. Quando se trata de obedecer, eles não se importam. Quando se trata de amar o próximo, eles não se importam. São duros como sebo.

Em contraste marcante com essa frieza, o salmista professa o seu afeto: “mas eu me alegro na tua lei” (v. 70b). É como se ele dissesse: “Eles são frios e duros como banha rançosa, mas a minha alegria é dançar conforme a melodia da Tua revelação.”

Meus irmãos, mentir sobre os outros é algo gravíssimo aos olhos de Deus. Se você for tentado a pensar que uma “fofoquinha” ou uma calúnia não é grande coisa, ouça o aviso de Apocalipse 21.8 (NAA): “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que está queimando com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” É uma companhia terrível e um destino espantoso. A mentira coloca o homem no mesmo caminho dos pecadores mais abomináveis.

O justo, porém, é guardado pela palavra de Deus. Enquanto os soberbos vivem forjando mentiras contra os justos, esses guardam de todo o coração a palavra de Deus. Enquanto o coração dos soberbos se esfria e endurece como banha rançosa, os crentes em Cristo se alegram na Bíblia.

4. Deus nos mantém na sua Palavra

Os dois últimos versículos da estrofe Teth são o que podemos chamar de “versículos do coração”. São trechos sobre os quais faríamos bem em memorizar e meditar. O versículo 71 fala sobre o valor das aflições; o versículo 72 fala sobre o valor da palavra de Deus.

71Foi bom que eu tivesse passado pela aflição,
para que aprendesse os teus decretos.
72Para mim vale mais a lei que procede da tua boca
do que milhares de peças de ouro ou de prata.

James Montgomery Boice escreveu que o versículo 71 “é um equivalente exato de Romanos 8.28”, onde a Bíblia afirma: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Davi e Paulo estão em perfeito acordo. “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição”. Houve proveito na minha dor.

Por quê? Como? Porque através dela aprendo melhor a palavra de Deus. Aprendo mais sobre quem Deus é e sobre quem eu sou. Aprendo como Deus trabalha e o que ele está fazendo em minha vida. Paulo acrescenta uma percepção valiosa em 2Coríntios 4.17-18 (NAA), onde ele vai dizer que as adversidades nos fazem olhar para o que realmente importa na vida:

17Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, 18na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas.

E as coisas que são eternas, aquelas que deveriam ocupar nossos olhos e coração, só nos são reveladas pela Escritura — por isso que o versículo 72 nos dá a opinião de Davi sobre o valor da Escritura. Leia. Atente-se. É algo impressionante. Vamos detalhar:

  • “A lei que procede da tua boca”: A Bíblia é o próprio fôlego e a palavra saindo da boca de Deus. Por isso ela é tão valiosa. Paulo escreveu assim:

2Timóteo 3.16-17 (NAA) 16Toda a Escritura é inspirada [soprada] por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

  • “Para mim vale mais [a lei que procede da tua boca]”: Esta é a avaliação pessoal de Davi. Para ele, a Palavra é boa (tov). Outros podem discordar, como os soberbos dos versículos anteriores, mas é isso o que o homem de Deus pensa.
  • “[Para mim vale mais a lei que procede da tua boca] do que milhares de peças de ouro ou de prata”: A Bíblia não tem preço. Nenhuma linguagem humana pode capturar o valor que ela tem para o crente.

Spurgeon resume isso com beleza: “É um sinal seguro de um coração que aprendeu os estatutos de Deus quando ele os estima acima de todas as posses terrenas”.

Portanto, povo de Deus, empilhe todo o ouro e prata que puderem encontrar; o cristão alegremente se afastaria de tudo isso pelo tesouro inestimável que é a palavra de Deus.

Salmo 1.1-3 (NAA) 1Bem-aventurado é aquele que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. 2Pelo contrário, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. 3Ele é como árvore plantada junto a uma corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo o que ele faz será bem-sucedido.

Olhe para Cristo

A dor e o sofrimento são uma realidade inescapável. Todos irão experimentá-los. Até mesmo Jesus. Como o “Servo Sofredor” por excelência, descrito em Isaías 53, ele foi afligido não por seus próprios pecados, mas pelos nossos. Seu sofrimento o levou através de mentiras, insultos e espancamentos, culminando em uma cruz romana.

No entanto, através de tudo isso, ele diria a você e a mim: “Tens sido bom para o teu servo, SENHOR… Eu me deleito na lei do SENHOR e foi bom que eu fosse afligido.”

— Bom, Senhor Jesus?

— Sim! Olhe para o que as minhas aflições realizaram!

Ah! Se chegar a duvidar de que o bem pode vir da adversidade — e às vezes duvidaremos —, você precisará apenas voltar seus olhos para a cruz. Ali contemplamos a maior aflição da história produzindo o maior bem de todos os tempos: a salvação de todo aquele que nele crê.

Olhe para Cristo e seja salvo. Olhe para Cristo e encontre o bem na sua adversidade. É possível.

A lição de Lutero

Martinho Lutero afirmava que não se forma um teólogo ou um cristão maduro apenas em gabinetes ou bibliotecas. Ele extraiu do Salmo 119 uma tríade que moldou sua vida e que deve moldar a nossa: Oratio (oração), Meditatio (meditação) e Tentatio (aflição).

Em primeiro lugar, a Oratio. A vida com Deus começa de joelhos. Como Davi aqui no texto, precisamos clamar: “SENHOR, ensina-me bom juízo e conhecimento (v. 66); ensina-me os teus decretos (v. 68)”. É o reconhecimento de que, sem a instrução divina, tateamos no escuro.

Em segundo lugar, a Meditatio. Não é um esvaziamento da mente, mas o engajamento rigoroso com a Palavra. É o que Davi faz ao declarar que os preceitos de Deus valem mais que milhares de moedas de ouro ou de prata. É gastar tempo na Escritura até que ela se torne o nosso maior tesouro, e permeio todo o sangue de nossas almas.

Mas é o terceiro elemento que dá concretude à nossa fé: a Tentatio. Lutero usava uma palavra alemã forte para isso — Anfechtung. Ela descreve a pressão, o sofrimento e os ataques que nos cercam. É o “maçarico” da língua dos homens, é a dor que nos aperta, é todo sofrimento que nos penetra e nos transforma. O versículo 71 é a síntese absoluta dessa verdade: “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.”

Aprendam isto hoje: a teologia bíblica não se constrói apenas no conforto; ela se constrói sob fogo cruzado. A dor é o principal instrumento didático de Deus. É na fornalha da aflição que o nosso caráter é forjado e que a Palavra deixa de ser apenas tinta no papel para se tornar vida em nossa alma.

Portanto, quando a luta vier e a calúnia bater à sua porta, não se desespere. Ore, medite e entenda que o seu Deus, que é bom e faz o bem, está usando essa mesma aflição para ensinar a você sobre Cristo o que o conforto jamais seria capaz de ensinar.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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