

26.04.2026
Chegamos à quinta e última mensagem da nossa série sobre os Cânticos do Servo, que estão impressos na segunda metade da profecia de Isaías (Caps. 42, 49, 50 e 52 a 53). Para mim, como pastor, não há momento mais aguardado na semana do que este: o privilégio de abrir as Escrituras e falar sobre a pessoa de Cristo.
Convido vocês a acompanharem a leitura do texto de hoje em suas Bíblias. Ao passarem os olhos por estas linhas, é bem provável que muitos de vocês já as conheçam de cor.
Isaías 52.13–53.12 (NAA)
Isaías 52.13“Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado, e será mui sublime. 14Como muitos pasmaram à vista dele — pois o seu aspecto estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens —, 15assim causará admiração às nações, e os reis fecharão a sua boca por causa dele. Porque verão aquilo que não lhes foi anunciado, e entenderão aquilo que não tinham ouvido.”
Isaías 53.1Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 2Porque foi subindo como um renovo diante dele e como raiz de uma terra seca. Não tinha boa aparência nem formosura; olhamos para ele, mas não havia nenhuma beleza que nos agradasse. 3Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores e que sabe o que é padecer. E, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.
4Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido. 5Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados. 6Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
7Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. Como cordeiro foi levado ao matadouro e, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca. 8Pela opressão e pelo juízo, ele foi levado, e de sua linhagem, quem se preocupou com ela? Porque ele foi cortado da terra dos viventes; foi ferido por causa da transgressão do meu povo. 9Designaram-lhe a sepultura com os ímpios, mas com o rico esteve na sua morte, embora não tivesse feito injustiça, e nenhum engano fosse encontrado em sua boca.
10Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. 11Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito. O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. 12Por isso, eu lhe darei a sua parte com os grandes, e com os poderosos ele repartirá o despojo, pois derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.
Se você conhece o livro de Atos, deve se lembrar da história de Filipe (At 8.26-40). Ele estava pregando em Samaria durante um avivamento extraordinário (At 8.4-25). Era parecido com o que lemos a respeito do Grande Despertar — aquele que ocorreu no século dezoito e dezenove, tanto nos Estados Unidos quanto em toda a Europa. Filipe viu muitas pessoas chegando à fé em Cristo (At 8.4-8). Mas, de repente, o Espírito Santo o tirou daquela situação de colheita abundante. E o enviou direto para o deserto.
Lá estava ele, provavelmente se perguntando o que Deus estava fazendo. De repente, passou uma carruagem. Nela, estava o tesoureiro de uma rainha, talvez da Etiópia ou do Sudão. Nós o chamamos de eunuco etíope, pois não fazemos ideia do seu nome. Esse homem estava sentado ali, lendo exatamente a passagem que acabamos de ler (Is 52.13–53.12).
Muitas pessoas não sabem, mas a leitura silenciosa é um hábito moderno. Na antiguidade, ninguém lia em silêncio. As leituras eram sempre em voz alta — da própria pessoa ou de alguém para ela. Por isso, Filipe pôde ouvir o homem lendo o texto hebraico de Isaías 52 e 53.
Filipe se aproximou e fez uma pergunta um tanto óbvia:
— O senhor entende o que está lendo? (At 8.30).
O homem olhou para o texto e respondeu:
— Como poderei entender, se ninguém me explicar? (At 8.31)
Em muitos sentidos, o eunuco etíope estava coberto de razão. Se você perguntasse ao próprio Isaías se ele entendia o que havia escrito, ele provavelmente daria a mesma resposta:
— Como poderei entender, se ninguém me explicar? Eu nem sei sobre quem exatamente estou escrevendo aqui.
E essa foi exatamente a dúvida do eunuco.
Temos então um momento belíssimo.
Não sei se Filipe foi como um cavalheiro e perguntou: — Você se importaria se eu sentasse na carruagem com você? Ou se ele era mais direto, simplesmente subiu, sentou e disse: — Eu vou lhe explicar o que isso significa.
De qualquer forma, sabemos que Filipe se sentou.
E há um detalhe curioso.
Como Atos foi escrito por Lucas — o mesmo autor do Evangelho —, vemos um paralelo.
Filipe fez com o eunuco exatamente o que Jesus fez com os discípulos no caminho de Emaús no dia da ressurreição (Lc 24.13-49). É bem provável que Jesus também tenha usado Isaías 52 e 53. Podemos quase certeza disso. Atos 8 nos diz que Filipe, começando por essa passagem, anunciou-lhe Jesus (At 8.35).
Se você conhece um pouco do Novo Testamento, logo lembrará de várias alusões a este capítulo. Isso mostra algo muito claro.
Quando os primeiros cristãos liam Isaías 53, eles entendiam do que se tratava. E antes deles, o próprio Jesus entendia. Todos sabiam que era uma profecia direta sobre o Messias.
Como já vimos, esse texto é o último de uma série de cânticos sobre o Servo do Senhor. Nos capítulos anteriores (42, 49 e 50), tivemos apenas pequenas pistas. Vimos que a vida desse Servo estaria entrelaçada com alguma medida de sofrimento.
Mas nada nos preparou para o que lemos agora em Isaías 52 e 53. Esse texto nos leva a um novo plano de profecia. É uma nova profundidade. Ele mostra o que o Salvador faria, pelo que passaria e como as pessoas reagiriam a ele.
Observem que Isaías 52 e 53 formam cinco estrofes:
NOTE BEM: a primeira estrofe está nos versículos 13 a 15 do capítulo 52. Depois, como destacamos, a leitura se divide nos trechos do capítulo 53. O meu palpite, no entanto, é que a maioria de nós acha que a passagem começa em Isaías 53.1. Mas, na verdade, o poema começa no capítulo 52, versículo 13.
Vocês se lembram de como começou o primeiro desses poemas? Foi com as palavras: “Eis aqui o meu Servo” (42.1).
Agora, como um grande fecho, o último poema começa com a mesma frase: “Eis que o meu Servo” (52.13).
O texto nos conduz por cinco estágios. São cinco fases da experiência interior do Servo do Senhor. Isaías olhava para o futuro sem compreender tudo, mas registrava uma referência exata ao nosso Senhor Jesus Cristo:
Pois bem, caminhemos por essas estrofes, uma a uma.
Isaías 52, nos versículos 13 a 15, começa falando sobre um triunfo. Mas não um triunfo qualquer. É um triunfo completamente inesperado. O texto diz — Isaías 52.13: “Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado, e será mui sublime.”
Notem que o profeta usa três formas diferentes para dizer a mesma coisa: exaltado, elevado e sublime. Ele quer deixar claro, logo de início, que essa exaltação é absoluta. Mas ela é, acima de tudo, surpreendente.
Essa exaltação é inesperada, primeiro, por causa da aparência do Servo. Isaías 52.14 diz que o seu aspecto estava tão desfigurado que nem parecia um ser humano; sua aparência estava mais degradada do que a dos outros homens.
Há algo de assombroso nisso. Chocante — Isaías 52.14:
Como muitos pasmaram à vista dele — pois o seu aspecto estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens.
Por que o espanto?
Porque aquele que Isaías diz que será elevado e sublime é alguém que sofre uma desfiguração terrível. Ele está desfigurado além da semelhança humana.
As pessoas não perguntam “Quem é ele?”, elas perguntam “Isso é humano?”. E essa desfiguração não é natural. Não é como ele é por natureza; é algo que acontece com ele. É o resultado de um ato de violência antinatural contra a sua pessoa.
Portanto, temos uma aparência inesperada que leva a uma conclusão ainda mais inesperada. Mesmo desfigurado, o texto diz: “assim causará admiração às nações” (52.15, NAA/ARA)— ou, como em outras versões, “assim, borrifará muitas nações” (ARC).
Se você vivesse nos dias de Isaías, essa palavra — “borrifar” ou “aspergir” (ARC) — saltaria aos seus olhos. Tanto é que a NVI traduz assim: “de igual modo ele aspergirá muitas nações”.
Então, se vivesse nos dias de Isaías, você logo associaria o verbo ao sangue do sacrifício. Era assim que os pecados do povo eram perdoados ou os objetos eram purificados: através da aspersão do sangue. Para os primeiros ouvintes, esse verbo trazia uma mensagem clara: isso está acontecendo porque um sacrifício foi realizado; uma vida foi entregue na morte.
O profeta não explica a conexão lógica entre essas duas coisas. Ele apenas descreve o Servo que será quebrado e desfigurado. E mostra que, de alguma forma, o resultado disso é que ele purificará muitas nações. Não apenas o povo judeu, mas algo de alcance global.
Em outras palavras: existe uma conexão profunda entre os sofrimentos do Servo e a sua exaltação. Através da dor, a sua glória se torna um evento global. Um evento que transforma pessoas em todas as nações da terra. Um evento que seria cumprido na vida e na morte de Jesus Cristo — Isaías 52.15:
assim causará admiração às nações [assim, aspergirá muitas nações], e os reis fecharão a sua boca por causa dele. Porque verão aquilo que não lhes foi anunciado, e entenderão aquilo que não tinham ouvido.
O Triunfo Inesperado. Mas tem mais…
O profeta começa falando sobre um triunfo inesperado, mas depois, como um bom poeta, ele deixa esse assunto de lado por um momento. Ele faz uma ressalva e diz: “Vamos focar nossa atenção agora no sofrimento. Depois, eu voltarei à exaltação”. E ele fala da exaltação na quinta estrofe (53.10-12).
O poema começa e termina com a exaltação, mas quando o profeta nos leva à última estrofe (53.10-12), já somos capazes de entender a relação entre o sofrimento e a glória do Servo. Por isso, o que se segue é de enorme importância.
Vejam a pergunta no início de Isaías 53: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR” (v. 1).
O que o profeta está dizendo é: “Quem acreditaria nos resultados desta humilhação? Quem reconheceria o poder encarnado e onipotente de Deus na pessoa de Jesus, o seu Libertador?”.
Observem como os começos desse Servo, aos olhos humanos, realmente parecem pouco promissores — Isaías 53.2a: “Porque foi subindo como um renovo diante dele e como raiz de uma terra seca.”
Eu não sou horticultor, mas entendo que uma raiz em terra seca não tem muito futuro; dificilmente dará frutos. A visão do profeta é que este Servo tem os começos mais desfavoráveis possíveis, humanamente falando.
Isaías prossegue dizendo que não há linhagem, nem forma, nem imponência ou majestade aqui. Não há beleza que nos atraia ou que nos faça desejá-lo. Existe uma certa “comunalidade” em Jesus. Ele poderia passar por você na rua sem ser notado, veja — Isaías 53.2:
Porque foi subindo como um renovo diante dele e como raiz de uma terra seca. Não tinha boa aparência nem formosura; olhamos para ele, mas não havia nenhuma beleza que nos agradasse.
Mas o profeta leva isso um passo adiante: esse começo humilde leva a uma vida inteira de sofrimento.
Vejam as palavras do versículo 3: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.”
Isaías nos deu uma pista logo no início de que há algo nesta pessoa que poderíamos deixar de notar. Ele perguntou — e nós já lemos: “E a quem foi revelado o braço do Senhor?” (53.1).
Na Bíblia, “o braço do Senhor” é uma metáfora para o poder e a força de Deus. O que Isaías está dizendo é que há algo extraordinário acontecendo ali, mas a maioria das pessoas não vai enxergar. O poder e a graça salvadora de Deus estão em operação, mas as pessoas estarão ocupadas demais com as aparências externas para perceber.
Nós lemos isso hoje e pensamos: “Isso é impossível! Como as pessoas poderiam não entender quem Jesus é?”
Ora, a maioria das pessoas hoje conhece o nome de Jesus, mas arrisco dizer que a maioria não tem a menor ideia de quem ele realmente é. Elas passariam por ele na rua e, na prática, o desprezariam e o rejeitariam.
Como alguém despreza a Jesus?
Desprezam-no quando se consideram mais importantes do que ele. Quando imaginam que ele teria, na melhor das hipóteses, um lugar incidental em suas vidas. Quando dizem que há coisas muito mais importantes no mundo do que aquilo que você crê sobre Jesus. Quando criam para si mesmas um Jesus que não é o da revelação bíblica. Isso, meus irmãos, é o que significa desprezá-lo.
Tem mais…
Isaías descreve aqui uma realidade que aconteceu nos dias do Novo Testamento, mas que é uma verdade eterna: o triunfo inesperado de Deus acontece justamente através da humilhação incompreendida.
Agora, nos versículos 4 a 6, somos levados ainda mais fundo. Saímos do triunfo, passamos pela humilhação e chegamos aos seus sofrimentos profundos.
Ao olharmos para o Servo, o texto diz que só conseguimos tirar uma conclusão — Isaías 53.4: “nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido”.
O mais impressionante é que esse diagnóstico está perfeitamente correto. As pessoas no primeiro século olhavam para Jesus e diziam: “Ele é maldito! Vejam o que está acontecendo com ele”. E o apóstolo Paulo concorda com isso em Gálatas 3.13, ao dizer que “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”.
Em certo nível, todos estavam certos: Jesus estava, de fato, sob o julgamento de Deus. Ele mesmo reconheceu isso no seu clamor de agonia na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46).
A resposta para esse grito é profunda: Cristo se sentia desamparado porque estava, naquele momento, sob a maldição e o julgamento do Pai — ele estava sendo afligido, ferido e oprimido pelo Pai, em nosso lugar.
É aqui que as coisas parecem perder o sentido para a lógica humana. E eu creio que é só quando percebemos que isso “não faz sentido” que começamos a entender o coração do evangelho.
Isaías diz que Cristo “tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” — Isaías 53.4a.
No versículo 5, chegamos ao cerne da questão: Ele foi traspassado, esmagado, castigado e ferido.
Mas o ponto crucial é este: não foi por causa de si mesmo.
Ao olharmos para a cruz, para o sofrimento e para a humilhação de Jesus, não devemos ser movidos apenas por um sentimento de tristeza ou por lágrimas de compaixão.
O que precisamos enxergar no Calvário é o “braço do SENHOR” em ação (53.1). Precisamos ver na cruz que a maneira poderosa de Deus trazer perdão e salvação foi pegando as nossas transgressões e colocando-as sobre Jesus; pegando as nossas iniquidades e colocando-as sobre Jesus; pegando a nossa culpa e colocando-a sobre Jesus; pegando a nossa alienação e colocando-a sobre Jesus.
Disse o profeta, revelando-nos o coração do evangelho — Isaías 53.4-6:
4Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido. 5Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados. 6Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Chegamos agora à quarta estrofe. O profeta já nos mostrou o triunfo inesperado (52.13-15), a humilhação incompreendida (53.1-3) e os sofrimentos profundos do Servo (53.4-6). Agora, nos versículos 7 a 9, ele nos revela algo sobre a submissão perfeita de Jesus.
O texto diz — Isaías 53.7: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca.”
E ele foi mesmo “oprimido e humilhado”, não foi?
É quase insuportável ler os relatos dos Evangelhos: pessoas cuspindo nele, agredindo-o, zombando e desprezando o Senhor Jesus. Mas, tal como um cordeiro levado ao matadouro ou uma ovelha muda diante dos tosquiadores, ele não abriu a boca.
Uma das coisas mais impressionantes nos Evangelhos é como isso se cumpre à risca. Em nenhum momento dos seus julgamentos — sejam religiosos ou romanos — Jesus emite um único protesto contra a injustiça ou contra a falta de um “devido processo legal” (ele não revidava nem fazia ameaças; cf. 1Pe 2.23).
Mas por que Cristo não protesta?
Jesus não protesta porque entende que, na verdade, o que está acontecendo ali é o devido processo legal.
É o processo da lei de Deus contra qualquer um que entre em sua presença carregando pecado.
E aqui está a maravilha das maravilhas: Jesus, que não tem pecado algum, entra na presença de Deus carregando os nossos pecados. Ele compreende que é ele quem passará por esse julgamento em nosso lugar. As Escrituras nos ensinam que, mesmo sendo o Filho unigênito do Pai, ao carregar o nosso pecado, o julgamento de Deus seria executado.
Você pode pensar: “Mas será que Jesus entendeu as coisas dessa forma?”. Sim, foi exatamente assim que ele entendeu. Lembrem-se de quando ele citou Zacarias 13.7— e disse aos seus discípulos:
— Esta noite serei uma pedra de tropeço para todos vocês, porque está escrito: “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.” Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vocês para a Galileia. (Mt 26.31-32)
Essa era a compreensão exata de Jesus sobre sua humilhação, rejeição, crucificação, sepultamento e ressurreição.
Há um ponto marcante no julgamento de Jesus: Ele foi acusado de dois crimes. Primeiro, o crime religioso de blasfêmia. Segundo, o crime político de traição. E ele aceita essas acusações.
Sabe por quê?
Porque essas são as acusações de Deus contra nós.
Nós blasfemamos contra o nome de Deus quando não o adoramos de todo o coração. Nós cometemos traição quando fazemos de nós mesmos o centro do universo em vez de nos rendermos ao seu senhorio.
Jesus assume essas acusações. É por isso que ele não diz nada. Quem cala, consente! Não é assim que dizemos? Pois bem, Cristo está calado porque, na verdade, ele está se declarando culpado no seu lugar e no meu, para que nós possamos ser declarados inocentes diante do trono de Deus.
Que maravilha! Louvado seja o Cordeiro de Deus.
Quanto mais meditamos em Isaías 53 à luz do evangelho de Cristo, mais concluímos: o próprio profeta deve ter percebido o quanto ainda não entendia desta passagem.
Talvez, assim como o eunuco etíope faria séculos depois, Isaías tenha se perguntado: “De quem o profeta fala? De si mesmo ou de outro?” (At 8.34). Se Filipe pudesse ter sido transportado para o passado, ele teria respondido à indagação de Isaías — imaginem! — com alegria: “Eu posso lhe contar, Isaías, exatamente como tudo isso se cumpriu!”
A chave para a compreensão estava em Cristo e sua cruz.
Em Isaías 53.10-12, contemplamos a gloriosa exaltação do Servo, e a explicação para tudo isso é profunda — Isaías 53.10: “Ao SENHOR agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer.”
Entendam bem: a cruz não foi uma tragédia ou um acidente de percurso; foi o cumprimento exato de um plano eterno. De fato, se hoje estamos aqui como cristãos genuínos, é porque a vontade do Senhor prosperou na vida e obra de Jesus Cristo.
Nas palavras de Isaías (versículos 10-12):
10Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. 11Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito. O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. 12Por isso, eu lhe darei a sua parte com os grandes, e com os poderosos ele repartirá o despojo, pois derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.
Voltando ao eunuco etíope, em Atos 8.
É de se ficar imaginando como ele se sentia ao sair de Jerusalém. Provavelmente, ele não foi bem-vindo no templo por ser um eunuco; e, por ser estrangeiro, era duplamente rejeitado. Mas imaginem a “ficha caindo” (ou: o sinal voltando) enquanto Filipe explicava Isaías 53.
O eunuco etíope deve ter pensado: “Existe algo que me impeça de pertencer ao povo de Deus? Eu me sinto um estranho, um excluído… será que há esperança para mim?”.
A resposta de Filipe foi imediata: “Pare a carruagem agora! Eu vou batizá-lo aqui mesmo, no nome do Senhor Jesus” (At 8.36-39).
Permita-me perguntar a você hoje:
— Você sabe o que Isaías 53 significa para a sua vida?
Significa você ser capaz de dizer:
Cristo tomou sobre si as minhas enfermidades e as minhas dores levou sobre si; ele foi traspassado por causa das minhas transgressões e esmagado por causa das minhas iniquidades; o castigo que me traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fui sarado. Eu andava desgarrado como ovelha; me desviava pelo meu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a minha iniquidade.
Isso não é física nuclear. Uma criança pode entender. Não é para um tipo especial de pessoa; é para quem olha e vê o “braço do SENHOR” revelado. É para quem diz: “Agora eu vejo! Cristo tomou a minha culpa e a minha vergonha para me dar o seu perdão, a sua paz e o seu relacionamento com o Pai.”
Se você vê isso, o braço do SENHOR foi revelado a você.
S.D.G. L.B.Peixoto.
Mais Sermões
Mais Séries
O Sofrimento e a Glória do Servo
Pr. Leandro B. Peixoto