

04.10.2026
Todo mundo tem uma cidade dos sonhos. Aquele lugar que, só de pensar em ir, já muda o seu humor. Pode ser a praia que você visita todo ano com a família. Pode ser aquela cidade que você conheceu numa viagem e nunca mais esqueceu. Pode até ser, simplesmente, a casa dos seus pais, quando você mora longe e o Natal está chegando.
E você conhece bem a sensação: alguém liga, ou manda uma mensagem, dizendo “vamos pra lá!” e, antes mesmo de responder, seu coração já deu um salto. Você começa a se planejar mentalmente. Já sente o gostinho de chegar.
Só que tem gente que não sente isso quando o convite é pra outro lugar. Um lugar que, aliás, deveria provocar exatamente essa alegria: a igreja. Já ouvi de tudo, ao longo dos anos, sobre por que alguém prefere não vir.
“Minha mãe me obrigava quando eu era criança.”
“Tem gente hipócrita demais lá dentro.”
“É o único dia que eu tenho pra dormir até mais tarde.”
“Na segunda eu acordo muito cedo.”
E aprendi, com o tempo, a ouvir essas frases com cara de paisagem, sem argumentar. Porque, no minuto seguinte que você derruba uma dessas desculpas, aparecem outras três no lugar dela.
Então, hoje, prefiro fazer outra coisa: oro pra que essa pessoa, um dia, encontre a única razão que de fato basta pra vir à igreja, que é Deus. E, na medida do possível, quando prego, procuro mostrar o que parece ter sido perdido de vista a esse respeito.
Em contrapartida, existe alguém, há quase três mil anos, que sentiu exatamente o oposto dessa relutância. Pra ele, ir à casa de Deus não era obrigação nem sacrifício de sono. Era a notícia mais alegre que ele podia receber.
Esse é o assunto do nosso terceiro cântico de peregrinação. No primeiro, o Salmo 120, o peregrino ainda estava preso na angústia e na mentira do exílio, clamando por socorro. No segundo, o Salmo 121, ele já erguia os olhos pros montes, aprendendo a confiar que o SENHOR era seu guardião em toda a jornada. Agora, no terceiro, o Salmo 122, ele finalmente chega. E o que sai da boca dele, ao pisar dentro dos portões da cidade, é pura alegria.
Vamos ler o que ele canta.
Salmo 122 (NAA)
¹Alegrei-me quando me disseram: “Vamos à Casa do SENHOR.” ²Pararam os nossos pés junto às suas portas, ó Jerusalém! ³Jerusalém, você que está construída como uma cidade bem sólida, ⁴para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR. ⁵Lá estão os tronos de justiça, os tronos da casa de Davi. ⁶Orem pela paz de Jerusalém! Que sejam prósperos aqueles que a amam. ⁷Reine paz em seu meio e prosperidade nos seus palácios. ⁸Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: “Haja paz em você!” ⁹Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o seu bem.
Repare no percurso desse salmo: ele começa com alegria (v. 1), passa pela contemplação de uma cidade, sua solidez, sua unidade, sua justiça (vv. 3-5), e termina em súplica (v. 9). Não é uma sequência aleatória. É essa ideia que eu quero que você leve pra casa hoje:
A alegria de adorar a Deus nos leva a contemplar sua obra entre nós. E essa contemplação nos leva a orar pelo bem do lugar onde ela acontece.
Esse salmo é atribuído a Davi (veja o título em itálico: “Cântico de peregrinação. De Davi.”) e faz todo sentido.
Foi ele quem conquistou Jerusalém dos jebuseus e a fez sua capital (2Sm 5.6-10). Uma cidade que não pertencia a nenhuma das doze tribos, mas que passaria a pertencer a todas elas.
Foi ele também quem levou pra lá a arca da aliança (2Sm 6), tornando Jerusalém não apenas centro político, mas o lugar de adoração do povo inteiro. O lugar onde judeus de Judá e de Benjamim, historicamente rivais, subiriam juntos pra adorar o mesmo Deus.
Jerusalém não era apenas bonita. Ela era o ponto de encontro entre o povo e o seu SENHOR, e entre o povo e ele mesmo.
Por isso, hoje, veremos três movimentos que nascem dessa chegada:
Primeiro, A Alegria da Casa, o que sentimos quando finalmente chegamos. Segundo, A Grandeza da Cidade, o que contemplamos, uma vez lá dentro. Terceiro, A Súplica pela Paz, o que somos chamados a fazer, depois de contemplar.
A alegria de quem contempla. A contemplação que faz orar. É assim que a Casa de Deus transforma quem a visita.
Comecemos, então, pelo primeiro desses movimentos — o ponto de partida de tudo o que esse salmo vai construir: a alegria.
Leia o versículo 1: “Alegrei-me quando me disseram: ‘Vamos à Casa do SENHOR.’”
O verbo que Davi usa é mais forte do que “fiquei contente”. O hebraico sugere algo como “fui tomado de alegria”, “me regozijei profundamente”, “exultei em meu coração”.
E repare: Davi não está sozinho. A construção do texto sugere que ele estava no meio de um grupo, ouvindo outras vozes já dizendo “Vamos à Casa do SENHOR”, como quem é contagiado pela empolgação coletiva de quem também está se preparando pra subir.
Pra entender essa alegria, pense nos agricultores de Israel, que trabalhavam noite e dia durante a colheita. A própria Festa dos Tabernáculos, uma das ocasiões pelas quais o povo subia a Jerusalém, era celebrada no final da época da colheita, depois que ajuntavam os cereais e prensavam as uvas (Dt 16.13).
Terminado o trabalho, eles finalmente podiam seguir pra cidade santa, pra uma ou duas semanas de festa: louvor pela colheita, comida, canto, reencontro com parentes e amigos que só viam naquela época do ano. Essa alegria não era encenação religiosa. Era alívio genuíno depois de esforço real, misturado com a expectativa de uma festa que valia a espera.
E essa expectativa, enfim, se cumpre no versículo 2: “Pararam os nossos pés junto às suas portas, ó Jerusalém!”
Repare que ele não diz simplesmente “chegamos”. Ele diz “Pararam os nossos pés”, como quem mal acredita que finalmente está ali, depois de dias de pés na estrada. E as “portas” de Jerusalém não eram só uma entrada. Eram praças movimentadas, cheias de gente, negócios, autoridades sentadas pra julgar causas. Era o coração pulsante da cidade, e o peregrino finalmente estava dentro dele: “Pararam os nossos pés junto às suas portas, ó Jerusalém!” (v. 2).
Calvino acrescenta um detalhe que dá peso a esses pés parados. Por mais de mil anos, a arca da aliança andou de lugar em lugar, como quem peregrina. O povo nunca sabia onde ela ia parar. Agora ela tinha casa, e o próprio Deus dizia, no Salmo 132.14, que aquele era o seu lugar de repouso para sempre. Pés que param, aqui, são pés de quem descansa numa promessa.
E essa alegria não é exceção. É o esperado entre quem ama a Deus. Pense bem: muito do que chamamos de “comportamento cristão” na sociedade é, na verdade, imposto por lei ou por costume. Ninguém rouba, ninguém mata, em boa parte por medo da consequência, não por virtude genuína. Mas ninguém obriga ninguém a adorar. Não existe lei que exija isso.
Diante disso, a pergunta pra você hoje é: quando alguém te convida pra ir à igreja, seu coração dá o mesmo salto que dava quando alguém te convidava pra aquele lugar que você amava? Ou virou, com o tempo, só mais um compromisso na agenda? Ou você não sente nada? Nada mesmo?
Talvez a resposta a essa pergunta esteja, em parte, no que realmente contemplamos quando chegamos. Porque a alegria do peregrino, no Salmo 122, não fica só na emoção de ter chegado (vv. 1-2). Ela se aprofunda quando ele finalmente olha ao redor e vê, com seus próprios olhos, a grandeza daquele lugar (vv. 3-5).
E são três características, especificamente, que ele destaca.
A primeira característica é a unidade. Leia o versículo 3: “Jerusalém, você que está construída como uma cidade bem sólida.”
Jerusalém tinha sido, até pouco tempo antes, uma fortaleza jebuseia. Uma cidade que não pertencia a Judá, nem a Benjamim, nem a nenhuma das doze tribos. Davi a conquistou e fez dela sua capital exatamente por isso: nenhuma tribo poderia dizer “essa cidade é nossa”. Ela pertencia a todas, igualmente.
E não é coincidência que ficasse bem na fronteira entre Judá, a tribo de Davi, e Benjamim, a tribo do seu antecessor e rival, Saul. O lugar mais dividido da história recente de Israel virou o lugar da sua unidade. Por isso, quando o salmista descreve a cidade como “bem sólida”, no hebraico, algo como “compactada”, pedra colada em pedra, sem brechas, ele não está fazendo elogio arquitetônico. Ele está descrevendo o que aquele lugar simbolizava: um povo que só se tornava um por causa do altar ao SENHOR Deus comum, não por origem ou preferência política.
A segunda característica é a adoração. Veja o versículo 4: “Para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR.”
Não é “as tribos de Israel” ou “as tribos de Judá” apenas. É “as tribos do SENHOR” — todas juntas, as do norte e as do sul da nação. Elas pertenciam ao SENHOR, e por isso deviam subir, três vezes por ano, como a própria Lei exigia (Dt 16.16).
Não era turismo religioso. Era lealdade prestada em público, em corpo presente, junto com todo o povo. Era culto. Serviço de adoração. Liturgia. “Para renderem graças ao nome do SENHOR.”
A terceira característica é a justiça. O versículo 5 diz: “Lá estão os tronos de justiça, os tronos da casa de Davi.”
Jerusalém não era só o centro da adoração. Era também onde a justiça era aplicada, muitas vezes literalmente nos portões da cidade.
E aqui o texto aponta pra muito mais do que um tribunal antigo. A “casa de Davi” carrega uma promessa que atravessa toda a Bíblia: um dia, um Rei da linhagem de Davi se sentaria nesse trono e estabeleceria justiça perfeita e definitiva (Is 11.1-5).
O salmista talvez não soubesse o alcance completo do que estava cantando. Mas nós sabemos: no trono de Davi, o Rei Jesus se assentou. E não queremos que seja outro.
Calvino percebe que essas duas características, a adoração (v. 4) e a justiça (v. 5), apontam pra duas obras de Cristo. No santuário, o povo aprendia a olhar pro sacerdote que se ofereceria por eles. No trono de Davi, o povo via de longe o rei que os governaria. Sacerdote e Rei, esse é Jesus — e toda a nossa salvação depende desses dois ofícios. Ele oferece a si mesmo como oferta pelo nosso pecado e reina soberano sobre nossas vidas.
Unidade, adoração, justiça. Se isso soa familiar, é porque deveria. O escritor de Hebreus, falando aos cristãos, disse que nós já chegamos “ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a milhares de anjos. [Sim, em Cristo, chegamos] à assembleia festiva” (Hb 12.22). E Paulo afirma que, nessa nova cidade, “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28).
A igreja é a Jerusalém “construída como uma cidade bem sólida” de hoje (Sl 122.3): gente de origens diferentes, com os pés cansados de tanto andar, agora unida não por sangue ou nacionalidade, mas pelo mesmo altar, o mesmo Rei, a mesma justiça que Cristo garante. Gente que agora é casa de Deus, nas palavras de Pedro: “também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo” (1Pe 2.5). O Sacerdote se ofereceu por nós, e agora nos faz sacerdotes.
Paulo pede aos efésios que se empenhem em manter a unidade que o Espírito já criou (Ef 4.3), e Jesus prometeu que nem as portas do inferno prevalecerão contra esta casa (Mt 16.18). O que Jerusalém era para o peregrino de outrora, a igreja é para nós: o lugar onde a promessa do Rei já começou a se cumprir, lugar de unidade, adoração e justiça. Lugar de descanso para os pés cansados do povo do SENHOR.
Depois de contemplar tudo isso, descanso, unidade, adoração, justiça, o salmista não fica só na admiração. Ele se levanta e ora. E há uma lógica nisso: a adoração verdadeira nunca satisfaz de vez a nossa fome por Deus. Ela a aguça. Você não sai do culto com a necessidade resolvida. Sai com o apetite maior. E é esse apetite que transborda das horas de culto de domingo pra semana inteira, virando oração pelo que ainda não se completou. É isso que os versículos finais registram.
Leia o versículo 6: “Orem pela paz de Jerusalém! Que sejam prósperos aqueles que a amam.”
O verbo “orar” aqui é, no hebraico, o mais simples e cotidiano: “pedir”. A mesma palavra que se usaria pra pedir mais um pedaço de pão à mesa, ou perguntar o caminho quando se está perdido. Não é fórmula solene de templo, reservada à hora do culto. É o tipo de pedido que se leva pro meio da semana, enquanto se cuida dos próprios negócios.
E o próprio nome “Jerusalém” carrega, dentro de si, a palavra hebraica pra paz: shalom. É como se a cidade se chamasse “Cidade da Paz”. E, mesmo assim, poucas cidades na história foram tão marcadas pela guerra. O nome promete o que a história ainda não cumpriu.
E “paz”, aqui, não é apenas ausência de conflito. Shalom é a palavra que reúne tudo que floresce quando a vontade de Deus se cumpre plenamente: descanso, saúde, segurança, plenitude, vida sem ameaça.
Leia agora o versículo 7: “Reine paz em seu meio e prosperidade nos seus palácios.”
Note o alcance do pedido. Paz “em seu meio”: no coração da cidade, entre o povo, nas casas e nas ruas. E prosperidade “nos seus palácios”: onde estão os que governam.
O salmista não quer uma paz só de fachada, nem uma paz só de quem manda. Ele quer que ela chegue a todos os cantos, dos muros às torres, como Calvino observa.
E “prosperidade”, atenção a isso, não é só conta bancária. Davi pede, sim, o bem-estar concreto da cidade, mas sem esquecer o que sustenta tudo: a saúde espiritual do povo. O apóstolo Paulo orava pelo seu povo (Rm 10.1) e, ainda assim, era pobre materialmente (2Co 6.10). A prosperidade que mais importa é o descanso de quem sabe que tudo está bem porque Deus está no controle.
Leia os versículos 8-9: “Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: ‘Haja paz em você!’ Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o seu bem.”
Veja a dupla motivação: ele ora “por amor dos meus irmãos”, amor ao próximo, e “por amor da Casa do SENHOR”, amor a Deus. Os dois maiores mandamentos, resumidos numa oração pela cidade.
Calvino é duro aqui. Para ele, quem só ora pelo próprio bem, indiferente à igreja, ora fora da ordem devida. E ele tem razão num ponto: se o corpo inteiro desmorona, nenhum membro escapa. Ninguém perde só a sua parte. Orar pela igreja não é opcional: é orar por nós mesmos.
E essa busca pela paz não era só teórica, nem ficou restrita à cidade de pedra. A igreja do Novo Testamento também sabia disso. Duas mulheres da igreja em Filipos, Evódia e Síntique, protagonizaram um desentendimento sério o bastante pra Paulo interceder por escrito, pedindo “que, no Senhor, tenham o mesmo modo de pensar” (Fp 4.2). A oração por paz nunca foi só pela cidade lá fora. Sempre foi também pela paz dentro da própria comunidade de fé.
Não pode haver paz duradoura sem justiça. E já vimos que a justiça plena só chega com o Rei que haveria de vir. Por isso, quando o salmista pede “Haja paz em você!” (v. 8), ele está, sem saber o alcance completo, orando “venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).
E quando o próprio Príncipe da Paz, séculos depois, entrou por essas mesmas portas montado num jumento, ele chorou sobre a cidade. Porque, apesar de terem rejeitado formalmente o seu próprio Messias (Jo 11.47-48), era exatamente ele quem trazia a paz que tanto pediam (Lc 19.41-42).
E a pergunta que fica é: você ora assim pela sua igreja? Não só reclama dela, não só sente saudade de como ela já foi. Mas ora, ativamente, pelo seu bem, por amor aos irmãos que estão nela e por amor ao próprio Deus que habita nela?
Outra pergunta: há paz no seu coração? Há paz no seu lar? Qualquer estado de guerra é forte indício de que não reina ai o Principe da Paz, o SENHOR e Salvador Jesus Cristo.
Davi pediu paz a Deus por uma cidade de pedra. Mas a paz que ele buscava sempre foi maior do que muros e portões.
Vimos, no trono da casa de Davi, a promessa de um Rei que traria justiça definitiva. Esse Rei chegou. Seu nome é Jesus. Ele é o Sacerdote e o Rei de seu povo: no santuário, o povo olhava para quem ofereceria sacrifícios por ele; no trono, para quem o governava. Em Jesus, as duas obras se encontram.
Mas antes de reinar, ele morreu. E foi ali, na cruz, que ele fez a obra que nenhum outro rei de Davi jamais fez. Reconciliou. Fez a paz.
E a arca que andava de lugar em lugar? Em Jesus, Deus mesmo veio morar entre nós (Cl 2.9), e prometeu ficar: “Eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.20). Os pés que pararam em Jerusalém encontraram, em Cristo, um repouso que nenhuma cidade de pedra podia dar.
Paulo escreve que Cristo “é a nossa paz” (Ef 2.14): pelo seu sangue, fomos aproximados de Deus, e a parede que nos separava uns dos outros foi derrubada. A súplica do salmista — “Haja paz em você!” (Sl 122.8) — encontrou, na cruz, sua resposta mais completa: paz com Deus, e paz uns com os outros, no mesmo ato.
Se você ainda não conhece essa paz, ela começa com uma decisão simples: crer que Jesus morreu e ressuscitou por você, e entregar a ele a sua vida.
Depois disso, o próximo passo é o batismo — a forma como você declara publicamente que morreu pro seu antigo modo de vida e agora pertence a Cristo (Rm 6.3-4).
E, junto com ele, a integração à igreja local. Porque ninguém foi chamado pra andar essa estrada até o céu sozinho. A fé cristã nunca foi projetada pra ser vivida em isolamento.
E pra quem já deu esses passos, a Casa de Deus que já habitamos tem quatro marcas.
Unidade: buscar comunhão com quem pensa diferente de você, em vez de evitar.
Adoração: participar do culto — cantar, orar, ouvir — em vez de apenas assistir.
Justiça: produzir o fruto do Espírito, dentro e fora da igreja, e aplicar, quando necessário, com graça e verdade, a disciplina eclesiástica. Porque o nosso Rei também é o Juiz.
E oração: interceder pela igreja em vez de só reclamar dela, como Evódia e Síntique precisaram aprender.
Escolha uma dessas marcas hoje, e comece a praticá-la ainda esta semana. Alguém com quem você precisa se reconciliar? Mais compromisso em participar dos cultos públicos, com exultação no coração, e não por rotina? Uma vida frutífera e santa, que reflita o Espírito que já habita em você? Graça e verdade para restaurar um irmão que se desviou? Orar com a igreja reunida, em vez de orar sozinho pelo que só a igreja pode carregar junto?
Mas nem a melhor igreja terrena é o fim da história. João viu, no Apocalipse, uma Jerusalém que desce do céu. Sem guerra, sem lágrima, sem necessidade de templo — “porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21.22). É pra lá que a peregrinação toda aponta: da Casa que já habitamos hoje, a igreja, à Cidade que ainda esperamos, a nova Jerusalém celestial.
Lembra da cidade dos sonhos de que falamos no início?
A igreja de Cristo já é um pedaço dela aqui na terra. Não porque seja perfeita, mas porque é onde a promessa do salmista já começou a se cumprir. E um dia, plenamente, Deus e o seu povo morarão em paz, para sempre.
S.D.G. L.B.Peixoto.
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Pr. Leandro B. Peixoto