

20.09.2026
Tem um desassossego que todo mundo aqui carrega — e, no entanto, quase ninguém para pra lhe dar nome. É viver cercado de promessa que não se cumpre. De gente que fala bonito e esconde, por trás da fala, uma intenção bem diferente. De gente que sorri na sua cara e, ao mesmo tempo, trabalha contra você pelas costas.
Você chega em casa cansado. E não é cansaço de trabalho ou de estudo, não — é outra coisa. É cansaço das pessoas. Cansaço de discutir. De se explicar de novo. De ser mal interpretado por quem, justamente, deveria estar do seu lado.
E sabe o que é pior? Você quer paz. Só isso. Um pouco de sossego. Mas o mundo ao seu redor parece ter decidido, de algum lugar que você nem alcança, que isso não vai acontecer. Você não terá paz! Estende a mão… e o que volta é um punho fechado. Quando não é isso, é uma facada nas costas.
Agora presta atenção: esse cansaço tem nome na Bíblia. E não é fraqueza de fé — longe disso. É o começo. É onde toda peregrinação verdadeira com Deus de fato nasce. Porque ninguém busca a Deus de verdade enquanto ainda está confortável com as mentiras do mundo. É preciso, primeiro, cansar-se delas. Cansar do mundo. Cansar-se de verdade — até o osso.
E foi esse cansaço, esse mesmo cansaço, que levou um peregrino, há quase três mil anos, a abrir a boca. E clamar.
As palavras dele estão diante de nós agora. É o primeiro dos quinze cânticos que os israelitas cantavam subindo a estrada para Jerusalém.
Vamos ouvir o que ele disse, no seu primeiro cântico.
Salmo 120 (NAA)
¹Na minha angústia, clamo ao SENHOR, e ele me ouve. ²SENHOR, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora. ³O que lhe será dado ou o que lhe será acrescentado, ó língua enganadora? ⁴Flechas afiadas de guerreiro e brasas vivas de zimbro. ⁵Ai de mim, que peregrino em Meseque e habito nas tendas de Quedar. ⁶Já há tempo demais que habito com aqueles que odeiam a paz. ⁷Sou pela paz; quando, porém, eu falo, eles teimam pela guerra.
Toda mensagem que vale a pena ouvir carrega uma ideia central (uma proposição)— algo que, mesmo se você esquecer tudo o mais que eu disser hoje, ainda vale a pena levar pra casa. É isso que eu quero te entregar agora, logo no início, pra você já saber onde estamos indo:
Diante da hostilidade que não cessa, o povo de Deus clama, confia no juízo do Senhor e continua perseverante como gente de paz.
Note bem: o salmo não promete que a guerra vai parar. Ele não termina em vitória. Termina exatamente onde começou — cercado de gente que quer briga. A angústia do salmista, no versículo 1, era por causa da guerra que todos ao redor insistiam em travar, no versículo 7. Leia os dois lado a lado:
v. 1: Na minha angústia, clamo ao SENHOR, …
v. 7: Sou pela paz… eles teimam pela guerra.
E é por isso que este salmo importa tanto pra nós: ele não ensina como vencer o conflito, mas como ser — como permanecer homem ou mulher de Deus — no meio dele.
Isso, aliás, explica por que este é o primeiro dos quinze cânticos (Salmos 120 a 134) que Israel cantava subindo a estrada para Jerusalém.
Você esperaria que uma peregrinação de adoração começasse com alegria, com louvor, com o coração já ansioso pra celebrar. Mas não. Ela começa em angústia.
E há um motivo: ninguém sai em peregrinação séria atrás de Deus enquanto ainda está satisfeito com as mentiras do mundo. É preciso primeiro se cansar delas — cansar de verdade. Esse cansaço não é fraqueza; é o que nos tira do lugar e nos põe a caminho.
E esse clamor não nasce do nada.
O salmo anterior, o Salmo 119, já terminava com um pedido urgente de socorro. O salmista já vinha clamando. Leia o que ele diz em 119.176: “Ando errante como ovelha perdida; procura o teu servo, pois não me esqueço dos teus mandamentos.”
E há mais: o salmista lembra que Deus já o ouviu antes. “Em minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele respondeu à minha oração” (Sl 120.1, NVT — e o verbo, no original, está mesmo no passado). É essa lembrança que lhe dá esperança para clamar de novo agora. É essa mesma confiança que vai sustentar cada passo do caminho até este peregrino, alguns cânticos à frente, chegar enfim aos portões de Jerusalém.
Por isso, hoje veremos como a paz nasce — não da ausência de guerra, mas de três movimentos que este peregrino nos ensina:
Clamor. Confiança. Convivência.
É assim que se vive em paz, em meio à guerra.
Corra o dedo até o versículo 1 comigo: “Na minha angústia, clamo [ou: clamei] ao SENHOR, e ele me ouve [ou: e ele me ouviu].”
O substantivo que ele usa — “angústia” — no hebraico carrega uma imagem bem concreta: é a ideia de um lugar apertado, estreito, sem saída. Não é um aperto qualquer — é a sensação de estar encurralado, sem espaço para respirar, sem rota de fuga.
O comentarista Allen Ross observa exatamente isso: a palavra descreve alguém “em beco sem saída”. Você já esteve assim? Encurralado por uma situação, por uma pessoa, por uma mentira que se espalhou e você não consegue mais desfazer?
Agora leia o versículo 2: “SENHOR, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora.”
Note que ele repete a mesma ideia com duas palavras diferentes — “lábios mentirosos” e “língua enganadora”. Isso não é enfeite de linguagem; é ênfase de propósito. O hebraico martela o mesmo ponto duas vezes porque o problema é sério: essa mentira não é um deslize, é estratégia. É gente que usa a palavra pra destruir, enganando.
E aqui vale abrir um parêntese, porque isso não é só um problema de três mil anos atrás. Eugene Peterson chamou atenção para um tipo de mentira ainda mais perigoso do que a mentira grosseira: ele chama de “mentira sem erro factual”.
O que ele quer dizer é isto: existem mensagens que você recebe todos os dias — de propaganda, de gente famosa, até de conselhos bem-intencionados — que não erram nenhum dado concreto. Elas até podem estar certas em tudo que afirmam. O problema não é o que elas dizem, é o que elas calam. Falam do mundo e esquecem de mencionar que Deus o criou. Falam do seu corpo e esquecem de dizer que ele é templo do Espírito Santo. Ensinam sobre amor e nunca mencionam Aquele que amou primeiro. Oferecem reabilitação e jamais tocam na real necessidade do home: regeneração pelo Espírito. Não é mentira por dado errado — é mentira por omissão do que mais importa. Vamos voltar a isso mais à frente, quando falarmos sobre o mundo em que vivemos hoje.
E o que o salmista faz diante da mentira que o cerca? Note bem: ele não vai atrás de vingança. Não espalha a própria versão da história pra se defender. E também não engole o problema calado, fingindo que está tudo bem. Ele faz a única coisa que resolve de verdade: clama a Deus.
E essa não é a primeira vez. Como já vimos, o Salmo 119 termina com um pedido de socorro, em 119.176, e o próprio versículo 1 deste salmo lembra que Deus já respondeu antes. Esse padrão — “clamei… e ele me ouviu” — aparece dezenas de vezes em Salmos. Não é desespero de última hora. É o hábito espiritual de quem já aprendeu, por experiência, que Deus escuta.
Então, a pergunta para você neste ponto é simples: quando a mentira aperta, quando a calúnia machuca, quando você se sente encurralado, enganado, por gente que fala bonito e faz feio — pra onde você corre primeiro? Você começa a ensaiar sua defesa? Guarda mágoa em silêncio? Grita, retruca, desesperado? Ou você faz o que este peregrino fez, e transforma sua angústia em oração antes de qualquer outra coisa?
Clamar não é fraqueza. É o primeiro passo de quem já decidiu que não vai resolver essa guerra com as próprias armas.
Mas clamar a Deus levanta uma pergunta incômoda. Se eu entrego minha angústia a ele, o que eu faço, então, com a raiva que fica? Com a vontade de revidar, de “colocar essa pessoa no lugar dela”, de fazer ela sentir o gosto da própria mentira? Clamar resolve o desespero — mas, sozinho, o clamor não resolve a sede de justiça.
É exatamente aí que o salmista dá o próximo passo, e é por isso que este segundo movimento é indispensável: sem ele, o clamor vira só desabafo, e a pessoa que orou volta, minutos depois, a tramar vingança por conta própria.
Corra o dedo até o versículo 3: “O que lhe será dado ou o que lhe será acrescentado, ó língua enganadora?”
Repare que, agora, o salmista muda de interlocutor. Nos versículos 1 e 2 ele falava com Deus. Aqui, de repente, ele se volta e fala diretamente com a mentira — como se a língua enganadora estivesse ali, na sua frente, ouvindo.
As expressões “o que lhe será dado” e “o que lhe será acrescentado” criam uma fórmula solene de juramento, o mesmo tipo de linguagem que aparece em 1Samuel 3.17, quando Eli exige que Samuel conte tudo o que Deus lhe revelou, sob pena de um juízo severo: “Que Deus faça com você o que bem quiser se você me esconder alguma coisa de tudo o que ele falou.” É a forma bíblica de dizer, com toda a solenidade: “Isso não vai ficar sem resposta.”
O versículo 4 responde a pergunta do versículo 3: “Flechas afiadas de guerreiro e brasas vivas de zimbro.” — isso é o que lhe será dado ou que lhe será acrescentado, ó língua enganadora. Flechas. Brasas vivas.
Duas imagens. A primeira, flechas afiadas, é imagem de guerra — mas repare que ela também aparece em outros salmos para falar de palavras que ferem como arma; você vê isso no Salmo 57 e no Salmo 64. A segunda, brasas vivas de zimbro, tem um detalhe curioso: essa madeira queima devagar, e mesmo quando o fogo parece apagado, um pouco de vento já é o bastante para reacendê-lo. O enganador pensa que resolveu, que já apagou o rastro da própria mentira — e o fogo volta a incendiar exatamente onde ele menos espera, e queima sem parar.
Ou seja: quem vive espalhando mentira e destruição vai colher o que plantou. Quem vive pela espada, morre pela espada.
O salmista não pega em armas. Não sai por aí “acertando as contas” com quem mentiu sobre ele. Fala à língua enganadora, sim — mas fala confiando que o juízo é de Deus, não tomando o juízo nas próprias mãos.
E é isso que a Bíblia chama de confiança: não é fingir que a mentira não doeu, nem é ficar calado engolindo tudo. É entregar a conta para quem tem autoridade de cobrá-la.
A pergunta que abrimos este ponto, então, já tem resposta: o SENHOR, bem melhor do que nós, sabe lidar com quem mente. Não precisamos ser o vingador — porque ele já é.
Isso não é passividade. É a coragem mais difícil que existe: a de largar o direito de se vingar, confiando que a justiça de Deus é mais certeira — e mais justa — do que a nossa.
No Clamor (vv. 1-2), o salmista entregou sua angústia a Deus. Na Confiança (vv. 3-4), entregou o direito de se vingar. Só agora, tendo entregue as duas coisas, ele consegue fazer o que vem a seguir: continuar vivendo, dia após dia, entre a mesma gente que o fere (vv. 5-7). Ele não mudou de vizinhança — só aprendeu a permanecer ali sem se corromper pela guerra que o cerca.
Corra o dedo até o versículo 5: “Ai de mim, que peregrino em Meseque e habito nas tendas de Quedar.”
Meseque ficava lá pro norte, mais de 1.500 km de Jerusalém. Quedar, pro outro lado, no deserto da Arábia, mais de 1.000 km de Sião. Ninguém mora nos dois ao mesmo tempo — o salmista usa isso como símbolo: “não importa pra que lado eu olhe, estou cercado”. É a imagem do povo de Deus espalhado num mundo sem Deus.
O versículo 6 confirma: “Já há tempo demais que habito com aqueles que odeiam a paz.” Não é mais estranhamento passageiro. É uma vida inteira fora do lugar.
Isso já tinha acontecido antes. Quando Israel foi ao exílio, cercado de gente estranha em terra estranha, Jeremias, em nome do SENHOR Deus, escreveu uma ordem surpreendente: busquem a paz da cidade para onde os levei, porque na paz dela vocês também terão paz (Jr 29.7). Deus não disse “esperem sair daí pra buscar a paz” — disse “sejam, aí mesmo, semente de paz”. É essa mesma vocação que o nosso peregrino já vive: pela paz num lugar que não quer a paz.
Isso nos leva de volta à “mentira sem erro factual” que mencionamos no versículo 2. É ela que faz do mundo um Meseque e Quedar pro crente hoje. Eugene Peterson descreve esse mundo: vozes que não erram nenhum dado, mas mentem porque escondem o essencial. O publicitário que diz saber o que você precisa. O entretenedor que vende um atalho pra alegria. O político que finge instruir sobre moral e justiça. O psicólogo que promete uma vida feliz sem nunca mencionar a Deus. O religioso que, como já denunciava Jeremias, “cura superficialmente a ferida do meu povo” — e até o pastor que tira o mandamento de Deus do caminho pra não incomodar ninguém.
Todas essas vozes falam de você, da vida, do mundo — e esquecem de Deus. Aí mora o perigo: elas não distorcem fato nenhum, só apagam Aquele que dá sentido a tudo. O pecado, quase sempre, não é mentira descarada. É meia verdade — um mundo bem descrito, mas sem Deus, sem Cristo, sem a cruz no centro dele.
Peterson observa que a palavra “SENHOR” aparece só duas vezes neste salmo (vv. 1 e 2) — mas basta ela pra iluminar tudo, como um raio numa estrada bifurcada à noite. No instante em que Deus entra na conversa, cada mentira se expõe: a verdade sobre você é que Deus te fez para a glória dele; a verdade sobre o mundo é que Deus o governa; e a verdade sobre o que está errado é que insistimos em viver como se Deus não estivesse no centro de tudo — isso é pecado.
E quem vive longe da adoração sente essa mesma fome — a alma definha, desnutrida. É natural sentir o peso do “ai de mim” do versículo 5 deste salmo — quando a gente se afasta dos meios que Deus deu pra alimentar a fé. Às vezes, aliás, Deus permite essa carência justamente pra nos preparar — pra criar, em nós, um apetite por Ele que talvez não existisse se tudo fosse fácil.
É cercado assim que o salmista declara, no versículo 7: “Sou pela paz; quando, porém, eu falo, eles teimam pela guerra.” Note a coragem dessa frase: ele não diz “eu quero paz”, como quem deseja um favor. Diz “eu sou pela paz” — no hebraico, uma expressão de identidade, não de sentimento passageiro. Não é o que ele sente hoje. É quem ele é, mesmo quando ninguém corresponde. Ele, por ser um filho de Deus, é um pacificador (cf. Mt 5.9).
Essa é a convivência a que somos chamados: não fingir que a guerra não existe, não revidar mentira com mentira, nem usar as mesmas armas do ódio para contra-atacar — mas ser, como Jeremias ensinou aos exilados, gente de paz plantada em terra de guerra.
Este salmo, aliás, é só o primeiro de quinze. A caminhada continua, e mais à frente — no Salmo 133 — o próprio peregrino vai cantar: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” A comunhão que falta aqui, no Salmo 120, é a mesma que a peregrinação inteira busca alcançar.
E nós, que cremos em Cristo, já a temos: na igreja.
Paulo escreveu aos efésios que também nós vivíamos assim — sem Deus, sem povo, sem paz. Mas agora, em Cristo, temos as duas coisas: Deus é nosso, e também o é o seu povo. Leia com atenção:
Efésios 2.12-16 (NAA)
12Naquele tempo vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.
13Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo. 14Porque ele é a nossa paz. De dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade. 15[…] para que dos dois criasse em si mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz, 16e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por meio da cruz, destruindo a inimizade por meio dela.
O peregrino do Salmo 120 ainda só sonhava com essa paz. Nós, em Cristo, já a habitamos.
Vimos o salmista clamar, confiar o juízo a Deus, e perseverar como homem de paz. Mas de onde vem a força para fazer isso, dia após dia, sem azedar? Só de um lugar: do fruto que o próprio Espírito de Deus produz em quem crê.
Lembra do desassossego de que falamos lá no início? Gente que fala bonito e esconde outra intenção. Você estende a mão, e o que volta é um punho fechado — e punhalada nas costas. Pois o evangelho que pregamos é a única força capaz de virar esse jogo — não porque nos ensina boas maneiras, mas porque planta em nós esse Espírito diferente.
Paulo escreve aos gálatas: “se vocês ficam mordendo e devorando uns aos outros, tenham cuidado para que não sejam mutuamente destruídos” (Gl 5.15). Essa é a paisagem de Meseque e Quedar reproduzida bem perto de nós — não lá fora, mas na família que discute sem tréguas, na igreja dividida por mágoa antiga, na tela do celular onde cristãos se destroem uns aos outros em nome da verdade.
Mas Paulo também mostra o antídoto: “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
Repare: paz nasce do Espírito de Deus habitando em quem recebeu o evangelho. Não é técnica de convivência. É produção divina em quem crê. E por isso “os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (v. 24) — inclusive a paixão de revidar, de ferir de volta, de vencer a mentira com o mesmo ódio, ainda que travestido de verdade.
É assim que nasce um povo de paz: primeiro em paz com Deus; depois em paz uns com os outros. Uma nova humanidade que começa dentro da igreja, transborda para dentro de casa, e daí para uma sociedade inteira que só conhece o “morder e devorar”.
Paulo diz assim: “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5.25). É o nosso chamado: sermos, aí onde estamos, gente de paz — não porque a guerra parou, mas porque já clamamos, já confiamos o juízo a Deus, e já vivemos do fruto que só ele produz.
S.D.G. L.B.Peixoto.
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Paz em Meio a Guerra
Pr. Leandro B. Peixoto