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27.09.2026

Olhos em Deus

  • Pr. Leandro B. Peixoto
  • Série: Peregrinos - Uma Jornada à Presença de Deus
  • Livro: Salmos

Você já percebeu como as pessoas que se convertem a Cristo, ou que decidem andar de um jeito mais consagrado com Deus, esperam outra vida? E não só no sentido espiritual — literalmente outra vida: sem briga em casa, sem problema no trabalho, sem qualquer desconforto ou dificuldade.

Por um tempo até parece que vai ser assim. Aí vem a primeira decepção. A vida continua difícil. O casamento continua com atrito. O exame não sai como você queria. O filho continua sem muito diálogo.

E surge uma pergunta incômoda, quase envergonhada: “eu não deveria estar livre disso, agora que decidi seguir a Deus?”

Se você já se pegou pensando algo parecido, tenho uma notícia boa pra você: você não está sozinho. E uma má notícia também: você não está certo. Não porque Deus não se importe. Mas porque você esperava a coisa errada. A fé nunca prometeu o fim dos problemas. Prometeu Alguém que guarda você no meio deles.

Isso nos traz ao Salmo 121.

Houve um peregrino que descobriu, há quase três mil anos, que a fé não resolveu os seus problemas imediatos. Ele ergueu os olhos — porque na frente dele estavam as montanhas que ele ainda precisava atravessar até chegar a Jerusalém.

Esse é o segundo dos quinze cânticos que os israelitas cantavam subindo a estrada para a cidade santa. Ele começa exatamente onde o primeiro parou: no Salmo 120, o peregrino clamou cercado de gente que só queria guerra. Agora, no Salmo 121, ele olha para frente. E o que vê é o próximo obstáculo: a subida íngreme, perigosa, no meio das montanhas.

Vamos ler o que ele diz.

Salmo 121 (NAA)
¹Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? ²O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. ³Ele não permitirá que os seus pés vacilem; não dormitará aquele que guarda você. ⁴É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. ⁵O SENHOR é quem guarda você; o SENHOR é a sombra à sua direita. ⁶De dia não lhe fará mal o sol, nem de noite, a lua. ⁷O SENHOR guardará você de todo mal; guardará a sua alma. ⁸O SENHOR guardará a sua saída e a sua entrada, desde agora e para sempre.

A Promessa Por Traz da Subida

Este salmo resume-se à seguinte ideia central:

Você pode elevar os olhos para Deus com confiança, porque quem guarda a sua vida é o mesmo que fez o universo inteiro.

Note que o salmo não promete o fim da subida. Ele não diz que as montanhas vão desaparecer, nem que o caminho vai ficar plano. O que ele promete é Alguém que atravessa a subida com você — do primeiro passo ao último.

Esse peregrino, quando ergueu os olhos, estava no vale do Jordão, perto de Jericó — mais de 350 metros abaixo do nível do mar. Jerusalém, seu destino, fica a mais de 700 metros acima. Ou seja: à frente dele havia mais de mil metros de subida, por terreno íngreme, exposto ao sol o dia inteiro e ao relento a noite inteira. Não era uma caminhada de fim de semana. Era dias de esforço, com riscos reais — de tropeçar numa pedra solta, de sofrer com o calor do dia e o frio da noite, de ser atacado por assaltantes ou animais no meio do caminho.

E ele já vinha cansado dessa jornada antes mesmo de começar a subida. No salmo anterior, o Salmo 120, ele tinha acabado de clamar a Deus, cercado de gente que só queria guerra.

Agora, ainda com esse peso, ele levanta os olhos e enxerga o próximo desafio: as montanhas. E faz a pergunta mais honesta que existe diante de um obstáculo assim: “de onde me virá o socorro?”

E é justamente aí que este salmo nos ensina a manter os olhos em Deus — em quatro passos:

Primeiro, olhos em Deus, para saber a quem pedir socorro (vv. 1-2). Segundo, olhos em Deus, para descansar, sabendo que ele não descansa (vv. 3-4). Terceiro, olhos em Deus, para atravessar o dia e a noite sem medo (vv. 5-6). Quarto, olhos em Deus, para confiar que ele guarda tudo, do início ao fim, sempre (vv. 7-8).

1. Olhos em Deus, para saber a quem pedir socorro (vv. 1-2)

Vamos começar, então, pelo primeiro passo: olhos em Deus, pra saber a quem pedir socorro. Leia o versículo 1: “Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?”

Repare no verbo: “elevo”, não “elevarei” nem “elevei”. “Elevo”. Isso importa. Não é uma decisão que ele tomou uma vez e pronto — é o gesto de quem está, agora mesmo, olhando pra frente e medindo o tamanho do problema.

Há duas maneiras de entender o que esse peregrino via, quando olhava para aqueles montes. E as duas têm algo pra nos ensinar.

A PRIMEIRA LEITURA é a mais direta: ele olhava pro perigo físico do caminho. Como já vimos, eram mais de mil metros de subida — pedra solta, risco de queda, assaltante escondido no desfiladeiro.

Aliás, foi justamente nessa estrada, entre Jerusalém e Jericó, que Jesus situou a parábola do bom samaritano: um homem que caiu nas mãos de assaltantes, foi espancado, roubado e deixado ali, até que alguém finalmente parasse pra socorrê-lo (Lc 10.30).

Olhar para os montes, aqui, é olhar pro tamanho do problema que ainda falta enfrentar. E saber de uma coisa: o perigo é real, e sem socorro, ninguém atravessa sozinho.

A SEGUNDA LEITURA vai além do perigo físico. Quem nos ajuda a enxergar isso é João Calvino: pra ele, esse “elevar os olhos para os montes” descreve algo mais profundo que apenas o medo do caminho — descreve a inconstância do próprio coração humano diante do perigo.

Quando o medo aperta, todos nós — inclusive os que creem em Deus — temos a tendência de olhar “ora para um lado, ora para outro”, buscando socorro em qualquer direção, antes que a fé nos corrija e fixemos os olhos de volta só em Deus. É assim que Calvino descreve quem “desconsiderando a Deus, olha ao redor, para longe, fazendo longos e desviados circuitos em busca de remédio para os seus problemas.”

“Os montes”, nesse sentido, representam tudo que é grande ou excelente demais aos nossos olhos: poder, riqueza, prestígio — qualquer garantia, qualquer coisa forte o bastante pra resolver o problema sem precisar de Deus. E há mais: o título atribuído ao SENHOR — “que fez o céu e a terra”, no versículo 2 — está ali pra nos repreender. Porque se reconhecêssemos mesmo Deus como Criador de tudo, nunca precisaríamos correr atrás de outra fonte de socorro. E o fato de corrermos revela algo: no fundo, ainda duvidamos do poder dele.

Séculos depois de Calvino, o pastor Eugene Peterson mostrou o quanto isso era literal na época do salmo. Os montes da Palestina, ao redor de Jerusalém, estavam cheios de santuário pagão, cada um vendendo proteção pra um medo específico.

Medo do sol? Tinha um sacerdote do deus-sol. Medo da lua, e da loucura que se dizia vir dela? Uma sacerdotisa da lua. Cada perigo, um deus à venda — Baal, Asherá, tanto fazia. É bem provável que o salmista tivesse isso diante dos olhos quando repete a palavra “socorro” duas vezes, nos versículos 1 e 2.

Esse “circuito desviado” não morreu — só trocou de roupa, e ganhou sotaque brasileiro.

Hoje ninguém visita sacerdote da lua, mas tem simpatia pra tudo: pra dinheiro, pra amor, pro emprego que não vem. Tem cartomante e tarólogo no Instagram, prevendo o ano todo em três cartas. E, sem querer ofender ninguém: tem até quem transforme a própria fé numa campanha. Ore assim, pague um preço de oração, plante essa semente — e o socorro virá garantido. Como se Deus fosse mais um desses deuses dos montes, acionado pela fórmula certa, em vez de buscado como Pai.

E o salmista responde, cortando as duas dúvidas de uma vez, no versículo 2: “O meu socorro vem do SENHOR” — “que fez o céu e a terra.” Não é só mais um entre muitos, nem uma força a mais somada às outras. É quem fez os próprios montes. O sol. A lua. E, de quebra, os deuses de araque que moravam lá.

Então a pergunta é sua, agora. Quando a vida aperta — seja pelo tamanho real do problema, seja pela tentação de buscar uma solução pequena pra um medo específico — pra onde você ergue os olhos primeiro? Pra simpatia, pro horóscopo, pra entidade espiritual, pro Estado, pra fórmula da vez? Ou para Aquele que fez tudo o que existe, e que continua fazendo por você o que nada, e ninguém, jamais poderia fazer? O socorro vem do SENHOR.

2. Olhos em Deus, pra descansar, sabendo que ele não descansa (vv. 3-4)

Saber de onde vem o socorro resolve a primeira dúvida: quem me socorrerá diante dessa montanha de problemas? Mas levanta outra, quase imediata: e se esse socorro cochilar bem na hora em que eu mais precisar dele?

É essa pergunta que o segundo passo responde: olhos em Deus, pra descansar, sabendo que ele não descansa.

Leia os versículos 3-4:

3Ele não permitirá que os seus pés vacilem; não dormitará aquele que guarda você. 4É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.

O verbo usado pra “vacilar”, no hebraico, pode significar tanto um escorregão quanto uma queda total. E Calvino nota algo honesto: o salmo não promete que o crente nunca vai cambalear — às vezes cambaleia, sim, e quase cai de vez. Às vezes cai. A promessa é outra: que ele permanece de pé, porque Deus o sustenta. Ou, se cair, Deus levanta. E sustenta. A promessa é que o crente jamais se prostra.

Mas o verdadeiro problema, muitas vezes, não é o perigo em si. É a dúvida sobre a intenção de Deus. Você pode até acreditar que Deus é poderoso o bastante pra te ajudar, e mesmo assim viver ansioso, sem saber se ele quer usar esse poder por você.

Então… Não basta crer que Deus pode ajudar — é preciso crer que ele quer. E o coração só descansa quando essa segunda certeza toma conta de você por dentro.

Repare em outro detalhe. A partir do versículo 3, o salmo muda de voz. Nos dois primeiros versículos, era o próprio peregrino falando, sozinho, consigo mesmo. Agora, alguém mais parece tomar a palavra — talvez um sacerdote, talvez um companheiro de viagem mais experiente — pra reafirmar a ele o que Deus promete. É outra voz vindo confirmar, de fora, aquilo que ele mal ousava crer sozinho.

3Ele não permitirá que os seus pés vacilem; não dormitará aquele que guarda você. 4É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.

E isso já é, por si só, parte da resposta de Deus pra ansiedade: ele não deixou você sozinho nem na hora de lembrar quem cuida de você. É pra isso que existe igreja, pregação, aconselhamento, discipulado — gente que caminha ao seu lado e, nos dias em que sua própria fé cambaleia, fala a verdade que você precisa ouvir, mesmo que você já a conheça. Um amigo de alma nessa caminhada não substitui a fé. Mas Deus, com frequência, a sustenta assim: por meio de outra voz.

E note a progressão do versículo 3 pro 4.

Primeiro, “não dormitará aquele que guarda você” (v. 3) — no singular, você mesmo. Depois, “nem dorme o guarda de Israel” (v. 4) — agora é a nação inteira. Calvino explica por que essa ampliação importa: a certeza pessoal, sozinha, ainda deixa margem pra dúvida — “será que essa promessa vale mesmo pra mim, ou só pros outros?”

É como fazer parte de uma família: você não precisa provar que tem direito a herança — ela já é sua, por pertencer à família. Da mesma forma, você não precisa provar que é digno da proteção de Deus. Ela já é sua, porque você pertence ao povo dele.

Então, quando a ansiedade vier à noite, e você não conseguir dormir de tanto pensar no problema, lembre-se: você pode fechar os olhos e dormir, exatamente porque Deus não fecha os dele. O socorro vem do SENHOR. E ele jamais cochila nem dorme.

3. Olhos em Deus, para atravessar o dia e a noite sem medo (vv. 5-6)

Saber que Deus nunca dorme resolve uma dúvida. Mas levanta outra: tudo bem que ele está de olho — mas de olho em quê, exatamente? Na vida toda, ou só nas grandes emergências? Porque tem gente que só lembra de Deus no hospital, na crise, no desespero — e trata o resto do dia como se fosse por conta própria.

É essa pergunta que o terceiro passo responde: olhos em Deus, pra atravessar o dia e a noite sem medo.

Leia os versículos 5-6: “5O SENHOR é quem guarda você; o SENHOR é a sombra à sua direita. 6De dia não lhe fará mal o sol, nem de noite, a lua.”

“À sua direita” é a posição de quem protege de perto — não olhando de longe, do alto de um trono, mas colado ao seu lado, na direção de onde viria o ataque. E “sombra” é uma imagem física, quase sensorial: qualquer peregrino sabe o alívio de sair do sol a pino pra debaixo de uma árvore. É esse alívio, constante, que o salmo promete.

Sol e lua, aqui, não são só o clima. Naquela época, os viajantes tinham medo de que a exposição prolongada à lua causasse uma espécie de loucura: “mal da lua”. Foi daí, aliás, que veio a palavra “lunático”. Eugene Peterson observa algo muito real por trás dessa crença antiga: um viajante caminhando dias a fio, sob fadiga acumulada e pressão constante, pode sim adoecer emocionalmente. O que os antigos chamavam de “atingido pela lua”, nós chamaríamos hoje de esgotamento. Burnout. Ansiedade que já não se controla mais.

Não é só sol que pode fazer mal. A escuridão prolongada, a solidão da estrada, o cansaço que vira desespero — tudo isso também ameaça, e de um jeito muitas vezes mais silencioso do que o perigo físico do dia. E o salmo diz: a sombra de Deus cobre isso também. Não é proteção só do corpo. É proteção da mente contra o colapso que o próprio peso da caminhada pode provocar.

Calvino, por outro lado, é mais cauteloso quanto a essa crença popular da lua — acha mais provável que o texto fale simplesmente do frio da noite, comum e perigoso na Palestina.

Mas mesmo assim, ele faz questão de avisar algo importante: o salmista não está prometendo uma vida sem dificuldade nenhuma. Está prometendo que, em meio à dificuldade normal da vida — que ele mesmo não nega que existe — a sombra de Deus continua ali, protegendo do que faria mal de verdade.

E é aqui que mora um erro comum, que o próprio Peterson identificou: separamos a fé em duas religiões.

Uma, pro domingo — grandiosa, capaz de lidar com a cruz, a ressurreição, a eternidade.

Outra, pro dia a dia — pequena, resolvida na base do conselho de influenciador, da simpatia, do jeitinho. Como se Deus fosse importante demais pra se incomodar com o trânsito ruim, a fatura atrasada, a noite maldormida — como quem só chama o médico para as emergências, e trata tudo o mais em casa, sem ele.

O salmo diz o contrário. A mesma fé que sustenta você na tragédia é a que sustenta você na exaustão silenciosa de uma fase difícil. O Deus que guarda sua alma no pior dia da sua vida é o mesmo que guarda sua mente numa noite maldormida. Não existe assunto pequeno demais pra ele.

Então, da próxima vez que você sentir que está aguentando fisicamente, mas se esgotando por dentro — pergunte-se: por que reservo Deus só pro que é grande, e escondo dele exatamente o que está me consumindo aos poucos?

4. Olhos em Deus, para confiar que ele guarda tudo, sempre (vv. 7-8)

Descobrir que Deus guarda o corpo e a mente, o dia e a noite, ainda deixa uma última pergunta em aberto — talvez a mais difícil de todas: e quando o mal chega mesmo assim? Deus falhou na guarda?

É essa pergunta que o quarto e último passo responde: olhos em Deus, pra confiar que ele guarda tudo, do início ao fim, sempre.

Leia os versículos 7-8: “7O SENHOR guardará você de todo mal; guardará a sua alma. 8O SENHOR guardará a sua saída e a sua entrada, desde agora e para sempre.”

Repare que “guardar” aparece de novo — a sexta vez no salmo (vv. 3, 4, 5, 7 duas vezes, e 8). Não é repetição por falta de vocabulário: o salmista repete porque sabe como é difícil corrigir nossa falta de confiança. Uma frase só não basta. Precisamos ouvir de novo, e de novo, até a verdade descer da cabeça pro coração.

Mas “todo mal” não significa uma vida sem perda, sem dor, sem doença, sem sepultamento. Se significasse isso, o próprio salmista estaria mentindo — porque ele mesmo, no salmo anterior, tinha acabado de sofrer nas mãos de gente que só queria guerra.

“Todo mal” quer dizer outra coisa: nada — nenhuma doença, nenhuma perda, nenhuma injustiça — vai ter poder de arrancar você do propósito de Deus, ou de separar você do amor dele. É o que Paulo escreveria, séculos depois: nem morte, nem vida, nem angústia, nem perigo algum seria capaz de nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.35-39).

E o versículo 8 fecha citando as duas pontas da vida: “sua saída e sua entrada” — ou seja, tudo. Toda vez que você sai de casa, e toda vez que volta. Todo projeto que começa, e todo projeto que termina. Seu nascimento, e a sua morte. Nada fica de fora.

Note como o salmo termina exatamente onde começou. No versículo 1, a pergunta era “de onde me virá socorro?” — uma pergunta sobre chegar são e salvo. No versículo 8, a resposta cobre “saída e entrada”: ida e volta garantidas.

O mesmo Deus que prometeu ajudar você a subir também promete trazer você de volta pra casa — e não só até o fim da viagem a Jerusalém, mas “desde agora e para sempre”. Na palavras de Davi, em Salmos 23.6: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.

O Peregrino Que Subiu Sozinho

Este é apenas o segundo cântico de quinze. O peregrino ainda tem muitas montanhas pela frente até ver os portões de Jerusalém. Mas já sobe diferente: não mais perguntando de onde virá o socorro, e sim descansando em quem prometeu guardá-lo — até o Salmo 122 finalmente cantar:

“Alegrei-me quando me disseram: ‘Vamos à Casa do SENHOR.’”

Mas há Alguém que subiu essa mesma estrada, séculos depois, e conheceu um abandono que nenhum peregrino jamais conheceu.

Numa das noites mais escuras de sua vida, no jardim do Getsêmani, o Senhor Jesus pediu aos discípulos que vigiassem com ele. E eles dormiram (Mt 26.40-41). O próprio Guarda de Israel, que “não dormita, nem dorme”, foi cercado, naquela noite, por amigos que cochilaram e dormiram bem na hora em que ele mais precisava de companhia.

Mais tarde, na cruz, ele clamaria: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46) — o único momento, em toda a Bíblia, em que o Pai parece dormir diante do clamor do Filho. E Jesus subiu sozinho a maior de todas as montanhas — não uma de pedra, mas a montanha da morte, que nenhum peregrino jamais conseguiria atravessar sozinho. Ele a atravessou pra que você, pela graça, mediante a fé, atravesse um dia a sua.

Lembra da pergunta que fizemos lá no início? “Eu não deveria estar livre disso, agora que decidi seguir a Deus?” Cristo é a prova viva de que a resposta certa nunca foi “sim”. E é justamente por ter atravessado a montanha, e vencido do outro lado, que Cristo pôde fazer aos discípulos a promessa que resume este salmo inteiro: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.20). O mesmo “desde agora e para sempre” do versículo 8 ganha rosto, nome e cicatrizes em Jesus Cristo.

Então, quando você elevar os olhos pra próxima montanha da sua vida, lembre-se: o Socorro que vem do SENHOR já subiu à sua frente. Já pagou o preço da sua entrada. E continua de olhos abertos por você — hoje, e sempre.

Prossiga, ó crente! Prossiga. Fixe seus olhos em Jesus e peregrine através dos montes. Até chegar à mansão celestial.

Agarre-se às palavras de Judas e prossiga:

24 E ao Deus que é poderoso para evitar que vocês tropecem e que pode apresentá-los diante da sua glória, com grande alegria, 25 a este que é o único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam a glória, a majestade, o poder e a autoridade, antes de todas as eras, agora, e por toda a eternidade. Amém!

Olhos em Deus. E coragem. Avante.

S.D.G. L.B.Peixoto.

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