

30.11.2025
Mateus 1.1-17
1Este é o registro dos antepassados de Jesus Cristo, descendente de Davi e de Abraão: 2Abraão gerou Isaque. Isaque gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou Perez e Zerá, cuja mãe foi Tamar. Perez gerou Esrom. Esrom gerou Rão. 4Rão gerou Aminadabe. Aminadabe gerou Naassom. Naassom gerou Salmom. 5Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe. Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute. Obede gerou Jessé.
6Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, cuja mãe foi Bate-Seba, viúva de Urias. 7Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jeorão. Jeorão gerou Uzias. 9Uzias gerou Jotão. Jotão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amom. Amom gerou Josias.
11Josias gerou Joaquim e seus irmãos, nascidos no tempo do exílio na Babilônia. 12Depois do exílio na Babilônia: Joaquim gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13Zorobabel gerou Abiúde. Abiúde gerou Eliaquim. Eliaquim gerou Azor. 14 Azor gerou Sadoque. Sadoque gerou Aquim. Aquim gerou Eliúde. 15Eliúde gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó.
16Jacó gerou José, marido de Maria. Maria deu à luz Jesus, que é chamado Cristo.
17Portanto, são catorze gerações de Abraão até Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio na Babilônia até Cristo.
Buscar o verdadeiro significado do Natal pode levantar um gigantesco ponto de interrogação na cabeça de muitos.
O problema não é tanto o termo “Natal”. Ele, neste império do pluralismo religioso, tem sido gradualmente substituído apenas pela palavra “festa”. A questão real que nos confronta é a palavra significado.
Vivemos num mundo em que a maioria sente que, na verdade, não há significado real — não apenas para o Natal, mas também para a própria vida.
De fato, filósofos lutam com essa questão há séculos. Eles ponderam: a significância pertence realmente às coisas? Ou será que o significado é um esforço da nossa mente para dar sentido a um mundo que, em sua essência, não tem sentido algum?
Essa crise não é vaga. Ela se manifesta de formas muito concretas.
Observem o campo da literatura: é comum que os estudantes sejam ensinados de que a intenção do autor não é necessariamente o significado do texto. Ensina-se que o autor não tem mais voz; o texto passa a significar coisas diferentes para pessoas diferentes.
Note bem: a questão não é que pessoas diferentes vejam significados diferentes para suas vidas no texto. A questão é que o texto não possui, de fato, nenhum significado real ou substância objetiva. Existe apenas o que você acha que ele significa e o que eu acho que ele significa.
Vocês encontram a mesma dinâmica entre muitos cientistas hoje. Suponho que Richard Dawkins seja o mais famoso deles. Se esse biólogo evolutivo britânico, professor emérito da Universidade de Oxford, fosse questionado por pais cujo filho sofre de um câncer mortal e lhe perguntassem por que isso está acontecendo com a criança, ele não teria resposta.
A resposta de Dawkins seria clara: a pergunta “por que” não tem significância.
Tudo o que ele faria seria dizer-lhes “como”: como biologicamente isso está acontecendo, como quimicamente, como fisiologicamente. Mas significado? Certamente não. Porque isso sugeriria que existe alguma significância mais ampla para todo o universo. E, segundo Dawkins, não há. O que há é uma indiferença impiedosa do universo.
Em seu livro Rio que Sai do Éden, Dawkins escreve:
No universo de forças físicas cegas e replicação genética, algumas pessoas vão se ferir, outras vão ter sorte, e você não encontrará nenhum ritmo ou razão nisso, nem qualquer justiça.
É exatamente nesse ponto que reside a alma da maioria.
Quão proféticos foram aqueles Beatles de Liverpool ao cantarem sobre o Nowhere Man (o Homem de Lugar Nenhum).
Quem é esse homem mesmo?
Ora, como o próprio título da música, de 1965, sugere, ele é um homem de lugar nenhum, vivendo em uma terra de lugar nenhum, não tem um ponto de vista, não sabe de onde veio, para que veio, nem para onde está indo.
É, de fato, a descrição do homem desta era: alguém perdido em indecisão, que vive de modo passivo e sem propósito definido — nas garras de um destino ou de um criador movido por uma indiferença impiedosa (assista Frankenstein, a produção recente de Guillermo del Toro, na Netflix).
Mais sugestivo ainda é saber que a música Nowhere Man está no álbum Rubber Soul (Alma de Borracha), o que sugere uma alma “flexível” no sentido de capacidade criativa em constante mudança (evolução!).
Esta é a pessoa moderna, dizem-nos: maleável às mudanças, à evolução das coisas. Sem ponto fixo. Sem alma. Um boneco de borracha vivendo num mundo marcado pela indiferença impiedosa, e uma vida sem verdadeiro significado.
E, no entanto, neste Natal, a mídia, mais uma vez, perguntará a pessoas famosas — e talvez a alguns cidadãos comuns —: “O que o Natal significa para você?”.
E receberão as mesmas respostas de sempre.
Mas, será que este é o significado do Natal?
Será que este é, afinal, o significado da vida?
Uma vida desconectada da história, na qual a história não possui relevância alguma?
Que não há um “panorama geral” para nossa existência?
Que não há, no universo, pista que nos dê estabilidade ou confiança para viver?
Nossa vida não seria então parte de algo muito maior do que as simples trivialidades do dia a dia?
Qual é o verdadeiro significado do Natal? E da vida?
Na verdade, para que algo tenha significado real, para que possua significância genuína, três critérios precisam ser verdadeiros a seu respeito:
Isso é metanarrativa.
Metanarrativa é um conceito usado para descrever uma narrativa abrangente que pretende explicar a totalidade da realidade — origem, sentido, finalidade e estrutura do mundo e da experiência humana. Em vez de tratar apenas de um tema específico, a metanarrativa oferece um enquadramento global que unifica diversos aspectos da vida: moralidade, história, identidade, sofrimento, esperança e destino.
No cristianismo, a narrativa das Escrituras — criação, queda, redenção e consumação — funciona como metanarrativa porque oferece uma explicação coerente e abrangente da existência humana, do mal e da esperança futura. Não se limita a descrever experiências; organiza o mundo inteiro sob a soberania de Deus.
É fascinante como Mateus, ao começar a contar a história de Jesus de Nazaré, o Senhor Jesus Cristo, o Salvador do mundo, ele conecta a história que contará com a grande história de Deus.
Esta é a primeiríssima coisa que ele faz: ele nos diz que o nascimento de Jesus tem uma significância tão imensa que, se formos capazes de compreendê-la, toda a nossa vida assumirá um novo significado à luz disso.
E vejam como ele o faz.
Basta passar os olhos pela página do capítulo 1 de Mateus para ver o que ele está nos comunicando: o nascimento de Jesus pertence a uma história maior.
Eu não creio que alguém realmente goste do começo do Evangelho de Mateus. Não conheço alguém que o tenha memorizado da mesma forma que memorizam outras partes da Bíblia.
Nunca ouvi ninguém dizer — embora eu tenha ouvido pessoas dizerem “Eu amo o Sermão do Monte”, “Eu amo as bem-aventuranças”, “Eu amo João 3.16”, “Eu amo Romanos, capítulo 8”, “Eu amo o Salmo 23” — mas eu nunca na vida ouvi alguém dizer: “Eu adoro Mateus, capítulo 1, versículos 1 a 17”, “Eu amo a genealogia de Jesus no Evangelho de Mateus.” Suspeito que nem aqueles que amam árvores genealógicas diriam que memorizaram a genealogia de Jesus. Duvido!
Porque é exatamente isso que Mateus 1.1-17 é: UMA ÁRVORE GENEALÓGICA. E ela está aqui para nos dizer que você jamais entenderá o que está prestes a acontecer neste Evangelho — ou mesmo no restante do Novo Testamento —, a menos que o posicione no contexto da história maior desta genealogia.
O fato de Mateus pretender que entendamos isso é, na verdade, bastante claro, porque ele parece fazer algo específico com a árvore genealógica de Jesus. E vocês notarão que ele diz isso de forma explícita, bem no final, quando afirma — em Mateus 1.17 (NVT):
Portanto, são catorze gerações de Abraão até Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio na Babilônia até Cristo.
É verdade que Mateus omitiu algumas pessoas na linhagem histórica, mas ele o fez por causa de sua grande mensagem: “Quero que vocês percebam que há um padrão aqui.”
O padrão começa de forma bastante deliberada em Abraão. Isso acontece porque Mateus sabia que Deus havia feito uma promessa a este patriarca: de que, em alguém da sua descendência, alguém da sua linhagem familiar, um evento ordenado por Deus aconteceria, e traria bênção a todas as nações do mundo (Gn 12.1-3; 13.14-17; 15.1-6; 18-21; 17.1-8).
Porque, claro, ao citar Abraão, Mateus já está apontando para Jesus, a semente prometida. Mateus começa assim seu Evangelho (1.1, NAA): “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.”
E arremata no final da genealogia, no versículo 17: “Portanto, são catorze gerações de Abraão até Davi”.
Em Gálatas 3.16, Paulo confirmará que Jesus é mesmo o descendente de Abraão (no singular):
Deus fez a promessa a Abraão e a seu descendente. Observem que as Escrituras não dizem “a seus descendentes”, como se fosse uma referência a muitos, mas sim “a seu descendente”, isto é, Cristo. (NVT)
Voltando à genealogia de Jesus em Mateus, observem que o evangelista prossegue — e notarão que ele, no versículo 1 que acabamos de ler, coloca Davi na frente de Abraão.
Ora, cronologicamente, sabemos que Abraão veio primeiro. Mateus também sabia disso, é claro. Tanto sabia que, no versículo 17 de Mateus, ele escreveu que “são catorze gerações de Abraão até Davi.” Portanto, Abraão vem primeiro e Davi, depois.
No entanto, no cabeçalho, ele escreveu assim (1.1, NAA): “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” Que fique bem claro: isso não é um erro; é uma estratégia. Uma estratégia teológica.
Na verdade, cada palavra deste cabeçalho do Evangelho de Mateus carrega uma tonelada de significado. Mateus está revelando a identidade completa de Jesus em uma única frase: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.”
O livro começa com uma nota: ele é sobre alguém. “Livro da genealogia de…” Essa pessoa tem uma história, e essa história passará a ser contada.
Mas quem é essa pessoa, afinal?
A identidade é revelada: “Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.”
Jesus é apresentado como o Salvador, pois Seu nome indica que Yahweh salva.
É o Cristo, o Ungido que cumpre os três ofícios — profeta, sacerdote e rei — e o descendente de Davi cujo trono teria duração permanente.
É também o descendente de Abraão, no qual se realizam as promessas: de uma grande nação, de uma herança e da bênção para todas as famílias da terra.
É por isso que esse Evangelho termina com a Grande Comissão, em Mateus 28.19-20. Os povos da terra precisam ser abençoados com o evangelho de Jesus Cristo.
A genealogia de Jesus, escrita por Mateus, seguiu o percurso de Abraão até Davi.
Depois, ela partiu de Davi para chegar ao exílio, quando o povo de Deus foi expulso da cidade de Jerusalém e da terra, levado cativo para a Babilônia. Foi o momento em que tudo parecia indicar que as promessas de Deus haviam sido desfeitas.
E, no entanto, Mateus mostra como Deus foi fiel e continuou com esse povo até o raiar da plenitude dos tempos, quando “Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher e sob a lei”(Gl 4.4, NVT).
Mateus é muito claro no que está escrevendo. Releiam o versículo 17 de Mateus, capítulo 1 (NVT):
Portanto, são catorze gerações de Abraão até Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio na Babilônia até Cristo.
Ele está afirmando que o significado, a direção e o objetivo de toda essa história devem ser encontrados no bebê que nasce em Belém.
Comentando este texto, David Platt escreveu em seu comentário de Mateus:
Você não está no centro da história. Eu não estou no centro da história. Nossa geração não está no centro da história. Os Estados Unidos da América não estão no centro da história. Bilhões de pessoas vieram e bilhões se foram; impérios vieram e impérios se foram; países, nações, reis, rainhas, presidentes, ditadores e governantes vieram e se foram. No centro de tudo, está uma pessoa: Jesus, o Cristo, descendente de Davi e de Abraão.’
Platt, então, arremata:
Essa é a afirmação ousada do Evangelho de Mateus. E se este Jesus é o Rei de toda a história, segue-se que ele deve ser o Rei da sua vida. Quando você se dá conta do seu governo e se submete ao Seu reinado, tudo muda na maneira como você vive. Tudo.
S.D.G. L.B.Peixoto.
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