O TRIUNFANTE AMOR DE DEUS

O TRIUNFANTE AMOR DE DEUS
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O TRIUNFANTE AMOR DE DEUS

João 6.30-40

30Eles responderam: “Se deseja que creiamos no senhor, mostre-nos um sinal. O que o senhor pode fazer? 31Afinal, nossos antepassados comeram maná no deserto! As Escrituras dizem: ‘Moisés lhes deu de comer pão do céu’”. 32Jesus disse: “Eu lhes digo a verdade: não foi Moisés quem lhes deu pão do céu. É meu Pai quem dá o verdadeiro pão do céu a vocês. 33O verdadeiro pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34“Senhor, dê-nos desse pão todos os dias”, disseram eles. 35Jesus respondeu: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome. Quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Mas vocês não creram em mim, embora me tenham visto. 37Contudo, aqueles que o Pai me dá virão a mim, e eu jamais os rejeitarei. 38Pois desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou, e não minha própria vontade. 39E esta é a vontade de Deus: que eu não perca um sequer de todos que ele me deu, mas que ressuscite todos no último dia. 40Pois é a vontade de meu Pai que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna. E eu os ressuscitarei no último dia”.

A força do amor

Todos buscam por uma história de amor. Filmes de amor, músicas de amor, enredos de amor nos cativam. O amor une e move as pessoas. Quem não tem ou não gostaria de ter um amor para recordar? Apenas os amantes, os que já estão vivendo uma história de amor não cogitam ter alguém para amar. Já estão amando e sendo amados. E desejam que esse amor seja eterno, um amor sem fim, ao menos eterno enquanto dure.

A disposição para amar e ser amado é tão forte e intrínseca na gente que, na falta de alguém para amarmos e nos dar amor, os humanos amam e buscam amor noutra coisa, em qualquer coisa na verdade, como, por exemplo, seus animais de estimação. Nada contra eles. Pelo contrário. Tenho o Mac, meu Lhasa Apso com coração de leão que amo de paixão (e sei que ele também a mim). Faço aqui apenas uma constatação: ninguém vive sem uma história de amor. Sentimo-nos vivos quando amamos. É a força do amor.

O triunfante amor de Deus

Amar é bom demais. Melhor ainda é amar para sempre, triunfantemente, transpondo a tudo e a todos que se levantam contra os amantes no caminho do amor. Essas são as melhores histórias de amor. Por exemplo: Salomão, inspirado por Deus, escreveu um livro inteiro (na verdade, um cântico, o Cântico dos Cânticos, o mais belo de todos os cânticos de amor); o Cântico é sobre o amor de sua vida: a mulher sunamita.

Essa história (uma história real), de fato, tem como propósito remeter-nos ao amor de Deus pelo seu povo. É linda. Merece toda nossa atenção e devoção, pois se trata de Escritura inspirada pelo Espírito Santo. No livro, caminhando para a conclusão do Cântico, Salomão anotou algo que merece algum destaque. Ouça (Cântico 8.6-7):

6[A mulher diz ao homem:] Coloque-me como selo sobre seu coração, como selo sobre seu braço [sinal de propriedade]. Pois o amor é forte como a morte [inflexível, não se deixa dobrar na vontade, resiste a tudo e a todos para cumprir seu propósito], e o ciúme, exigente como a sepultura [ciúme aqui é sinônimo de amor = expressa a devoção resoluta de ir até o fim, e não ambição egoísta]. O amor arde como fogo, como as labaredas mais intensas [arde como paixão e como proteção do relacionamento dos amantes]. 7As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios podem afogá-lo. Se algum homem tentasse usar todas as suas riquezas para comprar o amor, sua oferta seria por completo desprezada.

Quem não deseja uma história de amor assim para se viver e para recordar? Aliás, é dessa maneira que marido e mulher devem se amar. Assim é o amor de Deus pelo seu povo (amor que homem e mulher, na aliança do casamento, devem ilustrar ao mundo através do matrimônio, cf.Ef 5.31-33). Amor sem fim. Incondicional. Forte. Triunfante. Inflexível, pois não se curva nem se rende a nada nem ninguém. Mantem-se amando e amando de novo até o final.

O nosso texto de hoje (Jo 6.30-40) é sobre o amor de Deus, o triunfante amor de Deus que não abre mão daqueles os quais ele amouantes da criação do mundo (Rm 8.29-30), os quais ele entregoua Jesus para a salvação e no final os receberáem glória para desfrutarem do banquete de amor do Pai. Ouça, mais uma vez (Jo 6.37-40):

37[…] aqueles que o Pai me dá virão a mim, e eu jamais os rejeitarei. 38Pois desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou, e não minha própria vontade. 39E esta é a vontade de Deus: que eu não perca um sequer de todos que ele me deu, mas que ressuscite todos no último dia. 40Pois é a vontade de meu Pai que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna. E eu os ressuscitarei no último dia”.

            Eis aqui, portanto, um recorte do triunfante amor de Deus. Amor que não se deixa derrotar, não se curva e não desiste. Amor que persiste em amar até o final. Sobre esse amor, o amor triunfante de Deus, é que ouviremos hoje à noite.

No texto que temos em tela (Jo 6.30-40), João recita para nós um recorte do triunfante amor de Deus; João o faz em três versos ou estrofes: 1 – a loucura do amor de Deus(o tipo de gente a quem Deus escolheu amar, vv. 30-34); 2 – a oferta do amor de Deus(a oferta de amor aos que se ama, sem deles desistir, v. 35); e 3 – o triunfo do amor de Deus(a garantia de que o amor de Deus inflexivelmente triunfará sobre a loucura da rebeldia daqueles que Deus escolheu amar, vv. 36-40). Vejamos, uma estrofe de cada vez.

1. A loucura do amor de Deus (vv. 30-34)

João ainda está relatando o diálogo de Jesus com a multidão que o procurava e corria atrás dele apenas em busca de pão para encher a barriga. O Senhor, de fato, tinha multiplicado pães e peixes para a alimentar a multidão faminta — mais de cinco mil pessoas! (vv. 1-15) e, no dia seguinte, após atravessar um temporal com os Doze (vv. 16-21), Jesus já estava com seus apóstolos na sinagoga em Cafarnaum (v. 59).

Aconteceu que a mesma multidão, alimentada no dia anterior, correu atrás de Jesus em busca de mais pão (Jo 6.22-29). Eles não queriam Jesus. De fato, eles queriam Jesus, mas para dar a eles o que eles de fato mais queriam: pão (Jo 6.26). Eles não queriam Jesus. Eles queriam o pão de Jesus. Queriam fazer as mesmas obras de Jesus, mas para conseguirem pão milagroso todo dia de manhã (v. 28).

Jesus os adverte, dizendo que a única coisa de fato requerida é que se creia naquele que Deus Pai enviou: Cristo (v. 29). Nesse contexto inicia-se o nosso texto (vv. 30-34):

30Eles responderam: “Se deseja que creiamos no senhor, mostre-nos um sinal. O que o senhor pode fazer? 31Afinal, nossos antepassados comeram maná no deserto! As Escrituras dizem: ‘Moisés lhes deu de comer pão do céu’”. 32Jesus disse: “Eu lhes digo a verdade: não foi Moisés quem lhes deu pão do céu. É meu Pai quem dá o verdadeiro pão do céu a vocês. 33O verdadeiro pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34“Senhor, dê-nos desse pão todos os dias”, disseram eles.

Observe a loucura do amor de Deus, ao ofertar a si mesmo ao tipo de gente a quem ele estava se ofertando. Chamo de loucura esse amor pois é assim que costumamos chamar aquelas pessoas que insistem em amar gente assim. Dizemos: “Você é louco(a) de continuar amando essa pessoa. Ela não dá a mínima para você. Você é louco(a)!”. Veja, portanto, quem são aqueles a quem Deus escolheu amar. Veja quem somos de verdade. Somos…

1.1 – Gente de olho no que Deus pode dar(em termos de pão, de coisas, de suprir necessidades), e não em quem Deus é(enquanto pessoa) — vv. 26 e 30-31a.

26Jesus respondeu: “Eu lhes digo a verdade: vocês querem estar comigo não porque entenderam os sinais, mas porque lhes dei alimento. […] 30Eles responderam: “Se deseja que creiamos no senhor, mostre-nos um sinal. O que o senhor pode fazer? 31aAfinal, nossos antepassados comeram maná no deserto! […]

Como você se sentiria se descobrisse que as pessoas que dizem te amar e querem estar com você assim agem apenas pelo que você lhes dá? Largaria.

No entanto, a maioria dos que buscam a Deus, assim o buscam pelo que ele pode dar e nãopor quem ele é. E mesmo assim Deus continua amando e ofertando o seu amor. É o louco amor de Deus.

1.2 – Gente que não quer um Deus que seja Salvador e Senhor, mas que seja um simples servo — vv. 31b e 34.

31b[…] As Escrituras dizem [,disse a multidão]: ‘Moisés lhes deu de comer pão do céu’”. […] 34“Senhor, dê-nos desse pão todos os dias”, disseram eles.

Esses homens estavam dizendo que a única maneira de Cristo convencê-los seria fazendo as mesmas obras de Moisés; isto é, maná todo dia de manhã com fartura para comer e sobrar. Não bastava-lhes apenas um milagre. Tinha que ser milagre todo dia de manhã, distribuindo fartura, fazendo sobrar.

Assim é a maioria de nós: colocamos Deus a prova; tem que ser milagre todo dia; nossas necessidades precisam ser atendidas dentro do nosso prazo e conforme a nossa vontade. Se não for assim, Deus não serve. Decepcionamo-nos com Deus. Fazemos biquinho, viramos as costas para ele e partimos atrás de algum Moisés mais interessante e rentável. É gente que não quer um Salvador e Senhor. Querem um simples servo. Um Moisés de capacho.

1.3 – Gente que nega a Deus e não o glorifica — vv. 32-33.

32Jesus disse: “Eu lhes digo a verdade: não foi Moisés quem lhes deu pão do céu. É meu Pai quem dá o verdadeiro pão do céu a vocês. 33O verdadeiro pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo [a quem de fato o desejar]”.

Jesus revela aqui, primeiramente, a idolatria do coraçãodaqueles homens: atribuir a Moisés o que de fato Deus tinha feito (enviar o maná); atribuir a pessoas ou a coisas o que somente Deus ée faz(v. 32).

Segundo, o Senhor revela a indisposição do coraçãodaqueles homens de ver Deus por quem ele realmente é e faz por nós em Jesus Cristo (v. 33): salva-nos do pecado e de nós mesmos (2Co 5.15) e sacia-nos com a sua glória (Jo 6.35).

Assim caminha a humanidade: cheia de ídolos no coração (enchendo-o de tudo e de todos, menos de Deus); indisposta a crer e receber o Cristo com arrependimento e fé, obtendo perdão pelos pecados e satisfação para a alma.

João nos mostra a loucura do amor de Deus, o Deus que insiste em amar e se oferecer ao mundo, às pessoas desse mundo: 1 – gente de olho no que Deus pode dar, e não em quem Deus é; 2 – gente que não quer um Deus que seja Salvador e Senhor, mas que seja um simples servo; e 3 – gente que nega a Deus (idolatrando outras coisas) e não o glorifica (saciando-se no pão da vida que desceu do céu: Cristo).

Você amaria gente assim, gente interesseira, egoísta e dura de coração? Provavelmente, não. E se amasse não seria por muito tempo. Mas Deus amou de tal maneira o mundo, que Deus seu Filho, Cristo, para que todo aquele que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Esse é o louco amor de Deus.

2. A oferta do amor de Deus (vv. 35)

Tendo recitado a loucura do amor de Deus (vv. 30-34) — amando esse mundo tão indigno de seu amor, João recitará com maiores detalhes a oferta do amor de Deus (v. 35).

Jesus respondeu: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome. Quem crê em mim nunca mais terá sede”.

Deus oferta a si mesmo a nós em Jesus Cristo. Note, porém, que a oferta que Deus faz a nós de si mesmo em Cristo não é na forma de alguém que apenassolucionouo nosso problema diante de Deus, morrendo no lugar do pecador — por infinitamente importante e indispensável que seja (i.e., a nossa justificação diante de um Deus santo e justo); Deus se oferta a nós em Cristo na forma de alguém que também saciaa alma e a vida da gente:

35“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome. Quem crê em mim nunca mais terá sede”.

Jesus não está dizendo que a fome e a sede desaparecerão completamente de nossa vida e nunca mais teremos qualquer necessidade; ele não está dizendo que todo dia de manhã acordaremos saciados, sem fome de pão e sede de água (elementos indispensáveis para a nossa subsistência) ou sem qualquer outro desejo. Nada disso.

O Senhor está, de fato, dizendo que agora sim nós sabemos porque sentimos fome e sede ou qualquer outro desejo na vida; ele está dizendo que agora sim nós sabemos aonde devemos nos voltar para matar a fome e a sede da alma. Agora sabemos o que beber e o que comer e o que buscar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com toda a nossa força (Mc 12.30): Jesus Cristo.

Nós engolimos a glória de Jesus. E há nela, na sua glória, um suprimento sem fim. É para isso que fomos criados. Todos os outros tesouros, todos os outros prazeres apontam para isso, para Cristo. Jesus é o fim que satisfaz todos os nossos anseios.

De Cristo nós comemos e bebemos pela fé, pois a fé que salva e santifica é do tipo que busca saciar a alma, o coração, enfim, o ser como um todo em Cristo. Em outras palavras: fé salvadora é comer e beber de Jesus até ficarmos saciados nele. Fé é ver e ouvir de Jesus; saber quem ele é e o que ele fez e faz para nos salvar e nos levar de volta a Deus Pai. Paulo disse assim (1Tm 6.12):

Lute o bom combate da fé. [Ou seja:] Apegue-se firmemente à vida eterna para a qual foi chamado e que tão bem você declarou na presença de muitas testemunhas [apegue-se a Cristo, em conhecer a Cristo — conhecer a Cristo é a vida eterna, Jo 17.3; deleite-se nele, em quem ele é, fez e faz para nos salvar].

Falando desse texto de Paulo, John Piper escreveu que

Esta é uma descoberta enorme. Você nunca mais lerá sua Bíblia da mesma forma. Você nunca pensará da mesma forma sobre a obediência que flui da fé. Você nunca mais lutará pela pureza e pela santidade da mesma forma. Quando você descobre que fé salvadora consiste em se satisfazer com tudo o que Deus é para você em Jesus, “o bom combate da fé” (como Paulo o descreve em 1Timóteo 6.12) se torna um combate pela alegria [em Deus na pessoa de Cristo]. E a partir daí, tudo é diferente. O combate da fé é a luta pela alegria. E a luta pela alegria é fazer o que for preciso para ver Jesus como ele é e saborear Jesus acima de todas as coisas.

Essa é a oferta do amor de Deus: salvar e saciar a nossa alma em Jesus. Receba, pois, a Cristo. Coma de Cristo. Beba de Cristo. Deixe Jesus Cristo tomar você de tal maneira que a sua alma não queira outra coisa mais do que ele. Encante-se com ele. Aprenda dele. Viva dele e para ele. Só Jesus salva e sacia o pecador. Essa é a oferta do amor de Deus.

3. O triunfo do amor de Deus (vv. 36-40)

Jesus “veio buscar e salvar os perdidos” (Lc 19.10). Ele veio para salvar e saciar os pecadores. Ficamos, então, com um problemão: se, conforme já vimos, o ser humano, quando muito, 1- vive de olho no que Deus pode dar, e não em quem Deus é; 2 – não quer um Deus que seja Salvador e Senhor, mas que seja um simples servo; e 3 – nega a Deus (idolatrando outras coisas) e não o glorifica (saciando-se no pão da vida que desceu do céu: Cristo, mas busca saciar-se noutras coisas ou pessoas); que garantias há de que o pecador irá se voltar para Deus com arrependimento e fé?Ouça o Senhor(Jo 6.35-36):

35Jesus respondeu: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome. Quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Mas vocês não creram em mim, embora me tenham visto.

Meu Deus! Onde está a nossa esperança? Livre-arbítrio? Pobres de nós!

Jesus mesmo acabou de dizer que mesmo vendo milagres, eles não conseguiram ver a glória de Jesus, eles não conseguiram crer em Cristo; mesmo vendo o Senhor, em carne e osso, eles não conseguiram enxergar sua glória e não conseguiram crer nele.

Logo, onde está a nossa esperança? Que garantias há de que alguém irá se converter com a nossa pregação ou através de nosso testemunho com vida e voz? Como crerão quando nós pregarmos? Jesus nos mostra como e porque o amor de Deus triunfará.

3.1 – O próprio Deus Pai entregou os seus eleitos ao Filho

Jo 6.37, 39, 44 e 64-65 |37Contudo, aqueles que o Pai me dá virão a mim […] 39E esta é a vontade de Deus: que eu não perca um sequer de todos que ele me deu, […] 44Pois ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer a mim; […] 64Mas alguns de vocês não creem em mim”. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem não acreditava nele e quem iria traí-lo. 65E acrescentou: “Por isso eu disse que ninguém pode vir a mim a menos que o Pai o dê a mim”.

Jo 17.2, 6, 9 e 24 |2pois tu lhe deste autoridade sobre toda a humanidade. Ele concede vida eterna a cada um daqueles que lhe deste. […] 6“Eu revelei teu nome àqueles que me deste do mundo. Eles sempre foram teus. Tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra. […] 9“Minha oração não é por este mundo, mas por aqueles que me deste, pois eles pertencem a ti. […] 24Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde estou. Então eles verão toda a glória que me deste, porque me amaste antes mesmo do princípio do mundo.

Deus não espera que os eleitos consigam ir a Jesus porque eles mesmos escolherão ir a Jesus. Não, não. Nada disso. Se Deus esperasse e se fosse assim, eles nunca iriam ao Filho. Deus Pai os entrega ao Filho Jesus Cristo. O Pai os escolhe por conta própria. E ele os dá ao seu Filho Jesus para a salvação.

3.2 – Porque Deus Pai os entregou ao Filho, eles irão ao Filho

Jo 6.37 |37Contudo, aqueles que o Pai me dá virão a mim […]

Jesus não diz que porque as pessoas vão a ele e creem nele, Deus, por isso, as deu ao Filho. De novo, não. Aqueles que o Pai dá ao Filho, esses, sim, irão ao Filho. Deus mesmo assegura a ida deles. Deus mesmo trabalha na vinda deles. Deus mesmo os leva a Jesus, através do evangelho e da obra do Espírito Santo.

Quando você e eu fomos a Cristo, foi Deus quem nos levou. Quando você e eu cremos, foi Deus quem abriu nossos olhos e nos deu fé para crer. Quando Jesus se tornou compreensível para nós, não fomos você e eu que agimos e simplesmente escolhemos crer de todo o coração. Quando cremos, e fomos, livremente, a Jesus, foi Deus Pai quem nos levou. E nós fomos e cremos.

3.3 – Aqueles que são dados por Deus Pai a Jesus e vão a Jesus são poderosa e eternamente mantidos por Jesus. Nenhum deles se perde.

Jo 6.37-40 |37Contudo, aqueles que o Pai me dá virão a mim, e eu jamais os rejeitarei. 38Pois desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou, e não minha própria vontade. 39E esta é a vontade de Deus: que eu não perca um sequer de todos que ele me deu, mas que ressuscite todos no último dia. 40Pois é a vontade de meu Pai que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna. […]

A salvação dos filhos de Deus é obra da graça de Deus, do começo ao fim. O Pai mesmo dá os seus eleitos ao Filho para que possamos, infalivelmente, ir ao Filho e permanecer eternamente seguros no Filho.

Essa é a única garantia que temos de que creremos, permaneceremos crendo e creremos até o final: “aquele que começou a boa obra em vocês [Deus Pai] irá completá-la até o dia em que Cristo Jesus voltar”(Fl 1.6).

3.4 – Jesus nos ressuscitará dos mortos no último dia.

Jo 6.40 |Pois é a vontade de meu Pai que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna. E eu os ressuscitarei no último dia.

Jesus sabe que a morte parece, para todos nós, como uma derrota, uma perda. No mínimo, parece que nossos corpos estão fadados à decomposição. E tememos por isso. Podemos pensar que Cristo não perde nada de tudo que Deus Pai lhe deu (como diz o versículo 39), mas parece que, no mínio, Cristo perde o nosso corpo.

No entanto, para essas dúvidas e temores, Jesus afirma de forma clara: “Vocês terão vida eterna. Terão vida no corpo. Eu vou ressuscitá-los no último dia”. Em outras palavras, nem mesmo seu corpo se perderá. Eu os ressuscitarei no último dia.

3.5 – Finalmente, o fundamento inabalável para toda essa obra soberana de Deus: a doação que ele faz dos eleitos ao Filho, nossa ida com fé a Jesus Cristo para a salvação, nossa perseverança até o final e a ressurreição do corpo — o fundamento inabalável de tudo isso é a vontade de Deus.

Nada é mais certo neste mundo do que a soberana vontade de Deus.

O verso 38dá a base do porquê Jesus não rejeitará aqueles que o Pai lhe deu: “Pois desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou, e não minha própria vontade”. É a vontade soberana de Deus que nenhum de seus eleitos se percam. Essa é a base de tudo: a vontade soberana de Deus.

O verso 39diz de novo: “E esta é a vontade de Deus: que eu não perca um sequer de todos que ele me deu, mas que ressuscite todos no último dia.”Jesus não falhará em nos preservar para a salvação e, no final, nos ressuscitará para a vida eterna, porque esta é a soberana vontade de Deus.

O versículo 40 diz mais uma vez: “Pois é a vontade de meu Paique todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna. E eu os ressuscitarei no último dia”. É a vontade soberana de Deus que aqueles que ele dá a Jesus vão a Jesus; é a vontade soberana de Deus que eles tenham não uma bênção temporária, mas a vida eterna. E é vontade do Pai que eles ressuscitem dos mortos, para que nem mesmo o corpo se perca com a morte. Esta é a vontade soberana de Deus.

Tudo depende da vontade de Deus. E a vontade soberana de Deus tudo isso nos garante: salvação, santificação e glorificação. Aleluia! Glória a Deus!

No final, os filhos de Deus provarão de forma plena do amor triunfante, inflexível de Deus que nos amouantes da fundação do mundo, enviouo Filho a este mundo de caos — o Filho nasceu, viveu sem pecado, morreu no lugar do pecador e ressuscitou vitorioso sobre a morte; agora, pelo Espírito Santo, o Pai nos levouao Filho para provarmos dessa salvação, crendo na vida e na obra de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus.

Essa é a história do triunfante, inflexível amor de Deus. Prove dele pela fé em Cristo. Prove e veja o quanto o Senhor é bom.

Os eleitos irão a Cristo para a salvação

A essa altura, alguém poderá se perguntar: como posso saber se estou entre os eleitos de Deus? Como posso saber se fui dado a Jesus e que ele me preservará e me ressuscitará no último dia? A resposta é muito simples: “Jesus respondeu: ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mimnunca mais terá fome. Quem crê em mim nunca mais terá sede’”(Jo 6.35).

Se você for, dessa forma, a Cristo (com fome e sede de Cristo), esse será o sinal de que você foi dado pelo Pai ao Filho. Afinal, “ninguém pode vir a mim a menos que o Pai o dê a mim”, disse Jesus (Jo 6.65). Logo, se você foi dado pelo Pai ao Filho, você irá ao Filho com arrependimento e fé (irá a Cristo com fome e sede de Cristo).

Indo a Cristo dessa forma, você será preservado até o final. Tendo sido preservado até o final, você será ressuscitado no último dia para a vida eterna. Essa é a história do triunfante amor de Deus pelos filhos eleitos antes da fundação do mundo.

Então, eu te digo: Venha. Venha agora. Venha a Cristo. E venha de novo e de novo a cada novo momento de cada dia da sua vida na terra. Venha a Cristo.

Uma palavra de advertência e de louvor: a doutrina da eleição é, na verdade, a história do amor triunfante e incondicional de Deus. Não é, portanto, para criar controvérsias, debates agressivos e excludentes, mas para produzir um coração humilde e agradecido diante do Pai que nos amou e nos escolheu em Cristo, ainda quando nem sequer o desejávamos ou pensávamos nele. Ele nos amou primeiro. Amamos por que ele nos amou primeiro. Amou-nos com amor inflexível. Amor triunfante.

Os que não foram eleitosnão crerão porque continuarão amando mais as obras das trevas do que a luz de Deus em Cristo. Deus nunca será injusto com eles, pois eles, de coração, escolheram e continuarão escolhendo o caminho da perdição, até o fim da vida. Foi vontade de Deus, simplesmente, deixá-los entregues à sua própria vontade.

Os eleitos crerão para a salvação. Afinal, foi vontade de Deus triunfar em amor sobre a rebeldia do seu coração. O amor triunfante, incondicional de Deus alcançou o pecador, regenerou seu coração, o fez ver a luz de Jesus; o pecador, por sua vez, foi a Jesus com arrependimento e fé, em busca de pão e de água para sua alma faminta e sedenta.

Então, mais uma vez, eu te digo: Venha. Venha agora. Venha a Cristo. Coma e beba de Cristo. Você matará sua fome e sua sede. Será salvo. E Deus o ressuscitará para a vida.

Perguntas para PGMs

  1. Alguns dizem que a doutrina da eleição desencoraja evangelismo, missões e até a oração. Por que isto é falso? De que forma o nosso estudo de hoje refuta esse engano e nos encoraja a orar, evangelizar e fazer missões com a certeza de que teremos frutos? Considere os seguintes textos: João 6.37, 39, 44 e 64-65; depois: João 17.2, 6, 9 e 24.
  2. Já que alguns (como Judas Iscariotes ou aqueles em João 6.66, que pareciam ser salvos), em dado momento abandonam a fé, como saber se nossa fé em Cristo é de fato real? O que nos garante que chegaremos crendo até o final e seremos ressuscitados para a vida eterna?
  3. Podemos dizer que um cristão que está vivendo em flagrante pecado está eternamente seguro em Cristo? Seria ele, de fato, salvo? Por que sim? Por que não? Quais textos bíblicos dão fundamento para a sua resposta?
  4. Se crer para a vida eterna significa comer e beber de Jesus (Jo 6.35), de forma bem prática, como você deverá se alimentar dele, o que você deverá fazer para comer e beber de Jesus? O que significa comer e beber de Jesus?

S.D.G. L.B.Peixoto

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