O PREÇO DO PECADO

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O PREÇO DO PECADO

João 8.1-11

1Jesus voltou ao monte das Oliveiras, 2mas na manhã seguinte, bem cedo, estava outra vez no templo. Logo se reuniu uma multidão, e ele se sentou e a ensinou. 3Então os mestres da lei e os fariseus lhe trouxeram uma mulher pega em adultério e a colocaram diante da multidão. 4“Mestre, esta mulher foi pega no ato de adultério”, disseram eles a Jesus. 5“A lei de Moisés ordena que ela seja apedrejada. O que o senhor diz?” 6Procuravam apanhá-lo numa armadilha, ao fazê-lo dizer algo que pudessem usar contra ele. Jesus, porém, apenas se inclinou e começou a escrever com o dedo na terra. 7Eles continuaram a exigir uma resposta, de modo que ele se levantou e disse: “Aquele de vocês que nunca pecou atire a primeira pedra”. 8Então inclinou-se novamente e voltou a escrever na terra. 9Quando ouviram isso, foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos, até que só restaram Jesus e a mulher no meio da multidão. 10Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher: “Onde estão seus acusadores? Nenhum deles a condenou?”. 11“Não, Senhor”, respondeu ela. E Jesus disse: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”.

O pecado é devastador

O estado da Califórnia, nos Estados Unidos, quase todo ano, sofre com focos de incêndios que perduram por dias e até meses, devastando áreas imensas, inclusive cidades. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o registro oficial dos incêndios naquele Estado começou a ser feito em 1932. Dos dez maiores incêndios ocorridos desde então, nove aconteceram desde 2000, cinco desde 2010 e só este ano já foram dois, incluíndo o incêndio do Complexo Montecino, o maior na história do Estado (e que consumiu uma área de cerca de 1.200 km2, praticamente o tamanhos da cidade do Rio e de Los Angeles).

Outro foco de incêndio este ano foi na cidade de Paradise, também na Califórnia.

Iniciado no norte do Estado, em 8 de novembro passado próximo, o “Camp Fire”, como foi apelidado, já arrasou 615 km² de área e mais de 12.600 residências, a uma impressionantes velocidade de 320.000 m2 por minutos! Resultado: 81 corpos foram encontrados e quase 900 pessoas estavam desaparecidas até quinta-feira passada.

Outras três pessoas morreram em outro incêndio deflagrado na zona de Malibu, no sul do Estado.

Quais são as características da Califórnia que tornam tão catastróficos os incêndios florestais naquela região? Afinal, o fogo não surge do nada. Especialistas apontam que são três os ingredientes principais para o fogo devastador: clima (seca, estio e rajadas de ventos), pessoas (imprudência, irresponsabilidade, toco de cigarro) e forma de combate aos focos de incêndio (adensamento da vegetação em muitas áreas interconectadas).

Assim como o incêndio, o pecado é igualmente devastador.

Tudo começa com uma faísca de desejo descontrolado que cai no ambiente propício para a consumação do prazer. Como não há uma forma bíblica correta ou enérgica de prevenção e combate ao pecado, as labaredas da prática pecaminosa são rápidas em devastar a vida dos envolvidos, direta e indiretamente, com a desgraça do pecado.

Mesmo aqueles pecadinhos pequeninos, que geralmente não damos importância, são capazes de causar estrago devastador na vida da gente. Ouça a descrição de Tiago, por exemplo, a respeito do pecado não controlado (ou não mortificado) da maledicência, da mentira ou da fofoca (Tg 3.5-6):

3Por exemplo, se colocamos um freio na boca do cavalo, podemos conduzi-lo para onde quisermos. 4Observem também que um pequeno leme faz um grande navio se voltar para onde o piloto deseja, mesmo com ventos fortes. 5Assim também, a língua é algo pequeno que profere discursos grandiosos. Vejam como uma simples fagulha é capaz de incendiar uma grande floresta. 6E, entre todas as partes do corpo, a língua é uma chama de fogo. É um mundo de maldade que corrompe todo o corpo. Ateia fogo a uma vida inteira, pois o próprio inferno a acende.

            O pecado é, realmente, devastador. Se a língua é capaz de tudo isso, imagine o que o adultério (que é o pecado em foco no texto de João que lemos no início) não é capaz de fazer? Se a língua “ateia fogo a uma vida inteira”, o adultério ateia fogo a famílias inteiras, do mais novo ao mais velho, do mais próximo ao mais distante em grau de parentesco.

Engana-se quem pensa que o adultério (de fato, engana-se quem pensa que o pecado e ponto) afeta apenas as pessoas diretamente envolvidas. Todo incêndio começa com uma pequena faísca num determinado lugar, e se não for detido, imediatamente, espalha-se rápido, montanha acima ou morro abaixo, destruindo tudo e todos que encontra pela frente. O pecado não poupa nada nem ninguém. Especialmente o adultério.

Sobre o prazer clandestino do adultério, Salomão adverte o pecador de uma forma poética (Pv 9.17): “Água roubada é mais refrescante! Pão comido às escondidas é mais saboroso!”. Mas ouça o verso seguinte (v. 18), onde, com a ênfase de sua pena habilidosa, o sábio escritor destaca as trágicas consequências de quem se aventura a esse tipo de relacionamento pecaminoso: “Mal sabem, porém, que ali estão os mortos; seus convidados estão nas profundezas da sepultura”. Realmente,

17Água roubada é mais refrescante! Pão comido às escondidas é mais saboroso! 18Mal sabem, porém, que ali estão os mortos; seus convidados estão nas profundezas da sepultura.

            As labaredas destruidoras do pecado sexual seguem, geralmente, a seguinte trilha: nossos desejos nos seduzem e nos arrastam os olhares para aquele corpo. O olhar, embebido de fantasias, eventualmente, leva ao toque. O toque leva ao beijo. O beijo termina na cama do adultério. E o adultério descamba em tragédia devastadora.

George MacDonald, um dos escritores, poetas e pastores que mais influenciou C. S. Lewis (autor de As Crônicas de Nárnia), escreveu um poema (“Sweet Peril”), cujo título (em tradução livre) é o seguinte: “Doce Perigo”. As duas primeiras estrofes, leem-se assim:

Ai, com que facilidade as coisas dão errado!

Um suspiro prolongado, um beijo demorado,

E lá surge a neblina e caem lágrimas em forma de chuva,

E a vida nunca mais deixará de ser turva.

Ai, como é difícil fazer as coisas com perfeição!

É difícil vigiar e se guardar na noite de verão,

Pois o suspiro certamente voltará e o beijo insinuará eterno,

E a noite de verão é um dia de inverno.

            O pecado é, realmente, devastador. Não apenas pela devastação que ele deixa na vida das pessoas, mas também pela forma sutil como ele nasce e toma conta do coração do pecador. Tiago escreveu assim (1.14-15):

14A tentação vem de nossos próprios desejos, que nos seduzem e nos arrastam. 15Esses desejos dão à luz o pecado, e quando o pecado se desenvolve plenamente, gera a morte.

O preço do pecado é a morte. A sua consequência é, de fato, devastadora. E o seu progresso é igualmente perigoso e letal. Tenha, portanto, muito cuidado com o pecado. O pecado é devastador. Você tem dúvida disso? Olhe para o mundo ao seu redor. Olhe para a sua família. Observe os seus relacionamentos. Procure identificar os estragos que o pecado causou ou tem causado, direta ou indiretamente, na sua vida, relacionamentos e tudo mais. O pecado é devastador.

O preço do pecado

O pecado custa muito caro, custa a vida, tanto a nossa como a daqueles que amamos. Paulo disse que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Tiago, conforme lemos há pouco, registrou que o pecado nos conduz a um beco sem saída: o beco da morte (Tg 1.15). Seria desesperador se não houvesse uma saída. Não é verdade?

Mas graças a Deus que há umasolução, existe umasaída: Jesus Cristo —

  1. a vida perfeita do Filho eterno de Deus que se fez carne e habitou entre nós(Jo 1.14), cumprindo a lei de Deus na própria carne — feito este que jamais conseguiríamos e que por causa disso estaríamos condenados;
  2. a morte do Cordeiro de Deus(Jo 1.29) no lugar do pecador que merecia (ele mesmo!) morrer por ter ofendido a glória de Deus; e
  3. a ressurreição vitoriosa de Cristo dentre os mortos, garantindo vida eterna a todos aqueles que nele crer.

Essa é a únicasaída que temos para o problema do pecado. Esse é o únicocaminho de volta para Deus: Cristo ou morte.

Isso nos traz ao nosso texto para hoje: João 8.1-11. Pois a mulher pega em adultério  e trazida à presença de Jesus não teria outra saída, mas ser apedrejada até à morte. Assim prescrevia a lei de Moisés; aliás, tanto a mulher como o homem pegos em adultério deveriam ser executados, não apenas um deles (Lv 20.10 e Dt 22.22). Não fosse a vida e a obra de Jesus, aquela mulher não teria obtido a chance graciosa de um novo começo diante de Deus Pai. Ouça as palavras de Jesus àquela pobre pecadora (Jo 8.11): “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”.

O que aprendemos neste texto? Faremos três observações. Veremos, primeiro, a condição do pecador(a mulher pega em adultério). Segundo, veremos a crueldade dos pecadores(os escribas ou mestres da lei e os fariseus). Por fim, veremos a conquista sobre o poder do pecado (fé na vida e na obra de Cristo). Antes, porém, uma palavra sobre o texto em si.

Problema textual

É provável que na sua Bíblia João 7.53 a 8.11 apareça entre colchetes ou exista uma nota de rodapé explicando o seguinte (como está na note de rodapé que consta para esse texto na NVT): “Alguns manuscritos não trazem os versículos 7.53—8.11”. A nota comentada da Bíblia de Estudos NVI traz a seguinte explicação:

Esta história, provavelmente, não pertence originalmente ao Evangelho de João. Está ausente de quase todos os primeiros manuscritos, e aqueles que o incluem às vezes o colocam em outro lugar (por exemplo, depois de Lc 21.38). Mas a história pode muito bem ser uma tradição autêntica sobre Jesus.

E aí, o que fazer? Como proceder?

Trataremos a história como genuína, embora, talvez, não faça mesmo parte do texto original do Evangelho de João. As razões são as seguintes:

Embora seja verdade que muitos dos primeiros manuscritos omitem essa história, também é verdade que a história em si, além de real, é antiga, independentemente de quem a escreveu ou se foi ou não originalmente parte do Evangelho de João.

A história está nas Constituições Apostólicas(documento do III século d.C.). Outra fonte: Eusébio, o historiador da igreja que viveu no IV século, nos diz que Papias (que morreu pouco depois de 100 d.C.) conhecia a história “de uma mulher que foi acusada de muitos pecados diante do Senhor”. Posteriormente, Jerônimo (347—420 d.C.) incluiu, sem qualquer questionamento, esta narrativa na Vulgata latina.

Além de ser uma história real e antiga, um bom argumento pode ser feito para sua inclusão neste lugar particular do Evangelho de João. Por um lado, sem essa história, a mudança de pensamento entre o versículo 52 do capítulo 7 e o verso 12 do capítulo 8 é abrupta e antinatural. Nós não sabemos onde Jesus está em João 8.12, nem a quem ele está falando. Por outro lado, a introdução de uma história neste ponto da narrativa parece se encaixar no padrão que João vinha usando nos capítulos anteriores.

Em cada um, do capítulo 5 em diante, uma história é usada para definir o tema do ensino que se segue ao longo do capítulo todo.

Assim, a cura do paralítico que está narrada no começo do capítulo 5 se torna o texto do sermão que se segue até o final daquele capítulo.

A alimentação da multidão no início do capítulo 6leva ao discurso sobre Cristo como o pão da vida.

A discussão entre Jesus e seus irmãos sobre a ida para a festa no capítulo 7é uma introdução às palavras de Cristo na festa.

Da mesma forma, a história de seu perdão concedido à mulher adúltera é uma introdução ao discurso que seguirá até o final do capítulo 8.

No capítulo 9, a cura do cego de nascença serve para o discurso de Jesus, que afirmou trazer luz para os cegos espirituais.

Terceiro, parece haver uma boa razão para esta história ter sido omitida nos primeiros manuscritos. Em uma disputa do cristianismo ainda tão insipiente com o paganismo, é fácil ver como a história poderia ter sido usada pelos inimigos do evangelho para sugerir que Cristo simplesmente perdoou a fornicação e o adultério. De fato, esta é a razão de sua omissão dada por Agostinho e Ambrósio no final do IV e início do V século.

A quarta e última razão para lidarmos com este texto é o sentimento, que muitos tiveram ao longo da história, de que essa narrativa é realmente fiel à natureza de Cristo, de acordo com cada ponto de sua perfeita santidade, sabedoria, cumprimento da lei e profunda compaixão pelo pecador.

Assim sendo, abraçaremos este texto como verdadeiro e buscaremos agora extrair as lições que ele nos ensina. A saber: a condição do pecador(a mulher pega em adultério); a crueldade dos pecadores(os escribas ou mestres da lei e os fariseus); e a conquista sobre o poder do pecado (fé na vida e na obra de Cristo).

  1. A condição do pecador

Hernandes Dias Lopes, em seu comentário do Evangelho de João, anota cinco fatos em relação a essa mulher: 1 — ela aproveitou o agito da festa dos tabernáculos para pecar; 2 — casada que era, ela traiu o marido; 3 — como foi pega no ato de adultério, ela estava completamente sem desculpas legais; 4 — levada da forma como foi, ela foi humilhada publicamente; e, 5 — conforme dizia a lei, ela cometeu um pecado passível de morte.

Ouça, mais uma vez o texto e perceba a condição miserável em que se encontrava a mulher pega em adultério (Jo 7.53–8.1-5):

7.53Então todos foram para casa. 8.1Jesus voltou ao monte das Oliveiras, 2mas na manhã seguinte [ao último dia da festa, veja: Jo 7.37], bem cedo, estava outra vez no templo. Logo se reuniu uma multidão, e ele se sentou e a ensinou. 3Então os mestres da lei e os fariseus lhe trouxeram uma mulher pega em adultério e a colocaram diante da multidão. 4“Mestre, esta mulher foi pega no ato de adultério”, disseram eles a Jesus. 5“A lei de Moisés ordena que ela seja apedrejada. O que o senhor diz?”

            Está muito bem posto nesta história o que o pecado faz conosco (e com as outras pessoas a quem ferimos). Enquanto todos corriam para desmontar suas barracas, acertar as últimas contas, fazer as malas, arriar e carregar os animais para seguirem na viagem de volta para casa; enquanto todos seguiam para casa (e Jesus para o monte das Oliveiras a fim de orar), aquela mulher buscou um jeito de cair no pecado (ela e o homem com quem ela cometeu adultério, sejamos justos aqui, não sejamos como os escribas e fariseus — e sobre os quais falaremos a seguir; ela eo homem buscaram um jeito de cair no pecado!).

Como não existe pecado perfeito (da mesma forma que não existe crime perfeito), aquela mulher, graças a Deus, foi flagrada no pecado (graças a Deus, pois ela não arrastaria mais aquela situação encoberta, matando-se, destruindo-se na escuridão do pecado recorrente e encoberto). Quebrou a aliança com o marido e foi pega no pecado.

Ela não deve ter dormido aquela noite. E no outro dia, bem cedo, foi arrastada para a frente da multidão. Não havia desculpas (legais) para ela. Estava sendo humilhada aos olhos de todos (ela e o marido dela; imaginem a dor e a vergonha dele!). Seria apedrejada até a morte. Assim faz o pecado conosco: escraviza-nos, iludi-nos, arma emboscadas para nós, expõe-nos, deixa-nos culpados, envergonha-nos. Essa é a condição do pecador.

Por quanto tempo aquele pecado se arrastou na vida dela? Claro que não foi da noite para o dia. Ela, aparentemente, não era prostituta. Era mulher casada. E aquele homem que cometeu adultério com ela, a quanto tempo ele vivia no pecado? Por quanto tempo o pecado os guardou reféns, mentindo, iludindo e sendo iludidos, fazendo-os ferir os outros, enganando os outros, até que, finalmente, veio o flagrante e a casa caiu.

Graças a Deus que Jesus estava ali para perdoar e restaurar. E se ele não tivesse? Teria sido o fim da linha para aquela mulher. Seria apedrejada até a morte.

O que o pecado tem feito com você? Com certeza ele te escraviza. O pecado escraviza a todos. Para pecar, mentimos, inventamos, argumentamos, acobertamos, pintamos o sete. O pecado escraviza, humilha, fere e cobra um preço muito alto. Preço de morte. Não seja mais escravo do pecado. Confesse-o a Deus agora mesmo. Pare de pecar. Busque em Deus graça e força para não mais pecar. Pelo menos não de forma recorrente.

Não espere a casa cair. Pare de pecar hoje mesmo, agora. Volte-se para Cristo. O pecado é um péssimo senhor. Ele destrói você. Mata aos poucos. Quando não mata, aleija.

  1. A crueldade dos pecadores

O problema do pecado não é apenas o que ele faz conosco (escraviza-nos, humilha-nos e nos condena). O problema do pecado é também o que os outros fazem contra nós. Pecamos contra Deus e pecamos contra os outros. Pecam contra Deus e pecam contra nós também. Veja o nosso texto (Jo 8.5-7):

5“A lei de Moisés ordena que ela seja apedrejada. O que o senhor diz?” 6Procuravam apanhá-lo numa armadilha, ao fazê-lo dizer algo que pudessem usar contra ele. Jesus, porém, apenas se inclinou e começou a escrever com o dedo na terra. 7Eles continuaram a exigir uma resposta,

            Aqueles homens, na verdade, não estavam interessados na lei ou na santidade de Deus (em ver a lei cumprida), muito menos na restauração daquela mulher e tampouco na manutenção da vida, da família  e dasociedade(que era o que a lei buscava). Não, não! Nada disso!

Escribas e fariseus queriam mesmo era pegar Jesus. Matar Jesus. Para tanto, eles usaram o pecado daquela mulher. E só o da mulher! Por que eles não levaram também o homem? Teria ele fugido na hora do flagrante? Pode ser. Mas o texto parece nos dizer que eles eram intencionalmente parciais, misóginos (raiva e aversão das mulheres) e cruéis.

Pobre mulher! Ela pecou contra Deus e contra o próximo, e aqueles escribas e fariseus estavam pecando contra ela. Assim também somos nós pecadores. Pecamos. Pecamos contra Deus e contra o próximo. O próximo também peca contra Deus e contra nós. E assim caminha a humanidade desde Adão e Eva. Pecadores são cruéis.

Aqueles homens, no fundo, desejavam mesmo era desmascarar Jesus. De um lado, se Jesus simplesmente rejeitasse a lei de Moisés (Lv 20.10; Dt 22.22), dizendo: “Não, não é bem assim. É assado.”(anulando a lei), sua credibilidade despencaria e ele também seria apedrejado. Se Jesus tão-somente se apegasse à letra da lei mosaica e dissesse: “Apedrejem!”(aplicando a lei), sua reputação de compassivo e misericordioso teria sido anulada diante dos olhos da multidão que o ouvia. Veja, portanto, mais uma vez, que a mulher (o bem-estar dela, a restauração dela, o perdão dela, ela em si), era a única pessoa em quem eles não pensavam. Nem em Deus eles pensavam.

Eles só pensavam em calar Jesus. Desmascarar Jesus. Matar Jesus e seguir no bem-bom de seus pecados. Pecadores cruéis eram aqueles homens. E nós também!

Quantas não são as vezes que usamos o outro ou culpamos o outro para nos satisfazer ou tampar ou esconder um pecado nosso? Quantas vezes nós não tentamos eliminar Deus e Cristo e o Espírito da equação para seguirmos no pecado amado? Se tem sido este o caso com você, pare agora mesmo. Arrependa-se e volte-se com fé para Cristo.

  1. A conquista sobre o poder do pecado

A forma como Jesus reagiuaos escribas e fariseus, e também a forma como ele agiucom a mulher pega em adultério é reveladora. Ensina-nos como nós podemos obter perdão e poder para conquistar o pecado.

Veja, primeiro, a forma como Jesus reagiu aos acusadores(Jo 8.5-9):

5“A lei de Moisés ordena que ela seja apedrejada. O que o senhor diz?” 6Procuravam apanhá-lo numa armadilha, ao fazê-lo dizer algo que pudessem usar contra ele. Jesus, porém, apenas se inclinou e começou a escrever com o dedo na terra. 7Eles continuaram a exigir uma resposta, de modo que ele se levantou e disse: “Aquele de vocês que nunca pecou atire a primeira pedra”. 8Então inclinou-se novamente e voltou a escrever na terra. 9Quando ouviram isso, foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos, até que só restaram Jesus e a mulher no meio da multidão.

            Escribas e fariseus se achavam acima da lei, donos da lei. Viam-se como os seus legítimos intérpretes e os únicos capazes de aplicá-la. Tanto que, por exemplo, em Mateus 5.21–48 nós lemos o Senhor corrigindo equívocos de interpretação e aplicação da lei que eram praticados por aquela casta religiosa, dizendo assim à multidão que o ouvia: “Vocês ouviram o que foi dito [pelos escribas e fariseus] a seus antepassados: […] Eu, porém, lhes digo…”.

A lei tinha por objetivo não apenascorrigir comportamento (como pensavam os mestres da lei), mas, principalmente,denunciar o coração pecaminoso. Ouça (Mt 5.27-28):

27Vocês ouviram o que foi dito [pelos escribas e fariseus]: ‘Não cometa adultério’. 28Eu, porém, lhes digo que quem olhar para uma mulher com cobiça já cometeu adultério com ela em seu coração.

            Portanto, quando Jesus reage, dizendo aos acusadores da mulher pega em adultério: “Aquele de vocês que nunca pecou atire a primeira pedra”(Jo 8.7), ele não está dizendo: “Ah! Tudo bem! Quem nunca pecou? Ninguém pode julgar ninguém.”. Longe disso. O que Jesus, de fato, estava dizendo aos escribas e fariseus é que a lei de Deus a todos nós condena, inclusive eles. Todos nós pecamos e merecemos a morte. O salário do pecado é a morte.

Pois bem, diante da acusação da lei, naquele momento, ou eles se voltavam para Cristo com arrependimento e fé, e recebiam o perdão de Deus, ou eles saiam de fininho e seguiam o ritmo normal da vida que eles já levavam — ostentando-se diante dos homens, resmungando uns para os outros e procurando um jeito de matar Jesus. O que eles optaram por fazer? Saíram todos de fininho, uma a um, começando pelos mais velhos, restando apenas Jesus e a mulher no meio da multidão (Jo 8.9).

Agora, veja a forma como Jesus agiu com a pecadora (Jo 8.10-11):

10Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher: “Onde estão seus acusadores? Nenhum deles a condenou?”. 11“Não, Senhor”, respondeu ela. E Jesus disse: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”.

            Estava Jesus varrendo a lei para debaixo do tapete? Não, de modo algum. De fato, Jesus estava fazendo o uso devido da lei. A lei deixou aquela mulher cara a cara com Cristo. Nas palavras de Paulo (Gl 3.24 — NVI): “Assim, a Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé”. Em outras palavras, ou a mulher pega em adultério, ali diante de Cristo, arrependia-se do pecado pelo qual a lei a condenava, cria na promessa de Jesus e era salva, ou ela morria condenada. Ela foi salva.

10Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher: “Onde estão seus acusadores? Nenhum deles a condenou?”. 11“Não, Senhor”, respondeu ela. E Jesus disse: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”.

            Jesus não veio para condenar, mas para nos salvar da condenação da lei que já pesa sobre nós pecadores (Jo 3.16-17). Portanto, não esconda seu pecado. Leve-o a Deus. Arrependa-se dele e creia na vida e obra de Cristo. Arrependendo-se e crendo nas promessas de Deus é que obtemos poder para não viver no pecado.

O preço do pecado

Pesa sobre todos nós o preço do pecado. Todos pecamos. A lei de Deus a todos nós condena. Não há justo, nem um sequer! O coração é uma fábrica de pecados. Cristo é a nossa única esperança.

O pecado, enquanto não nos condena definitivamente com a morte eterna, causa estragos devastadores na vida da gente e também na vida daqueles que amamos ou nos amam. Portanto, pare onde você está. Não peque mais (como a mulher pega em adultério) nem viva mais se justificando (como aqueles acusadores da mulher pega em adultério).

Confesse a Deus o seu pecado e receba de Cristo o perdão.“Pois”, nas palavras de Paulo, “o salário [o preço] do pecado é a morte, mas a dádiva de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm 6.23). Arrependa-se e creia em Jesus para a sua salvação. Não pague o preço do pecado. Receba de graça o preço que Jesus já pagou em nosso lugar (perdão).

S.D.G.L.B.Peixoto

Perguntas para PGMs

Por que a igreja evangélica tende a ignorar alguns pecados — tais quais: hipocrisia, legalismo, glutonaria, fofoca e orgulho, mas não hesita em julgar pecados como embriaguez, imoralidade, homossexualidade, prostituição, etc.?

O que podemos aprender sobre o padrão de Jesus de aplicar a Lei aos “justos”, mas oferecer graça aos “pecadores”?

Alguém pergunta a você: “Por que Deus não pode simplesmente perdoar pecados? Por que Jesus teve que morrer na cruz?” Como você responde?

Por que uma verdadeira compreensão da graça de Deus nunca leva a uma vida licenciosa? Podemos enfatizar demais sua graça?

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