O MUNDO SEM NATAL

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O MUNDO SEM NATAL

Isaías 8

1Então o SENHOR me disse: “Faça uma grande placa e escreva de modo bem claro o seguinte nome: Maher-shalal-hash-baz” [i.e., “Veloz para saquear e rápido para levar embora”]. 2Pedi ao sacerdote Urias e a Zacarias, filho de Jeberequias, dois homens conhecidos por sua honestidade, que fossem testemunhas do que fiz. 3Então deitei-me com minha esposa, e ela ficou grávida e deu à luz um filho. E o SENHOR disse: “Dê-lhe o nome Maher-shalal-hash-baz. 4Pois, antes que esse menino tenha idade suficiente para dizer ‘papai’ ou ‘mamãe’, o rei da Assíria levará embora os bens de Damasco [Síria] e as riquezas de Samaria [Israel]”.

ANO NOVO SEM NATAL

Imagine o Ano Novo sem Natal. Pense em 2019 sem Natal. Como seria viver se não houvesse Natal? Claro que não estamos falando da festa de fim de ano em si, da magia da véspera do dia 25 de dezembro, quando a casa fica cheia de gente, a mesa posta é farta de comida, o cheiro de velas natalinas e de pratos gostosos se misturam e permeiam o ambiente, o brilho das decorações encantam os olhos, a música de fundo seduz os ouvidos e a gigantesca árvore repleta de presentes maravilham o coração das crianças. Tudo isto é muito bom. Mas isto em si não é Natal.

Natal é o que foi profetizado pelo profeta Isaías (7.14):

Por isso, o Senhor mesmo lhes dará um sinal. Vejam! A virgem ficará grávida! Ela dará à luz um filho e o chamará de Emanuel.

Natal é o que está posto em Isaías 9.6-7, onde se lê:

6Pois um menino nos nasceu, um filho nos foi dado. O governo estará sobre seus ombros, e ele será chamado de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno e Príncipe da Paz. 7Seu governo e sua paz jamais terão fim. Reinará com imparcialidade e justiça no trono de Davi, para todo o sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará que isso aconteça!

Isto sim é Natal. Jesus é o Natal. Nas palavras de Lucas (2.10-14):

10O anjo, porém, lhes disse [aos pastores de Belém]: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: 11é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. 13E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: 14Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.

Isto é Natal. Mas imagine o Ano Novo sem Natal. Pense no mundo sem Natal. Como seria viver sem Natal? Isaías (nos capítulos 7, 8 e 10) nos dá um vislumbre do caos que seria viver se Jesus não tivesse nascido. Escrevendo para crianças, C. S. Lewis descreveu o mundo sem Natal. Ouça o trecho de um dos diálogos que se passa entre Lúcia e Sr. Tumnus (fauno) no livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, primeiro da série “As Crônicas de Nárnia”:

– Que aconteceu, Sr. Tumnus? – pois os olhos castanhos do fauno estavam cheios de lágrimas, que começaram a correr-lhe pelo rosto até a ponta do nariz. Depois ele cobriu a cara com as mãos e começou a soluçar.

– Sr. Tumnus, Sr. Tumnus! – disse Lúcia, muito aflita. – Não chore. Que foi que aconteceu? Não se sente bem? Diga o que é.

Mas o fauno continuava a soluçar, como se tivesse o coração partido. E mesmo quando Lúcia lhe deu um abraço e lhe emprestou o lenço, ele não parou de soluçar. Depois, torceu com as mãos o lenço todo encharcado. Em poucos minutos, Lúcia quase que andava dentro d’água.

– Sr. Tumnus! – disse-lhe ao ouvido, fazendo-o estremecer. – Acabe com isso. Logo! Devia ter vergonha de estar fazendo esse papel: um fauno tão grande, tão bonito! Por que está chorando desse jeito?

– Oh! Oh! Estou chorando porque sou um fauno muito ruim.

– Não acho nada disso. Penso até que é um fauno muito bonzinho, o fauno mais simpático que já encontrei.

– Oh! Oh! Você não diria isso, se soubesse de tudo! Não, sou um fauno mau. Acho que nunca existiu um fauno tão ruim desde o começo do mundo.

– Mas, então, que foi que você fez?

– Estou pensando no meu velho pai – disse o Sr. Tumnus. – Aquele do retrato em cima da lareira. Ele nunca teria feito uma coisas dessas.

– Mas que coisa?

– A coisa que eu fiz! Trabalhar para a Feiticeira Branca. É o que eu faço! Estou a serviço da Feiticeira Branca.

– Mas quem é a Feiticeira Branca?

– Ora, é ela quem manda na terra de Nárnia. Por causa dela, aqui é sempre inverno. Sempre inverno e nunca Natal. Imagine só!

– Que horror! – exclamou Lúcia. – E que serviço você presta a ela?

– Aí é que está o pior de tudo – disse Tumnus, com um profundo suspiro. – Por causa dela, roubo crianças. É o que eu sou: ladrão de crianças! Olhe para mim, Filha de Eva: acredita que eu seja capaz de encontrar no bosque uma pobre criança inocente, que nunca fez mal a ninguém, fingir que sou muito amigo dela, convidá-la para vir à minha gruta, e depois fazer com que ela adormeça, para entregá-la à Feiticeira Branca?

Quanta teologia num pedacinho apenas de texto infantil!

Vemos aqui que sem Natal, sem Cristo, fazemos o que não queremos fazer, agimos em desobediência ao pai, vivemos à serviço do pecado, num mundo de sofrimento sem qualquer compensação (“Sempre inverno e nunca Natal.”), escravisados pela distorção das coisas boas e belas do mundo criado por Deus, atraídos e arrastados pelo pecado, sedados, presas do diabo, o príncipe deste mundo sem Deus. Assim é viver sem Natal.

O LIVRO DO NATAL

Lembrem-se de que estamos estudando O Livro do Natal(Isaías 7 a 12). Já investigamos APromessa(Is 7.1-17), AChegada (Is 9.1-7), ACriança (Is 9.6) e A Grandeza do Natal(Is 11.1-16). Agora, antes de abrir e estudar o último capítulo (o que faremos hoje à noite, Deus permitindo) — aquele que trata da Celebração do Natal(Is 12.1-6), precisamos enxergar com mais detalhes como é o mundo sem Natal, sem Cristo. Em outras palavras: E se Jesus nunca houvesse nascido? Para responder, debruçaremos sobre os capítulos 7, 8 e 10 de Isaías.

O tema básico, fundante do livro de Isaías pode ser resumido numa única palavra: salvação. Com efeito, o nome do profeta — Isaías (Yeša’yāhû) — significa, precisamente, A Salvação é do Senhor (de Yahweh)ou Yahweh é Salvação. O termo salvaçãoaparece cerca de 26 vezes somente no livro desse profeta e apenas 7 vezes em todos os outros juntos.

A missão que pesava sobre os ombros de Isaías era a de declarar a enorme necessidade que os povos têm de salvação, tanto Israel como as nações, e ao mesmo tempo revelar que a tão-grande provisão de Deus para a nossa salvação — para a redenção e a restauração de seu povo, está na vida e obra de Jesus, o Cristo, o Messias (cf. Is 53).

Os pecados de Israel e Judá, o povo de Deus, manifestavam-se na forma de orgulho, depravação moral, corrupção política, injustiça social, idolatria, toda espécie de perversão religiosa e fé nos conchavos com as nações pagãs (Assíria, por exemplo). As nações, por sua vez, expressavam seu pecado, principalmente, na forma de orgulho e insurreição conta o SENHOR e seu povo. Deus, porém, permaneceria fiel à sua aliança, preservando para si um remanescente fiel, de cuja linhagem nasceria o Salvador que é Cristo, o Senhor. Judeus e gentios viriam a ele e se submeteriam ao seu senhorio (Is 11.10-16).

A esperança para o mundo é o Natal de Jesus (Is 9.6-7):

6Pois um menino nos nasceu, um filho nos foi dado. O governo estará sobre seus ombros, e ele será chamado de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno e Príncipe da Paz. 7Seu governoe sua paz jamais terão fim. Reinarácom imparcialidadee justiçano trono de Davi, para todo o sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará que isso aconteça!

Afinal, como disse Isaías lá mais adiante (53.4-6),

4foram as nossas enfermidades que ele tomou sobre si, e foram as nossas doenças que pesaram sobre ele. Pensamos que seu sofrimento era castigo de Deus, castigo por sua culpa. 5Mas ele foi ferido por causa de nossa rebeldia e esmagado por causa de nossos pecados. Sofreu o castigo para que fôssemos restauradose recebeu açoites para que fôssemos curados. 6Todos nós nos desviamos como ovelhas; deixamos os caminhos de Deus para seguir os nossos caminhos. E, no entanto, o SENHOR fez cair sobre ele os pecados de todos nós.

Pois bem, de que forma “nós nos desviamos como ovelhas”? Como nós “deixamos os caminhos de Deus para seguir os nossos caminhos”? É o que analisaremos a seguir, concentrando-nos em como seria o mundo sem Natal; como viveríamos se Jesus Cristo não tivesse nascido e realizado sua obra para buscar e salvar seu povo perdido.

Como seria o mundo sem Natal? Olhe comigo para Isaías 8.

1 O MUNDO SEM NATAL É INSENSÍVEL

1Então [após o sinal de Emanuel, Is 7.13-25]o SENHOR me disse: “Faça uma grande placa e escreva de modo bem claro o seguinte nome: Maher-shalal-hash-baz” [i.e., “Veloz para saquear e rápido para levar embora”]. 2Pedi ao sacerdote Urias e a Zacarias, filho de Jeberequias, dois homens conhecidos por sua honestidade, que fossem testemunhas do que fiz. 3Então deitei-me com minha esposa, e ela ficou grávida e deu à luz um filho. E o SENHOR disse: “Dê-lhe o nome Maher-shalal-hash-baz. 4Pois, antes que esse menino tenha idade suficiente para dizer ‘papai’ ou ‘mamãe’, o rei da Assíria levará embora os bens de Damasco e as riquezas de Samaria”.

Uma das grandes bênçãos de Deus para o mundo são os seus profetas. Mensageiros, enviados por Deus, sempre anunciaram o Dia do Senhor. Homens e mulheres, através da história, espalhados pelos campos do mundo, assim como fez Isaías (8.1-4), investem o melhor de sua força, família e filhos para dizerem: “Arrependam-se em quanto é tempo. Convertam-se de seus maus caminhos. Voltem-se para Deus. Creiam em Cristo Jesus para a sua salvação.” (Lc 24.46-47). Tantas e tantas vezes, tudo (aparentemente) em vão, pois os homens se recusam a dar ouvidos aos sinais de Deus. O mundo sem Natal é insensível aos sinais de Deus.

Assim foi que o próprio Deus profetizou a respeito de Judá (Is 7.13-25):

13Então [tendo Acaz se recusado a pedir um sinal a Deus, vs. 10-12] o profeta disse: “Ouçam bem, descendentes de Davi! Não basta esgotarem a paciência das pessoas? Agora também querem esgotar a paciência de meu Deus? 14Por isso, o Senhor mesmo lhes dará um sinal. Vejam! A virgem ficará grávida! Ela dará à luz um filho e o chamará de Emanuel. 15Quando essa criança tiver idade suficiente para escolher o bem e rejeitar o mal, comerá coalhada e mel. 16Pois, antes de a criança chegar a essa idade, as terras dos dois reis que vocês tanto temem ficarão desertas. 17“Então o SENHOR trará sobre vocês, sua nação e sua família, coisas como nunca houve desde que Israel se separou de Judá; trará contra vocês o rei da Assíria!”. 18Naquele dia, o SENHOR assobiará para chamar o exército do sul do Egito e o exército da Assíria, e eles os cercarão como enxames de moscas e abelhas. 19Virão em grandes multidões e ocuparão as regiões férteis e também os vales desolados, as cavernas e os lugares tomados de espinhos. 20Naquele dia, o Senhor alugará uma “navalha” que virá de além do rio Eufrates — o rei da Assíria — e a usará para raspar tudo: sua terra, suas plantações e seu povo. 21Naquele dia, o camponês terá sorte se lhe sobrarem uma vaca e duas ovelhas. 22Ainda assim, haverá leite suficiente para todos, pois restarão poucas pessoas na terra. Comerão coalhada e mel até ficarem satisfeitos. 23Naquele dia, os vinhedos prósperos, que hoje valem mil peças de prata, se tornarão terrenos cheios de espinhos e mato. 24Toda a terra ficará coberta de espinhos e mato, e será uma região de caça cheia de animais selvagens. 25Ninguém irá às encostas férteis das colinas, onde antes cresciam jardins, pois estarão tomadas de espinhos e mato. Ali bois e ovelhas pastarão.

O mundo sem Natal é insensível aos sinais de Deus: catástrofes, pregadores, Cristo, etc. Por mais que Deus fale e apresente o caminho da salvação, a humanidade sem Cristo permanece em trevas profundas, seguindo de mal a pior, caindo de abismo em abismo ainda mais profundo. O mundo sem Natal é insensível aos sinais de Deus.

2 O MUNDO SEM NATAL É INCRÉDULO

A seguir (Is 8.5-10), lemos que a aliança pró-assíria em Judá regozijou-se quando a Assíria derrotou a Síria e Israel ao norte, matando seus reis: Peca (de Israel) e Rezim (da Síria). Essas vitórias pareciam provar que uma aliança com a Assíria era o caminho mais seguro a seguir. Logo, em vez de confiar no Senhor (“as águas de Siloé, que fluem suavemente” no v. 6), Judá escolheu seguir confiando no grande rio da Assíria. O que eles não perceberam foi que aquele rio caudaloso se tornaria uma inundação quando a Assíria viesse e destruísse definitivamente Israel e devastasse Judá. Ouça (Is 8.5-10):

5Mais uma vez, o SENHOR falou comigo e disse: 6“Meu cuidado pelo povo de Judá é como as águas de Siloé, que fluem suavemente. Contudo, eles me rejeitaram e agora se alegram com o que acontecerá aos reis Rezim [Síria] e Peca [Judá]. 7Portanto, o Senhor fará vir sobre eles uma grande inundação do rio Eufrates: o rei da Assíria com toda a sua glória. A inundação fará transbordar todos os seus canais 8e cobrirá Judá até o pescoço. Abrirá as asas e submergirá sua terra de um extremo ao outro, ó Emanuel. 9“Reúnam-se, nações, e fiquem aterrorizadas; prestem atenção, todas as terras distantes. Preparem-se para a batalha, mas serão destruídas; sim, preparem-se para a batalha, mas serão destruídas. 10Convoquem conselhos de guerra, mas de nada adiantará; desenvolvam estratégias, mas não terão sucesso. Pois [Emanuel] Deus está conosco!”

Deus ofereceu paz ao seu povo, mas na incredulidade eles optaram pela guerra. Eles estavam sendo guiados pelo que viam e não pela fé.

Mas, note, Isaías não viu uma vitória permanente para o exército invasor (vs. 9-10). Afinal, os Assírios estavam entrando na terra de Emanuel; e Deus estava com o seu povo e os libertaria no futuro pelo amor de seu nome. A Assíria poderia planejar sua estratégia (v. 10), mas Deus frustraria todos os seus movimentos. O exército de Senaqueribe (rei da Assíria), de fato, acampou em torno de Jerusalém, certo da vitória; mas Deus os derrotou com um único golpe (cf. Isaías 37).

O mundo sem Natal é incrédulo. O povo que se diz povo de Deus se recusa a confiar no seu Deus, enquanto os outros povos resistem em temer e se curvar ao poder do único Soberano e Todo-poderoso Deus. O mundo sem Natal é incrédulo.

3 O MUNDO SEM NATAL É INQUEBRANTÁVEL

Outra realidade que enxergamos no texto (Is 8.11-15) é a advertência de Deus ao povo, através do profeta Isaías, para que não seguissem a maioria e apoiasse o popular partido pró-assíria. Confiassem em Deus, não nos homens.

Apesar de sua posição ser vista como traição, Isaías se opunha a todas as alianças estrangeiras e chamava o povo a depositar sua fé no Senhor (7.9; 28.16; 30.15). De um lado, os líderes judeus seguiam perguntando: “É popular? É seguro?”; do outro, o profeta permanecia reafirmando: “Isto está certo? É esta a vontade de Deus?”. Ouça a palavra do Senhor ao profeta (Is 8.11-15):

11O SENHOR me advertiu firmemente de que não pensasse como todos os outros. Disse ele: 12“Não chame tudo de conspiração, como eles fazem; não viva com medo do que eles temem. 13Considere o SENHOR dos Exércitos santo em sua vida; é a ele que você deve temer. Ele é quem deve fazê-lo estremecer; 14ele o manterá seguro. Mas, para Israel e Judá, ele será pedra de tropeço, rocha que os faz cair. Para o povo de Jerusalém, será armadilha e laço. 15Muitos tropeçarão e cairão e nunca mais se levantarão; serão presos no laço e capturados”.

Quando se teme ao Senhor, não há porque temer pessoas ou circunstâncias. Pedro se referiu a essa passagem quando escreveu o que se lê a seguir (1Pe 3.14-15):

14Mas, ainda que sofram por fazer o que é certo, vocês serão abençoados. Portanto, não se preocupem e não tenham medo de ameaças. 15Em vez disso, consagrem a Cristo como o Senhor de sua vida. E, se alguém lhes perguntar a respeito de sua esperança, estejam sempre preparados para explicá-la.

Isaías comparou o SENHOR a uma rocha que é refúgio seguro para os crentes, mas ao mesmo tempo uma armadilha — pedra de tropeço — para aqueles que, inquebrantáveis, rebelam-se contra ele. A imagem do Messias como uma rocha é encontrada novamente em Isaías 28.16 (veja também 1Pe 2.4-7 e Rm 9.33). Para os que se quebrantam, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1). O problema é que o mundo sem Natal é inquebrantável. Não se guia pelo temor do SENHOR, mas pelo temor é a glória de homens.

4 O MUNDO SEM NATAL É INCURÁVEL

A parte final de Isaías 8 (vs. 16-22) atesta que apesar de todos terem rejeitado a mensagem de Isaías, isso não significava que seu ministério havia sido um fracasso (que palavra de ânimo e consolo é esta aos pregadores do evangelho!). Os verdadeiros discípulos do SENHOR receberam a palavra de Deus e a valorizaram em seu coração. Pela fé, o profeta poderia esperar que a palavra de Deus fosse cumprida (Is 8.16-22):

16Preserve os ensinamentos de Deus; confie a lei àqueles que me seguem. 17Esperarei pelo SENHOR, que se afastou dos descendentes de Jacó; porei nele minha esperança. 18Eu e os filhos que o SENHOR me deu serviremos de sinal e advertência para Israel da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte Sião. 19Talvez alguém lhes diga: “Vamos perguntar aos médiuns e aos que consultam os espíritos dos mortos. Com sussurros e murmúrios eles nos dirão o que fazer”. Mas será que o povo não deve pedir orientação a Deus? Será que os vivos devem buscar a orientação de mortos? 20Consultem a lei e os ensinamentos de Deus! Aqueles que contradizem sua palavra jamais verão a luz. 21Andam sem rumo, cansados e famintos. E, por causa da fome, amaldiçoam seu rei e seu Deus. Olharão para o céu, 22depois olharão para a terra, mas para onde voltarem os olhos só haverá problemas, angústia e sombrio desespero. Serão lançados nas trevas.

Como já dissemos, Deus sempre deixa sinais para os homens. Isaías e seus filhos que nos digam! Lembrem-se de que Isaíassignifica “Yahweh é Salvação”, algo que lembraria o povo a sempre confiar no Senhor para libertá-lo. O nome de seu filho mais velhosignifica “Um remanescente retornará”, e essa foi uma palavra de promessa quando parecia que a nação seria totalmente destruída. O nome do filho mais novosignifica “Veloz para saquear e rápido para levar embora”, e apontou para a invasão e, depois, queda dos orgulhosos da Síria, de Israel e de Judá.

O problema é que em tempos de crise, em vez de se voltar para Deus em busca de sabedoria, o povo consultou demônios(Is 8.19; Dt 18.10-12); isto apenas fez aumentar a escuridão moral e espiritual daquela gente. Os líderes de Judá ansiosamente esperavam o alvorecer de um novo dia, mas viram apenas trevas cada vez maiores (Is 8.20-22).

A Palavra de Deus é a nossa única luz confiável nas trevas deste mundo sem Deus (Sl 119.105; 2Pe 1.19–21). Mas o mundo sem Natal é incurável, pois insiste em ouvir outras vozes: o coração, os homens, o mundo, o diabo.

Adiante no Livro do Natal, lemos que a justa condenação do Senhor foi derramada sobre Israelporque o povo se recusou a buscar o Senhor, agiram com orgulho, distorceram a palavra de Deus, foram hipócritas e perversos, mentiram em nome de Deus, agiram com injustiça e muito mais (Is 9.8–10.4). Já a Assíria, por não se ver como instrumento de Deus, por se orgulhar e se envaidecer diante Deus, viu cair sobre si a ira do julgamento divino (Is 10.5-19).

O mundo sem Natal é incurável.

GRAÇAS A DEUS PELO NATAL

Graças a Deus pelo Natal!

A vida e obra de Jesus traz redenção e restauração; traz salvação e transformação. Ouça o que outro profeta declarou sobre a obra de Deus que foi iniciada por Cristo no Natal e por ele mesmo consumada na Páscoa. Jeremias disse assim (Jr 31.33-34):

33“E esta é a nova aliançaque farei com o povo de Israel depois daqueles dias”, diz o SENHOR. “Porei minhas leis em sua mente e as escreverei em seu coração. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 34E não será necessário ensinarem a seus vizinhos e parentes, dizendo: ‘Você precisa conhecer o SENHOR’. Pois todos, desde o mais humilde até o mais importante, me conhecerão”, diz o SENHOR. “E eu perdoarei sua maldade e nunca mais me lembrarei de seus pecados.”

A vida e obra de Jesus Cristo, o sangue da nova aliança, comprou para nós a possibilidade do novo nascimento, da salvação. Ouça o profeta Ezequiel:

Ez 11.18-20 |18“Quando eles regressarem para sua terra natal, removerão todos os resquícios de suas imagens repugnantes e de seus ídolos detestáveis. 19Eu lhes darei um só coração e colocarei dentro deles um novo espírito. Removerei seu coração de pedra e lhes darei coração de carne, 20para que obedeçam a meus decretos e estatutos. Então eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

Ez 36.25-27 | 25“Então aspergirei sobre vocês água pura, e ficarão limpos. Eu os purificarei de sua impureza e sua adoração a ídolos. 26Eu lhes darei um novo coração e colocarei em vocês um novo espírito. Removerei seu coração de pedra e lhes darei coração de carne. 27Porei dentro de vocês meu Espírito, para que sigam meus decretos e tenham o cuidado de obedecer a meus estatutos.

Cristo, pelo seu Espírito, é quem nos cura do mundo sem Natal. Jesus é quem nos cura da insensibilidade e da incredulidade, quebrantando-nos, levando-nos de volta a Deus com arrependimento e fé. Isaías, profetizando esperança ao povo na iminência do ataque Assírio e do cativeiro babilônico que se seguiria, declarou assim (Is 10.20-21):

20Naquele dia, o remanescente de Israel, os sobreviventes da família de Jacó, não dependerão mais de aliados que procuram destruí-los. Confiarão fielmente no SENHOR, o Santo de Israel. 21Um remanescente voltará, sim, o remanescente de Jacó voltará para o Deus Poderoso.

O mundo, de fato, vive como se não existisse Natal (apesar de celebrá-lo todos os anos; digo, festejá-lo!). Não precisa ser assim com você. Que o Senhor destrua a sua insensibilidade, acabe com a sua incredulidade, quebrante você e cure você.

Olhe para Jesus. Tema a Cristo, o SENHOR. Comprometa-se com o seu evangelho. Espere pela salvação do SENHOR. Coloque em Jesus Cristo a sua esperança.

S.D.G. L.B.Peixoto

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