O CRENTE DO PACTO

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O CRENTE DO PACTO

1Tessalonicenses 4.1-2

1Finalmente, irmãos, pedimos e incentivamos [exortamos] em nome do Senhor Jesus que vivam para agradar a Deus, conforme lhes instruímos. Vocês já vivem desse modo, e os incentivamos a fazê-lo ainda mais, 2pois se lembram das instruções que lhes demos pela autoridade do Senhor Jesus.

TODOS PRECISAM SER EXORTADOS

Todo mundo precisa ser exortado. Todo mundo!

Às vezes cometemos o erro de pensar que as únicas pessoas que precisam ser exortadas ou chamadas para prestar contas são aquelas que já estão com um pé no pecado. Pensamos que, se uma pessoa está bem, a única coisa de que precisa é ser elogiada ou talvez não precise de nada de nós, nenhuma palavra. Tendemos a pensar em exortações, sugestões, apelos, advertências e chamados à responsabilidade como coisas que se usa apenas para os rebeldes ou desviados. Mas é um erro pensar assim!

Tanto a experiência como a Bíblia nos ensinam que todo cristão precisa de exortações regulares, desafios, chamados à responsabilidade, estímulos, inspiração, advertências e cuidados.

Quer ver uma coisa?

Quantas não são as pessoas que, sozinhas, sem exortação, estímulo ou encorajamento, esfriaram-se na fé e se desviaram do caminho de Cristo! Infelizmente, ao nosso redor, há uma dezena de gente assim. E inúmeros casos poderiam ter sido evitados se as pessoas envolvidas estivessem inseridas num ambiente de prestação de contas e estímulo à santidade — isto é, assiduidade nas reuniões ou cultos da igreja, participação ativa em algum pequeno grupo ou departamento da igreja onde se cultiva uma atmosfera de exortação mútua e coisas do tipo.

Viver cada um por si não é a abordagem bíblica. Quando lemos as Escrituras nós descobrimos que os autores bíblicos não entram na vida das pessoas somente quando as coisas estão desmoronando; eles também entram quando as coisas estão indo bem: eles exortam, estimulam, incitam e encorajam uns aos outros a continuar a viver e fazer o bem e a fazer isto cada vez mais e melhor.

Por exemplo, o texto que lemos no início. 1Tessalonicenses 4.1. Ouça:

1Finalmente, irmãos, pedimos e incentivamos [exortamos] em nome do Senhor Jesus que vivam para agradar a Deus, conforme lhes instruímos. Vocês já vivem desse modo, e os incentivamos a fazê-lo ainda mais,

Observe a frase “vocês já vivem desse modo [agradando a Deus conforme Paulo os havia instruído]”. Veja que essa frase é seguida de “e os incentivamos a fazê-lo ainda mais”. Logo, conclui-se que a “exortação” de Paulo não era motivada, principalmente, por ouvir que a igreja estava falhando ou vivendo com um pé no pecado. O apóstolo foi estimulado a exortá-los pela crença de que igrejas bem-sucedidas e pessoas bem-sucedidas na caminhada espiritual precisam ser sempre exortadas e estimuladas e incentivadas a perseverar, crescendo cada vez mais em vigilância, zêlo e fidelidade.

A mesma coisa aparece na sequência deste mesmo capítulo. Nos versículos 9-10:

9Não precisamos lhes escrever sobre a importância do amor fraternal, pois o próprio Deus os ensinou a amarem uns aos outros. 10De fato, vocês já demonstram amor por todosos irmãos em toda a Macedônia. Ainda assim, irmãos, pedimos [exortamos] que os amem ainda mais.

“Ainda mais”!

Todo mundo precisa de exortação! Mesmo quando alguém parece estar em comunhão íntima com Deus, podendo-se dizer que a pessoa foi “ensinada pelo próprio Deus” (não pelo homem!), e mesmo quando ela está praticando o amor de uma maneira ilimitada, ampla e expansivas, jamais pense não haver utilidade na exortação, no estímulo, na inspiração, na motivação e no chamado à responsabilidade para qualquer pessoa.

Os tessalonicenses estavam sendo “ensinados pelo próprio Deus” a amar uns aos outros (1Ts 4.9), e o amor deles estava se estendendo bem além de sua própria comunidade, derramando-se sobre os crentes em todo a região da Macedônia (v. 10). E, no entanto, Paulo escreveu: “Ainda assim, irmãos, pedimos [exortamos] que os amem ainda mais.”

Pois bem, no versículo 1, o apóstolo diz: “Vocês estão andando de uma maneira que agrada a Deus; mas eu lhes exorto: supere ainda mais!”, e no versículo 10 ele diz: “Vocês estão amando como Deus lhes ensinou; mas eu lhes exorto: supere ainda mais!”

Portanto, não é verdade que as únicas pessoas que se beneficiarão da exortação e do chamado à responsabilidade são aquelas que já estão com um pé no pecado. Longe disso! Exortação, encorajamento e chamado à responsabilidade beneficiarão a todos. Hebreus 3.12-13torna essa verdade ainda mais explícito:

12Portanto, irmãos, cuidempara que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo que os desvie do Deus vivo. 13Advirtam [exortem] uns aos outros todos os dias, enquanto ainda é “hoje”, para que nenhum de vocês seja enganado pelo pecado e fique endurecido.

Trocando em miúdos: ninguém correu tão bem a corrida ou chegou tão longe no percurso que possa dizer: “Não preciso de exortação, prestação de contas, advertência, encorajamento ou ser chamado à responsabilidade!”Ninguém. Todos precisam ser exortados.

UM MODELO DE EXORTAÇÃO

O que nós temos em 1Tessalonicenses 4.1-2 é um modelo de exortação e de prestação de contas que faríamos muito bem em seguir juntos na comunhão pactuada que nós desfrutamos aqui na vida como igreja. O que queremos dizer com modelode exortação e de prestação de contas é, principalmente, o fato de nos mostrar a maneira pela quala igreja, a Segunda Igreja Batista em Goiânia, pode usar o Pacto de Compromisso da Igrejapara estimular a fé, a esperança e o amor entre nós.

Observe quatro coisas neste modelo apontado por Paulo em 1Tessalonicenses 4.

1 Uma maneira de andar para agradar a Deus

Paulo indica que existe sim uma maneira de andar — ou de viver — para agradar a Deus. Observe, no meio do verso 1, as palavras: “vivam para agradar a Deus”. Ou seja: existe uma maneira de andar ou de viver que agrada a Deus. Não se agrada a Deus vivendo ou andando de qualquer jeito, seguindo o coração ou o que dá na cabeça ou todo mundo.

2 Um lembrete do que foi recebido

O modo de viver para agradar a Deus havia sido entregue ou ensinado ou instruído por Paulo e os apóstolos aos tessalonicenses. Lê-se assim (vs. 1-2):

1Finalmente, irmãos, pedimos e incentivamos [exortamos] em nome do Senhor Jesus que vivam para agradar a Deus, conforme lhes instruímos. Vocês já vivem desse modo, e os incentivamos a fazê-lo ainda mais, 2pois se lembram das instruções que lhes demospela autoridade do Senhor Jesus.

O versículo 2 diz que Paulo havia dado instruções que resumiam “como vocês devem andar ou viver para agradar a Deus”, e o versículo 1 diz que os tessalonicenses as haviam “recebido” e se submetido a elas numa vida transformada.

Outra maneira de se colocar isto é dizer que aqueles crentes foram chamadas por Deus para a nova aliança e estavam cumprindo os termos da aliança em amor e santidade uns com os outros.

Você deve se lembrar de que uma das marcas da nova aliança é que Deus escreve a lei no coração dos crentes. Bem, a isto — a esta nova aliança — era ao que Paulo estava se referindo no versículo 9: “Não precisamos lhes escrever sobre a importância do amor fraternal, pois o próprio Deus os ensinou a amarem uns aos outros”.

Resumindo: o versículo 2 diz que Paulo os havia instruído, e o versículo 1 diz que essas instruções são o caminho para se andar e agradar a Deus. Mas o versículo 9 esclarece que foi o próprio Deus quem escreveu esses ensinamentos no coração deles, de modo que eles estavam se deleitando de coração em andar ou viver do modo que agrada a Deus, e não os estava experimentando como letras que matam, mas como o poder do Espírito que dá vida (2Co 3.6; cf. Rm 6.17).

Portanto, a primeira coisaque aprendemos sobre esse modelo de exortação e de prestação de contas é que existe uma maneira de caminhar ou de viver para agradar a Deus; e a segunda coisaque notamos neste modelo é que, quando este modo de viver da nova aliança foi apresentado por Paulo aos tessalonicenses, eles receberam ou aceitaram as instruções,foram ensinados pelo próprio Deus — pelo Espírito de Deus, e assim começaram a andar da forma que agrada a Deus.

Mas tem mais…

3 Um pedido e uma exortação

A terceira coisa a notar é que Paulo “pede” algo deles e também os “exorta”. Observe como o texto começa com estes verbos-chave: “pedir” e “exortar” (v. 1).

1Finalmente, irmãos, pedimose incentivamos [exortamos]em nome do Senhor Jesus que vivam para agradar a Deus, conforme lhes instruímos.

É isto o que Deus espera que façamos uns aos outros aqui na Segunda Igreja Batista em Goiânia: seguir o exemplo que Paulo nos deixou aqui em sua carta.

Primeiro, há uma maneira de andar para agradar a Deus. Segundo, nós fomos e estamos sendo instruídos sobre esta maneira de andar ou viver para agradar a Deus: está tudo resumido no Pacto de Compromisso da Igreja. Terceiro, espera-se de cada um de nós que se peça e se exorte uns aos outros para andar neste caminho que agrada a Deus.

Se a igreja não fosse uma comunidade de aliança ou pactuada, na qual as pessoas, voluntariamente, assumiram um compromisso de viver de uma determinada maneira diante de Deus, do próximo e do muno, então “pedir” e “exortar” assim seria intromissão na vida do outro. Mas se temos um pacto um com o outro, de ser um só corpo em Cristo e modelarmos nossa vida pelas Escrituras, então “pedir” e “exortar” uns aos outros para andar no caminho que agrada a Deus não é intromissão, é amor, fidelidade e lealdade.

4 O objetivo de fazer e amar e crescer ainda mais fazendo e amando

Finalmente, observe que o objetivo do pedido e da exortação no versículo 1 é (no final do versículo) “fazê-lo ainda mais”. Fazer o quê? Viver no que se “recebeu” desde o começo em termos de instrução apostólica.

Não em uma longa lista de novos mandamentos, mas o que se recebeu dos apóstolos — o que Paulo chamou em Romanos 6.17 de a “forma de doutrina a que fostes entregues” — o “como você deve andar para agradar a Deus”. Você recebeu os termos do Pacto. O objetivo é obedecê-los ainda mais.

Sim, é Deus quem nos ensina (1Ts 4.9). Mas ele usa palavras ditas, faladas ou ensinadas pelos homens. É verdade que, como afirmou Paulo, “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento” (1Co 3.6). Homens “pedem” e “exortam”, mas Deus escreve os termos do Pacto no coração. Deus dá a obediência sincera. Mas nada disso anula a necessidade de se plantar, regare cultivar. Deus dá o crescimento mediante nosso ministério.

COMO USAR O PACTO DE COMPROMISSO DA IGREJA

Temos aqui, então, um modelo de como usar o Pacto de Compromisso da Igreja (entre outras maneiras) em nossa vida como igreja.

  • Primeiro, reconhecemos que existe uma maneira de caminhar e de viver para agradar a Deus. Não podemos viver de qualquer jeito, seguindo o coração, o que todo mundo faz ou o que dá na cabeça. Temos um resumo de como viver no Pacto de Compromisso da Igreja.
  • Segundo, nós recebemos e firmamos o Pacto, comprometendo-nos uns com os outros nos termos do Pacto.
  • Terceiro, nós “pedimos” e “exortamos” uns aos outros de novo e de novo. Nós não nos esquivamos. Nós mantemos o Pacto diante de nós e agitamos em seus termos, pedindo e exortando uns aos outros.
  • Quarto, pedimos e exortamos não apenas aos fracos, mas também aos fortes; não apenas aos rebeldes, mas também aos fiéis; não apenas aos fracassados, mas também aos bem-sucedidos; não apenas aos frios, mas também aos fervorosos; não apenas aos que estão com um pé no pecado ou que tombaram, mas também aos recomendáveis ou que estão em pé; não apenas aos leigos, mas também aos líderes, diáconos e pastores. Nós nos exortamos dia após dia para “fazermos ainda mais”.

Ninguém está acima de pecar e quebrar o Pacto. E a melhor proteção contra o pecado e a quebra do Pacto não é fazer de conta que está tudo bem ou só elogiar. A melhor proteção é a vigilância e a exortação mútua. Foi por isso que Paulo pediu e exortou os santos bem-sucedidos a “se sobressaírem cada vez mais” em amor e santidade.

O PAPEL E A POSIÇÃO DO PACTO DA IGREJA

O Pacto de Compromisso da Igreja não deve, portanto, ser algo que lemos periodicamente e do qual nos esquecemos no período intermediário. Não é apenas um texto para leitura solene nalguma reunião especial da igreja. O Pacto é um resumo da “maneira como devemos andar ou viver para agradar a Deus”.

Não é nada exaustivo. Destina-se a servir como um meio termo entre detalhes excessivos que vão além das Escrituras e generalizações vagas que não dão nenhuma orientação prática. Acho que nosso Pacto faz isso admiravelmente.

Tome alguns exemplos do parágrafo 3 do Pacto. Antes, veja um resumo geral.

Parágrafo 1é introdução: trata do que nos une a Deus e uns aos outros na igreja.

Parágrafo 2é sobre a vida da igreja: trata de como viver coletivamente, como corpo.

Parágrafo 3é sobre a vida do crente: trata do como ele vive individualmente.

Parágrafo 4 é sobre o cuidado do crente: trata de como ele serve ao próximo.

Parágrafo 5é sobre o compromisso com a igreja: trata da consciência que o crente tem de sua necessidade de viver em igreja. E termina com um pedido de ajuda divina.

O CRENTE DO PACTO

Nós já estudamos os Parágrafos 1 e 2. Nesta ocasião, permitam-me pincelar o Parágrafo 3 que trata do tipo de crente que o Pacto produz. Ouça:

Comprometemo-nos, também, 1a manteruma devoção particular; 2a evitar e condenartodos os vícios; 3a educarreligiosamente nossos filhos; 4a procurara salvação de todo o mundo, a começar dos nossos parentes, amigos e conhecidos; 5a sercorretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; 6evitara detração, a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.

Note do que vai tratar o Pacto no que diz respeito à nossa vida pessoal.

1 Cultivar a vida devocional

Comprometemo-nos, também, 1a manteruma devoção particular; […]

2 Condenar a escravidão do pecado

Comprometemo-nos, também, […] 2a evitar e condenartodos os vícios; […]

3 Cuidar da vida espiritual da família

Comprometemo-nos, também, […] 3a educarreligiosamente nossos filhos; […]

4 Comunicar o evangelho a todos

Comprometemo-nos, também, […] 4a procurara salvação de todo o mundo, a começar dos nossos parentes, amigos e conhecidos; […]

5 Conquistar o respeito dos de fora

Comprometemo-nos, também, […] 5a sercorretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; […]

6 Cauterizar a língua ferina

Comprometemo-nos, também, […] 6evitara detração [depreciação do mérito do outro], a difamação [maledicência; imputação ofensiva contra a honra do outro] e a ira, […]

7 Sempre e em tudo visando a expansão do Reino

Esse, portanto, é o crente do Pacto: alguém que cultiva a devoção particular, condena a escravidão do pecado em sua vida, cuida da vida espiritual da família, comunica o evangelho a todos, conquista o respeito dos de fora e cauteriza a língua ferina… sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.

Portanto,

Conheçamos o Pacto, façamos dele pauta de oração;

Reafirmemos o compromisso com o Pacto;

Peçamos e exortemos uns aos outros nos moldes do Pacto;

Vivamos para fazer ainda mais segundo o Pacto.

Leiamos, agora o Pacto todo, preparando-nos para a Ceia.

 S.D.G. L.B.Peixoto

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