O ALICERCE DA NOSSA ESPERANÇA

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O ALICERCE DA NOSSA ESPERANÇA

João 10.11-18

11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas. 12O empregado foge quando vê um lobo se aproximar. Abandona as ovelhas porque elas não lhe pertencem e ele não é seu pastor. Então o lobo as ataca e dispersa o rebanho. 13O empregado foge porque trabalha apenas por dinheiro e não se importa de fato com as ovelhas. 14“Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como meu Pai me conhece e eu o conheço; e eu sacrifico minha vida pelas ovelhas. 16Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17“O Pai me ama, pois sacrifico minha vida para tomá-la de volta. 18Ninguém a tira de mim, mas eu mesmo a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para tomá-la de volta, pois foi isso que meu Pai ordenou”.

DAVID BRAINERD

David Brainerd nasceu em 20 de abril de 1718, em Haddam, estado de Connecticut nos EUA, 43 anos antes de William Carey (missionário batista) nascer em Paulerspury, Inglaterra. Brainerd tornou-se um missionário entre os índios da Nova Inglaterra, mas morreu muitos, muito jovem: aos 29 de idade. As últimas 19 semanas de sua vida foram na casa do grande Jonathan Edwards em Northampton, Massachusetts, EUA.

Durante o período final de enfermidade, ele havia contraído tuberculose, Brainerd foi muito bem cuidado por Jerusha Edwards, a filha de dezessete anos de Jonathan Edwards. O carinho e a amizade que cresceu entre os dois foi tão grande que levou alguns a concluirem que eles ficaram romanticamente ligados (noivos?). Mas Brainerd não resistiu e morreu aos 9 de outubro de 1747.

Foi enterrado no cemitério de Bridge Street, em Northampton, ao lado de Jerusha, veja!, que morreu em fevereiro de 1748 (quatro meses depois!), resultado da contração de tuberculose com os cuidados dispensados a Brainerd. Mas esta é outra história.

Jonathan Edwards ficou tão profundamente comovido com o trabalho missionário, a fé e a coragem do jovem Brainerd que editou e publicou sua Vida e Diário em 1749 (no Brasil, A Vida de David Brainerd, ed. Fiel).

Quarenta anos depois desta publicação da Vida de Brainerd, e tendo-a lido, o jovem pastor batista inglês, William Carey, ficou impressionado com a história de abnegação e amor missionário de Brainerd, mesmo tendo sido tão jovem.

Aos 31 anos de idade, Carey publicou um livreto intitulado “Uma investigação sobre as obrigações dos cristãos de usar meios para a conversão dos pagãos”. Repetidamente, nesta pequena obra, Carey se refere ao grande exemplo de Brainerd. Um ano depois, quando viajou para a Índia como missionário em 1793, Carey escreveu em seu diário sobre como os sermões de Jonathan Edwards estavam lhe dando força e esperança. Por exemplo:

24 de junho de 1793 — “Vi vários peixes-voadores. Comecei a escrever bengali e a ler os sermões de Edwards e os poemas de [William] Cowper. Mente tranquila e serena…”

O livro de William Carey, além de sua incrível carreira de 40 anos como missionário na Índia, o imortalizou como o “pai das missões modernas”. E a razão pela qual eu faço a conexão de William Carey com Jonathan Edwards e David Brainerd é para mostrar que a grande era missionária da história do cristianismo nasceu no solo da teologia sólida da graça soberana de Deus na salvação dos pecadores.

Missões nasceu no coração de homens e mulheres que acreditavam nas doutrinas da depravação total do homem, na eleição incondicional do pecador, no chamado eficaz para a salvação, na expiação definida da morte de Cristo e na perseverança dos santos — as grandes verdades que estão, de alguma forma, cravadas no texto de João 10.11-18 que nós lemos no início, e que precisamos recobrar e praticar, se desejamos alicerçar nossa esperança de vida eterna em solo firme e seguro, e ver cumprida a missão que nos foi deixada por Jesus: ir, fazer discípulos de todos os povos, tribos, línguas e nações.

CRENTES NA GRAÇA SOBERANA

Além da Bíblia, provavelmente não existam documentos missionários que sejam mais influentes do que A Vida e o Diário de David Brainerd (escrito por Jonatan Edwards) e a Investigação sobre as obrigações dos cristãos de William Carey. Ambos os livros vêm do que podemos chamar de homens da “graça soberana”. Ainda mais interessante, por trás de cada um desses jovens havia grandes pastores, homens mais maduros, conhecidos por seu compromisso apaixonado com a soberania de Deus na salvação, e que amavam e incentivavam os dois jovens missionários.

Atrás de David Brainerd estava o teólogo de primeira grandeza e pastor de almas Jonathan Edwards, após ser demitido por 75% dos votos dos membros da igreja, passou os últimos oito anos de sua própria vida escrevendo e ministrando entre os índios nativos norte-americanos do oeste de Massachusetts.

Atrás de William Carey estava o grande Andrew Fuller (pastor batista), que participou da ordenação de Carey e o ajudou a formar a Sociedade Missionária Batista que o enviou para a Índia. Carey carinhosamente o chamava de fiel “que segura as cordas”. 

Edwards e Fuller amavam e viviam as doutrinas da graça soberana, e que para a nossa tragédia desapareceram dos púlpitos evangélicos. Então, o que eu quero que você enxergue é que os principais impulsos do movimento missionário moderno vieram do coração de pessoas que eram enfaticamente teológicas e doutrinárias em sua leitura das Escrituras e que foram cativadas pela soberania da graça de Deus na salvação do pecador. 

Portanto, é historicamente apropriado e, espero mostrar a você, biblicamente necessário, que a nossa esperança de vida eterna se fundamente e o nosso desafio missionário se cumpra no solo da afirmação da soberania de Deus, conforme encontramos no nosso texto de João.

Pois bem, minha intenção agora é caminhar com vocês pelo nosso texto de João, fazendo seis rápidas observações, apresentar alguns desdobramentos históricos, e, depois, concluir com quatro aplicações que vão alicerçar sua esperança de vida eterna e de garantia de sucesso no cumprimento da nossa missão como discípulos que devem viver para a glória de Deus fazendo discípulos, multiplicando discípulos. Essa, afinal, é a essência da vida cristã.

Então, vamo lá…

SEIS OBSERVAÇÕES CONTEXTUAIS EM JOÃO 10.11-18

Começaremos com seis observações contextuais em João 10.11-18.

1 Jesus chama a si mesmo de bom pastor

João 10.11: “Eu sou o bom pastor.” Verso 14: “Eu sou o bom pastor.” Jesus está pensando em si mesmo aqui como o cumprimento de Ezequiel 34.22-24, onde Deus fala de Israel,

22Portanto, salvarei meu rebanho, e ele não será mais maltratado. Julgarei entre um animal e outro do rebanho. 23Porei sobre as ovelhas um pastor, meu servo Davi; ele as alimentará e será seu pastor. 24E eu, o SENHOR, serei o seu Deus, e meu servo Davi será príncipe no meio de meu povo. Eu, o SENHOR, falei!”

O rebanho de Deus em questão é Israel. Deus prometeu colocar seu servo Davi sobre eles para ser seu pastor. E ele fala de ter que julgar entre ovelhas e ovelhas (v. 22). Isso nos leva à segunda observação.

2 Algumas ovelhas são de Cristo e outras não

João 10.3b-4: “Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz.” Agora, versículo 14: “Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem”. Em outras palavras, nem todas as pessoas no rebanho de Israel realmente pertenciam a Cristo. Alguns eram suas ovelhas. Alguns não eram ovelhas.

3 O Pai deu suas ovelhas ao Filho

João 10.29: “meu Pai as deu a mim, e ele é mais poderoso que todos. Ninguém pode arrancá-las da mão de meu Pai.” Esta é a maneira de Jesus falar sobre eleição. Deus escolheu um povo para si. São as ovelhas eleitas do Senhor. Ele, então, as entrega ao Filho, para que possam ser salvas pela fé no Filho, na vida e obra de Cristo.

Podemos ler a mesma coisa, de forma ainda mais clara, em João 17.6, onde Jesus diz a seu Pai: “Eu revelei teu nome àqueles que me deste do mundo. Eles sempre foram teus. Tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra.”

Assim, Jesus pode falar com confiança sobre algumas ovelhas entre o rebanho de Israel que são definitivamente dele, porque primeiro pertenceram ao Pai, por eleição, e depois foram dadas ao Filho pelo Pai, para a salvação — “Eles sempre foram teus. Tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra” (Falta-nos tempo para ler, mas leia você depois, em casa; leia e medite: João 6.37, 39, 44, 65; 17.9, 24; 18.9).

4 Jesus as chama pelo nome e elas o seguem

João 10.3b-4: “Ele chama suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. Depois de reuni-las, vai adiante delas, e elas o seguem porque conhecem sua voz.” Versículo 27: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” Ou seja: Ele separa ovelha de ovelha, como Ezequiel disse, chamando as suas pelo nome. Quando ele chama, suas ovelhas reconhecem sua voz e elas o seguem, e ele as reúne em um rebanho novo, a saber, a igreja, o verdadeiro Israel de Deus.

Não deixe de ver a essência desses versículos: ser uma das ovelhas de Cristo permite que você responda ao chamado dele. Não é o contrário: responder ao chamado dele não faz de você uma das ovelhas dele.

Esse talvez seja o ponto mais ofensivo deste capítulo. Mas tira o incrédulo da presunção de que a determinação final de sua vida está em seu próprio poder. Observe o versículo 26: “Mas vocês não creem em mim porque não são minhas ovelhas.”

Imagine-se como um fariseu ouvindo a mensagem de Jesus e dizendo para si mesmo: “Se ele acha que eu vou ser sugado para esse movimento, junto com os coletores de impostos e pecadores, ele está louco! Tenho vontade própria e o poder de determinar meu próprio destino.” Imagine agora Jesus, sabendo o que estava no coração deles, dizendo-lhes: “Você pensa que está no controle de sua vida. Está nada! Você é escravo do pecado. E te digo que você não crê, porque o Pai não escolheu você para estar entre minhas ovelhas.” Bang! O júbilo final de incredulidade é destruído pela doutrina da eleição. Se você tem dúvida, leia João 6.63-65:

Somente o Espírito dá vida. A natureza humana não realiza coisa alguma. E as palavras que eu lhes disse são espírito e vida. Mas alguns de vocês não creem em mim”. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem não acreditava nele e quem iria traí-lo. E acrescentou: “Por isso eu disse que ninguém pode vir a mim a menos que o Pai o dê a mim”.

Trocando em miúdos: Aqueles a quem Deus escolheu, ele também deu ao Filho, e aqueles a quem ele deu ao Filho, o Filho também chamou, e assim suas ovelhas ouvem sua voz, creem nele e o seguem.

Mas isso não é tudo o que Jesus faz por suas ovelhas. Tem mais.

5 O bom pastor dá a vida por suas ovelhas

João 10.11: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas.” Agora, os versículos 14-15: “Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como meu Pai me conhece e eu o conheço; e eu sacrifico minha vida pelas ovelhas.”

Em outras palavras, aqueles que o Pai escolheu, ele também deu ao Filho; e aqueles a quem ele deu ao Filho, o Filho também chamou; e aqueles a quem o Filho chamou, ele também justificou, dando a vida pelas ovelhas. E com base nesse sacrifício…

6  Jesus dá vida eterna que não pode ser tirada

João 10.27-30: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas nunca morrerão. Ninguém pode arrancá-las de minha mão, pois meu Pai as deu a mim, e ele é mais poderoso que todos. Ninguém pode arrancá-las da mão de meu Pai. O Pai e eu somos um.” Em outras palavras: aqueles a quem o Pai escolheu para si mesmo, ele também deu ao Filho; e aqueles a quem ele deu ao Filho, o Filho também chamou; e para aqueles a quem o Filho chamou, ele também deu a vida; e aqueles por quem ele morreu, ele deu a vida eterna, e nunca poderá ser tirada.

A figura que temos em João 10 é de um grande pastor que soberanamente salva suas ovelhas. O Pai os entrega ao bom pastor. O pastor morre por elas. Ele as chama pelo nome. Ele lhes dá vida eterna. E ele mesmo as guarda para sempre.

PERIGO CONTORNADO!

Se de um lado a doutrina da eleição quebra o orgulho do pecador, que jura de pé junto ter o controle final de sua vida nas próprias mãos (coitado!), de outro ela pode promover a inércia (uma espécie também de orgulho), impedindo-nos de ir buscar e salvar os que estão perdidos. Afinal, se são eleitos, Deus mesmo dará um jeito de salvá-los, não é mesmo? Absolutamente, não,

A esse tipo de postura elitista arrogante e confortável dos poucos escolhidos, Jesus diz em João 10.16:

Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

A doutrina da eleição quebra o orgulho do nosso coração e, em vez de nos dar licença para acomodar, nos enche com o combustível da esperança inabalável de que ao irmos buscar as ovelhas de Cristo, elas ouvirão a voz de Cristo através de nós, e haverá um só rebanho e um só pastor. Foi esta convicção e esses versículos, especialmente João 10.16, que encorajaram e impulsionaram o movimento missionário na história do cristianismo:

  • com esta convicção, os judeus convertidos (especialmente Paulo — cf. Rm 8.29-30) saíram de Jerusalém e foram buscar as outras ovelhas de Cristo entre os gentios, na Judeia, Samaria e nos confins da terra;
  • com esta convicção, quando os primeiros puritanos americanos estavam se acomodando em seu status de “escolhidos”, o Novo Israel de Deus no Novo Mundo, Jesus disse a John Eliot: “Tenho outras ovelhas, que não estão aqui neste aprisco puritano — estão entre os índios Algonquinos. Vá buscá-las!”. E cem anos depois, disse o mesmo a David Brainerd: “Tenho outras ovelhas que não estão neste rebanho de congregacionais — estão entre os Susquehannas. Vá buscá-las!”;
  • com esta convicção, quando os batistas particulares da Inglaterra estavam sendo congelados pelo gelo não-bíblico do hiper-calvinismo, Jesus falou a William Carey: “Eu tenho outras ovelhas que não estão neste rebanho inglês — estão lá na Índia. Vá buscá-las!”;
  • com esta convicção, no momento em que as agências missionárias e as igrejas estavam se contentando com os sucessos missionários costeiros (apenas às margens da África e Ásia), Jesus despertou Hudson Taylor: “Tenho outras ovelhas que não estão nesta região costeira — estão lá no interior, no meio da China. Vá buscá-las!”. E disse o mesmo para David Livingston: “Tenho outras ovelhas que não estão nesta região costeira — estão lá no interior, no meio da África. Vá buscá-las!”. E assim nasceram as missões para o interior da China e África;
  • com esta convicção, quando toda a cristandade ocidental começou a sentir-se satisfeita por todos os países do mundo terem sido penetrados pelo evangelho, Jesus veio a William Cameron Townsend (1934, fundador da Wycliffe Bible Translators) e a Ralph Winter (Congresso Lausanne para a Evangelização Mundial, de 1974), acordando-os para a realidade de 17.000 povos não alcançados, povos minoritário, e milhares de idiomas sem Bíblia: “Tenho outras ovelhas que não estão neste recorte do mundo — entre lá entre os povos tribais mais escondidos, dentro desses países que vocês julgam já alcançados, milhares deles com nem ao menos uma porção das Escrituras em seu idioma. Vá buscá-las!”

João 10.16 é o grande texto missionário no evangelho de João, e que chacoalhou os quatro cantos da terra com a obra missionária. Toda vez que começamos a ficar confortáveis conosco mesmo, Cristo vem com um espinho na almofada do conforto dos crentes e diz: “Tenho outras ovelhas, que não estão nesta igreja, vá buscá-las”.

Mas esse texto é muito mais que um aguilhão. Ele está carregado de esperança e de poder para alicerçar nossa esperança de vida eterna. Afinal, como já dissemos, a figura que temos em João 10 é de um grande e poderoso pastor que soberanamente salva suas ovelhas. O Pai as entrega ao bom pastor. Ele morre por elas. Ele as chama pelo nome. Elas o seguem. Ele lhes dá vida eterna. E ele mesmo as guarda para sempre.

Esse texto também serve de alicerce para a nossa esperança de cumprir com sucesso a missão que ainda temos neste mundo: ir buscar e salvar os pedidos; ir e fazer discípulos de Jesus Cristo de todas os povos, tribos e nações. E podemos confiar, pois ao sairmos em busca das ovelhas de Jesus elas ouvirão a voz do Senhor através da nossa voz e o seguirão para a vida eterna.

4 INCENTIVOS PARA MISSÕES E DISCIPULADO EM JOÃO 10.16

Caminharemos para o final desta mensagem destacando quatro incentivos para missões, evangelismo e discipulado à partir de João 10.16.

Nossa convicção teológico-doutrinária tem que alimentar nossa esperança de vida eterna e nos tornar multiplicadores de discípulos corajosos de Jesus Cristo, caso contrário teremos crido em vão. Então, crente, aperte os cintos, alicerce sua fé, regozije-se com sua salvação e faça discípulos.

1 As outras ovelhas de Cristo

Cristo tem pessoas além daquelas que já foram convertidas — outras pessoas além de nós aqui na Segunda Igreja Batista em Goiânia, por exemplo. “Tenho outras ovelhas que não pertencem a esse rebanho.”

Infelizmente, sempre haverá pessoas que argumentarão que a doutrina da predestinação torna missões e evangelismo desnecessários ou os impede de acontecer. Mas eles estão errados. Não os tornam desnecessários nem nos desmotiva; ao contrário, faz missões e evangelismo ser algo possível, realizável e, por isso, enche-nos da esperança de que Cristo certamente tem outras ovelhas que não pertencem a este rebanho e eu as vou encontrar, ou pelo menos parte delas, a parte que me cabe encontrar.

Foi precisamente essa verdade bíblica que encorajou o apóstolo Paulo quando ele estava abatido e quase desistindo lá em Corinto. Atos 18.9-11:

9Certa noite, o Senhor falou a Paulo numa visão: “Não tenha medo! Continue a falar e não se cale, 10pois estou com você, e ninguém o atacará nem lhe fará mal, porque muita gente nesta cidade me pertence”. 11Então Paulo permaneceu ali um ano e meio, ensinando a palavra de Deus.

“Tenho outras ovelhas que não são deste rebanho. Continue pregando.” Esta é uma promessa carregada de esperança para aqueles que sonham com novos campos de trabalho missionário ou novos discípulos para Jesus.

2 As outras ovelhas de Cristo estão dispersas, fora deste curral

João 10.16 implica que as “outras ovelhas” que Cristo possui estão espalhadas fora do curral atual. Isto é explicitado em João 11.51-52, onde João nos relata uma profecia proferida por Caifás, o sumo sacerdote,

51Não disse isso por si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação inteira. 52E não apenas por aquela nação, mas para reunir em um só corpo todos os filhos de Deus espalhados ao redor do mundo.

Missões e evangelismo para o apóstolo João é a reunião ou a colheita dos filhos de Deus. Eles não estão todos aqui por perto ou espalhados em apenas um ou dois lugares. Eles estão por toda parte. O modo como João colocou, quando escreveu o livro de Apocalipse (5.9), foi o seguinte:

E entoavam um cântico novo com estas palavras: “Tu és digno de receber o livro, abrir os selos e lê-lo. Pois foste sacrificado e com teu sangue compraste para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação.

Os filhos resgatados de Deus serão encontrados. Quais? Todos aqueles que forem alcançados pelo evangelho com arrependimento e fé na vida e obra de Cristo. Eles estão em toda parte. Isto é um grande incentivo para continuarmos com a tarefa missionária e alcançar os povos ainda não alcançados.

3 O compromisso do Senhor com suas ovelhas perdidas

O Senhor Jesus mesmo se comprometeu a trazer para casa suas ovelhas perdidas. Ele vai fazer isso acontecer. Ponto final. Ele disse (Jo 10.16):

Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

Agora, isso não significa, como alguns dos hiper-calvinistas pensavam que sim, nos dias de William Carey, que Cristo reunirá suas ovelhas sozinho, sem nos pedir! Falácia.

Por exemplo, em João 17.18 e em 20.21, Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio”. Ou seja, somos enviados pelo próprio Cristo para prosseguirmos com a missão de Cristo. Assim, Jesus orou em João 17.20, dizendo: “Não te peço apenas por estes discípulos [os discípulos dele, naquele momento], mas também por todos que crerão em mim por meio da mensagem deles.” Em outras palavras, assim como o Pai chamou suas ovelhas mediante as próprias palavras de Jesus, ele ainda chama hoje, através do evangelho que eu e você anunciamos. O bom pastor continua chamando suas ovelhas pelo nome, e elas ouvem sua voz (através da nossa) e o seguem. Ele faz isso. Mas não sem nós!

Essa é a maravilha do evangelho. Quando é pregado com sinceridade no poder do Espírito, não é meramente a palavra do homem. É a palavra de Deus (1Tessalonicenses 2.13)! Em outras palavras, ainda hoje, no e pelo evangelho, é tão verdadeiro quanto nos dias de Jesus: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” (João 10.27). É Cristo quem chama no e pelo evangelho. Cristo reúne. Nós somos apenas testemunhas. Foi por isso que Paulo disse em Romanos 15.18:

não ouso me vangloriar de nada, exceto do que Cristo fez por meu intermédio a fim de conduzir os gentios a Deus, por minha mensagem e pelo meu trabalho,

Para que possamos ter ânimo: toda autoridade no céu e na terra foi dada ao Filho de Deus e ele declara: “Devo trazer minhas outras ovelhas.” Ele fará isso. Através de nós.

4 As ovelhas de Cristo virão

Chegamos à palavra final de esperança do texto: se ele trouxer as ovelhas, elas virão! João 10.16:

Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

Nenhuma das ovelhas de Cristo, finalmente, rejeitará sua palavra. Meu Deus, que promessa! Afinal, o que mais poderá manter-nos (a mim e a você) em um lugar difícil, perigoso muitas vezes, hostil e sem resposta à nossa pregação do evangelho, exceto a certeza de que Deus reina soberano — e aqueles a quem o Pai escolheu e deu ao Filho ouvirão a voz do Filho e o seguirão?

A HISTÓRIA DE PETER CAMERON SCOTT

Concluo com uma história sobre Peter Cameron Scott, nascido em 1867 e que fundou a MIAF — Missão para o Interior da Africana. Ele tentou duas vezes servir na África, mas teve que voltar para casa duas vezes com malária, quase morrendo. A terceira tentativa foi especialmente alegre para ele, porque foi acompanhado por seu irmão John. Mas a alegria evaporou quando John foi vitimado pela malária. Scott mesmo fabricou o caixão e ele mesmo enterrou seu irmão, sozinho e, na sepultura, dedicou-se novamente a pregar o evangelho no interior da África. Mas, novamente, sua saúde se deteriorou e ele teve que retornar à Inglaterra, agora totalmente desencorajado.

Mas em Londres algo maravilhoso aconteceu. Lemos sobre isso em Missões Até os Confins da Terra, de Ruth Tucker (Shedd Publicações) — um livro que espero que todos vocês um dia leiam! Leio um trecho da página 413:

Como poderia levar a cabo seu voto a Deus? Ele [Peter Cameron Scott] precisava de uma nova fonte fresca de inspiração e encontrou-a em um túmulo na Abadia de Westminster, o qual guardava os restos de um homem que inspirara tantos outros em seu serviço missionário na África. O espírito de David Livingstone parecia estar impelindo Scott a prosseguir, enquanto se ajoelhava reverentemente e lia a inscrição:

“Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco, a mim me convém conduzi-las.” [João 10.16!]

Ele voltaria à África e entregaria sua vida, se necessário, pela causa a favor da qual Livingstone vivera e morrera.

Minha oração por vocês, por nossa igreja, é que Deus possa aprofundar e ampliar o fundamento bíblico da visão dele para o mundo. Que ele abra nossos olhos, não apenas para os campos brancos para a colheita, mas também, e principalmente, para a majestade, o esplendor e a glória de sua graça soberana. E que possamos transpor todos os obstáculos e desânimos por causa da grande e abençoada confiança de que o próprio Senhor Jesus Cristo, através de nossa voz, reunirá suas ovelhas de toda tribo, língua, povo e nação. João 10.16:

Tenho outras ovelhas, que não estão neste curral. Devo trazê-las também. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.

Eis, portanto, o alicerce da nossa esperança: quando todas a ovelhas de Cristo tiverem ouvido e crido, o fim chegará; e os reinos desta terra serão os reinos do nosso Deus e do seu Cristo; não desperdice sua vida; abra sua boca e torne-se a voz do Soberano Pastor; ninguém te arrancará das mãos do bom pastor; e as ovelhas dele ouvirão sua voz e, pelo evangelho, seguirão o bom pastor.

S.D.G. L.B.Peixoto

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