JESUS CRISTO COMO VOCÊ NUNCA VIU

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JESUS CRISTO COMO VOCÊ NUNCA VIU

João 2.13-22

13Era quase época da festa da Páscoa judaica, de modo que Jesus subiu a Jerusalém. 14No pátio do templo, viu comerciantes que vendiam bois, ovelhas e pombas para os sacrifícios; também viu negociantes, em mesas, trocando dinheiro estrangeiro. 15Jesus fez um chicote de cordas e os expulsou a todos do templo. Pôs para fora as ovelhas e os bois, espalhou as moedas dos negociantes no chão e virou as mesas. 16Depois, foi até aqueles que vendiam pombas e lhes disse: “Tirem essas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!”. 17Então os discípulos se lembraram desta profecia das Escrituras: “O zelo pela casa de Deus me consumirá”. 18“O que você está fazendo?”, questionaram os líderes judeus. “Que sinal você nos mostra para comprovar que tem autoridade para isso?” 19“Pois bem”, respondeu Jesus. “Destruam este templo, e em três dias eu o levantarei.” 20Eles disseram: “Foram necessários 46 anos para construir este templo, e você o reconstruirá em três dias?”. 21Mas quando Jesus disse “este templo”, estava se referindo a seu próprio corpo. 22Depois que ele ressuscitou dos mortos, seus discípulos se lembraram do que ele tinha dito e creram nas Escrituras e em suas palavras. 

O Cordeiro-Leão

A Viagem do Peregrino da Alvorada é o quinto livro da série de sete, intitulada As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Aquela história contém uma passagem memorável, que nos ajuda compreender melhor o tom deste texto de João que nós acabamos de ler.

No finalzinho da história, Lúcia e Edmundo estão ainda engajados em sua peregrinação, quando aportam num belíssimo lugar e encontram Aslam. Permitam-me ler um pequeno trecho do livro (espero que lhe desperte o interesse por essa obra clássica):

[Lúcia e Edmundo] caminhavam na areia e depois na relva – por uma extensa planície de relva rasteira e bela, que se estendia em todas as direções, quase no mesmo nível do Mar de Prata.

[…]  Entre eles e a base do céu havia algo tão branco que, até mesmo com seus olhos de águia, dificilmente poderiam fitar. Continuaram e viram que era um cordeiro.

– Venham almoçar – disse o Cordeiro na sua voz doce e meiga.

Notaram que ardia sobre a relva uma fogueira, na qual se fritava peixe. Sentaram-se e comeram, sentindo fome pela primeira vez desde muitos dias. E aquela comida era a melhor de todas as que haviam provado.

– Por favor, Cordeiro – disse Lúcia –, é este o caminho para o país de Aslam?

– Para vocês, não – respondeu o Cordeiro. – Para vocês, o caminho de Aslam está no seu próprio mundo.

– No nosso mundo também há uma entrada para o país de Aslam? – perguntou Edmundo.

– Em todos os mundos há um caminho para o meu país – falou o Cordeiro. E, enquanto ele falava, sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma. E ali estava o próprio Aslam, erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.

– Aslam! – exclamou Lúcia. – Ensine para nós como poderemos entrar no seu país partindo do nosso mundo.

É provável que Lewis tenha se baseado em João 21, onde lemos que os discípulos, ao encontroarem Jesus na praia, viram ele assando peixe para o café da manhã. O Cordeiro é uma figura de Cristo: “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29 e 36). Aslam, o Leão, é também uma figura de Cristo (Ap 5.5). Biblicamente, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, é o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5-6). Cordeiro e Leão? Como pode alguém ser descrito nestes termos, sendo ambos os animais tão distintos em natureza?

Quando olhamos para Jesus, realmente, achamos nele qualidades que encontramos no cordeiro: mansidão, submissão, docilidade e suavidade, mas nós também enxergamos em Jesus características do leão: grandeza, realeza, imponência e ferocidade. Apocalipse chega a relatar sobre “a ira do Cordeiro” (Ap 6.16). Como pode ser? Porque Jesus, o Cordeiro de Deus, é, ao mesmo tempo, o Leão da tribo de Judá. João, explica assim:

Ap 5.4-6 | 4Comecei a chorar muito, pois não se encontrou ninguém digno de abrir o livro e lê-lo. 5Então um dos anciãos me disse: “Não chore! Veja, o Leão da tribo de Judá, o herdeiro do trono de Davi, conquistou a vitória. Ele é digno de abrir o livro e os setes selos”. 6Então vi um Cordeiro que parecia ter sido sacrificado, mas que agora estava em pé entre o trono e os quatro seres vivos e no meio dos 24 anciãos.

Jesus é Cordeiro e Leão; ele é o Sacrifício perfeito (provê salvação) e o Soberano todo-poderoso (pratica a justiça). João, que escreveu o Apocalipse, sabia disso. Sabia por revelação e sabia por experiência. Lá em Apocalipse, ele, João, recebeu da parte de Deus a visão do Cordeiro-Leão. Aqui em seu Evangelho, o mesmo João relatou o que ele viu com seus próprios olhos: Cristo, o Cordeiro-Leão, em ação.

O Cordeiro no casamento e o Leão no templo

O texto que lemos no início (2.13-22) relata a purificação que Jesus fez no templo de Jerusalém. Esta passagem, no entanto, começa lá no verso 1 deste mesmo capítulo, no casamento em Caná da Galileia, onde Jesus transformou água em vinho. Apesar de nós lermos essas duas história separadamente, sem fazer qualquer correlação, João quer que nós as vejamos em paralelo, conectadas uma na outra. Note (Jo 2.12-14):

12Depois do casamento, foi a Cafarnaum, onde passou alguns dias com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. Jesus purifica o templo 13Era quase época da festa da Páscoa judaica, de modo que Jesus subiu a Jerusalém. 14No pátio do templo, viu […]

Qual é a importância de nós lermos essas duas histórias em conjunto? Os dois acontecimentos montam uma imagem mais completa de Jesus Cristo.

O Jesus das bodas de Caná da Galileia é o Cordeiro; o manso e humilde provedor; aquele por meio de quem — por causa de seu sangue derramado em sacrifício na cruz (água em vinho), o pecador tem seus pecados perdoados e recebe vida de qualidade para desfrutar, com vinho novo e de novo e melhor a cada dia. Vimos isto na semana passada.

O Jesus da purificação do templo é o Leão; o imponente soberano e o justo e implacável juiz; aquele que odeia o pecado e se enfurece com as obras de injustiça; quem julga com justiça e derrama de forma implacável a ira sobre o pecado. É o que veremos hoje.

O Cordeiro no casamento (Jo 2.1-12) e o Leão no templo (Jo 2.13-22) é o mesmo Jesus Cristo e nós nunca podemos nos esquecer disto, sob pena de seguirmos um Jesus que não é o do Novo Testamento e de nos perdermos eternamente. Explico.

O Jesus Cristo do Novo Testamento

O Jesus manso e suave, convidando o pecador… o Jesus à porta esperando, chamando por ti e por mim… o Jesus amoroso, humilde e desprezado por todo mundo é um conceito que está tão batido e espalhado, que muitos hoje pregam e seguem um Jesus que não tem semelhança nenhuma com o Jesus Cristo do Novo Testamento.

Esse Jesus popularizado é um ídolo inventado, imaginado, drenado de sua divindade; trata-se de uma divindade fraca (porque só depende do pecador ir a ele) e frustrada (porque a maioria não vai a ele), cujo principal objetivo é nos servir naquilo que precisamos e quando lhe pedimos (fazer-nos prosperar).

Não me entendam mal. Jesus é sim manso, suave e humilde. Na verdade, ele se auto-descreve dessa maneira em Mateus 11.29, quando convida os cansados e sobrecarregados para irem até ele. Dezenas de passagens no Novo Testamento testemunham sobre sua gentileza, bondade, amor, mansidão e outras características do tipo Cordeiro. Reconhecemos este fato. Precisamos, porém, equilibrar essa imagem com outras descrições que o mesmo Novo Testamento faz de Jesus. Por exemplo:

Mt 23.27 e 33 | 27“Que aflição os espera, mestres da lei e fariseus! Hipócritas! São como túmulos pintados de branco: bonitos por fora, mas cheios de ossos e de toda espécie de impureza por dentro. […] 33Serpentes! Raça de víboras! Como escaparão do julgamento do inferno? [Jesus amado! Como pode isso sair da boca de Jesus?]

Mc 3.5 | Jesus olhou para os que estavam ao seu redor, irado e muito triste pelo coração endurecido deles. Então disse ao homem: “Estenda a mão”. O homem estendeu a mão, e ela foi restaurada.

Lc 13.31-32 | 31Naquele momento, alguns fariseus lhe disseram: “Vá embora daqui, pois Herodes Antipas quer matá-lo!”. 32Jesus respondeu: “Vão dizer àquela raposa que continuarei a expulsar demônios e a curar hoje e amanhã; e, no terceiro dia, realizarei meu propósito.”

Jesus é Cordeiro e Leão. O Jesus-Cordeiro todo mundo conhece e chama para perto de si, mas, não se esqueça, o Jesus-Cordeiro é o mesmo Jesus-Leão, que não se deixa domesticar. Busque ler e estudar o Novo Testamento e você verá que um nunca vai sem o outro. O Cordeiro que nos salva é o Leão a quem servimos. Nas palavras de C. S. Lewis:

Enquanto ele [o Cordeiro] falava [com Lúcia e Edmundo], sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma. E ali estava o próprio Aslam [o Leão], erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.

Jesus Cristo como você nunca viu

De volta ao nosso texto (Jo 2.13-22): Jesus está no templo purificando aquela bagunça. O Cordeiro saiu do casamento (Jo 2.1-12) e o Leão entrou no templo (Jo 2.13-22). Por que João escreve desta forma? O que este texto, esquisito a princípio, teria para nos ensinar? João quer nos mostrar Jesus Cristo como você nunca viu.

O propósito deste autor é nos fazer crer. Ele sabe que crer em Jesus é o único modo de recebermos e desfrutarmos vida plena, eterna e abundante. O problema de muita gente, porém, é que confundem religiosidade com relacionamento. Uma coisa é religião e outra coisa é comunhão com Deus. Os judeus tinham muita religião e nada de comunhão com Deus.

Semana passada nós vimos que as pessoas buscam qualidade de vida através de autoimagem, autoajuda e autojustificação. Jesus diria: “Nada disso!”. Por quê? Qualidade de vida é resultado de um relacionamento com Jesus. Nele nós recebemos perdão, um novo parâmetro, poder e um novo propósito para viver. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo nos proporciona tudo isso.

Hoje nós nos deparamos com o absurdo da perversão religiosa. Jesus vai ao templo para nos mostrar como nós somos capazes de perverter até mesmo a fé para mantermos uma consciência tranquilizada, enquanto desfrutamos dos prazeres do pecado. Ele, então, confronta e aponta a cura. Afinal, não haverá qualidade de vida enquanto nós não formos a Cristo da maneira correta (através do Cordeiro) e não nos relacionarmos com ele da forma adequada (como Leão que não se deixa domesticar por nós e nossos caprichos).

Se lá no casamento em Cana da Galileia Jesus denunciou o fracasso de quem segue a vida na sua própria força (a vida sem Cristo), aqui no templo em Jerusalém ele desmonta o argumento de que basta-nos ter algum tipo de religião ou de religiosidade (a religião sem Cristo). O Senhor vai fundo e desmascara a nossa hipocrisia, desnuda o nosso coração e detalha o caminho da salvação.

Então, o que esta visita de Jesus nos ensina? Como é a religião sem Cristo e o que a presença de Jesus no templo de Jerusalém nos ensina? Olhe comigo para este texto e descubra um Jesus que você nunca viu. Veja o zelo, a autoridade e a obra de Jesus Cristo.

1. O zelo de Jesus Cristo

Talvez você nunca tenha presenciado um ataque de ira, nem mesmo de seus pais. Graças a Deus, pois é horrível! Constrangedor! Principalmente para quem está perto, assistindo tudo. O texto que lemos nos mostra cenas que poderiam ser impróprias para pequeninos, pois nelas nós encontramos ninguém menos que o próprio Jesus irado com o que ele deparou ao entrar no templo:

Jo 2.13-17 | 13Era quase época da festa da Páscoa judaica, de modo que Jesus subiu a Jerusalém. 14No pátio do templo, viu comerciantes que vendiam bois, ovelhas e pombas para os sacrifícios; também viu negociantes, em mesas, trocando dinheiro estrangeiro. 15Jesus fez um chicote de cordas e os expulsou a todos do templo. Pôs para fora as ovelhas e os bois, espalhou as moedas dos negociantes no chão e virou as mesas. 16Depois, foi até aqueles que vendiam pombas e lhes disse: “Tirem essas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!”. 17Então os discípulos se lembraram desta profecia das Escrituras: “O zelo pela casa de Deus me consumirá”.

Por que tanta ira? Entenda quem e o que deveriam ter a prioridade naquele local:

1Rs 8.10-11 | 10Quando os sacerdotes saíram do lugar santo, uma densa nuvem encheu o templo do SENHOR. 11Com isso, os sacerdotes não puderam dar continuidade a seus serviços, pois a presença gloriosa do SENHOR encheu o templo do SENHOR.

Jesus, porém, ao entrar no templo, não viu ali a glória de Deus; ele viu comerciantes e seus animais para serem vendidos; ele viu negociantes e as mesas cheias de moedas para trocas cambiais. O que tinha acontecido com a glória de Deus? Por que ela havia desaparecido daquele lugar?

Israel havia desprezado os mandamentos e decretos de Deus, para seguirem suas próprias regras, leis e interpretações (Mt 5.21-48); a nação também tinha abandonado o Senhor, em troca de outro deus: Mamom (Mt 6.24); fizeram tudo o que Deus disse que para não fazerem, sob pena de a glória de Deus deixar aquele lugar, o templo (1Rs 9.1-8):

1Salomão terminou de construir o templo do SENHOR e o palácio real. […] 2Então o SENHOR apareceu a Salomão pela segunda vez, como havia aparecido em Gibeom. 3O SENHOR lhe disse: “Ouvi sua oração e sua súplica. Consagrei este templo que você construiu, onde meu nome será honrado para sempre. Olharei continuamente para ele, com todo o meu coração. 4“Quanto a você, se me seguir com integridade e retidão, como fez seu pai, Davi, obedecendo a todos os meus mandamentos, decretos e estatutos, 5estabelecerei o trono de sua dinastia sobre Israel para sempre. Pois fiz esta promessa a seu pai, Davi: ‘Um de seus descendentes sempre se sentará no trono de Israel’. 6Mas, se você ou seus descendentes me abandonarem e desobedecerem a meus mandamentos e decretos, seguindo e adorando outros deuses, 7arrancarei Israel desta terra que lhe dei. Rejeitarei este templo que consagrei em honra ao meu nome, e farei de Israel objeto de zombaria e desprezo entre as nações. 8E, embora este templo seja agora imponente, todos que passarem perto dele ficarão chocados e horrorizados. Perguntarão: ‘Por que o SENHOR fez coisas tão terríveis com esta terra e com este templo?’.

Depois disto, Israel pecou, foi para o cativeiro, aquele primeiro templo (construído por Salomão) foi destruído pelos invasores e lá na Babilônia eles ficaram por 70 anos. Mais tarde, porém, Deus, em graça e amor, os visita e os traz de volta para Jerusalém. Eles constroem o segundo templo. O tempo passa e os mesmos pecados são cometidos novamente (nada novo debaixo do sol!) — eles rejeitam a lei pela tradição (Mt 5.21-48) e trocam o Senhor por Mamom (Mt 6.24).

Jesus, então, quando entra naquele lugar, olha e constata o pecado daquele povo, fica irado com o que vê e coloca todo mundo para correr. Por que ele fez isso? Por que ele ficou irado? Por que a purificação do templo?

  1. Primeiro, por zelo, zelo pela casa do Senhor, zelo pela glória de Deus (Jo 2.17). Não se via mais no templo graça e glória, através do sacrifício de animais que apontavam para o sacrifício de Cristo; não se via mais no templo o prazer de se entregar ofertas ao Senhor. Em vez disso, o que se via no templo era o altíssimo custo dos animais vendidos pelos comerciantes e o elevadíssimo preço das taxas de câmbio para se adquirir a moeda que poderia ser ofertada ao sacerdote. Graça e glória haviam dado lugar às obras e ao lucro.
  2. Segundo, Jesus fica irado e purifica o templo por causa da pedra de tropeço que a fé em Israel havia se tornado para os gentios. O comércio em que havia se tornado aquele templo se aglomerava no único local permitido a um gentio entrar — o pátio dos gentios. Imagine, portanto, um gentio, em busca do Deus de Israel, ao entrar ali naquele pátio, em busca de graça e glória, o que ele veria? Nada de Deus. Apenas obras e lucro. Ganância. Mamom.
  3. Terceiro, Jesus fica irado e purifica o templo porque os preparativos da festa da Páscoa haviam tomado o lugar da pessoa do Deus de Israel. Como hoje em dia (nas páscoas e nos natais) as pessoas valorizam mais preparativos, festividades, presentes e rituais do que Jesus e a obra na cruz, naqueles dias Israel gastava toda a sua energia preparando a cidade e o templo para receberem os fieis em romaria. A festa da Páscoa tinha tomado o lugar da fé no Cordeiro.

Pois bem, quando se entende o que realmente estava em jogo, a atitude de Jesus purificando o templo começa a fazer sentido. Deus é zeloso: ele não divide sua glória com ninguém; ele não tolera que nenhum de seus pequeninos tropece na perversão e nos pecados dos religiosos; ele não aceita que fiquemos correndo de um lado para o outro (Marta), desprezando o que é mais importante — comunhão e relacionamento com ele.

Deus tem zelo pela sua glória: ele não a reparte com nada nem ninguém; ele deseja que façamos dessa glória a fonte de nossos prazeres, a alegria de nosso coração, o prazer de nossa alma e o alvo de todos os nossos esforços; ele nos quer aos seus pés, adorando-o, aprendendo dele, crescendo em sabedoria e graça. Sempre que essas coisas se interrompem, ele se indigna e reage com justiça; daí o chicote no templo. Jesus é zeloso. A sua ira contra o pecado resguarda a glória que ele reparte em amor com suas ovelhas.

2. A autoridade de Jesus Cristo

Outro ponto importante nesta narrativa. Jesus não chega pedindo licença, ele não dialoga, ele não negocia nem pede nada… Jesus chega chegando…

Jo 2.14-16 | 14No pátio do templo, viu comerciantes que vendiam bois, ovelhas e pombas para os sacrifícios; também viu negociantes, em mesas, trocando dinheiro estrangeiro. 15Jesus fez um chicote de cordas e os expulsou a todos do templo. Pôs para fora as ovelhas e os bois, espalhou as moedas dos negociantes no chão e virou as mesas. 16Depois, foi até aqueles que vendiam pombas e lhes disse: “Tirem essas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!”.

Intransigência? Não, não, soberania! Jesus Cristo é o Senhor. E como tal, ele tem autoridade sobre tudo e sobre todos, naquele templo, em nossas vidas e na Igreja.

Assim como aquelas pessoas não tinham direito e muito menos autorização para fazerem daquele lugar o que bem entendessem, mesmo que “usando-o” para um fim “religioso”, nós também não temos direito ou autorização para fazer de nossas vidas o que bem entendemos. Principalmente se você se julga cristão.

O nosso corpo é o templo de Deus (2Co 6.16). Como tal, não podemos viver a vida a nosso bel-prazer. Temos o dever de vivê-la para a glória de Deus, seja comendo, bebendo ou fazendo qualquer outra coisa (1Co 10.31). Tudo o que somos e fazemos tem que ser para a glória de Deus, recebendo e desfrutando graça e glória de Deus, repartindo e convidado pecadores para também receberem graça e glória de Deus em Jesus Cristo.

Assim como Jesus tinha autoridade sobre aquele templo e tem sobre as nossas vidas, ele também possui autoridade sobre a sua Igreja. Assim é que tudo o que somos e tudo o que fazemos, como igreja e denominação, deverá ser pautado pelas Escrituras, de uma forma a refletir sempre graça, glória e verdade da parte de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Não seguimos vontades, experiências nem a cultura, mas a Bíblia.

Jesus não pede licença. Ele tem autoridade sobre tudo e sobre todos, sobre o Universo inteiro, afinal ele é o Criador Soberano. Jesus reina soberano pelo cetro das Escrituras. Jesus Cristo tem autoridade.

3. A obra de Jesus Cristo

A última observação que devemos fazer a respeito de Jesus diz respeito à sua obra de salvação. Note que, diante de tanto zelo e tamanha autoridade, os líderes religiosos se engajaram com Jesus em um diálogo dispersivo.

Os líderes judeus sabiam que não podiam fazer Jesus parar; os comerciantes e negociantes sabiam que estavam errados e, por isso não reagiram; a multidão percebeu que aquele homem, Jesus, não era alguém comum. Então, o que fazer quando se fica sem argumentos diante de tanta glória, zelo e autoridade? Bem, ou se rende a Jesus Cristo como Senhor, Salvador e Soberano, ou pega-se a tangente, levantando-se questões e nutrindo conversas com o objetivo de afastar ou abafar a verdade. Observe:

Jo 2.18-22 | 18“O que você está fazendo?”, questionaram os líderes judeus. “Que sinal você nos mostra para comprovar que tem autoridade para isso?” 19“Pois bem”, respondeu Jesus. “Destruam este templo, e em três dias eu o levantarei.” 20Eles disseram: “Foram necessários 46 anos para construir este templo, e você o reconstruirá em três dias?”. 21Mas quando Jesus disse “este templo”, estava se referindo a seu próprio corpo. 22Depois que ele ressuscitou dos mortos, seus discípulos se lembraram do que ele tinha dito e creram nas Escrituras e em suas palavras.

Jesus estava dizendo o seguinte: parem de desconversar e fugir pela tangente com conversas menos importantes; chega de se apegarem à religiosidade sem Cristo; abandonem a tradição sem Cristo; não queiram uma espiritualidade sem Cristo; tudo em Israel, do começo até agora, inclusive este templo, existiu com um único fim: apontar para a minha pessoa, anunciar a minha chegada, prefigurar a minha obra de salvação.

Jesus estava anunciando a sua obra de salvação, a mesma que o apóstolo Paulo tão bem resumiu nas seguintes palavras aos coríntios:

1Co 15.1-4 | 1Agora, irmãos, quero lembrá-los das boas-novas que lhes anunciei anteriormente. Vocês as receberam e nelas permanecem firmes. 2São essas boas-novas que os salvam, se continuarem a crer na mensagem como lhes anunciei; do contrário, sua fé é inútil. 3Eu lhes transmiti o que era mais importante e o que também me foi transmitido: Cristo morreu por nossos pecados, como dizem as Escrituras. 4Ele foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, como dizem as Escrituras.

Para isto Jesus veio: nos salvar. Por isto ele morreu e ressuscitou. Ele é Cordeiro e Leão.

Jesus como você nunca viu

Eis, portanto, Jesus como você talvez nunca viu: zeloso de sua glória, cheio de autoridade sobre tudo e sobre todos, Cordeiro e Leão que morreu, mas venceu, ressuscitou para nos salvar dos pecados e nos levar de volta para Deus (1Pe 3.18).

Agora, iremos à Mesa do Senhor. Participaremos da Ceia. Que momento singular!

Convido-os a participar: todos vocês que tendo crido em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, professaram fé pelo batismo e estão em plena comunhão com sua igreja. Examine-se. Arrependa-se. Saia daqui buscando viver em novidade de vida.

  • Lembre-se do zelo de Jesus: ele não divide sua graça e glória; é somente por sua graça que podemos ser salvos; somente sua glória é que poderá nos satisfazer; por isso Jesus tem zelo por sua graça e por sua glória; ele não as reparte com ninguém (como é fácil trocá-las por obras e por outros, principalmente Mamom, que nos possibilita ter tantas coisas no lugar de Deus!); lembre-se do zelo de Jesus por sua graça e glória e examine-se;
  • Lembre-se da autoridade de Jesus: ele é Criador de todas as coisas e o salvador de seu povo; Senhor de nossas vidas e de sua Igreja; ele tem autoridade sobre tudo; não podemos ignorar, alterar ou modificar sua Palavra para vivermos como bem entendermos, seja pessoalmente, lá fora, seja como igreja, aqui dentro; lembre-se da autoridade de Jesus sobre a sua vida e sobre a igreja e examine-se;
  • Lembre-se da obra de Jesus: ele é o Cordeiro que morreu como substituto pelo nosso pecado, mansa e humildemente em nosso lugar; ele é também o Leão que venceu (ninguém fica tão somente descontraído assim ao lado de um leão!); ele morreu, mas ressuscitou; todos os que nele creem recebem o poder de serem feitos filhos de Deus; lembre-se da obra de Jesus pelo pecador, examine-se e coma do pão e beba do cálice.

Aos demais, digo-lhes: Jesus Cristo é Cordeiro e Leão; é Salvador e Senhor; creia, professe nele sua fé pelo batismo e junte-se a nós à Mesa do Senhor.

S.D.G. L.B.Peixoto

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