A CURA PARA O MAL DA INVEJA

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A CURA PARA O MAL DA INVEJA

Salmo 73

[Salmo de Asafe] 1Certamente Deus é bom para Israel, para os que têm coração puro. 2Quanto a mim, quase tropecei; meus pés escorregaram e quase caí. 3Pois tive inveja dos orgulhosos quando os vi prosperar apesar de sua perversidade.

O VENENO DA INVEJA

Semana passada nós vimos que a inveja é um veneno. E que ela mata mais o invejoso do que o invejado. Daí que nos propusemos a responder à pergunta: Como  sobreviver ao mal da inveja (mal este que habita dentro de mim)?

Primeiramente nós vimos que a inveja sempre segue por um desvio de morte (vs. 1-15). Agora, pegaremos a estrada de retorno para a vida (vs. 16-26) e, por fim, seguiremos pela rota segura para a eternidade (vs. 27-28). Desvio. Retorno. Rota segura.

1 A INVEJA SEGUE POR UM DESVIO DE MORTE (VS. 1-15)

Resumindo, nós vimos que sem fé em Deus a pessoa se volta para buscar rocha firme para os pés na absolutização de suas necessidades sentidas e na cobiça dos olhos.  Em outras palavras, a raiz da inveja é a incredulidade. Ouça, mais uma vez, o salmista:

1Certamente Deus é bom para Israel, para os que têm coração puro. 2Quanto a mim, quase tropecei; meus pés escorregaram e quase caí. 3Pois tive inveja dos orgulhosos quando os vi prosperar apesar de sua perversidade. 4Levam uma vida sem sofrimento e têm o corpo saudável e forte. 5Não enfrentam dificuldades, nem estão cheios de problemas, como os demais. 6Ostentam o orgulho como um colar de pedras preciosas e vestem-se de crueldade. 7Seus olhos cobiçam sempre mais, e o coração vive cheio de más intenções. 8Zombam e falam somente maldades; em seu orgulho, ameaçam usar de violência. 9Falam como se fossem donos dos céus, e suas palavras arrogantes percorrem a terra. 10Por isso, o povo se volta para eles e bebe todas as suas palavras. 11“O que Deus sabe?”, perguntam. “Acaso o Altíssimo tem conhecimento disso?” 12Vejam como os perversos desfrutam uma vida tranquila, enquanto suas riquezas se multiplicam.

Qual foi, então a conclusão de Asafe? Versículos 13 e 14:

13Foi à toa que mantive o coração puro? Foi em vão que agi de modo íntegro? 14O dia todo só enfrento problemas; cada manhã sou castigado.

Em outras palavras: Será que valeu mesmo a pena servir a Deus?

Com efeito, a inveja segue por um desvio de morte. Mas, como tomar o retorno para a vida? Asafe nos ensina a seguir.

2 RETORNO PARA A VIDA

De repente, nesse desvio para a morte, seguindo ladeira abaixo, rumo à destruição promovida pela incredulidade na bondade de Deus, Asafe toma o retorno para a vida.

O que ele fez? Ouça (vs. 16-17):

16Tentei compreender por que prosperam; que tarefa difícil! 17Então, entrei em teu santuário, ó Deus, e por fim entendi o destino deles.

Pelo menos quatro coisas me chamam a atenção nesses versículos.

Primeiro (v. 16), persistir neste desvio, tentando fazer sentido de tudo apenas pelos nossos padrões (ou, nas palavras de Asafe, tentando, por si mesmo, compreender por que prosperam) é tarefa sobre-humana, difícil, diria até impossível. Trancar-se em si mesmo (ouvindo o coração enganoso e olhando para o outro, vendo-o prosperar e eu definhar, nutrindo-me de minha autopiedade) será sempre um desvio para a morte.

Segundo (v. 17), o ponto de virada é quando buscamos em Deus o sentido da vida — “entrei em teu santuário, ó Deus”. O que se tinha no santuário? O estudo da lei, diz João Calvino, além da oferta dos sacrifícios pelo pecado, argumentam outros biblicistas. Tomo os dois, Palavra e sacrifício, para concluir que enquanto não tomamos a palavra de Deus, tendo como foco a obra redentora de Cristo, não achamos o sentido da vida.

Terceiro (v. 17), não dá para fazer sentido de tudo sem que tenhamos o destino eterno em perspectiva — “e por fim entendi o destino deles”.

Quarto, Asafe está buscando sentido para tudo isso em oração. Ele está orando.

Essa guinada de Asafe o fez colocar na perspectiva certa todos os fatos, o fez tomar consciência do que de fato importa na vida. O que aprendemos? Aprendemos que retorno para a vida consiste em tomada de consciência: consciência do destino dos ímpios (vs. 18-20), consciência do próprio pecado (vs. 21-22) e consciência do verdadeiro tesouro (vs. 23-26).

2.1 Retorno para a vida consiste em tomar consciência do destino dos ímpios

18Tu os puseste num caminho escorregadio e os fizeste cair do precipício para a destruição. 19São destruídos de repente, completamente tomados de pavor. 20Quando te levantares, ó Senhor, rirás das ideias tolas deles, como quem ri de um sonho pela manhã.

A primeira tomada de consciência se refere ao destino final dos ímpios. Eles parecem seguros, são prósperos e saudáveis, mas na verdade estão em terreno escorregadio. Deus mesmo os fez prosperar (verso 18, “Tu os puseste”), fazendo da bonança e da saúde que ele mesmo deu a eles um caminho para a destruição. Prosperidade e saúde nem sempre são sinais de bênção ou de favor de Deus. Pode ser maldição (Sl 106.14-15, ARA):

14entregaram-se [o povo hebreu] à cobiça, no deserto [Nm 11.4-11]; e tentaram a Deus na solidão. 15Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma [enviou magreza à sua alma].

Tendo aprendido a olhar, da perspectiva de Deus, para aqueles que ele um dia invejou, Asafe agora vê que os tais não são mais estáveis que uma fantasia. Eles desaparecerão como um sonho ao abrirmos os olhos do sono pela manhã.

2.2 Retorno para a vida consiste em tomar consciência do próprio pecado

21Percebi, então, que meu coração se amargurou e que eu estava despedaçado por dentro. 22Fui tolo e ignorante; a teus olhos devo ter parecido um animal irracional.

A segunda tomada de consciência de Asafe diz respeito ao seu próprio pecado. Ele viu que, ao questionar a maneira de Deus lidar com as circunstâncias da vida, ele não estava sendo sábio, mas sim “tolo e ignorante”. De fato, ele estava se comportando como “um animal irracional” diante de Deus.

Essa é uma visão profunda e verdadeira do ser humano, pois sempre que deixamos de aprender com Deus e, em vez disso, começamos a confiar em nossos próprios julgamentos, passamos a pensar como animais que não têm uma consciência real de Deus e a também agir como animais. Eis como pensa um animal: ele se esquece ou ignora completamente a libertação ou a salvação de Deus, e se concentra em seus apetites imediatos, ele faz calar o louvor no coração e dá voz ao ronco de sua barriga.

Observe como os hebreus estavam agindo ou cobiçando, como fazem os animais, para que Deus, como lemos no Salmo 106.14-15, concedesse-lhes o que pediram, fazendo definhar-lhes a alma (Nm 11.4-6):

4Então o bando de estrangeiros que viajava com os israelitas começou a desejar intensamente a comida do Egito. E o povo de Israel também começou a se queixar: “Ah, se tivéssemos carne para comer! 5Que saudade dos peixes que comíamos de graça no Egito! Também tínhamos pepinos, melões, alhos-porós, cebolas e alhos à vontade. 6Mas, agora, perdemos o apetite. Não vemos outra coisa além desse maná!”.

Retorno para a vida consiste em tomar consciência do próprio pecado: incredulidade, falta de fé na bondade de Deus.

2.3 Retorno para a vida consiste em tomar consciência do verdadeiro tesouro

23E, no entanto, ainda pertenço a ti; tu seguras minha mão direita. 24Tu me guias com teu conselho e me conduzes a um destino glorioso. 25Quem mais eu tenho no céu senão a ti? Eu te desejo mais que a qualquer coisa na terra. 26Minha saúde pode acabar e meu espírito fraquejar, mas Deus continua sendo a força de meu coração; ele é minha possessão para sempre.

Tendo entrado no santuário e recuperado um verdadeiro equilíbrio espiritual, com uma nova percepção do destino dos ímpios e sua própria falta de entendimento espiritual por causa do pecado, Asafe agora toma consciência de que Deus sempre esteve com ele e, de fato, sempre estaria com ele o tempo todo. Além disso, o salmista enxerga que essa era uma verdadeira bênção contra a qual as do mundo dos ímpios são como nada. Ouça:

26Minha saúde pode acabar e meu espírito fraquejar, mas Deus continua sendo a força de meu coração; ele é minha possessão para sempre.

O que de fato importa não são as coisas que os ímpios têm, mas Deus. Deus é a nossa força. Ele é a nossa possessão eterna. O verdadeiro tesouro do nosso coração. E a obra de Cristo, a vida e obra de Cristo, tem a finalidade de nos conduzir de volta a Deus:

1Pe 3.18 | Pois Cristo também sofreu [e morreu] por nossos pecados, de uma vez por todas. Embora nunca tenha pecado, morreu pelos pecadores a fim de conduzi-los a Deus.

A obra de Cristo, a mensagem do evangelho, não é para nos satisfazer os desejos, mas para criar em nós um novo e santo desejo, desejo por Deus, pela glória de Deus na face Cristo; a boa nova do evangelho não é que haja uma nova sorte para mim nesta vida, mas que eu fui reconciliado com Deus; o evangelho não é para o meu suprimento neste mundo, materialmente falando, mas para a minha santificação, sem a qual eu não verei a Deus. O evangelho de Cristo me dá o tesouro: Deus. Deus é o evangelho. 

Quem toma consciência dessas coisas encontra o retorno para a vida: consciência do destino final dos ímpios, consciência de como o nosso pecado nos torna irracionais, consciência de que Cristo é o verdadeiro tesouro. Quando se toma consciência de que a única coisa que realmente importa para nós é Deus, de que ele é tudo o que temos, tudo o que precisamos, sustenta-nos aqui e depois nos receberá na glória (v. 24)… quando se toma consciência dessas coisas, encontra-se o retorno para a vida.

Permitam-me compartilhar um testemunho que recebi por causa da mensagem, a primeira parte deste salmo, pregada na semana passada: O Mal da Inveja. O que a pessoa me escreveu — ela não é daqui, mora noutro Estado — revela que a tomada de consciência quanto ao verdadeiro tesouro nos faz encontrar o retorno para a vida. Ouça:

Meu irmão, eu comecei a ouvir essa mensagem esta semana, mas tive que parar na metade. Logo hoje cedo, recebi uma notícia (algo relacionado ao concurso que prestei e que ficou ainda mais difícil de sair outro) que me tirou a paz e me fez cair em incredulidade, duvidei dos desígnios do Senhor para a minha vida, aqueles que me direcionaram a estudar para concurso. Mas ao retomar à mensagem fui confrontado pelo Espírito Santo de Deus e me questionei: posso eu duvidar que Deus é bom comigo? Não, eu não tenho esse direito! Quero apenas louvar a Deus pelas palavras que recebi, pois elas mudaram o meu dia e me encorajaram a voltar meu barco para o alvo que é Cristo e não para os meus ídolos.

Quando se toma consciência do destino dos ímpios, do próprio pecado e do verdadeiro tesouro: Cristo, encontra-se o retorno para a vida.

S.D.G. L.B.Peixoto

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