A CEIA DO SENHOR [PAR. 2]

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A CEIA DO SENHOR [PAR. 2]

1Coríntios 11.17-34

17Nas instruções a seguir, porém, não posso elogiá-los, pois, quando vocês se reúnem, fazem mais mal que bem. 18Primeiro, ouço que há divisões quando vocês se reúnem como igreja e, até certo ponto, eu o creio. 19Suponho que seja necessário haver divisões entre vocês para que se reconheçam os que são aprovados! 20Quando vocês se reúnem, não estão interessados de fato na ceia do Senhor. 21Alguns de vocês se apressam em comer a própria refeição; como resultado, alguns passam fome, enquanto outros ficam embriagados. 22Será que vocês não têm casa onde comer e beber? Ou querem mesmo envergonhar a igreja de Deus e humilhar os pobres? Que devo dizer? Querem que eu os elogie? Certamente não os elogiarei por isso! 23Pois eu lhes transmiti aquilo que recebi do Senhor. Na noite em que o Senhor Jesus foi traído, ele tomou o pão, 24agradeceu a Deus, ­partiu-o e disse: “Este é meu corpo, que é entregue por vocês. Façam isto em memória de mim”. 25Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, confirmada com meu sangue. Façam isto em memória de mim, sempre que o beberem”. 26Porque cada vez que vocês comem desse pão e bebem desse cálice, anunciam a morte do Senhor até que ele venha. 27Assim, quem come do pão ou bebe do cálice do Senhor indignamente é culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. 28Portanto, examinem-se antes de comer do pão e beber do cálice, 29pois, se comem do pão ou bebem do cálice sem honrar o corpo de Cristo, comem e bebem julgamento contra si mesmos. 30Por isso muitos de vocês estão fracos e doentes e alguns até adormeceram. 31Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados dessa maneira. 32Mas, quando somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo.33Portanto, meus irmãos, quando se reunirem para comer, esperem uns pelos outros. 34Se estiverem com fome, comam em casa, a fim de não trazer julgamento sobre si mesmos ao se reunirem. Eu lhes darei instruções a respeito de outros assuntos depois que chegar aí.

As ordenanças da igreja

Jesus Cristo, com toda a autoridade que lhe foi dada pelo Pai (Mt 28.18), ordenou-nos que fossemos e fizéssemos “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Outra ordem que recebemos do próprio Senhor foi que comêssemos o pão e bebêssemos o cálice, na ceia do Senhor, em memória de sua morte e testemunho de sua obra redentora, até que ele venha (Lc 22.19-20 e 1Co 11.23-25).

Cientes destes mandamentos ou ordenanças, nós os batistas, subscrevemo-nos à Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (DD-CBB), que em seu Artigo 9o declara que “o batismo e a ceia do Senhor são as duas ordenanças da igreja, estabelecidas pelo próprio Jesus Cristo, sendo ambas de natureza simbólica”.

No último dia 25 (fevereiro; mês passado), nós começamos a estudar sobre as ordenanças: o batismo e a ceia do Senhor. Seguiremos agora de manhã com o estudo da ceia do Senhor, e assim nos prepararemos para comer do pão e beber do cálice do Senhor.

Declaração Doutrinária

Vamos começar pela DD-CBB (Artigo 9o), que diz:

A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio dos elementos utilizados: o pão e o vinho. Nesse memorial, o pão representa seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado. A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas até a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batismo bíblico e o cuidadoso exame íntimo dos participantes.

Na última mensagem, nós destacamos o valor da ceia do Senhor e começamos a apresentar um fundamento bíblico para a compreensão que os batistas têm da ceia do Senhor; estudamos 1) a origem histórica e o significado da ceia do Senhor. Falta-nos ainda discorrer sobre: 2) os participantes cristãos; 3) o ato físico; 4) o ato mental; 5) o ato espiritual; e 6) a seriedade sagrada. Prossigamos. Antes, porém, breve recapitulação.

1. A origem histórica e o significado da ceia do Senhor

Recapitulando: a origem histórica da ceia do Senhor é a última ceia que Jesus mesmo comeu com seus discípulos na noite anterior à sua crucificação. Tanto os atos como o sentido da ceia estão arraigados no que Jesus disse e fez na sua última noite com os Doze. Por isso, afirmamos que o próprio Jesus é a origem da ceia do Senhor. Ele ordenou que ela fosse celebrada continuamente. E Jesus é o foco e o conteúdo da ceia do Senhor, possibilitando-nos, através de sua obra de salvação, comer e beber na presença de Deus.

Do Gêneses ao Apocalipse, o alvo de Deus tem sido levar seu povo à comunhão com ele, e uma das grandes alegrias de experimentar essa comunhão é o fato de que, por causa da obra de salvação de Cristo, podemos comer e beber na presença do Senhor.

2. Os cristãos participantes da ceia do Senhor

A ceia do Senhor é um ato da família reunida; um ato daqueles que creem em Jesus, que professaram sua fé em Jesus; um ato da igreja. Não é para quem não creu e não tenha ainda professado publicamente sua fé em Jesus através do rito de entrada (batismo).

Descrentes ou quem ainda não foi batizado biblicamente podem (e devem) estar presentes — de fato, nós lhes damos as boas-vindas e desejamos que estejam presentes —, pois não há nada secreto a respeito da ceia do Senhor. Ela é feita em público, tem um sentido público, comemorativo e proclamatório (como veremos na sequência).

A ceia do Senhor não é secreta, não tem um ritual como de seita, com poderes mágicos e ocultos. A ceia do Senhor é um ato público de adoração por parte da igreja reunida. Em 1Coríntios 11.26, Paulo afirma:

Porque cada vez que vocês comem desse pão e bebem desse cálice, anunciam a morte do Senhor até que ele venha.

Ou seja: há um aspecto profético ou proclamatório na ceia. Veja bem: proclamação, não segredo! Em outras palavras, quando comemos o pão e bebemos o cálice, nós proclamamos a morte do Senhor até que ele venha. Desse modo, repito, há um aspecto profético ou proclamatório para a ceia do Senhor. Proclamação, não segredo ou misticismo!

Os batistas não costumam levar a ceia do Senhor para alguém que esteja acamado, em uma casa de repouso para idosos, hospital, etc. Pode-se até fazê-lo, mas esse tipo de prática individual é excepcional, não a norma bíblica. Por quê?

Cinco vezes em 1Coríntios 11, Paulo fala da igreja se “reunir” quando a ceia do Senhor é comida. Veja: versículo 17“Nas instruções a seguir, porém, não posso elogiá-los, pois, quando vocês se reúnem, fazem mais mal que bem”; versículo 18“Primeiro, ouço que há divisões quando vocês se reúnem como igreja e, até certo ponto, eu o creio”; versículo 20Quando vocês se reúnem, não estão interessados de fato na ceia do Senhor”; versículo 33“Portanto, meus irmãos, quando se reunirem para comer, esperem uns pelos outros”; versículo 34“Se estiverem com fome, comam em casa, a fim de não trazer julgamento sobre si mesmos ao se reunirem”.

Em outras palavras, os coríntios estavam rebaixando a ceia do Senhor por associá-la às suas refeições regulares: enquanto algumas pessoas tinham muito para comer, outras nada possuíam. Assim, o apóstolo orientou que tomassem suas refeições em casa e se reunissem na igreja para comer a ceia do Senhor.

Observe o substantivo “igreja” no versículo 18: “quando vocês se reúnem como igreja”. A igreja é o corpo de Cristo, a assembleia dos seguidores de Jesus. Aqueles que se arrependeram de seus pecados, abandonaram seus ídolos, colocaram sua fé em Jesus para o perdão de seus pecados e em esperança de vida eterna; aqueles que professaram sua fé através do batismo; esses são os cristãos, essa é a igreja que come a ceia do Senhor. Portanto, os participantes da ceia do Senhor são os cristãos reunidos em nome de Cristo.

3. O ato físico da ceia do Senhor

O ato físico da ceia do Senhor não é o consumo de uma refeição com várias opções de entrada, muitas variedades para o prato principal e diversas sobremesas. A ceia do Senhor é bem simples. Pão e vinho. Talvez isso frustre alguns; lembre-se, porém de que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Observe o relato de Paulo (1Co 11.23-25):

23Pois eu lhes transmiti aquilo que recebi do Senhor. Na noite em que o Senhor Jesus foi traído, ele tomou o pão, 24agradeceu a Deus, ­partiu-o e disse: “Este é meu corpo, que é entregue por vocês. Façam isto em memória de mim”. 25Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, confirmada com meu sangue. Façam isto em memória de mim, sempre que o beberem”.

Sobre o pão: nada é especificado sobre o tipo de pão ou a forma como ele é partido. Sobre o cálice: a única afirmação a respeito do que estava no cálice é feita nos Evangelhos (Mt 26.29 — ARA): “E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai” (cf. Mc 14.15 e Lc 22.18). Assim, a ceia do Senhor é chamada “o fruto da videira”.

Não penso que devemos dar muita importância se o conteúdo do cálice é suco da uva ou vinho. Não há nada no texto que nos ordene ou nos proíba de utilizar um ou outro. Optamos pelo suco para não servirmos de pedra de tropeço para aqueles que, entre nós, porventura sofram com o alcoolismo. O que o Senhor nos orienta a beber é “o fruto da videira”. Suco da uva se enquadra. Vinho também.

Deveríamos nos preocupar, no entanto, com os substitutos jocosos; por exemplo: pão com salame e Coca-Cola, ao redor de uma fogueira de acampamento. A ceia do Senhor não é uma brincadeira. Deveríamos celebrá-la com um senso reverente de significado (mais sobre isto adiante).

Precisamos mencionar de passagem que não há nada no Novo Testamento sobre a frequência da ceia do Senhor. Alguns creem que seria bom celebrá-la uma vez por semana; outros, a cada três meses. Estamos em uma posição intermediária e, geralmente, nós a celebramos no último domingo de cada mês (começaremos hoje a intercalar: num mês, pela manhã; noutro, à noite).

Entendemos que somos livres com respeito à frequência e as questões se tornam as seguintes: 1) prioridade: que frequência ou infrequência corresponde à sua própria importância em relação ao ministério da Palavra de Deus?; 2) valor: qual frequência ou infrequência nos ajuda a sentir seu valor em vez de nos tornarmos insensíveis a ela? Essas questões não são fáceis, e diferentes igrejas as avaliam de formas distintas. Nós celebramos mensalmente a ceia do Senhor, num mês pela manhã e noutro à noite.

Declaração Doutrinária

Continuaremos nosso estudo sobre a ceia do Senhor no próximo mês, quando formos celebrá-la mais uma vez. Agora, preparando-nos para comer o pão e beber o cálice, leiamos o que nós confessamos — DD-CBB (Artigo 9o):

A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio dos elementos utilizados: o pão e o vinho. Nesse memorial, o pão representa seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado. A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas até a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batismo bíblico e o cuidadoso exame íntimo dos participantes.

S.D.G. L.B.Peixoto

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