AS MULHERES DA IGREJA DE CRISTO

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AS MULHERES DA IGREJA DE CRISTO

Em uma sociedade caracterizada pelo “não me toque” ou pelo “mantenha distância de mim”, nós, SIBGO, não podemos seguir como os demais: isolados uns dos outros, como entidades independentes, cercadas por todos os lados com arames de formalidade e de profissionalismo gelado.

Também não podemos nos perder na confusão do que é ser igreja que hoje predomina em nossos arraiais. Pensando nisso foi que buscamos um modelo bíblico do ideal de Deus para a nossa igreja. Queremos ser uma igreja saudável em relacionamentos e em regulamentos. Chegamos à saudação final da carta de Paulo aos Romanos, o capítulo 16.

Domingo passado, na primeira mensagem da série de seis, nós destacamos algumas características gerais da igreja: “A maquete da Igreja de Cristo”. Vimos uma reprodução em escala reduzida daquilo que se espera de nós como Corpo de Cristo. Hoje, considerando a confusão generalizada que há sobre os papéis do homem e da mulher na família e na igreja, olharemos para os personagens da Igreja de Cristo – as mulheres em especial – “As mulheres da Igreja de Cristo”.

Romanos 16.1-16

1 Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia. 2 Peço que a recebam no Senhor, de maneira digna dos santos, e lhe prestem a ajuda de que venha a necessitar; pois tem sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para mim. 3 Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. 4 Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. (…) 6 Saúdem Maria, que trabalhou arduamente por vocês. 7 Saúdem Andrônico e Júnias, meus parentes que estiveram na prisão comigo. São notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim. (…) 12 Saúdem Trifena e Trifosa, mulheres que trabalham arduamente no Senhor. Saúdem a amada Pérside, outra que trabalhou arduamente no Senhor. 13 Saúdem Rufo, eleito no Senhor, e sua mãe, que tem sido mãe também para mim. (…) 15 Saúdem Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, e também Olimpas e todos os santos que estão com eles. 16 Saúdem uns aos outros com beijo santo. Todas as igrejas de Cristo enviam-lhes saudações.

O valor e o papel das mulheres

Contrário do que se pensa e se proclama, o cristianismo (incluído nele está o apóstolo Paulo) não só reconhece o valor, como também, destaca o papel da mulher; veja, por exemplo o nosso texto.

Lendo as Escrituras, entendo que mulheres não são chamadas para serem pastoras, da mesma forma que elas não são chamadas para serem cabeças do lar (governar o lar – cf. 1Tm 3). Essas são funções e papeis para os homens na família e na igreja (que é a família de Deus). Há vários fundamentos bíblicos que poderiam ser citados aqui, mas não é este o objetivo desta mensagem (veja: 1Tm 2.11-15; 1Co 14.34-36; 1Co 11.2-16 e acesse: http://www.cbmw.org/Questions-and-Answers). Destaco apenas o que se lê em 1Coríntios:

1Co 11.2-3 | 2 Eu os elogio por se lembrarem de mim em tudo e por se apegarem às tradições exatamente como eu as transmiti a vocês. 3 Quero, porém, que entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus.

Qualquer coisa diferente disso Paulo chama de polêmica que não faz parte da igreja de Deus (1Co 11.16).

Cabe também citar uma afirmação bastante lúcida do saudoso estudioso do Novo Testamento, que faleceu em julho de 2011, John Stott. Comentando sobre Romanos 16 ele disse:

         O lugar proeminente ocupado pelas mulheres na comitiva de Paulo mostra que ele não era de todo o macho chauvinista da fantasia popular. Será que isto lança alguma luz sobre a controversa questão do ministério pastoral feminino? Como se vê neste capítulo, quatro delas trabalhavam duro no serviço do Senhor. Priscila era “colaboradora” de Paulo, Júnias era uma missionária bastante conhecida de todos e Febe parece ter sido uma diaconisa. Por outro lado, precisa ser dito que nenhuma dessas mulheres é chamada de presbítera [nem de pastora, nem de bispa] na igreja. Um argumento a partir do silêncio jamais poderá ser decisivo em questões teológicas.

         As palavras do Pr. Russell P. Shedd também são sóbrias e dignas de nossa cuidadosa atenção:

Governo masculino [na família e na igreja]. Este tem sido o entendimento ao longo dos séculos. Desde o início, a cristandade sempre manteve a responsabilidade e a liderança do homem como princípio fundamental. A identidade da Igreja se baseia na concepção de o povo de Deus ser edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, conforme Paulo escreve aos Efésios. Se Jesus tivesse escolhido uma “apóstola” para estabelecer e manter a estrutura da Igreja que ele edificava, não haveria qualquer controvérsia. Da mesma forma, se uma mulher tivesse sido escolhida para escrever um ou mais livros da Bíblia, toda a polêmica nas igrejas em torno da liderança feminina simplesmente não existiria. Mas não foi isso que aconteceu… Não há qualquer sugestão, no Novo Testamento, de que mulheres ocuparam posição de liderança nos tempos bíblicos.

É claro que as mulheres têm papel destacado no Reino de Deus e, por conseguinte, na Igreja, e isso deve ser reconhecido e valorizado. Elas, assim como os homens, recebem dons, ou carismas, e são encorajadas a exercê-los, mas sempre em subordinação à sua cabeça, seja o marido ou o pai ou o pastor. De fato, diante de Deus a mulher não é de maneira alguma inferior, em inteligência ou capacitação, ao homem. Tanto é assim que inúmeras obreiras do Senhor têm deixado invejável legado. A coragem e a disposição da mulher cristã de sofrer pela causa do Reino são evidentes – inclusive, quando os homens careciam de interesse e de compromisso para se arriscarem nos lugares remotos, muitas vezes em meio a povos hostis.

Além de obreiras e de missionárias, há também entre nós excelentes professoras de Bíblia. Em nossas igrejas, todos nós testemunhamos a eficiência e a vocação do gênero feminino para o serviço do Senhor e dos santos. Porém, o ministério pastoral feminino não encontra base bíblica evidente. E as exceções apenas mostram que Deus abençoa, de modo especial, as mulheres que ocupam os campos que os homens se recusam adentrar para tomar a liderança que o Senhor ordenou para eles.

Portanto, dizer que não há respaldo bíblico para mulheres serem pastoras não quer dizer que as mulheres sejam menos especiais, ou que sejam inferiores, ou que possuam menor valor no desempenho de seus papeis. Nem que as mulheres que hoje exercem funções pastorais não mereçam o nosso respeito. Pelo contrário. Como cristãos, nós devemos amor e respeito a toda e qualquer pessoa. É assim que eu busco tratar as irmãs que sei que hoje exercem o pastorado em nossa denominação. Discordando biblicamente, sempre buscarei trata-las com honra, amor e respeito.

As mulheres da igreja de Roma

Agora, de volta ao texto de Paulo, vejamos o claro papel que, desde o princípio, Deus tem para as mulheres da igreja de Cristo.

Em Romanos 16, Paulo envia saudações ou faz recomendações a 26 pessoas, sendo que 24 delas são chamadas pelo nome. Agora, note bem o seguinte: pelo menos 10 dessas 26 pessoas são mulheres. Ou seja, quase a metade dos nomes! São elas:

  • Febe (v. 1)
  • Priscila (v. 3)
  • Maria (v. 6)
  • Júnias (v. 7)
  • Trifena e Trifosa (v. 12)
  • Pérside (V. 12)
  • A mãe de Rufos (v. 13)
  • Júlia (v. 15)
  • A irmã de Nereu (v. 15)

Paulo certamente tem cada uma delas em altíssima estima. Portanto, quais são as lições que as mulheres da igreja de Roma, no primeiro século da era cristã, ensinam para as mulheres da SIBGO em pleno século 21? (E também aos homens!)

1. A atuação das mulheres solteiras

A primeira mulher mencionada por Paulo é Febe.

Febe não é de Roma, mas está a caminho de Roma. Ela serve de exemplo bem oportuno para as mulheres cristãs desse tempo: trabalhadoras. Muitas delas solteiras e bem-sucedidas. Febe é tudo isso e um pouco mais.

Rm 16.1-2 | 1 Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia. 2 Peço que a recebam no Senhor, de maneira digna dos santos, e lhe prestem a ajuda de que venha a necessitar; pois tem sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para mim.

         Febe deveria ser solteira ou viúva, pois não se menciona o nome do marido. Ela era mulher de negócios. Uma pessoa bem-sucedida (como Lídia em Atos 16.14). Tinha como hábito ajudar financeira e materialmente ao próximo, pois serviu de “grande auxílio [socorredora, protetora] para muita gente, inclusive para [Paulo]”.

Febe também era diaconisa, “serva”, na região de Cencréia em Corinto.

Febe era mulher de caráter irrepreensível, pura em suas atitudes, pois Paulo faz questão de chamá-la de “nossa irmã”. E o que ele desejava dizer, senão o que ele disse quando escreveu a Timóteo:

1Tm 5.1-2 | “Trate os jovens como a irmãos; (…) e as moças, como a irmãs, com toda a pureza”.

Portanto, as mulheres da igreja de Cristo podem:

1) Trabalhar, sim! Buscar serem bem-sucedidas, sim! Provérbios 31 nos revela que pode ser assim. Mas elas devem empregar, na mesma medida e proporção, os seus ganhos e recursos no Reino de Deus e no bem do próximo. Paulo deixou isso bem claro quando escreveu a todos os crentes de Éfeso:

Ef 4.28 – O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.

2) Nunca abandonar o serviço na igreja local. De uma forma ou de outra as mulheres devem buscar se envolver. Há tantas maneiras de elas serem “diaconisas”, de serem servas (discipular, ensinar, servir, socorrer, atuar nas finanças, no cuidado dos bens e patrimônios, etc.). Febe, além de contribuir financeiramente, levava uma carta para Roma, por exemplo. Com ela seguia a palavra de Paulo e recursos financeiros de seu próprio bolso para abençoar alguém necessitado.

3) Lutar para manter a reputação como mulheres cristãs dignas de todo respeito. Os homens devem tratá-las com toda decência, como “irmãs em Cristo”. Mulheres, portanto, devem ter postura santa, vestimenta coerente com o caráter cristão e vocabulário edificante.

  1. A atuação das mulheres casadas

Tendo falado de Febe, mulher solteira ou viúva, Paulo fala de Priscila, esposa de Áquila.

Rm 16.3-4 – 3 Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. 4 Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios.

         Por que o nome dela aparece primeiro que o dele? John Stott sugere três razões possíveis:

  • Espiritual – Priscila converteu-se a Cristo primeiro que Áquila.
  • Social – Priscila era uma mulher de família com destaque social.
  • Temperamental – Priscila possuía uma personalidade dominante.

Seja como for, Paulo parece reconhecer e não condenar a posição de destaque de Priscila. Maridos deveriam fazer o mesmo: dar suporte e apoio às suas esposas, principalmente quando elas se destacam no serviço do Reino ou profissionalmente.

Ademais, observem duas importantes lições sobre esse casal, especialmente sobre essa mulher, Priscila:

1) O trabalho que eles desempenham é para Cristo. Priscila e Áquila eram fabricantes de tendas (At 18.3). Eles não eram missionários de carreira. Mas o que eles faziam, tudo o que eles faziam, era para Deus e o seu Reino. Tempo, talentos e tesouros eram para o Senhor Jesus. Doutra forma, Paulo não teria dito deles que eram seus “colaboradores em Cristo Jesus”.

2) O amor que eles demonstram pelos outros é concreto e radical. Priscila e Áquila arriscaram a própria vida por Paulo. Não sabemos o que eles fizeram, mas sabemos que foi marcante o suficiente para Paulo jamais se esquecer.

Com Priscila e Áquila nós aprendemos que…

  1. Pode ser que esposas se destaquem mais que esposos. Isso não significa insubmissão e nem pode ser uma desculpa para tal. Maridos e mulheres devem estar bem resolvidos quanto a isto e apoiarem-se mutuamente, incentivarem-se mutuamente.
  2. Tudo o que fazemos, todo trabalho que desempenhamos, toda carreira ou vocação deve ser em Cristo e para Cristo – “O viver é Cristo”.
  3. Nosso amor deve ser sacrificial, concreto e marcante. O casal deve unir forças para o bem do próximo, da igreja local e do Reino.

3. A atuação das mulheres em geral

Ao citar essas 10 mulheres, Paulo nos deu dicas de como mulheres solteiras e mulheres casadas devem atuar, mas ele também nos deu dicas de como mulheres em geral devem proceder na vida cristã.

3.1. Trabalho árduo

Paulo destaca 4 mulheres que “trabalharam arduamente” {Maria (v. 6), Trifena, Trifosa e Pérside (v. 12)}.

Elas não mediram esforços. Afadigaram-se. Suaram a camisa. — Numa época de tanto egoísmo, individualismo e materialismo, de tanta vaidade e de tanta sensualidade, essas mulheres nos encorajam a trabalhar arduamente pelo Reino de Deus.

3.2. Dedicação à oração

Quando vejo Paulo falar de Júnias, esposa de Andrônico, seus “parentes que estiveram na prisão [com ele]. (…) e estavam em Cristo antes [dele]” (v. 7), o que fica pulsando em minha mente é a exclamação: “Quantas vezes essa mulher deve ter orado por Paulo, seu parente!”.

Isso mesmo, ela orou muito pela conversão de Paulo. O que um crente costuma fazer pelo resto da família descrente, principalmente se eles tiverem o caráter que Saulo de Tarso tinha? Orar! Mulheres devem ser guerreiras de oração. Homens também.

3.3. Sensibilidade para acolher e para cuidar

Fico sensibilizado com o que leio no verso 13 sobre a mãe de Rufo:

Saúdem Rufo, eleito no Senhor, e sua mãe, que tem sido mãe também para mim.

         Mãe acolhe, mãe cuida, mãe trata, mãe ora, mãe investe, mãe sacrifica, mãe não leva e traz (guarda no coração). Enfim, mãe ama! Ama por natureza (filhos naturais) e ama por escolha (filhos adotivos e espirituais).

A minha oração

Que as mulheres da SIBGO aprendam com as mulheres da igreja de Roma sobre como devem ser as mulheres da Igreja de Cristo.

Que os homens sejam suporte, encorajadores e em tudo amorosos. Servos da Palavra.

Que Deus abençoe a todos nós com graça, misericórdia e paz.

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