Ativo, mas plenamente debaixo do controle de Deus


A despeito de Satanás ter conseguido fazer com que Adão e Eva desobedecessem a Deus, quebrando o pacto com ele e lançando toda a raça humana no pecado, Satanás permaneceu sob controle de Deus por toda era do Antigo Testamento. Isto é evidente pela relação de Satanás com Saul, em 1 Samuel 16.14-23, e nos tratos de Satanás com Deus a respeito de Jó, em Jó 1. Satanás não podia ir além dos limites fixados por Deus em seu soberano poder de Criador. Sem a vontade permissiva de Deus, ele “não pode sequer se mover”. No entanto, Satanás tem ferido regularmente o calcanhar da semente da mulher desde o Éden. Sua influência é evidente no conflito entre Caim e Abel, Ismael e Isaque, Esaú e Jacó, e do Egito e Israel. O alvo de Satanás é sempre o mesmo: eliminar a semente escolhida. Por exemplo, na ordem de Faraó de destruir todos os filhos homens de Israel. Veja só o ataque do Egito contra os israelitas no Mar Vermelho. Veja a trama de Hamã contra Ester e seu povo. Satanás se esconde a cada virada, por todo o Antigo Testamento, tentando derrubar os propósitos de Deus por um longo tempo. Ele incitou Davi a enumerar o povo (1 Cr 21.1); acusou de pecado o sumo sacerdote Josué (Zc3 .1); tentou solapar o povo escolhido de Deus, por meio de práticas pagãs associadas a ritos de orgias (1 Rs 18.28), feitiçaria (2Rs 9.22), ocultismo (2 Rs 21.6-7) e adivinhação (Mq 5.12). Mas as maléficas investidas de Satanás, por mais bem planejadas que sejam, fracassam continuamente, pois Deus as utiliza para cumprir os seus propósitos, em vez de impedi-los. Satanás questionou a piedade de Jó, dizendo que era interesseira; mas, no final, Deus refinou a seu servo Jó, por meio das ardentes provações, e o trouxe diante dele como ouro refinado. Satanás planejava fazer com que Balaão amaldiçoasse a Israel, mas o Espírito de Deus veio sobre Balaão, de modo que ele profetizasse a respeito da graciosa vontade de Deus para Israel. Satanás é governado pela vontade de Deus de tal forma, disse Calvino, “que é compelido a render-lhe [culto] serviço”.

Que consolo é saber que os esquemas maléficos de nosso maior inimigo estão plenamente sob controle de nosso melhor Amigo, para que saibamos que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28)! É por isso que Calvino pôde concluir: “Até mesmo o diabo, às vezes, age como médico para nós”.

Texto extraído e adaptado do livro:
Lutando contra Satanás, escrito por
Joel R. Beeke. Editora Fiel.

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