Abrindo os Salmos


Com o coração vibrando de boas palavras recito os meus versos em honra ao rei; seja a minha língua como a pena de um hábil escritor. Salmos 45.1

É provável que os Salmos sejam o livro mais amado da Bíblia. Por gerações, eles têm sido um dos grandes tesouros do povo de Deus. Charles H. Spurgeon intitulou o seu comentário nos Salmos de “Os tesouros de Davi”. Realmente um ótimo título, pois as palavras desse livro, nas palavras de Davi, “são mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro” (Sl 19.10).

Em sua última semana na terra, o Senhor usou os Salmos 8.2; 118.22-23 e 110.1 para silenciar os sacerdotes e os escribas do templo (Mt 21.16, 42; 22.44). A Igreja Primitiva, quando precisou decidir sobre alguém para substituir Judas Iscariotes, voltou-se para os Salmos 69.25 e 109.8 em busca de orientação (At 1.20). Sabemos também que Paulo valeu-se grandemente dos Salmos na composição de grandes doutrinas expostas em Romanos. Por exemplo, em Romanos 4.6-8 ele ensina a salvação pela fé a partir do Salmo 32.

Cada Salmo é um poema. A poesia hebraica, porém, não é composta de rima, ritmo e métrica, como é o caso da maioria das poesias do mundo ocidental. A poesia hebraica é escrita em paralelismo. A pegada, portanto, não está na rima, mas na forma diferente de se dizer a mesma coisa na linha seguinte. Graças a Deus que é assim, pois se tal poesia estivesse calcada na rima nós perderíamos o seu valor nas traduções do original hebraico. A genialidade da poesia hebraica está justamente no paralelismo de ideias, fazendo com que a poesia permaneça poesia em cada língua para a qual ela é traduzida.

Os Salmos agarram o nosso coração de diversas maneiras.

Em primeiro lugar, os Salmos foram escritos para serem cantados. “Salmos” vem do grego, cuja tradução vem do hebraico “mizmor”. Ambas as palavras significam música acompanhada por instrumento musical, particularmente a harpa.

Em segundo lugar, os Salmos agarram o coração através das figuras de linguagem. Os autores são poetas e artesãos de palavras. Como tais, eles pintam imagens que nos atraem com imensa beleza.

O Salmo não diz que “o povo está triste”. Ele diz assim: “Tu o alimentaste com pão de lágrimas e o fizeste beber copos de lágrimas” (Sl 80.5). O Salmo não diz simplesmente “protege-me”. Ele diz assim: “Protege-me como à menina dos teus olhos; esconde-me à sombra das tuas asas” (Sl 17.8).

Quando lemos os Salmos, nós precisamos usar a imaginação. Precisamos visualizar e sentir o que nós estamos lendo, pois em suas poesias, os homens que escreveram os Salmos derramaram uma enxurrada de emoções.

Os Salmos, portanto, são importantes para nós, pois com eles aprendemos a cantar, adorar, agir, viver, orar e também ouvir a Deus, seja na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza. Faremos, pois, sempre muito bem se lermos, compreendermos, meditarmos, cantarmos e orarmos os Salmos tendo Jesus e a história da redenção em vistas.

Que o Senhor nos abençoe com graça e paz.
Leandro B. Peixoto.

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